Em alguns momentos de melancolia e solidão - que me assolam tantas vezes ao dia - há , muitas vezes, um qualquer mecanismo cá dentro que dispara e me segura pelas pontas.
Hoje foi um "Põe-te em guarda!" que me agarrou de supetão.
Lembram-se da Balada da Rita (da autoria de Sérgio Godinho) do espantoso filme Kilas, o mau da fita (1985)?
É indiscutível o poder do dinheiro! O dinheiro tudo pode e não vale a pena estarmos com devaneios e pensamentos ingénuos. No fundo, no fundo, todos temos o nosso preço...
Já o dizia o poeta João de Deus, em cujo "Dinheiro" tropecei hoje, por acaso.
A minha neta Elisa fez hoje onze anos. Na escola e a estudar para o teste de Ciências que tem amanhã lá se lhe passou o dia.
A prenda da avó lá lhe foi ter e no fim de semana iremos às compras - vaidosices de mulheres...
Entretanto, aqui fica uma prenda "cultural" para a homenagear, explicando que foi por isto (e pela Eliza Doolittle do filme My Fair Lady) que ela tem o nome que tem - Elisa.
É que foi mesmo por acaso que dei com o primeiro filme desta saga épica Star Wars ou A Guerra das Estrelas.
O canal Hollywood está a passar hoje uma maratona dos vários filmes desta "space opera" dirigida por George Lucas.
Não vou ver os episódios todos, naturalmente; mas adorei ver o jovem Harrison Ford (o protagonista Han Solo, a linda princesa Leia (a artista que lhe deu vida, infelizmente, já morreu), Obi Wan Kenobi, o bom amigo do Skywlaker, os tontos dos robots R2 D2 e o C-3PO (oh-oh, dizia ele...), o doce Yoda, o malvado Darth Vader, os jedi com as suas espadas de luz....maravilhas dos idos de 70.
De facto, o primeiro filme saiu em maio de 1977, mas não foi por isso que decidiram fazer a maratona, até porque foi apenas em 25 de maio que o filme foi estreado.
A questão é que hoje é dia 4 de maio - em inglês May 4th, o que permite um engraçado trocadilho com a frase leit motiv da saga: «May the force be with you!» - Que a força esteja contigo - em português...
"Let's look at the trailer" como dizia o bom do Herman...E ouvir o tema musical de abertura que é espantosamente bela e poderosa.
Não queria deixar terminar o mês sem lembrar aqui para vós esta bela canção de abril, que foi tema principal da comédia romântica do mesmo nome - April love - um musical norte americano rodado numa fazenda do estado do Kentucky
O filme é de 1957 e em português chamou-se Sol no coração. O cantor Pat Boone (quem se lembra dele?!) foi igualmente o protagonista do filme em parceria com a bela Shirley Jones.
Vamos então ouvir a linda canção de amor...
... que diz mais ou menos isto:
O amor de abril é para os muito jovens
Cada estrela traz um desejo que brilha para ti
O amor de abril é as sete maravilhas
Um beijinho apenas pode dizer-te que assim é.
Por vezes um dia de abril pode trazer aguaceiros
Chuva que faz crescer as flores para o seu primeiro bouquet
Mas o amor de abril pode escapar-se-te entre os dedos
Hoje dei-me «ao desfrute» de (re)ver o filme Pretty Woman dos idos de 90 com o jovem e lindo Richard Gere (Uh!) e a esbelta Julia Roberts, a do sorriso romântico.
Gostei de (re)ver - quem não gosta de ver um conto de fadas? Mas do que gostei mesmo, mesmo foi de voltar a ouvir a canção - uma das minhas canções - Oh, Pretty Woman, na sua versão original de 1964, pelo seu compositor . cantautor, como se diz agora - Roy Orbison.
Lembram-se dele?
Deixo ainda mais outro enorme êxito de Roy Orbison (1936 - 1988) - You Got It.
(Peço desculpa aos meus amigos bloggers por não responder aos vossos comentários, nem comentar nos vossos blogs. Isto deve-se à imensa demora na publicação dos comentários.)
