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quinta-feira, 8 de agosto de 2019

Põe-te em guarda

Em alguns momentos de melancolia e solidão - que me assolam tantas vezes ao dia - há , muitas vezes, um qualquer mecanismo cá dentro que dispara e me segura pelas pontas.

Hoje foi um "Põe-te em guarda!" que me agarrou de supetão. 

Lembram-se da Balada da Rita (da autoria de Sérgio Godinho) do espantoso filme Kilas, o mau da fita (1985)? 





sábado, 23 de fevereiro de 2019

José Afonso (1929 -1987)

Faz já 32 anos que tão cedo partiu. Tinha apenas 57 anos. Vale bem a pena recordá-lo pela voz, pelas músicas que compôs, pelas letras que escreveu e que musicou, pela luta que empreendeu ao longo da vida!





sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Relembrando José Afonso

Passam hoje 31 anos sobre a sua partida, mas a sua música ficará para sempre.




quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Menino do Bairro Negro

Foi a escolha de António Arnaut no final da entrevista que aquele Homem de fibra, socialista e republicano, nas suas próprias palavras, concedeu a Maria Flor Pedroso na Antena 1 esta manhã. Foi uma verdadeira lição de política enquanto ciência ou arte (não sei bem), uma lição de cidadania e de democracia dada com toda a humildade e singeleza. Só por isso vale a pena ouvir.

E, no fim, a sua escolha musical: José Afonso, o nosso possível Nobel da Literatura – disse eu ao ouvir. O que já fora dito pelo entrevistado e eu não ouvira… Gosto quando chego a conclusões iguais às de pessoas sabedoras.

Uma escolha emotiva.Uma boa escolha.



segunda-feira, 25 de abril de 2016

Só de Punho Erguido

A minha homenagem aos homens de Abril.
Com força e determinação
E aos de agora e aos que hão de vir 
Para que Abril se cumpra.




Pela terra que nos deixam
Pela noite que se arrasta
Pelo chão que se conquista
Pelo preço que se paga
Pelo canto que se arrisca
Pela vida que se estraga.

(Refrão: só de punho erguido a canção terá sentido x 5)

Pelo corpo que se aperta contra os muros e contra as pedras
Pela voz que se levanta nas horas mais incertas
Pela boca que se espanta nas tarde encobertas.

(Refrão)

Pelas grades que se quebram
pelas armas que se apontam
pelos meses que se perdem se as palavras já não contam
pela calma do teu rosto
pelas fadigas que o afrontam.

(Refrão)

Pelo sangue e pela chuva que dos lares se derrama
pelo riso dos que chegam, dos que dormem nesta cama
pela sangue e pela luta e por tudo que se ama.

(Refrão)

Pela paz deste lugar
pelo vermelho destes dias
pela força de avançar
pela esperança que anuncias
pelo braço que te estendo
pelas nossas alegrias .

(Refrão)

Pela raiva dos que partem o gelo nas muralhas
Pelo grito dos que vencem ciladas e mortalhas
Por aqueles que resistem
Pelos golpes que não falhas.

(Refrão)

25 de Abril Sempre!

sábado, 9 de abril de 2016

Adriano Correia de Oliveira

Faria hoje 74 anos se a morte o não tivesse colhido ainda jovem, pelos 40 anos. Tinha uma bela voz que usava, como o José Afonso e outros, para intervir naqueles tempos lamacentos.

Em homenagem fica aqui a Fala do Homem Nascido, o poema de Gedeão que mais força imprime em quem o lê ou ouve, e que é o lema deste blog

Espero que gostem.





Bom fim de semana!

Amanhã, Porto, aí vamos nós
para o 3º encontro de bloggers!

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Cão Raivoso

Quem não se lembra desta canção de Sérgio Godinho do álbum À Queima Roupa de 74? 

«Mais vale ser um cão raivoso
que uma sardinha
metida, entalada na lata
educadinha
pronta a ser comida, engolida, digerida
e cagadinha
Mais vale ser diferente da sardinha
um cão raivoso que sabe onde ferra
ferra fascistas e chama-lhe um figo
olhos atentos e patas na terra.»


Habituámo-nos a «celebrar» o cão raivoso que ferrava fascistas e lhes chamava um figo... Mas isso foi em 74...

Hoje vimos os senhores de direita - não lhes vou chamar fascistas, naturalmente... - a fazer a figura do cão raivoso em plena Assembleia da República. 

