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domingo, 28 de janeiro de 2018

Desculpas frouxas

Volto ao tema do passado dia 25 Impunidade. É que se nesse dia me sentia furiosa, hoje não o fiquei menos com as notícias dos jornais: «MP não está preparado para lidar com casos de violência doméstica» - em grandes parangonas na primeira página.

E continuam: “Os funcionários do MP não têm formação nessa matéria, não lhes é dada por parte do Ministério da Justiça e não existe número de funcionários que permita um atendimento personalizado, nem pelos funcionários nem pelos magistrados.” – afirma o presidente do sindicato.

Para além da minha fúria crescente e incontida, duas observações acorreram, ato contínuo, ao meu pensamento:

             Uma, que tem a ver com a minha vasta experiência de professora enquanto presidente executiva: quando, perante novos projetos, novas tendências pedagógicas, reviravoltas nos programas, os colegas bradavam: “Não temos formação para isso! O ministério não nos deu formação para isso!” – Eu respondia-lhes muito simplesmente: “Há bibliografia sobre o assunto. Há aquilo a que se chama autoformação [já para não invocar o brio profissional!...] Se conseguimos tirar uma licenciatura [e ainda era daquelas de cinco anos…] também conseguimos fazer a nossa autoformação!”

                A outra, talvez mais violenta, é que me parece que o MP só tem formação para averiguar “delitos” de primeira grandeza como o pedido de dois bilhetes para ir ao futebol, ou umas viagens para ir ver o Europeu. “Delitos” que sempre implicam figuras da atual governação. Esta formação que o MP tem em barda esbate-se, esfuma-se, dissipa-se quando estão em causa delitos menores como o caso dos inexplicáveis roubos no BPN, o caso dos submarinos, dos Panama Papers, da Tecnoforma, o caso das adoções feitas a trouxe-mouxe pelos ditos bispos da IURD – só para referir os mais mediáticos.

E, lamentavelmente, tenho de concluir que somos um povo manso que mansamente aceita todas as desculpas frouxas que nos põem pela frente…





sexta-feira, 1 de abril de 2016

Todos mentimos, mas eles mentem mais do que elas …

Mentir é errado, dizemos. Porque magoa as outras pessoas, porque o benefício que causa é menor do que o dano que provoca, porque semeia a incerteza nas relações, porque a moral e a ética e o senso comum dizem que é errado. Será? Não mentir pode magoar mais do que faltar à verdade e, sejamos honestos: as relações sociais – todas elas – estariam condenadas sem a mentira. Por isso, e apesar desta ideia generalista de que mentir é errado, talvez, afinal, não seja assim tão errado. Ou, pelo menos, talvez não seja errado sempre. (…)

Os estudos mostram que mentimos entre dez e duzentas vezes por dia, dependendo do perfil de cada um e, sobretudo, da quantidade de relações sociais e interações que temos. Fazemo-lo pelas mais variadas razões. Eis uma delas: da próxima vez que a sua mulher ou o seu marido lhe perguntar «estas calças fazem-me gorda/o?», experimente responder «sim, mas o problema não são as calças, é tudo o que comes». Ou da próxima vez que estiver maldisposto e cheio de problemas, experimente responder com sinceridade a toda a gente que lhe faz a costumeira pergunta: «Então, tudo bem?» (…) Queremos honestidade, mas não sabemos lidar com ela. (...)

Mas atenção: estas teorias não são carta-branca para todas as mentiras. «A mentira que merece elogio é aquela que nos permite relacionarmo-nos com os outros», explica o sociólogo espanhol Ignacio Mendiola, autor do livro Elogio de la mentira, «fora deste elogio à mentira estão as mentiras que fazem do outro um mero instrumento para se alcançar um objetivo». (…)

Mas não queremos só ser enganados, também nos enganarmos a nós próprios com uma perna às costas. Para quê? A maioria dos investigadores defende que é apenas para vivermos mais felizes e chamam a esse mecanismo «ilusões positivas». (…)

Certa, errada, inócua, prejudicial, esporádica ou sistemática, a mentira é uma constante na nossa vida. E negar que a dizemos é apenas dizer mais uma.