A inesperada entrada em erupção do vulcão Agung na ilha de Bali trouxe-me à memória uma belíssima canção do filme musical daqueles muito românticos Ao Sul do Pacífico, de 1958, e que eu vi em inícios de 60. Nunca mais me esqueci da canção e são muitas as vezes que trauteio o refrão.
Bali Ha'i é o nome dado a uma ilha mítica que se avista no horizonte mas que é inalcançável. No filme tem uma conotação mágica, romântica. O filme passa-se no tempo da Segunda Guerra e a ilha encontra-se ocupada pelas tropas americanas. A matriarca da ilha vende produtos aos soldados que lhe chama Bloody Mary.
Suponho que ninguém se lembrará, mas a canção é tão bonita e está tão bem cantada pela misteriosa Bloody Mary! Ora vejam.
«Tudo corria bem no show de Bruce Springsteen, em Leipzig, na Alemanha. Até ao
momento em que ele pegan o cartaz de um fã, que pedia para eles tocarem “You
Never Can Tell”, clássica canção de Chuck Berry, que embala a mitológica cena
de dança de John Travolta e Uma Thurman em “Pulp Fiction”.
Detalhe: a canção não faz parte do repertório. O que torna esse vídeo ÉPICO
é o facto de Bruce tentar encontrar o tom na frente de 45 mil pessoas, com os
elementos da banda boquiabertos, sem saberem o que fazer! Num mundo onde "artistas" utilizam playback "The Boss" mostra
como se faz! Impressionante.O resultado só podia ser ESPECTACULAR!»
E depois deste festival de excelente música, não há como não (re)ver a cena de dança acima referida do mítico filme Pulp Fiction.
Não resisto! Todos os anos pelo Verão me vem à lembrança e ao "trauteio" a alegria jovem e provocante desta musiquinha dos nossos inquietantes sixties jovialmente interpretada por Cliff Richard acompanhado pelos Shadows.
Os meus amigos - rapaziada da minha idade - bem se lembra dela e de outras que pertenceram à banda sonora do filme «Mocidade em Férias».
Não é a primeira vez que a passo aqui, mas é isso: não resisto!!
E... deixa cá uma saudade dos doces anos adolescentes!!
Não há como me levar a mal esta minha "nostalgia da adolescência"...
Também Fernando Pessoa - e Álvaro de Campos e Bernardo Soares - escreveram tantos e tão belostextos estando-lhes subjacente uma profunda «nostalgia de infância» e ninguém lhe leva a mal por isso...
Enjoy your Summer holiday ! (que é como quem diz:)
Desde ontem que esta canzonetta não me sai da cabeça... Eu e as minha memórias musicais!
Uma canzonetta italiana dos idos de 50 e que era assim:
E eu que até tive um gira-discos como aquele...
Agora divirtam-se com a cena de um filme (Totó,Vittorio e la dottoressa) dessa mesma década em que a canzonetta é apresentada ao vivo num jantar dançante.
Não, de facto, não é o Dia Mundial da Música, mas todos os dias são de e da música. E hoje lembrei-me desta linda canção da ópera Porgy and Bess de Gershwin.., aqui tão bem interpretada.
De notar a beleza dos erros de língua que os negros fazem dada a sua baixa condição social e cultural. Uma maravilha!
Que me desculpem os amantes e cultores do Cohen, do Bob Dylan, do Nick Cave e de outros baladeiros tão apreciados e tão cultivados, mas eu cá é mais rock e seus derivados...
Feitios!
E hoje, que[sem qualquer tipo de pensamento herético] até é dia de "continuar vivo", lembrei-me desta maravilha dos anos 70! Quem não se lembra?!
Do Corte Inglês de Lisboa, só gosto mesmo dos cinemas. De resto é (melhor, parece-me) um espaço por de mais claustrofóbico onde temos de andar quilómetros (passe a expressão hiperbólica) para encontrarmos a escada rolante de que precisamos – se queremos descer só aparece a escada que sobre e vice-versa.
Então hoje tratei de me enfiar numa das salas de cinema a ver o filme Jackie. Tinha visto no jornal que lhe
eram atribuídas pela crítica uma série de estrelas, mas ponho sempre alguma
reserva às críticas pelo que ia um pouco descrente. Mas enganei-me e ainda bem.
Gostei imenso do filme. Uma excelente representação por parte da artista
principal – Natalie Portman. Um filme altamente emotivo e emocionante – sem lamechices,
entenda-se – que retrata os quatro dias após o assassinato do Presidente
Kennedy intensa e dramaticamente vividos pela recém-viúva. A “culpa” que
encarna por não ter conseguido e a morte do marido protegendo-o do segundo tiro,
a inesperada e atabalhoada tomada de posse de L. Johnson no avião que
transportava o corpo quase ainda quente de Kennedy para Washington, o dar a
notícia aos seus pequeninos, os tumultuosos preparativos do funeral, o inusitadamente
apressado abandono da Casa Branca, tudo isso tendo como que inspiração no
assassinato e funeral do Presidente Lincoln – uma presença que quase funciona como uma marca de água do
filme.
E depois, o que mais me encantou no final do filme: a evocação da música do
filme Camelot, um musical de 67 que adorei ver (com a belíssima Vanessa
Redgrave) e que afirmava a magia do amor, a beleza da arte, a utopia da vida.
E porque dizem que hoje é o Dia da Rádio, fica aqui a memória do filme Radio Days de Woody Allen (1987)
«As décadas de 30 e 40 foram os
momentos áureos do rádio nos Estados Unidos. Inspirado por esse período, Woody
Allen escreveu e dirigiu o filme Radio Days, que conta as lembranças de um
garoto e sua família judia em Nova Iorque, durante a Segunda Guerra Mundial.
Woody Allen narra alguns episódios fictícios do tempo de ouro do rádio
norte-americano, e também conta histórias, como se fosse o protagonista,
relembrando sua infância permeada pelos programas de rádio da época.
Naquela época, o rádio tinha um
papel preponderante como veículo de comunicação de massa. A melhor maneira de
nos mantermos informado sobre os acontecimentos da sua terra e do mundo era
através da rádio. O filme mostra como toda a população norte-americana
acompanhou apreensivamente a narrativa do ataque à base naval de Pearl Harbor,
bem como a reportagem de uma menina que caiu a um poço.
Outra demonstração da influência
da rádio na vida das pessoas, e que foi aproveitada no filme, foi o programa de
Orson Welles, inspirado no livro A Guerra dos Mundos, de H.G. Wells. Orson
Welles transmitiu um programa especial do Dia das Bruxas, no ano de 1938,
simulando uma série de relatos sobre invasões alieníginas à Terra.
O filme é interessante por
relatar de forma bem-humorada e nostálgica a era de maior impacto da rádio, já
que na década seguinte ela perdeu espaço com a chegada da televisão. No
entanto, mesmo com a sua decadência, podemos dizer, ao assistirmos ao filme,
que o seu apelo foi mais profundo que o da televisão. Por se apoiar apenas no
som, ela é naturalmente um veículo que exige mais atenção. As histórias ficavam
no plano do imaginário e é nisso que consiste o glamour dos programas radiofónicos.»
Xi! Aos anos que não ia à
matinée! Cinema para mim é à noite. Mas as tardes de domingo no inverno são tão
deprimentes (no verão também, com as praias cheias de gente e de nevoeiro nestas
praias aqui à volta) com o frio e com os programas que nos pretendem impingir
na televisão. Então tratei de me enfiar numa das salas do shopping que dava o Silêncio
do Scorsese às três. Há tempo que não via uma sala dessas tão cheia de
espectadores! Que bom! E todos em silêncio. Nem o crre-crre das pipocas se ouvia! Que bom!
Gostei do filme. Tem um ritmo
muito lento, especialmente na primeira parte, mas não me senti nada aborrecida.
