Mostrar mensagens com a etiqueta Saúde. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Saúde. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 13 de abril de 2020

Histórias da minha rua (14)


Alguns dias depois da suspensão das aulas por causa do Corona Vírus, a minha neta começou a ter febre e mais febre o que muito nos preocupou. Nem constipação, nem tosse, apenas febre e cansaço. Lá em casa, havia quem tivesse estado em contacto com um colega de trabalho infetado e então hospitalizado.

Contactada a Linha Saúde 24 e depois de várias perguntas para caracterização da situação que, de alguma forma, desdramatizaram e apaziguaram as nossas mentes, houve que marcar um teste. Difícil a marcação. Demorada. Passou uma semana até a realização do mesmo e mais quatro dias passaram para a chegada do resultado – que, felizmente, e como de alguma forma se esperava, deu negativo.

Mas o surpreendente e que em muito nos serenou – apesar de a febre ter continuado por uns dias – foi o facto de todos os dias até se saber o resultado se receber lá em casa o telefonema de um médico a saber como a menina estava a evoluir e se havia mais sintomas.

E depois venham-me dizer que o nosso Sistema Nacional de Saúde funciona mal!





quinta-feira, 9 de abril de 2020

Carta de Shaan Sahota

Faz já quatro semanas que não saio de casa senão para ir, muito espaçadamente, comprar pão e fazer algumas compras necessárias. 

Não me lembro de alguma vez ter estado tanto tempo fechada em casa e sem ocupação obrigatória.

Nos primeiros dias de solitário confinamento, pensei que não ia aguentar, que iria voltar a ter ataques de pânico e sei lá o que mais… Só que, face a tantos milhares de pessoas que estão a sofrer em termos de saúde, de falta de dinheiro e de aceitáveis condições de vida, não tenho, não temos de que nos queixar e que fazê-lo é mesmo uma arrogância enorme e uma enorme falta de compaixão por quem sofre.

A propósito, passo a transcrever a carta de Shaan Sahota, médico interno a trabalhar em Londres, publicada hoje no jornal The Guardian, (trad. Ana Brett) testemunho em 1ª pessoa do horror que muitos estão a passar que possa servir-nos de exemplo, de consolo pela vida que, apesar de tudo, conseguimos manter.

Que importa estarmos sozinhos e confinados? Que importa não nos juntarmos na Páscoa? Que importa não irmos de férias? Que importa se os miúdos não têm mais aulas ou se lhes dão passagem administrativa?  Estamos de saúde e, de certa forma, sossegados nas nossas vidas...

(Apesar de ser longa, vale a pena lerem!)

«Como médico de cuidados intensivos, consigo ver a crise a desenrolar-se, mas apenas uma pessoa de cada vez. Aqui segue o que vejo. 


A “zona Covid” improvisada do meu hospital é um mundo irreal onde os doentes estão deitados em silêncio e a equipa subdimensionada completa tarefas hercúleas.

Durante o último mês, a primeira onda de admissões relacionadas com a Covid-19 chegou a Londres e ao hospital onde trabalho como médico interno. Há vinte e um dias fui transferido da Cirurgia para os Cuidados Intensivos e treinado para tratar os doentes na nossa Unidade de Cuidados Intensivos em expansão.

Falamos a toda a hora acerca do coronavírus, mas é habitualmente em termos da sua imagem global. Tenho dificuldade em compreender essa imagem a partir da linha da frente. Numa crise desta escala, quero contar-vos a história que tenho visto - a história de uma pandemia que se desenrola uma pessoa de cada vez.

A Unidade de Cuidados Intensivos expandida é um mundo surreal. Coloco camadas de EPI sufocantes para entrar nas “zonas Covid” - tendas de plástico com entradas de fecho-éclair dentro das áreas hospitalares convertidas. Entro numa enfermaria cheia de doentes inconscientes. Não há conversas, apenas monitores a apitar sob o assobio rítmico do ar pressurizado. Passo cada turno de 12 horas a cuidar de dois ou três doentes. É um trabalho humilde, muitas vezes manual. Ajusto os seus agentes anestésicos e verifico o seu débito urinário a cada hora para equilibrar os seus fluídos. Coloco almofadas por baixo de pontos de pressão para que não sofram danos duradouros durante a sua paralisia. Aspiro secreções das suas vias aéreas.