Não lhes ficou bem. Digo eu... Até porque estiveram sempre mais inclinados para a figura de «sardinha, entalada na lata, educadinha» e ... boa aluna...


domingo, 20 de setembro de 2015

Fala do Homem Nascido

Se bem repararam, este poema é - desde o primeiro minuto de existência deste espaço - o meu ex-libris. Há frases, pensamentos, poemas (poucos) que me marcaram uma vez na vida e ficaram. Para sempre. Sou (muito) fiel aos meus gostos e aos meus pensamentos.

Já conhecia o poema, mas marcou-me indelevelmente quando nos idos de 70, já depois da Revolução, numa das muitas e boas formações que tive em Lisboa no âmbito da Reforma Veiga Simão, a formadora pediu-nos para nos apresentarmos da forma que quiséssemos, que fosse mais de acordo com a nossa maneira de ser. E aí, uma colega, já não me lembro de onde levantou-se e cantou:

«Venho da terra assombrada,
do ventre de minha mãe;
não pretendo roubar nada
nem fazer mal a ninguém.

Só quero o que me é devido
por me trazerem aqui,
que eu nem sequer fui ouvido
no acto de que nasci.»

E eu, vinte e tal aninhos, (ainda) bastante tímida, arrepiei-me com a força dela e do poema e guardei-o para sempre bem perto de mim.

(só nunca entendi como é que um Professor de Físico-Química - Rómulo da Carvalho - teve talento e arte para escrever poemas tão belos e tão profundos como foram os de António Gedeão...)

(de notar que Físico-Química foi sempre a minha pior disciplina...)


Hoje voltei a ouvi-la na rádio, e resolvi trazê-la aqui na excelente voz metálica do Adriano. Para recordarmos.



Boa semana!

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Ai Portugal, não te deixes assim vestir!

Há canções intemporais. Esta - entre tantas outras deste e de outros autores de intervenção  - é, de facto, uma delas!  

Tão atual! Senão vejam:


«Ai, Portugal
dar-te conselhos é bem pouco original
(mas) se realmente não quiseres querer-te mal
olha p´ra ti, ó Portugal
e não te deixes assim vestir!

(...)

Porque há coletes que são de forças
por mais que o digam não ser
não te deixes assim vestir
não te deixes assim vestir!»





quarta-feira, 17 de junho de 2015

A formiga e a cigarra

Não sou nada dada a moralismos, nem sequer a moralidades, por isso não sou grande apreciadora de fábulas. Isto decerto porque, para além de me entender muito melhor com a ironia, na minha instrução primária fui – como todas as criancinhas nesse tempo de moralismos clericais – forçada a lê-las e relê-las nos livros de leitura e depois a recontá-las em redações sempre com a obrigação de, à laia de conclusão, retirar e fazer salientar a dita moralidade.

Bom, mas isto tudo para explicar que, não obstante, nos últimos dias o bom do La Fontaine não me tem saído da cabeça com a sua Formiga trabalhadora e a sua Cigarra desmioladamente gastadora. E isto porquê? Por causa do triste caso da dívida da Grécia e do estupidamente chamado grexit.

Quem não se lembra de ouvir o ministro formigo, digo, o ministro Miguel Macedo dizer aí por 2012 que Portugal não podia continuar um país de muitas cigarras e poucas formigas? De facto, o seu desejo foi-se transformando em realidade e, graças ao esforço aturado e gratuito (que se lixem as eleições quem não se lembra também) do “governo” e do seu representante em Belém, atualmente são muitas as formiguinhas, coitadinhas, abençoadas, e poucas a malandras, as desbocadas das cigarras.

O “nosso” primeiro não se cansa de dizer e bradar que Portugal está a salvo de qualquer turbulência e que tem reservas que aguentam qualquer embate (pois não é que temos os cofres cheios?!)

Entretanto a espécie de presidente da República foi para a Bulgária gabar «o bom aluno» que tem sido o seu governo (sabe-se lá a que custo por parte do povo, mas isso também não interessa nada). Disse ele: «O sucesso do programa de ajustamento é o exemplo de política responsável, quando há uma forte vontade política.» E tem o topete de se pôr a «pedir contas a Atenas» e de, armado em bom, lançar papaias deste tipo: «Não podem ser abertas exceções para nenhum país.» E continua: «num espaço tão integrado como a zona euro há regras que não podem deixar de ser respeitadas; o governo de Atenas não pode ignorar a realidade.»

 Isto sim é sinal de grande solidariedade institucional!

