Belo fim de tarde de verão, não obstante ser já outono...
Foi uma festa de fim de verão daquele tipo "assalto" que se faziam nos tempos de juventude em casa de alguns para a qual se convidava uma série de amigos que levavam outros amigos. Cada um levava algo para comer e para beber, dispunha-se tudo muito bem na mesa e depois cada um servia-se a contento. Punham-se discos levados por alguns a tocar no gira-discos e dançava-se até haver comida e bebidas e paciência dos pais da casa para nos aturarem.
No sábado, lá fomos, convidados por uns amigos que se dispuseram a organizar as coisas, a alugar o salão das antigas instalações do Hotel das Arribas na Praia Grande, levando cada um de nós doces e salgados e bebidas. Só que a música era ao vivo e a cores com os amigos Diamantes.
Foi uma festa daquelas! Muito informal, muito divertida, muito completa. Eles tocaram todas aquelas músicas loucas de 60 e 70 – curiosamente tocaram melhor que naqueles tempos – e houve, de igual modo, momentos de grande ternura e de grande emoção.
Cá está o nosso conjunto que contou com a presença do Duarte Mendes (de camisa branca)
Lembram-se dele no festival da Eurovisão em 1975 com a canção Madrugada?
Dançou-se muito
Dançou-se assim
Assim..
... e assim.
Houve o momento de ternura que foi a primeira apresentação da neta do nosso querido baterista e meu amigo Caínhas tocando o itema Smile no seu saxofone
A Carlota, muito compenetrada, tocando o seu saxofone
E também houve lugar a uma breve homenagem ao compositor e poeta recém desaparecido José Niza, quando Duarte Mendes cantou, visivelmente emocionado, a canção de autoria do referido compositor "Com uma arma, com uma flor" que mereceu uma interminável e sentida salva de palmas de todos os presentes.
Nasci num país de silêncio e luta
E cresci rasteiro
(meu pão era curto)
Não vendi a esperança
Nem pedi meu preço
De tudo o que vi
Nunca mais me esqueço
Fui vivendo à força
De suor e fome
Vi levar amigos
Do meu mesmo nome
Nas balas da sorte
Tive a minha escola
Aprendi a vida na morte
Em angola
Numa lua cheia
Saltei a fogueira
Numa lua nova
Saltei a fronteira
Sofri um país
Calei a razão
Vendi minha pele em frança
Por pão
Calaram-me a boca
Cortaram-me o riso
Mas estava de pé
Quando foi preciso
Em abril, abril
Em abril-sem-medo
Vesti minha farda
Fardado em segredo
Em abril, abril
Em abril-sem-medo
Da raiva e na dor
Do suor sem terra
Deste dó maior
Do lucro e da guerra
Das armas em flor
Nasceram razões
Nasceram braços
Nasceram canções
Nasceram bandeiras
Da cor deste sangue
Que temos nas veias
Que temos na carne
Nasceu meu país
Meu país criança
Em abril, abril
Tempo de mudança
Meu povo, raiz,
Dum cravo de esperança.
Composição: José Niza
Letra: Paulo de Carvalho