Estou a trabalhar o máximo que consigo, adiando as pausas para casa-de-banho, por um doente que nunca vi abrir os olhos, muito menos respirar por si próprio. É um ambiente difícil para trabalhar.
Vasculho os diários médicos para encontrar os meus doentes antes de terem ficado paralisados, sedados e colocados num ventilador, para vislumbrar um pouco da pessoa que são. Tento conhecê-los através das jóias que costumavam usar, agora guardadas numa bandeja ao seu lado. Idealizo-os a partir dos detalhes dos seus diários clínicos passados.

História social: vive com a esposa e três crianças. Caminhadas regulares, gosta de correr. Nunca fumou.

Observações: frequência respiratória 42 – 48 – 55 – 61 – 61 …

Estes números crescentes, escritos num gráfico do diário clínico, significam que o doente estava com dificuldade em respirar. É uma história que termina com eles inconscientes e paralisados, com máquinas a substituir os seus órgãos em falência, sob os meus cuidados.

Estou a considerar como um desafio lidar com doentes que estão tão mal, porque gostaria que isto não lhes tivesse acontecido. Quando se está a prestar cuidados individuais, é difícil pensar que existem centenas de pessoas nesta mesma posição. Falamos de curvas e picos, mas nada tem a ver com a experiência vivida. Políticos e jornalistas falam agora com a perspectiva dos deuses. Têm uma visão geral da situação que eu simplesmente não consigo ter. Como médico, sinto-me como uma formiga ao lado de um elefante: mal consigo entender o que vejo e é difícil atirar o meu pequeno peso contra ele.

E onde estou, o recurso mais limitado não são os ventiladores, é a força de trabalho básica. Até 50% da nossa equipa habitual não está a trabalhar por doença, auto-isolamento ou medo. Olho em volta e vejo os esforços hercúleos dos meus colegas e isso comove-me.

É como se alguém tivesse dado criptonite aos meus super-heróis, mas eles ainda estão a tentar levantar o carro, porque o que mais podem fazer? Vejo o especialista em doenças infevciosas que lidera a nossa equipa, que silenciosamente retirou o seu turbante e, pela primeira vez na sua vida, cortou a sua barba que mantinha pela sua fé, removidos em nome do controlo de infecção. A sua estatura pode ser inferior, mas não está de forma alguma diminuído. Vejo uma médica interna encharcada em urina laranja brilhante pela rifampicina. Tinha tentado trocar pela primeira vez um cateter urinário, porque não havia mais ninguém para o fazer. Oito anos de educação não a tinham ensinado que é fácil abrir a bolsa, mas muito mais difícil fechá-la. Todos no hospital estão a fazer todo o possível para melhorar estes doentes. Vejo cirurgiões a trabalhar como internos nos Cuidados Intensivos, enquanto dentistas e fisioterapeutas ajudam a rolar os doentes, mudando-os de posição para não sofrerem lesões por pressão. Os meus doentes desconhecem tudo o que estamos a fazer por eles, e as suas famílias não os podem visitar – logo ninguém o vê, mas não estamos a refrear nada.

O nosso tratamento de resgate para os doentes criticamente mais graves é a pronação: colocar um doente entubado de barriga para baixo. Aumentar os cuidados nos casos mais graves é um acto tão humilde e poderoso quanto o simplesmente colocá-los de barriga para baixo.

Cuidar de um doente Covid+ gravemente doente não é o que se pode pensar. Estou tão próximo deles – a colocar colírio nas pálpebras à noite, porque seus olhos que não piscam não sequem. Talvez nunca os vá conhecer, mas vigio os traços de sua respiração à procura de sinais de que precisam da minha ajuda. Troco os lençóis por baixo deles.