Socorro-me uma vez mais de Sérgio Figueiredo – que, repito, gosto de ler – que escrevia há dias: «É francamente difícil de entender a descontração do governo português diante do cenário do grexit grego. Há quase uma satisfação contida no sorriso de Mona Lisa que a nossa ministra das Finanças esboça, quando é confrontada com tal cenário. Lisboa devia ser a primeira a defender uma solução para a Grécia, mas prefere correr para os credores e pagar antes do tempo. Parece que a nossa colossal dívida externa se resolve com prestações antecipadas. Parece que a prioridade é deixar a "alternativa Syriza" sucumbir como prova de que afinal sempre estivemos certos. Parece que não se conhece a lógica implacável dos mercados. Parece que os juros da nossa dívida não voltaram a subir.»

São as belas, solidárias, altruístas, nada vingativas nem rancorosas formiguinhas à portuguesa.

E vem-me à memória aquela canção que diz…


terça-feira, 19 de maio de 2015

Mais flores, mais flores, mais flores

Quem se lembra deste poema?

É preciso avisar toda a gente
dar notícia informar prevenir
que por cada flor estrangulada
há milhões de sementes a florir

É preciso avisar toda a gente
segredar a palavra e a senha
engrossando a verdade corrente
duma força que nada detenha

É preciso avisar toda a gente
que há fogo no meio da floresta
e que os mortos apontam em frente
o caminho da esperança que resta

É preciso avisar toda a gente
transmitindo este morse de dores
É preciso imperioso e urgente
mais flores mais flores mais flores...

João Apolinário – 1924 - 1988




Poema cantado por Luís Cilia em meados de 60 do século passado quando tudo tinha de ser dito por meias palavras, por metáforas, por flores....







Lembrei-me quando hoje dei conta que as hortenses rebentaram com força neste Maio no meu pequeno jardim.













Mais flores, mais flores, mais flores...


segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Partiu há 28 anos





Tinha uma voz de veludo e uma forma deliciosa de fazer oposição. Um homem das canções de intervenção, dizendo as verdades a cantar.

Deixo aqui outro registo mais leve e brincalhão, mas não menos contundente: As Quatro Quadras Soltas do Sérgio Godinho ainda com a participação de José Afonso, Adriano Correia de Oliveira e Fausto. 

Oiçam, que é um mimo!


  



As quadras:

[Adriano:]
O i o ai, há já menos quem se encolha
o i o ai, muita gente fala e canta
o i o ai, já se vai soltando a rolha
que nos tapava a garganta.

[e é o próprio sôr Zeca Afonso que vai cantar aqui]
O i o ai, disse-me um dia um careca
o i o ai, quando uma cobra tem sede
o i o ai, corta-lhe logo a cabeça
encosta-a bem à parede

[Fausto:]
O i o, Quando se embebeda o pobre
o i o ai, dizem olha o borrachão
o i o ai, quando se emborracha o rico
acham graça ao figurão

[Sérgio:]
O i o ai, nós queremos é justiça
o i o ai, e dinheiro para o bife
o i o ai e não esta coboiada
em que é tudo do sherife


Vejam se não são tão atuais...

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

É preciso (des)acreditar!

É isso mesmo que o ministro (C)rato quer: desacreditar os professores (da escola pública) aos olhos da população. E vai conseguindo. Os jornais, impantes, lá anunciaram em primeira página, que «mais de um terço dos professores chumbaram na prova de avaliação». E nos telejornais lá apareceu um qualquer representante do Instituto de Avaliação, organismo responsável pela elaboração da dita prova, a dizer, com um ar zombeteiro, que «vamos lá!...» professores que não entendem a interpretação de um texto ou um cálculo deixam muito a desejar…

Já aqui disse e repito: exerci a carreira nos 2º e 3º ciclos do Ensino Básico durante 40 anos sempre com bons resultados, desempenhei cargos de chefia intermédia e de topo durante vários desses anos, cheguei a ser chefe de divisão numa Coordenação de Área Educativa, fui formadora de professores e, garanto-vos, que teria chumbado se me tivessem obrigado a passar por semelhante prova(ção)!

Depois veio o ministro (C)rato em defesa desta forma de testar as competências dos professores dizendo que é como o exame para a carta de condução – confesso que não entendi a arrevesada comparação, mas é como digo, não teria competências para obedecer ao perfil que o senhor ministro  delineou para se ser professor…

Que a intenção do senhor ministro (C)rato para escolher os professores com menos de cinco anos de experiência sabemos nós muito bem qual é! Não tem objectivos de qualidade coisa nenhuma! Tem o objectivo de se descartar de uma boa quantidade de professores que já serviram nas escolas na qualidade de contratados e, por outro lado, o objectivo de denegrir a imagem dos professores e da escola pública junto da opinião pública. Mostrar que eles são ignorantes, não prestam, e por isso os alunos não conseguem alcançar o almejado sucesso educativo.