ELES VERSUS ELAS

Os homens mentem mais do que as mulheres, diz um inquérito realizado, em 2012, no Reino Unido, pela empresa de estudos de mercado One Poll, depois de entrevistar 3000 adultos. O estudo – encomendado pelo Museu da Ciência britânico – conclui que as mentiras mais frequentes também são diferentes. O top 10 das mentiras de cada sexo para os seus parceiros é este:



HOMENS

1 Não bebi assim tanto.
2 Não se passa nada, estou ótimo.
3 Não tinha rede no telemóvel.
4 Não foi assim tão caro.
5 Estou a caminho.
6 Estou preso no trânsito.
7 Não, o teu rabo não está assim tão grande.
8 Desculpa, não vi a chamada.
9 Sim, perdeste peso.
10 É mesmo aquilo que eu queria.


MULHERES
1 Não se passa nada, estou ótima.
2 Não sei onde está, não lhe mexi.
3 Não foi assim tão caro.
4 Não bebi assim tanto.
5 Estou com dor de cabeça.
6 Estava em saldos.
7 Estou a caminho.
8 Já tenho isto há séculos.
9 Não, não deitei fora.
10 É mesmo aquilo que eu queria.


sábado, 3 de outubro de 2015

Você é sócio do Automóvel Clube de Portugal?

Quando aqui há dias se descobriu a golpada da Volkswagen, logo ouvi na rádio as declarações de um «distinto patareco» do Automóvel Clube de Portugal que afirmava perentoriamente que em Portugal não tinha entrado nem um único carro com aquele dispositivo que iludia as quantidades de emissão de gases poluentes para a atmosfera e que isso era facílimo de comprovar através dos números de registo e não sei quê, não sei que mais.

Com o ”feitiozinho” que já me vão conhecendo, deu-me logo vontade de rir do que o distinto senhor dizia e da certeza com que o afirmava e lembrei-me, ato contínuo, de quando lá nos idos de 50-60, muitos outros distintos senhores afirmavam que fora por intercessão da Nossa Senhora de Fátima que Portugal não tinha passado pelos horrores da Guerra, a Segunda…

Logo de seguida, no mesmo programa da rádio, falou outro senhor, não me lembro de que organismo, que afirmou que era difícil calcular os danos em Portugal porque cá nem existia o instrumento que permitia avaliar se os carros tinham o dito problema. (Mais vontade de rir…)

Dias depois, li no jornal que são mais de 94 mil carros portugueses com aquele software enganoso…

Mentem-nos de toda a maneira… E já não é de agora. Nem vale a pena lembrar do tempo da ditadura em que as mentiras, as ocultações das realidades e as «lavagens ao cérebro» eram diárias. Mas nesse tempo não havia internet e as pessoas eram mantidas na máxima ignorância e na maior ausência de instrução para mais facilmente acreditarem docilmente no que a Igreja e a informação nacional divulgavam. Agora já assim não é, se bem que desse jeito a … … (ai, estamos em período de reflexão…)

 Mas, a propósito do “distinto senhor” do Automóvel Clube de Portugal de quem me ri, acho que ainda ri mais porque me lembrei de uma anedota dos bons velhos tempos das anedotas pré-net contadas ao vivo nas rodas de amigos e que era assim:

Uma bela noite, um senhor viajava sozinho Alentejo abaixo quando o carro parou recusando-se a continuar viagem. Atrapalhado, ali no meio de nada e sem possibilidade de comunicar com ninguém (ainda não havia telemóveis…) começou a andar até que encontrou uma quinta. Bateu, bateu e lá apareceu uma senhora a quem explicou o sucedido pedindo que o deixasse passar lá a noite. A senhora disse que vivia sozinha, que a casa era pequena, mas que poderia ficar na sala. O homem agradeceu dizendo que ela podia ficar descansada porque ele era um homem sério, até era sócio do Automóvel Clube de Portugal. E lá se deitaram. Com todo o respeito.