Todos nós estamos longe das nossas casas. Somos tão poucos e a tentar tanto e sempre aqui. O meu país passou da fase em que aguardava pela imunidade de grupo - e aceitar a mortalidade que isso poderia causar - a aplicar tudo o que pode para minimizar a perda de vida, incluindo-me a mim. E é esse um pouco do sentido que posso extrair desta situação. Não cheguei a conhecer os meus doentes, mas o que lhes quero dizer, com toda a força dos meus cuidados, é: isto é tudo para vocês, tudo o que temos. A vossa vida importa.»




 Fiquem bem Fiquem em casa!

sábado, 8 de abril de 2017

Dia Mundial da Saúde

Esta altura do ano está cheia de Dias Mundiais. O da Saúde foi celebrado ontem, dia 7. A data foi escolhida pela Organização Mundial de Saúde em 1948, aquando da organização da primeira assembleia da OMS e, desde 1950, que no dia 7 de abril se celebra o Dia Mundial da Saúde.

Todos os anos a organização escolhe um tema para ser debatido e, este ano, o tema escolhido foi a depressão, com o lema "Let's talk" – Vamos falar!

Realmente, é muito importante que se fale sobre esta doença – porque é, de facto, de uma doença que se trata e não uma “mania”. Há anos que me esfarrapo a dizer que uma depressão é tão doença como uma hepatite, uma infeção, uma perna partida, embora as pessoas tenham uma enorme simpatia, uma grande compaixão pelo doente que tem queixas do coração, do fígado, dos pulmões do que do pobre desgraçado que diz que está num processo de depressão. Não faltarão os comentários mais depreciativos, mais torpes, mais injustos. «Tem mas é falta de trabalho!» «Falta de peso!» «Não sabe o que há de fazer ao dinheiro.» «Mimo a mais!» ou, pior que todos, aquele que ouvi aos meus ouvidos quando não conseguia dormir mais do que três ou quatro horas por noite: «Graças a Deus nunca tive de tomar nada desses medicamentos para dormir: sempre dormi de consciência tranquila» - Foi das maiores maldades que me disseram.

Por outro lado, são os próprios doentes que se recusam a admitir que estão realmente doentes “porque sabem que estão doentes mas não querem ir ao «médico dos doidos», porque não querem tomar medicamentos que «viciam, engordam e não fazem nada» e porque sabem que quem se queixa desse tipo de coisas são pessoas «fracas da cabeça».” Mesmo entre a família há olhares desconfiados, e dizem e redizem que a vida tem de continuar. Não acreditam que esteja verdadeiramente doente, com uma doença «de verdade».

Por isso há que falar! "Let's talk".

E depois, as pessoas que, felizmente, não têm tendências depressivas e que, felizmente, nunca tiveram aquele imenso nó na cabeça, ou no coração, ou no estômago, ou sei lá onde que durante meses, anos a fio teima em não se desatar, gostam de nos dizer: «Vá, não estejas triste! Não penses nisso! Distrai-te!» ou «Mas qual o motivo por que estás assim? Tens todos os motivos para seres feliz!» ou «Tens de te esquecer dessas angústias! Tens de ter força e sair disso!»

Por isso há que falar! "Let's talk".

«Como com outras doenças, [a depressão] pode acontecer independentemente dos eventos de vida. E ninguém pergunta a um doente oncológico: “Como é que tens um cancro, se tens uma vida ótima?” Temos de tratar a doença mental como tratamos a doença física.» - defende a psiquiatra Filipa Palha.





quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Dia Mundial Contra a SIDA


Passaram já 35 anos desde que foi identificado o VIH. 25 milhões é o número de pessoas que morreram devido ao vírus da imunodeficiência humana, desde que foi descoberto pela comunidade científica até 2005. Os que morreram em anos anteriores ficarão anónimos, devido à escassa informação disponível sobre a doença, mas também graças ao preconceito que ainda hoje se faz sentir mesmo após a entrada no novo milénio.