Porque é que os professores das escolas privadas não têm de passar por este crivo tão irregular? Como será que os directores dos colégios escolhem os “professores de qualidade” que lá têm sem lhes aplicarem a prova?

E será que o irónico senhor representante do IAVE, ou o senhor ministro (C)rato, ou o senhor PM Coelho ou até, quiçá, o senhor presidente que ocupa o Palácio de Belém teriam passado se lhes tivessem aplicado equivalente prova de comportamentos e competências sem lhes darem a conhecer antecipadamente as rasteiras, as confusões e a abrangência desnecessária das matérias visadas? Muito provavelmente, não!

Entretanto, ao contrário do que diz a canção, é preciso desacreditar, fazer desacreditar…




terça-feira, 28 de outubro de 2014

Não há machado que corte...

Depois de ter sido mandado calar no DN, Baptista-Bastos escreveu na semana passada, no Jornal de Negócios, a crónica que aqui transcrevo hoje e que devemos ler com atenção.



A voracidade destrutiva do grupo de Passos Coelho é a maior tragédia que tombou em todos nós, os que trabalham, desde o 25 de Abril.

A sociedade portuguesa está cada vez mais pesada e trágica. A entender o que diz, ou sussurra, ou omite o Orçamento do Estado, a miséria vai aumentar para os mais desprotegidos, e a reposição de 20% dos cortes aos funcionários não passa de uma decisão ultrajante. O Governo está a cair aos pedaços fétidos e não pára de ferir fundo aqueles de nós, como eu, com perdão da palavra, que têm de continuar a trabalhar ou a biscatar para sobreviver.

A voracidade destrutiva do grupo de Passos Coelho é a maior tragédia que tombou em todos nós, os que trabalham, desde o 25 de Abril. Temos de repetir esta evidência até que a voz nos doa. Agora, alguns dos patrões que enriqueceram com as benesses e as facilidades propiciadas por este Executivo, já começam a recalcitrar. A própria direita, corporizada em Paulo Portas, percebe que o chão lhe está a fugir, mas metem nojo, por exemplo, as declarações de Lobo Xavier, um dos homens de mão do Belmiro de Azevedo, ou as patetices de Nuno Melo (parece ser assim o nome do desenvolto) quando proclama a melhoria de vida dos portugueses. O Governo está em estilhaços, as malfeitorias que pratica não cessam, e o Orçamento do Estado constitui um ultraje ignominioso, a crer nos economistas e em toda a oposição. O próprio António Saraiva, patrão dos patrões, começa a não poder esconder o mal-estar que se lhe apossou, independentemente de estar visivelmente doente.

Mas a questão central continua a mesma: e depois de Passos, que decisões tomará o novo Governo, ante este caos económico, moral, social e cultural?

Às vezes, muitas vezes, penso quais serão as conversas que o primeiro-ministro terá em família? E a família ficará infensa à gritaria, aos protestos, ao caudal de desemprego, de fome de miséria que se estende pelo País?

Claro que o futuro de Passos estará sempre garantido, e o espectro do desemprego não tocará nunca no batente da sua porta. Deixa, atrás de si, um país que destruiu, e cujos escombros são a trágica afirmação de uma prática governamental pautada pela mais atroz incompetência. Os seus amigos serão a senhora Merkel, o senhor Juncker e o sinistro dono das finanças alemão, cujo nome me causa engulhos, e que foi o grande patrocinador desta macabra experiência político-económica. O ministro Gaspar já está arranjadinho, e só não passa à história como biltre porque os portugueses são esquecidos, fazem-nos esquecer ou negligenciam a sua pessoal sobrevivência.

A preguiça mental e social e a cobardia nascida da indiferença são as causas gerais da nossa decadência. Há restos de dignidade e de decência, como a que corresponde a atitude de Maria Teresa Horta, grande poetisa e grande carácter, que recusou receber, das mãos de Pedro Passos Coelho, o prémio da Casa de Mateus, enquanto um "escritor" inexistente, arfante de alegria, foi medalhado pelo dr. Cavaco, com esfuziante entusiasmo e pouca-vergonha a condizer, servindo de berloque à direita mais sórdida.