No outro dia de manhã, o homem levantou-se e foi dar uma volta pelo quintal onde havia muitas galinhas lindas, gordas, bem cuidadas, mas só viu um galo também ele grande e vistosos, bem vaidoso do seu galinheiro. Quando a dona da quinta o convidou a tomar o pequeno-almoço, observou:  

«Vi que andou pelo quintal a ver as minhas galinhas…»

«Sim, de facto. E que belas galinhas! Mas admirei-me porque vi apenas um galo e… como pode ele ser o único para tantas galinhas?...»


«Sabe – disse a quinteira – é que o meu galo não é sócio do Automóvel Clube de Portugal…»

(daqui)

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Revivescências de um dia

  1. Baptista-Bastos, o intrépido comentador da realidade do país às 4ªs feiras no DN, foi, ao fim de sete anos de belas e intensas crónicas semanais, mandado calar. «Fui posto fora» - escreveu ele hoje. «Mas não posso calar o que me parece um acto absurdo, somente justificado pelas ascensões de novos poderes. Porém, esses novos poderes são, eles próprios, transitórios pela natureza das suas mediocridades e pelo oportunismo das suas evidências.»
  2. Mas entretanto, os «juízes são os primeiros a ter aumentos no pós-troika» - porque será? Serão os trabalhadores (recuso-me a usar o neologismo laboral de “colaboradores”) mais mal pagos do país, ou haverá outra razão um pouco mais profunda?!
  3. A ministra-sinistra das Finanças e o super-competente  governador do Banco de Portugal (que hoje também reviu em baixa o crescimento da economia previsto pelo governo) depois de jurarem a pés juntos, desde Agosto, que os contribuintes não poriam um cêntimo do seu bolso no desastre do BES, vieram agora dizer que, se calhar, não poderá ser bem assim… Enganaram-se, pois então! Mas estes nem pedem desculpa.
  4. A ministra da Justiça, essa pediu desculpa, mas foi sempre dizendo que não houve caos nos tribunais. Hoje, em entrevista informal a alguns repórteres em que deu conta que os tribunais vão, aos poucos, recuperando a plataforma e tal, pediu-lhes, tão humilde (!!) «Não me façam mentir…»
  5. Quem não se enganou, nem mentiu, nem nada, foi o inefável ministro (C)rato que, na semana passada,  afirmou no Parlamento que «nenhum professor seria prejudicado» por causa do erro nas colocações, vem agora dar o dito por não dito, declarando que não prometeu aos professores a manutenção no lugar. Ele disse tão-somente «mantêm-se» e não «manter-se-ão»! «Todas as minhas afirmações na altura têm de ser lidas com atenção e interpretadas dentro do quadro legal. Os professores mantêm-se, disse. Mantêm-se até às novas listas de colocação corrigidas, que tacitamente revogam a anterior. É a lei», declarou. – o senhor ministro sabe gramática…
  6. A comissão de inquérito aprovou no Parlamento o encerramento do caso dos submarinos com os votos favoráveis da maioria PSD/CDS e com os votos contra de toda a oposição que apresentou uma declaração conjunta Relatório viciado, inquérito inacabado.” Nesse documento, PS, PCP e BE acusam o relatório de Mónica Ferro de “branqueamento”, “vontade de abafar o debate”, “selecção tendenciosa de depoimentos”, “tentativas de encobrimento” e “dúvidas graves”. Apesar de tudo isto, os senhores Durão Barroso e Paulo Portas podem continuar a dormir descansados...
  7. Frase do dia encontrada no facebook:
    «Este desgoverno é versado em cobardês, desavergonhês, e passa-culpês. Obviamente, prefiro o eduquês!!»
  8. Mais revivescências haveria a registar, mas fico-me por estas – que não são nada poucas, nem boas – não sem antes referir a última:
    Faz hoje quarenta anos que vim viver para Leiria.  E esta não comento...




quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

O despudor

Isto é assim há muitos anos cá em casa, pelo menos desde que as filhas deixaram de ser crianças: ir acompanhando o telejornal à hora do jantar.

Pois hoje não aguentei e desliguei! É que os três canais que transmitem o telejornal das oito estavam a passar a mesma mentira, a mesma trapaça ao mesmo tempo: que a taxa do desemprego continua a descer pelo quarto trimestre seguido! E iam comentando e mostrando gráficos que provavam como estamos cada vez melhor e que a economia está a dar sinais de… sei lá de quê!

Esta é das mentiras que este “governo” põe a girar que mais me enoja, que mais me irrita! O emprego não aumenta mas o desemprego desce. Meio país está sem trabalho e sem conseguir trabalho, mas o desemprego baixa. Ah, é verdade! Muitas pessoas vão trabalhar para outros países onde ganham rios de dinheiro, o que também ajuda a baixar a taxa do desemprego.

Mas o que estes falaciosos do “governo” pela boca, ou melhor, pelo silêncio dos jornalistas e dos comentadores das televisões calam, é o número imenso e todos os dias crescente de pessoas que deixam de ter direito ao subsídio de desemprego, passando à categoria de indigentes, que vai ajudando em larga medida a fazer baixar a percentagem do desemprego. Só que na comunicação social estes que passam à classe de pessoas sem direitos são mencionados como “pessoas que deixaram de procurar emprego”. Como se o fizessem por sua própria vontade e iniciativa!

O cinismo e o despudor com que estes fulanos enganam o povo são verdadeiramente nojentos. E o pior é que o povo está desertinho por votar a ser enganado!




sexta-feira, 25 de outubro de 2013

O guionista



Passos Coelho arranjou uma tarefa adequada para o seu Vice-Primeiro: fazer guiões! O dr. Portas está para apresentar o guião da reforma do Estado, que anda a escrever desde Novembro de 2012. Que esteve para ser apresentado em Fevereiro, que esteve para ser apresentado antes das férias de verão, depois do regresso da birra e agora é que é. Era para ser amanhã mas fica para a próxima quinta-feira. Quem já esperou um ano pode esperar mais uma semana. Estamos todos em pulgas para ler o guião de Paulo Portas…. Isto é, para ver como ele safa o rabo que Passos Coelho lhe espetou, ao associar o seu guião da reforma do Estado, com a realidade da austeridade.

(ideia aproveitada do facebook)




segunda-feira, 29 de outubro de 2012

O embaraço tranquilo

O sociólogo Alberto Gonçalves escreve todos os domingos no meu jornal diário. Faz um comentário-resumo dos acontecimentos da semana mas não é dos comentadores que me agrade ler por arrevesado que é nas suas opiniões chegando a ser mais embirrante que o próprio Vasco Pulido Valente...

Ontem porém, deixou um destaque que não resisto a transcrever de tão certeiro e... sugestivo. Diria mesmo, em linguagem mais informal: curto e grosso. Senão vejam.

O embaraço tranquilo

«Primeiro descobriu-se que Miguel Relvas obteve equivalência a cadeiras que não frequentou. Agora soube-se que o "dr." Relvas obteve equivalência a cadeiras que nem sequer existiam. Perante tais revelações, a consciência desse imperturbável homem permanece, na definição dele, tranquila. Acredito. Intranquilo anda o país, e convinha-lhe que os governantes encarregados de o empobrecer exibissem um esboço de decência e não semelhante embaraço. Em larga medida, o dr. Passos Coelho não tem culpa da pobreza forçada, mas é completamente responsável pelo embaraço. Isto se o embaraço não for o responsável pelo dr. Passos Coelho.»




quinta-feira, 23 de agosto de 2012

O incrível professor Marcelo!

Daqui


Disseram-me – que eu recuso-me há meses a ouvir o “papagaio falante” ao serviço do partido e do governo e que para isso recebe dez mil euros por mês – que o senhor professor Marcelo que tudo comenta e tudo sabe (ainda é melhor que o Nuno Rogeiro e até que a Anita) comentando a dança dos cortes nos subsídios, tratou de dizer que o governo poderia fazer uma de duas coisas: «uma coisa à Sócrates e corta 50% dos subsídios, ou uma à Passos e corta os 100%». Disseram-me também que (só) depois de choverem telefonemas e mails na TVI a senhora dona Judite de Sousa, jornalista também altamente imparcial tentou corrigi-lo dizendo que não fora Sócrates que cortara os subsídios em metade. Disseram-me ainda que o omnisciente professor acabou por pedir uma qualquer desculpa ao ex-primeiro-ministro.

Só que – e agora a pouco imparcial sou eu – estes (pseudo) enganos facilmente se colam aos ouvidos de quem está ávido de ouvi-los, enquanto os pedidos de desculpas apagam-se rapidamente da pequenina memória de quem os ouve. 

A propósito recordo um artigo do diretor do DN, o jornalista João Marcelino (por quem não morro de amores, diga-se) escreveu no final do artigo “O Poder e as Pessoas”, um pequeno parágrafo em itálico que diz: «Na semana passada, para comparar o ambiente político atual com o de há um ano, escrevi que “José Sócrates que fazia exames ao domingo, acabou engenheiro”. Em rigor deveria ter escrito que o ex-primeiro-ministro teve um documento de curso emitido com a data de um domingo. O curso em causa, como se sabe, foi auditado por uma investigação do MP e concluiu cinco anos de estudos devidamente comprovados. Erro emendado.» (in O Direito à Igualdade, DN, 14 de Julho de 2012)

Erro emendado?! Foram quantos os escritos nos jornais e as piadas feitas acerca do exames que Sócrates teria feito ao domingo? Durante quanto tempo? Houve alguém neste país que não falou do «outro que fez os exames ao domingo»? E quantas pessoas leram este pequeno parágrafo em letra miudinha num jornal diário?

É assim que se funciona por cá: põem-se os boatos a correr durante semanas, meses; todo o mundo comenta, brinca, aumenta… e quando se prova que afinal não foi bem assim, faz-se um desmentido num apontamento breve e em letra miúda, numa das páginas interiores de um qualquer jornal.




(Ainda a propósito, deixo aqui a minha modesta experiência enquanto presidente do “meu” Agrupamento – salvas as devidas distâncias, naturalmente, se bem que aquele albergasse cerca de 1500 alunos e de 200 professores e outros trabalhadores não docentes. O trabalho era muito, muito e quase todos os fins-de-semana trazia para casa dezenas de atas, de diplomas de alunos, de contratos de professores e outros documentos de responsabilidade que poderão, eventualmente, a minha assinatura datada de sábados ou de domingos.)

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Reconhecimento de competências


O senhor ministro (C)rato que é um elitista (por isso grande parte dos professores acreditou nele por nele se rever)  – e mais metade dos meus colegas, daqueles bem elitistas que bradavam pelos cantos das escolas como eles tinham sofrido para fazerem o ensino liceal para depois a senhora que lhes vendia as alfaces elaborar um dossier a contar as suas experiências de vida e ficar com o ensino básico ou o ensino secundário concluído pelo programa das Novas Oportunidades – barafustou contra aquele programa acabando por suicidá-lo o que deve ter dado imenso prazer à maioria dos nossos concidadãos que ainda suspiram pelo tempo em que “tinham de saber os afluentes dos rios, as linhas férreas de Angola e os sistemas orográficos de cor” e que não perceberam (como tantos professores) o verdadeiro significados das Novas Oportunidades ou do Reconhecimento das Competências obtidas ao longo de uma vida de trabalho por aqueles que não tiveram Primeiras Oportunidades como felizmente teve o senhor ministro (C)rato e grande parte dos professores como eu própria. Por acaso esqueceu-se o senhor ministro, ou então nunca soube, sei lá!... que esse programa foi criado pelo governo do seu “compadre” Durão Barroso, antes de este ter a Oportunidade de se  pisgar para a Europa – pobre Europa, que escolheu um chicharro apelidado de cherne para seu presidente – com o nome de Reconhecimento, Revalidação e Certificação de Competências (RVCC).

No dia em que o senhor ministro (C)rato apresentou uma avaliação daquele programa que encomendou a um grupo de “especialistas” por ele escolhidos e  anunciou a morte do dito programa, afirmou: «Nós não queremos, pura e simplesmente, distribuir diplomas e melhorar estatísticas, queremos que os jovens e os adultos melhorem a sua qualificação.»

Hoje que os telejornais e os jornais publicaram o «currículo académico» do senhor doutor ministro Relvas, cuja licenciatura foi “tirada”, ou melhor, “obtida”, ou melhor, “conseguida” ou deverei mesmo dizer “oferecida” em dois semestres «por reconhecimento do seu currículo político», que dirá o senhor ministro (C)rato deste processo de reconhecimento de competências?… …

Por outro lado, sabemos agora – não sabíamos antes?! – que o senhor ministro doutor Relvas mentiu (por lapso…) quando preencheu a ficha de deputado dizendo que era estudante do 2º ano de Direito e com frequência do curso de História e sabe-se lá o que mais… Da mesma forma que, certamente também por lapso, não falou verdade no caso da jornalista do jornal Público. Mas isso, como ficou registado oficialmente, foi «reprovável» mas não «ilegítimo».


segunda-feira, 21 de maio de 2012

Folhas de Relva(s)


Estão lembrados de quando a querida Manuela Moura Guedes em 2009 apresentou uns vídeos de origem duvidosa contra o então primeiro-ministro José Sócrates sobre o caso Freeport tendo este dito numa entrevista à RTP que aquele telejornal era feito de “ódio e perseguição” e que “aquilo não é um telejornal, é uma caça ao homem”? Deus do céu, o sururu que foi por este país fora! A apresentadora do referido telejornal disse «que a pessoa que exerce o cargo de primeiro-ministro lida muito mal com a liberdade de informação» tendo acabado por processar judicialmente o PM por difamação e impedimento da informação.
Agora o ministro responsável pela comunicação social proíbe a saída de uma notícia num jornal, promete convencer os restantes ministros a não lhe fornecer mais notícias e ameaça a jornalista em questão de dar a conhecer publicamente situações da sua vida privada – coisa pouca! – e tudo é veementemente negado pelo governante. Grande sururu outra vez. Naturalmente!  
Mas, notáveis (para não dizer de fartar de rir…) são as reações dos responsáveis deste país!
  • ·         O ministro em questão mandou as declarações que muito bem entendeu para a ERC;
  • ·         O PSD espera pelas conclusões da ERC para decidir se o ministro deverá ir à Assembleia da República explicar o sucedido e este prepara-se para não aparecer lá;
  • ·     O chefe da bancada parlamentar do PSD não para de aparecer nos telejornais todos declarando que está “plenamente convencido que o ministro Relvas não teve intenção de impedir” o trabalho jornalístico informativo;
  • ·   O “nosso” primeiro, em Chicago, declarou que “não comenta situações internas no estrangeiro” (nem é costume deste governo de do seu PM dar informações para o país quando se encontram fora…)
  • ·        E o “comentador de serviço do PSD”, o inigualável Professor Marcelo, afirmou ontem no seu tom mais expressivo, que se se provar (e leia-se este SE condicional, muito condicional, registado em maiúsculas e a bold) que foi verdade que o ministro assim agiu, então, SE SE PROVAR(!), o ministro não tem condições para continuar no governo.
E quem acredita que se vai provar seja o que for?

Nota: O título deste texto pretende ser uma tradução jocosa e irónica do título da obra de W. Whitman “Leaves of Grass” - "Folhas de Relva"