O que mudou neste novo milénio foi a compreensão da doença e os métodos de a aplacar. Mas, mesmo com fármacos eficazes no tratamento antirretroviral e com tratamentos preventivos que diminuem os índices de infeção, 0,6% de toda a população mundial está infetada.

A Organização Mundial de Saúde prevê que, em 2030, a sida deixe de ser uma epidemia global. Actualmente é considerada uma doença crónica.
Em Portugal, entre 1983 e 2015, o número de pessoas afectadas foi de 54 mil, sendo heterossexuais mais de metade. No total de grupos atingidos (mulheres, homens, heteros, homo, bisex, trans e consumidores de drogas) morreram 11 mil pessoas. Comparativamente com o ano passado, em 2016 tem-se verificado uma acentuada redução de casos registados.

(Texto composto a partir do Editorial da revista Saúde e da página do facebook do escritor Eduardo Pitta)


terça-feira, 7 de abril de 2015

Dia Mundial da Saúde

Porque hoje se celebra o Dia Mundial da Saúde...





Isto para não falar naquela notícia surreal de há dias que dizia que os hospitais em rutura financeira poderão não pagar os salários ao seu pessoal....

Isto sim é que é governar contra a população! Isto sim é que é uma governação ultra-neo-liberal! Ou neo-nazi, sei lá!


terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Terrorismo

O terrorismo chegou a Portugal e não pela mão dos jihadistas. Veio mesmo pela mão deste "governo", mais concretamente pela mão do ministro da Saúde: que se saiba já morreram cinco pessoas do grupo da chamada peste grisalha nas urgências dos hospitais antes de terem tido a possibilidade de serem vistos por um médico.


Sabemos que este é o "governo" que prometeu desde o início «fazer mais com menos» e tem-se visto os resultados a todos os níveis, nomeadamente no campo da Educação e da Saúde. 

O número de óbitos nos últimos dias aumentou desmesuradamente (cerca de 1200 entre 1 e 3 de Janeiro e 2268 na segunda semana do mês) pelo frio que se tem feito sentir e pela falta de condições económicas de grande parte dos idosos para se protegerem das condições climatéricas.

Mas ainda há mais: grande parte dos doentes infetados com hepatite C não tem acesso a um tratamento inovador porque os hospitais não têm dinheiro para comprar o respetivo medicamento.

Apetece, a propósito, deixar aqui a imagem também algo terrorista  que um meu facefriend pôs no seu mural.




quarta-feira, 5 de novembro de 2014

E esta, hein?!

Nem queiram saber como fiquei feliz com este e-mail que recebi de um amigo! Amigo serve é para isso: para nos pôr felizes!

Então desenganem-se os doentes, os escravos, os dependentes do exercício físico, das caminhadas loucas, das idas ao ginásio porque dormir é que queima calorias!

Ora vejam com atenção.




domingo, 29 de dezembro de 2013

Em final de ano

Em final de ano velho e no limiar de mais um ano bebé, eu bem queria poder escrever sobre as coisas bonitas e boas que aconteceram; bem queria pôr aqui músicas daquelas que (me) enchem o coração – La Mer; Je ne regrette rien; Il faut savoir; She (ui!!); These arms of mine; Do you want to know a secret?; Crazy (ui! Ui!); The Closest Thing to Crazy… etc. etc.; bem queria pôr aqui belos poemas de amor e de lamechice… Mas não posso.

Como pode alguém pensar em música e poesia e arcos-íris depois de sabermos que este “governo” – eleito! como diz a nossa amiga blogger  São – vai distribuir benesses pelos hospitais que menos medicamentos receitarem e penalizar os que receitarem de mais?

Como se pode falar em rosas e violetas, quando ficámos a saber que a Linha Saúde 24 vai dispensar 20% dos seus incansáveis efetivos e substituir os enfermeiros mais experientes por outros que lhes ficam mais baratos?

