terça-feira, 5 de junho de 2012

5. Um segredo de Verão


(Ericeira, do Parque de Stª Marta)

Queriam então saber um segredo de Verão! Segredo que é segredo não se pode contar sob pena de deixar de o ser…  Mas vou deixar-vos um dos meus segredos de antigamente que guardei ansiosamente nos meus papeis de outrora. Sim, que isto de escrever diários, para mim, não é de agora que se usa escrever estes web logs que mais não são que diários (de navegação, se tidos à letra). 

E este é um segredo que daria para rir às adolescentes de agora, mas que, nos idos de 60, era muito natural nas jovens que tinham o dever de se guardar intocáveis e intocadas até ao casamento. Se bem se lembram…


Dia de calor

Dia de calor
abrasador
em que o corpo
se abandona
à lassidão
e absorto
em tormento
se embriaga
de paixão.

Dia de calor
abrasador –
- beladona
que propaga
num momento
um desejo
insensato
de sem pejo
te envolver
com prazer
e beijar
tuas feições
de gaiato.

Dia de calor
abrasador
e a tontura
de te ter
cá comigo
para ser
tua frescura,
para estar
só contigo
e te amar
pura, pura…

(29/Jun/68)


13 comentários:

  1. Isto é que foi um segredo!
    Quase corei!:))
    beijinhos

    (adorei o poema)

    ResponderEliminar
  2. Que poético e atrevido segredo! :-))

    Abraço

    ResponderEliminar
  3. Graça
    É pá para aqueles tempos a coisa era atrevida mesmo.
    Lindo amiga e penso que foi muito sentido!

    E eu a pensar que tinha a mania de escrever nos meus cadernos.

    Beijinho e uma flor

    ResponderEliminar
  4. Pois eram assim os nossos tempos.

    Cada vez que me lembro que só quase ao fim de um ano de namoro deixei dar o 1º beijo e fiquei cheia de problemas de consciência...

    Abraço

    ResponderEliminar
  5. OI GRAÇA!
    ADOREI TUA FORMA DE NOS CONTAR ESTE SEGREDO.
    PROMETO QUE NÃO CONTAREI A NINGUÉM.
    ABRÇS

    zilanicelia.blogspot.com.br/
    Click AQUI

    ResponderEliminar
  6. Passou tudo rápidamente.
    Vai demorar muitos anos para aparecer uma geração igual à dos anos sessenta! Modéstia à parte.
    Belos tempos, nesta altura estava na guerra em Angola havia oito meses, apesar disso, ainda há boas recordações.

    ResponderEliminar
  7. Ai se os nossos Diários (alguns que nem sequer chegaram a ver a folha do papel) começassem para aí a dar com a língua nos dentes!?...

    Ai, ai!...

    Gostei do poema...e dos rodriguinhos para o apresentar, eheh
    Bj

    ResponderEliminar
  8. Amigo António, achei graça aos seus "rodriguinhos"... ehehehehe!

    Pois era assim naquele tempo. E no entanto, foi há tão pouco tempo! Hei de trazer mais "coisinhas" dos meus caderninhos e dos meus diários, mas não é para chocar ninguém ....

    Pois é, Flor, eu adoro escrever em cadernos... Se possível a lápis. Manias!

    Beijinhos secretos para todos os meus amigos.

    ResponderEliminar
  9. Que bonito voltar atrás e desvendar um segredo desses :)
    Eu nunca tive o hábito de escrever diários, mas tenho uma caixa de recordações onde encontro algumas folhas soltas com esboços de letras :)

    ResponderEliminar
  10. Querida Graça, este teu post sintetiza o que escrevi no comentário do teu primeiro dia do desafio: muito avançada para a época!!
    Escrever um poema destes em 1968, demonstra uma sensibilidade especial.
    Obrigada por teres embarcado neste desafio (um bocadinho forçado, eu sei...) que é feito á tua medida. A prova está nos magníficos posts e fotografias que nos deixaste até agora! Muito obrigada. :)

    ResponderEliminar
  11. Turistinha, não mereço os teus elogios... (mas agradeço desvanecida...)

    Beijinhos

    ResponderEliminar