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sábado, 22 de junho de 2019

Summertime

É sempre uma enorme tentação de cada vez que chega o Verão - recordar a lendária canção «Summertime» que integra a ópera «Porgy and Bess» escrita por G. Gershwin nos anos 30 do século passado. 

As bandas de jazz trataram-na, adaptaram-na e logo se tornou um enorme sucesso. Como melhor a conhecemos é pelo saxofone de  Louis Armstrong e na voz da Ella Fitzgerald.

Mas hoje vou deixá-la aqui nesta versão anterior.



Se bem que o original na peça de teatro era este - que é uma verdadeira delícia.

Ora deliciem-se!




terça-feira, 27 de março de 2018

António Ribeiro Chiado

Hoje é dia de celebrar o Teatro. Já é assim desde 1961. - dia criado pelo Instituto Internacional do Teatro, em França.

Pois hoje trago aqui um excerto de uma peça do nosso Chiado, poeta e dramaturgo satírico contemporâneo de Camões, nascido em Évora por volta de 1520 tendo-se mudado para Lisboa, onde fez uma vida de boémio e onde morreu em 1591.

Conhecendo bem os costumes populares e o calão do século XVI, flagelou e atacou todos os vícios palacianos. Segundo Teófilo Braga, António Ribeiro Chiado representou na corte, diante de D. João III, o «Auto da Natural Invenção».

Deixo-vos com um trecho bem engraçado do «Auto das Regateiras».


CASAMENTO DE BEATRIZ VARELA COM CORIGO

Noivo - Sim.

Padrinho -…Está bem:
iguais estais nas vontades.
Dai cá as mãos, e dizei assim:

- Digo eu, Beatriz Varela,
que por meu marido e amigo
recebo a vós, João Corigo.

Tomai agora a mão dela,
e dizei, como eu disser:

- Digo eu, Lourenço Corigo,
que com vontade singela
recebo a vós, Beatriz Varela,
por mulher.

Comadre - Que fazeis? Deitai-lhe o trigo.
Quis Deus que fosseis casados.
Para que são mais trapaças?
Alçai as mãos, dai-lhe graças.
Filhos, sejais bem logrados!
Ela moça, e ele moço,
bem se foram ajuntar.
Por vós se pode cantar:
Deitem o noivo ao poço,
se com a noiva não brincar.

António Ribeiro (O Chiado)
«Auto das Regateiras», excerto
In: «Antologia de Poesia Portuguesa Erótica e Satírica (dos Cancioneiros Medievais à Actualidade)», Selecção, prefácio e notas de NATÁLIA CORREIA



quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

A Guida Maria

Fiz a minha 4ª classe num Externato privado na Parede – de que já não me lembro o nome – no ano letivo de 1957/58. A minha mãe dava lá aulas aos alunos da 2ª classe, turma onde tinha uma aluna que se chamava Guida Maria. Muito bonita, muito vivaça, muito alegre e divertida, com um olho azul muito expressivo, mas nem por isso muito boa aluna porque faltava muito às aulas para ir aos ensaios e para decorar os papeis das peças em que representava. Teria os seus sete/oito anos.




O colégio era frequentado por meninos e meninas “de família” por isso a Diretora, a Srª D. Maria Alice, minha professora, tinha certos cuidados na organização do colégio, nos serviços que prestava e nos eventos que realizava.

Lembro, com especial ternura, a festa de final de ano em que se representou uma peça de teatro muito completa e muito abrangente. O enredo era muito simples: uma avó fazia 82 anos e lamentava-se, sozinha, em palco, porque nenhum dos seus netos a visitava nesse dia. Depois, aos poucos, eles iam aparecendo e cada um trazia consigo um grupo que dançava ou cantava para a avó. As danças, os cantares e os poemas declamados cobriam quase todas as províncias de Portugal. Lembro-me que se dançaram o vira do Minho e da Nazaré, o corridinho do Algarve, o bailinho da Madeira e até o fandango sapateado do Ribatejo (que foi ensaiado pelo motorista do colégio que era ribatejano). Também houve bailado clássico e belas canções pelo coral.

Eu fui escolhida para representar a avó, de cabelo empoado e longo vestido e xaile negros e a minha primeira fala, ao abrir do pano, era: «82 anos… Como o tempo passa!» Depois, lá me lamentava por estar sozinha e ninguém se lembrar de mim naquele dia e aí aparecia a pequena Guida Maria, minha neta. Então desenrolava-se a peça, sendo nós duas as “responsáveis” pela chegada dos restantes netos com os seus grupos de animação da festa da avó.

Os nossos “ensaiadores” foram, nada mais, nada menos do que o ator Luís Cerqueira, pai da Guida Maria, e um cunhado daquele, tio da Guida, o Senhor Vaquinhas que era encenador.



A peça foi representada no antigo Casino do Estoril.



No final da representação, o pai e o tio da Guida Maria pediram à minha mãe que me deixasse seguir a carreira do teatro que eles me encaminhariam.

A minha mãe não deixou. (A sua grande aspiração era que a filha tirasse um curso superior e “fosse alguém”… )

Fui acompanhando à distância e a espaços a carreira da minha famosa colega até que ontem fui tristemente surpreendida pela notícia da sua morte.

Lamento que tenha partido com tanto ainda para dar.




sábado, 17 de junho de 2017

Ontem fui ao teatro

Já aqui disse que nunca fui grande fã de teatro. Contar uma história, uma situação, uma ideia para mim, é no cinema ou num livro bem escrito.

Quando morávamos em Lisboa, fomos algumas vezes ao Monumental, ao Maria Matos, ao Villaret ver algumas boas peças. Uma delas foi «Quem tem medo de Virginia Woolf?», do dramaturgo norte-americano Edward Albee (1928-2016), que vimos no saudoso Teatro Monumental, em 1971, ano em que nos casámos, com as excelentes atuações de Glória de Matos (Martha) e Jacinto Ramos (George) com encenação de João Vieira.

Antes, tínhamos visto o filme (que arrebatou cinco óscares) com o mesmo nome com as interpretações da grande e lindíssima Elizabeth Taylor contracenando com o marido Richard Burton.

Ora ontem houve teatro em Leiria. Veio a peça «Quem tem medo de Virginia Woolf?» que tem estado em exibição no Teatro Trindade, em Lisboa, interpretada por Diogo Infante e Alexandra Lencastre nos papéis principais e nós lá fomos. Foi bom. O Diogo Infante (George) está sempre muito bem em qualquer papel e a Alexandra Lencastre (Martha) tem todo o à-vontade em palco. O jovem casal que alterna com eles também vai muito bem.

Mas, de facto, o grande protagonista da peça é o argumento em si. Trata-se de um drama psicológico bem ao estilo da literatura norte-americana dos anos sessenta do século passado que põe a nu os medos, as frustrações, os fantasmas de cada uma das personagens. Isto é feito numa linguagem e com comportamentos de grande agressividade ente Martha e George: ele,  um professor algo decadente numa universidade cujo diretor é o autoritário pai de Martha, na presença de um jovem casal, ele  - Nick - professor recém-contratado para a universidade e ela, uma jovem dona de casa simples e pouco letrada, com o adequado nome de Honey.

A peça tenta explorar de forma impiedosa os pontos fracos das pessoas a partir dos mais íntimos segredos de cada uma dos personagens o que cria um clima de grande tensão no grupo – mais no jovem casal do que nos veteranos que estão habituados a jogar estes jogos entre si.

O título tem a ver com uma brincadeira quebra-gelo que tinha tido lugar na festa de receção aos novos professores da universidade da qual as personagens principais regressam bem embriagadas e é um trocadilho entre o nome da bem conhecida escritora inglesa Virginia Woolf e a canção do desenho animado de Walt Disney «Quem tem medo do lobo mau?», em inglês «Who’s afraid of the big bad wolf?» que também aponta para a simbologia do lobo e dos medos íntimos de cada um de nós.

Muito interessante. Se puderem, gostarem e tiverem oportunidade, não deixem de ir ver.




segunda-feira, 27 de março de 2017

No Dia Mundial do Teatro

«Vocês, artistas que fazem teatro
Em grandes casas, sob sóis artificiais
Diante da multidão calada, procurem de vez em quando
O teatro que é encenado na rua.
Quotidiano, vário e anónimo, mas
Tão vívido, terreno, nutrido da convivência
Dos homens, o teatro que se passa na rua.»

Bertolt Brecht


«A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso, cante, chore, dance, ria e viva intensamente, antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos.»

De autor desconhecido

«Então sonhei um sonho tão bom: sonhei assim: na vida nós somos artistas de uma peça de teatro absurdo escrita por um Deus absurdo. Nós somos todos os participantes desse teatro: na verdade nunca morreremos quando acontece a morte. Só morremos como artistas. Isso seria a eternidade?»

Clarice Lispector


Esta é que é a minha noção de teatro. Do outro, do que passa nos palcos gosto pouco... Que se há de fazer?




quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Que lindo dia!!

O tempo tem estado vestido de primavera. Os entendidos dizem que «vamos pagar isto bem caro» e eu acredito. Nada de geada pela manhã, nem de "acentuado arrefecimento noturno". Uma primavera com dias mais curtos. 

Esta manhã, puxei os estores e o Sol irrompeu, brilhante, pelas vidraças e quando cheguei cá abaixo e abri a porta ao meu neto, senti aquele aroma meio seco que chega com as temperaturas amenas... 

E aí veio-me à lembrança a quadra daquela canção que por vezes dizia aos meus alunos:

«Oh what a beautiful morning!
Oh what a beautiful day!
I've got a beautiful feeling,
Everything's going my way!»

Só não é verdade que «tudo esteja a correr à minha medida», mas enfim...

A canção é de um filme musical que muitos dos meus amigos não conhecem porque é de 1955, ano em que ainda nem pensados estavam! Era o filme «Oklahoma» que foi decalcado na peça musical do mesmo nome dos anos 40 que pretendia mostrar as delícias do campo e da vida num rancho. Mas... aqui está a canção do filme.





Ou será que preferirão a versão de palco?




segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Vamos contar mentiras

No seu início, lá para os idos bem idos dos anos 60, a RTP transmitia semanalmente uma peça de teatro. Nunca fui grande amante de teatro, até porque nesse tempo, o teatro era muito declamado – geralmente dramas de autores russos e outros do género – o que tornava os espectáculos muito pesados e muito aborrecidos.

De vez em quando, lá davam uma boa comédia com bons atores portugueses e essas eu não perdia. Lembro-me particularmente de uma que se chamava “Vamos contar mentiras” com os meus queridos atores Henrique Santana (filho do grande Vasco Santana) e Armando Cortês em que a protagonista representada pela ainda jovem Florbela Queirós tinha o hábito de estar sempre a dizer mentiras e dizia tantas que se convencia de que eram verdades em que todos acreditavam. Uma das mentiras recorrentes era telefonar para a mãe a fazer queixas do marido e a dizer que era muito infeliz. Depois de choramingar o habitual «Ai, mãezinha, sou tão infeliz!», desligava o telefone e, ato contínuo, começava a cantar e a dançar o Perompompero…

É esta cena que sempre me vem à cabeça de cada vez que me acontece ouvir na televisão estes pantomineiros – que não atores formados no Conservatório – do “governo” e os seus acólitos a debitarem mentiras em cima de mentiras pensando que o pessoal, a quem consideram como papalvos, come todas as suas trapaças. Quando desligam os microfones, talvez não cantem o Porompompero, mas devem ficar muito contentes a pensar: «Pronto, já os enganámos outra vez!»

Lembrei-me uma vez mais da boa da comédia hoje, ao ouvir as palavras tartamudeadas pelo governador do Banco de Portugal sobre o caso BES.

E já agora, lembram-se do Perompompero? 




quinta-feira, 27 de março de 2014

The world's a stage

Duas simples frases no Dia Mundial do Teatro:






Qual delas é mais a vosso gosto?

terça-feira, 27 de março de 2012

Mulheres do teatro



 


Eu cá sou como a Tatão. A do Pai Tirano, sabem? Não sou muito dada ao teatro, que se há de fazer?
Especialmente o dito teatro "de vanguarda". Aquele que ou não se entende nada ou que é tão exagerado que não se aguenta. Quero dizer, eu não aguento!

Há muitos anos, nos idos de 70, ganhei uma bolsa de estudo da Gulbenkien e passei um mês em Inglaterra. Ora uma das atividades previstas foi levarem-nos ao teatro em Stratford-upon-Avon, a cidade natal de Shakespeare. A peça a que assistimos foi "The Importance of Being Earnest" (A Importância de se Chamar Ernesto) de Oscar Wilde e eu até gostei. Bastante. O pior foi que, no fim, os meus colegas portugueses saíram todos muito irritados porque aquilo tinha sido uma coisa antiquada e sem qualidade. À época, eu era muito nova e ainda muito metida em mim pelo que pensei - como era habitual em mim - que seria eu a ignorante... Agora, à distância no tempo e em termos de auto confiança, vejo que não foi nada mau, eles é que estavam armados em "modernos".

Mas, não sou grande amante de teatro. Tenho, porém, toda o apreço e toda a consideração pelos  artistas de teatro que se matam a trabalhar, ganham pouco, têm poucas ou nenhumas regalias sociais e antes que sejam considerados e chamados para trabalhos têm de se sujeitar a muitas provações. E antigamente pior ainda talvez.  Por isso hoje para lembrar o Dia Mundial do Teatro deixo aqui uma imagem muito antiga com uma série de mulheres do teatro português do início do século XX que encontrei no blog Fabulásticas

Legenda:
 
Da esquerda para a direita e de cima para baixo: Luisa Satanela, no Teatro Avenida, Auzenda de Oliveira, no S. Luís, Palmira Bastos, no Gimnásio, Elisa Santos, no Salão Foz, Deolinda de Macedo, no Teatro Águia de Ouro, do Porto, Berta de Bivar, no Nacional, Hortense Luz, no Maria Vitória, Lucília Simões, no Trindade, Elisa Carreira, no Eden, Filomena Lima, no Apolo, Raquel M. , no Variedades do Parque Mayer, Cremilda de Oliveira, como empresária no Teatro Carlos Alberto, no Porto e Adelina Fernandes, no Politeama.