Sabemos desde a campanha eleitoral que o lema desta «gente da sôfrega ida ao pote» era, falaciosamente (aliás como tudo foi falácia, embuste e mentira naquela campanha eleitoral), «fazer mais com menos», por isso… nada de novo!

Tenho para mim (e eu raramente me engano…) que mais uns meses e serão oferecidos benefícios às unidades de saúde que mais óbitos assinarem, que isso vai constituir enorme poupança na despesa pública. É por isso que não posso, não consigo deixar aqui musiquinhas e frases lamechas de final de ano!




quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Brutal! (texto com bolinha vermelha)



(texto com bolinha vermelha)  
Ontem ouvi que o governo (da nossa desgraça) vai fazer mais cortes na Saúde; hoje li que há vários hospitais em falência técnica pelo que estão já a cortar em medicamentos, em tratamentos mesmo a doentes crónicos e em cirurgias porque, devido à lei dos compromissos, mesmo tendo há muito esgotado as verbas, não podem contrair novas dívidas. 

Eu acho bem! Para que servem os doentes? Para nada! Então deixemo-nos de esbanjar dinheiro em tratamentos caríssimos com quem não serve para nada e eles que definhem e desapareçam! 

O mesmo podem – e devem – fazer com os velhos que enxameiam os lares onde se gastam rios de dinheiro com quem não produz mais nada senão muco, fezes e lixo! Mesmo os que vivem sozinhos e não acarretam tantos cuidados nem tanta despesa mas que também não estão cá a fazer nada, que morram rápido!

E os deficientes? Corta-se-lhes o valor do apoio social, pois então! Também não trazem qualquer valor acrescentado, portanto não precisam de se alimentar, nem sair à rua, nem viver!

E os pirralhos? Para que precisam de ir à escola? Vão os que forem filhos dos governantes e dos seus jovens – mas bem pagos – assessores. Os que ainda quiserem podem ir àquelas escolas para pobrezinhos onde os professores podem muito bem trabalhar 40 horas ou mais – tanto faz – porque é só para tomar conta deles!

Matem-se os velhos, os doentes, os deficientes! E depois, a seguir, podem ir os ciganos e os pretos  e  os muçulmanos e os comunistas e sei lá quem mais!

Pois não foi assim que o Hitler começou? E não foi assim há tanto tempo. Nem assim tão longe daqui. Nem com uma espécie de gente que não conheçamos bem! 

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Regresso




Ao fim de doze dias de internamento, de muitos exames, muitas picadelas para análises; depois de muita angústia, muitas dúvidas, muitos medos, muitas esperas, a(s) nossa(s) menina(s) voltou/aram para casa ao fim da tarde.

Voltaram. Com um tratamento de cinco estrelas por parte dos muitos profissionais de saúde daquele hospital, com uma terrível injeção de penicilina na perninha (a primeira de algumas mais), com um diagnóstico finalmente. Que não é dos mais fáceis de debelar, não sendo embora (e felizmente) daqueles muito maus. 

Voltaram. Muito cansada(s), mas aliviada(s), algo contente(s). Uma(s) valente(s)! 

A(s) minha(s) linda(s) menina(s) – uma(s) valente(s)!
 
(Hão de desculpar-me por esta minha “lamechice”…)



(Fotos do pai da Elisa)

terça-feira, 31 de julho de 2012

Brincadeiras ... no hospital

Primeira visita à neta que está no Pediátrico em Coimbra. A fazer exames e mais exames e à espera de fazer mais exames. De resto nem parece estar a precisar de lá estar. As condições do hospital são muito boas, têm sala de atividades e educadora para “trabalhar” com as crianças. O pessoal é de cinco estrelas no trato e em tudo e ela está tão bem “integrada” que hoje até confessou à mãe que “afinal estar no hospital até nem é assim tão mau”!...