António Costa, presumível primeiro-ministro, vai estar em terreno armadilhado. Só o apoio das forças de esquerda poderá impedir o que se prevê. A imprensa está a mudar de donos, e criaturas estipendiadas são colocadas em lugares-chave da comunicação social, perante a impávida disposição das Redacções.

Apesar deste caos moral e social, e das minhas apreensões ante o panorama, continuo a acreditar que possuímos forças suficientes para enfrentar a avalanche. Não podemos é desistir. Desistir, nunca, e em circunstância alguma.



NOTA A TEMPO - Aproveito para agradecer aos leitores que se interessaram pela minha saúde, na semana passada. E, também, a todos aqueles, às centenas, indignados com um percalço de que fui protagonista. A saúde foi um transtorno passageiro. No outro caso, recorro a Carlos de Oliveira: "Não há machado que corte / a raiz ao pensamento."




quarta-feira, 12 de março de 2014

Eu não quero pagar por aquilo que não fiz!

Eu não quero pagar por aquilo que não fiz
Não me fazem ver que a luta é pelo meu país.
Eu não quero pagar depois de tudo o que dei
Não me fazem ver que fui eu que errei.

Não fui eu que gastei mais do que era para mim
Não fui eu que tirei, não fui eu que comi
Não fui eu que comprei, não fui eu que escondi
Quando estava a olhar não fui eu que fugi.

Não é essa a razão para me quererem moldar
Porque eu não me escolhi para a fila do pão
Este barco afundou houve alguém que o cegou
Não fui eu que o não vi.

Eu não quero pagar por aquilo que não fiz
Não me fazem ver que a luta é pelo meu país.
Eu não quero pagar depois de tudo o que dei
Não me fazem ver que fui eu que errei.

Talvez do que não sei talvez do que não vi
Foi de mão para mão, mas não passou para mim
E perdeu-se a razão tudo bom se feriu
Foi mesquinha a canção desse amor a fingir.
  
Não me falem do fim se o caminho é mentir
Se quiseram entrar não souberam sair
Não fui eu quem falhou, não fui eu quem cegou
Já não sabem sair.

Eu não quero pagar por aquilo que não fiz
Não me fazem ver que a luta é pelo meu país.
Eu não quero pagar depois de tudo o que dei
Não me fazem ver que fui eu que errei.

Meu sonho é de armas e mar
Minha força é navegar
Meu Norte em contraluz

Meu fado é vento que leva e conduz.


)


Estão a voltar as canções de intervenção. Porque será?!

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

No comboio descendente

Hoje de manhã ouvi na rádio esta cançãozinha que não ouvia há que tempo!

A minha neta, que estava connosco e que tem muito bom ouvido para a música, delirou com a toada e pôs-se logo a trauteá-la juntamente comigo que ia matraqueando a letra. «Ó avó, gostas muito desta canção, não gostas?» «Avó, o que é que quer dizer “descendente”?» E lá continuava ela a cantarolar o «tiririri..» com que o José Afonso conseguiu dar o tom de brincadeira ao poemeto de Pessoa que também é catalogado como poema para crianças.


Só que de folguedo tem muito pouco quer da parte de quem escreveu os versos quer de quem o musicou. Com as palavras sempre simples que usava um, e com as notas próximas de um folclore genuíno que sempre usava o outro, aí está uma bela pintura do que é este nosso povo adormecido, alheado e indiferente,que se deixa levar em grande reinação, «levados, levados, sim…» num qualquer comboio descendente – ou decadente – sabe-se lá para onde e por onde.


No comboio descendente
Vinha tudo à gargalhada.
Uns por verem rir os outros
E outros sem ser por nada
No comboio descendente
De Queluz à Cruz Quebrada...

No comboio descendente
Vinham todos à janela
Uns calados para os outros
E outros a dar-lhes trela
No comboio descendente
De Cruz Quebrada a Palmela...

No comboio descendente
Mas que grande reinação!
Uns dormindo, outros com sono,
E outros nem sim nem não
No comboio descendente
De Palmela a Portimão.




segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

A Paz, o Pão, Saúde, Educação...



A São tem razão: temos é de voltar às canções de intervenção! Que diabo! Nunca pensei!







quinta-feira, 25 de abril de 2013

Foi assim há 39 anos

Há 39 anos as notícias eram estas:






E hoje, meu Deus, e hoje?

Há que não perder a esperança e continuar a acreditar e a lutar com alma. Assim: