Não tem importância nenhuma, eu
sei, mas eu gosto de enviar postais! É um sinal de presença, de lembrança, de
proximidade, de amizade, se se quiser. E duradoiro. Não se apaga com um toque,
nem se manda para a “nuvem” ou para um qualquer arquivo que nunca mais nos
lembramos de visitar. Fica lá. E quando se for remexer aquela gaveta, ou aquela
divisória da secretária, ou aquela caixa, ou aquele livro, encontra-se lá e
(re)lê-se, revisitamos o passado e sorrimos.
Eu gosto de comprar e de enviar
postais.
Quando a minha amiga canadiana
vivia (triste) nesta terra, dizia que sentia muita falta das imensas lojas de
postais de toda a espécie como as que havia na sua terra. Hoje ela está lá (bem
mais feliz!) e para além das imensas mensagens que manda por correio
eletrónico, ela manda-me imensos postais lindos a marcar todas as datas
festivas do seu país e todas as outras que ela considera importantes.
E eu que sei o quanto ela gosta
de postais e quanto eu gosto de os enviar, ando há quanto tempo à procura nesta
terra de um ou outro que seja bonito, chamativo, especial e não há! Nem um
postal com vistas da cidade se consegue encontrar! Isto é que é uma região de
turismo, hein? Simplesmente não há! Nem na Fnac, nem nas tabacarias, nem nos
quiosques, nem nas livrarias… não há! Apenas postais/cartões de aniversários,
casamento, chegada de bebé e mesmo esses, são todos iguais em todos os sítios,
foleiros, parolos, cheios de frases estúpidas e alguns acentos ao contrário –
de fugir! Até a Arquivo, a livraria, que tinha postais e cartões lindos e que
tanto quer primar pela finesse e que
até é a representante nacional da Taschen, acabou com a sua coleção de postais.
E não me venham com a treta de
que caíram em desuso, que agora é tudo por mail.
Quem viajar por essa Europa fora, encontrará toda a espécie de vistas e cartões
divertidos que marcam e promovem as regiões. E mesmo cá dentro, por todo o lado
há lojinhas com postais, lembranças, ímanes, dedais, e sei lá o que mais a
promoverem as cidades, as vilas, as praias. Pois por cá, não há!
Não tem importância nenhuma, eu
sei. Mas dá-me cá uma fúria! Irrita-me esta falta de imaginação, esta
necessidade bacoca de imitar tudo e apenas o que «o meu vizinho» tem, esta
tacanhez, esta falta de visão. E não é pelos postais – embora tenha de ir a
Lisboa para me abastecer (imagine-se!) É porque parece que andamos todos com
talas nos olhos. O que me irrita mesmo é a formatação a que nos rendemos em
nome de uma qualquer “modernidade” que nos impõem. O que nos é dado é ver
programas tipo Goucha e Cristina Ferreira e Fátima Lopes e Júlia Pinheiro, para
não falar na inefável Teresa Guilherme. Ou novelas. «Ah, mas eu não vejo
novelas!» - dizem impantes - «vejo séries…»
Que são outro tipo de novelas, americanadas – outro estilo de formatação.
Para não falar nos noticiários e
nos comentadores políticos – opinion-makers?!