A mãe, que está acabrunhada e exausta como todos podem imaginar, sentiu hoje uma réstia de alegria quando o médico que viu hoje a Elisa disse que ela está a recuperar e que começam a inclinar-se para que os sinais – que foram francamente assustadores – sejam ainda resultantes do malvado vírus da varicela que a atacou com toda a violência no passado mês de Abril. Sem certezas ainda, porém. 

A tarde foi uma brincadeira pegada com a visita do primo.

Houve lanche divertido




Houve fotografias com caretas feias 






 E até a avó teve de fazer caretas!


Vamos ver se esta vivacidade toda é sinal de melhoras mesmo!


sábado, 28 de julho de 2012

Dia de anos


Tenho a certeza que na sua vida ainda jovem, nunca a minha filha mais velha teve um dia de aniversário enevoado como o que passou hoje. 

Depois de ter passado a tarde de ontem no hospital de Leiria com a filhita fazendo exames inconclusivos, foi-lhe passada “guia de marcha” para o Hospital Pediátrico de Coimbra com a possibilidade de internamento. 

Por lá estiveram hoje toda a manhã, tendo a menina sido – no dizer dos pais – admiravelmente atendida e examinada por uma equipa de neurologia que a submeteram a várias provas psico-motoras, acabando por deixá-la voltar para casa, se bem que ainda sem diagnóstico definido e com regresso marcado para 2ª feira.

Dois toques de sorriso, porém:

      1. Quando um dos médicos pediu à Elisa que contasse até dez, ela, muito natural – como parece ter estado em todos os exames a que foi submetida – perguntou: “Em português ou em inglês?” … Ao que o médico, perdido de riso, respondeu: “Em inglês…”

          2. Quando saíram do hospital e depois do habitual almocinho no McDonald’s, a menina pediu muito para irem comprar um bolo de anos – de chocolate, claro! – para se cantarem os parabéns à mamã.




Vamos ver o que nos reservam os próximos dias.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Dia difícil


Um dia muito difícil. Muito difícil, mesmo! Houve mesmo que terminar as férias mais cedo. Voltamos aos hospitais e aos exames com a neta. Vamos ver o que o dia de amanhã nos reserva.

Não está a ser nada, mesmo nada fácil.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Um dia difícil


A minha neta está com uma forte camada de varicela desde 2ª feira. Até aqui tudo bem: as crianças devem ter varicela, vem nos livros. Pelo menos nos livros da tradição popular. Mas a febre não tem cedido ao bem conhecido e propalado Ben-u-ron. E, também perante as constantes queixas de imensas dores por parte da pequenita, a mãe – que mostra, desde muito nova, uma calma e um autodomínio notáveis – telefonou para o excelente serviço da Saúde 24 de onde lhe disseram que se dirigisse ao seu Centro de Saúde para onde iriam enviar um fax que lhe daria prioridade já que se punha a possibilidade de a menina ter uma convulsão. A mãe ainda perguntou se não seria mais conveniente ir direta ao Hospital. Que não, que ficaria exposta a bactérias o que não se justificava. Até aqui, tudo bem.

Chegadas que fomos ao Centro de Saúde, logo fomos informados que o fax tinha sido recebido mas que a norma era não dar prioridade a estas situações. Se demorar muito, iremos para o Hospital. Que não, não demoraria muito. Passados uns dez minutos, a rececionista, que é sempre de uma delicadeza e educação esmeradas, avisou-me que fosse buscar a menina ao carro porque iria ser vista pela Dr.ª X que a chamaria a todo o momento. Só que esse momento aconteceu apenas hora e meia depois…

O atendimento por parte da Dr.ª, certamente pouco experiente de tão jovem, foi muito meigo só que não lidou bem com a situação – não interessa expor aqui os pormenores – e acabou por enviar a menina para o Hospital com uma outra carta. 

Felizmente no Hospital a ordem das prioridades não é a mesma que neste moderno Centro de Saúde que no serve aqui na zona e foram atendidas em cinco minutos. Mas… logo foi dito à mãe que se tratava de um síndrome vertiginoso e que teria de ficar em observação para ver se não seria algo pior. Foi ou não foi um dia difícil?

Agora outro nível de análise: para mim que, quando tinha quatro anos, quem tinha problemas destes ou doutros teria de ir ao médico particular se tivesse dinheiro para lhe pagar ou então teria de se aguentar porque a ida aos hospitais era para operações – algumas e poucas  e só para alguns – poderia achar que este episódio que se passou hoje com a minha neta foi uma borbulhinha que se formou no melhor dos mundos. Agora quem teve a sorte de nunca conhecer esse tempo funesto e para quem pensa, lê e sabe, estes episódios têm de ser evitados, banidos. Há muita formação para fazer ainda no âmbito da gestão das organizações no nosso país. Isto se este governo de tecnocratas de direita não der cabo da Saúde como está a fazer com a Segurança Social, com a Educação, com tudo o que, melhor ou por, se foi construindo desde o 25 de Abril. 
 

quinta-feira, 31 de março de 2011

Um acidente


Ontem a minha neta Elisa sofreu um traumatismo no Jardim resultante de um “choque brutal” com um coleguinha da mesma idade. Faço ideia à velocidade a que eles ambos iam! A questão é que ela estatelou-se ao comprido no chão, tendo batido com a cabecita com toda a força no dito chão.

Cresceu-lhe, acto contínuo, um enorme hematoma na zona do occipital e, como se deve imaginar, foi o pânico nas hostes! Valeu que a mãe estava a chegar e assistiu ao acidente e, desanuviada como é, e num daqueles actos de bravura de que só as mães em aflição são capazes, tratou de a levar imediatamente ao hospital.

Felizmente não foi nada de grave e, quando lá chegámos – porque a menina queria muito o avô! (imaginem o que o avô inchou!...) – já tinha sido atendida, radiografada e esperava pelo resultado do exame. Teve de comer para ver se se sentiria indisposta e veio com a recomendação de se estar atento ao seu comportamento durante 48 horas.

Tudo isto para dizer que os actuais serviços hospitalares e de saúde têm uma capacidade de resposta e uma noção de serviço público e de urgência que ainda há poucos anos nem se sonhava que pudessem vir a ter. E não é preciso remontar aos meus tempos de criança; basta pensar no tempo da infância das minhas filhas, finais de 70, anos 80, em que, quando se precisava de serviços de saúde, tínhamos forçosamente de recorrer à medicina privada, quase sem alternativa.

Um familiar nosso muito próximo teve, no final do passado ano, um problema gravíssimo que o manteve internado no nosso hospital de Santo André durante quase dois meses, tendo sido submetido a duas operações com risco de vida. Felizmente, ao fim de grande sofrimento dele e de grande pânico nosso, o nosso querido familiar conseguiu superar os seus males e hoje, quase de boa saúde, diz que foi tratado com todo o desvelo, todo o profissionalismo e com todas os melhores medicamentos e terapêuticas. Quando já estava quase recuperado, o médico que o acompanhou ter-lhe-á dito em tom de brincadeira que se fosse embora para casa rapidamente se não levava o hospital à falência...

Outro amigo nosso que teve, há uns anos, um gravíssimo problema num pulmão que quase o levava deste mundo e que o manteve uns meses nos hospitais centrais de Coimbra, diz, para quem o quiser ouvir, que nem que trabalhasse o resto da vida só para isso, não conseguiria pagar a despesa que fez no hospital.

Para que os nossos hospitais, tal como as nossas escolas, entre outros bens, se tenham posto em trinta anos ao nível europeu em que de facto estão, teve – e tem – realmente de se fazer um enorme esforço de toda a ordem. E (por enquanto) são para todos e praticamente gratuitos!

Não me venham dizer que o Serviço Nacional de Saúde não serve. Não me venham dizer que estamos pior que no tempo do Salazar!