A história é conhecida, lê-se aí pelos jornais: dois padres jesuítas
portugueses pedem ao Vaticano para irem ao Japão numa época de grande
fechamento daquele país ao exterior (séc. XVII) em busca do seu professor e
mentor que se dizia ter renegado a fé cristã tendo-se aculturado à vida e à
religião japonesas. O interessante, porém, não é a história, mas o que o
desenvolvimento da narrativa e as vivências das personagens, bem como os seus
pensamentos e as suas falas nos fazem pensar.
A violência das religiões: o meu
deus é o verdadeiro, o teu não existe ou não serve – uma teimosia que tantas guerras
tem originado desde que a humanidade tem história. A inabalabilidade da fé – ou
não. A existência de deus ou o seu dramático silêncio nos momentos mais pungentes.
A compaixão pelo próximo ou a renúncia objetiva da minha crença? Dramático por
isso. Mas não moralista – em nenhum momento. Não podemos cair na nossa
pequenina e enviesada tentação de julgar se aquele fez bem ou fez mal, se
deveria ter feito assim ou de outra maneira. E aí a inteligência emocional joga
o seu papel. Por de mais importante. Marcante.
Os diálogos são bem inteligentes,
tanto os dos cristãos como dos japoneses. As emoções são desassombradas, lisas,
sem pieguices. As cenas cruéis não são eivadas de violência gratuita – própria
dos filmes americanos. O ambiente é sereno, cinzento azulado, silencioso ele
próprio, em que perpassa uma constante nebulosidade. Nem o calor nos causa
suores como nos filmes passados no Vietnam. Belíssimo o recorte das escarpas
face ao mar, as ondas a desenrolarem nas praias.
São quase três horas de filme – sai-se
de lá em silêncio.
Não fazia o Pai Natal tão amante dos filmes de Hitchcock... mas a vida é cheia de surpresas, não é verdade?
E os meus amigos viram alguns filmes deste grande mestre do cinema americano? Eu cá vi todos os que passaram pelos cinemas perto de mim. Por exemplo, «A Janela Indiscreta» (Rear Window) até o gravei da televisão e vi-o vezes sem conta. E Marnie? E Psycho, com o lindíssimo Tony Perkins? E Rebeca? E O Ladrão de Casaca? Topázio, Sob o Signo de Capricórnio e outros mais com artistas tão bons: Grace Kelly; Ingrid Bergman, Rock Hudson...
Anteontem lembrei-me do «Should I stay or should I go» a propósito do referendo no Reino Unido. Hoje, depois do sim à saída da UE, e face aos variados (e desvairados) cenários políticos mais ou menos assustadores dos nossos «comentadeiros» lembrei-me da letra da bela canção «Without You» da excelente banda sonora do extraordinário filme «My Fair Lady» que serve tão bem ao Reino Unido como, por outro lado, serve à Frau Merkel e ao seu hobbit (Herr Schäubel) - se bem que eu ache que lhes falta a sensibilidade suficiente para apreciarem esta peça de arte...
Apreciem um pouco da letra e digam se lhes aplica....
There'll be
spring every year without you
England
still will be here without you
There'll be
fruit on the tree
And a shore
by the sea
There'll be
crumpets and tea without you
Art and
music will thrive without you
Somehow
Keats will survive without you
And there
still will be rain on that plain down in Spain
Quando não há tempo para mais nada, temos sempre a "conversa de travesseiro"...
Uma cançãozinha bem divertida de 1959 na poderosa voz de Doris Day, do filme com o mesmo nome «Pillow Talk», uma comédia musical com o sempre bem parecido Rock Hudson.
Só a rapaziada da minha idade se poderá lembrar...
Desde os idos de 70 que para mim não há Semana Santa sem o Jesus Christ Superstar. Por isso aqui fica mais um dos poderosos quadros daquele fabuloso musical, no qual o Cristo questiona o seu Deus, o seu Pai (?) sobre o benefício da sua morte.
«Why should I die?» (porque tenho eu de morrer?) - pergunta ele. E termina num desespero, quase numa ameaça ao seu Deus, o seu Pai (?), dizendo: