Amigos, celebremos o 1º de Maio
feriado enquanto o há! Que se estes tecnocratas que tomaram conta do governo e que
de História nada sabem nem querem saber, vão retirar feriados que festejam a
liberdade e a libertação como o 1º de Dezembro e o 5 de Outubro e, com a sede
de vingança de que sofrem, a muito breve trecho deverão retirar o 1º de Maio e
o 25 de Abril.
Mas atenção! Não posso, não devo
acusar apenas os tecnocratas – para não dizer palhaços, que os palhaços não têm
culpa nenhuma – do governo por estas decisões de promoção do trabalho de forma a debelarmos a crise… Este povo está
a pedi-las!
Veja-se o caso dos hipermercados:
ontem ficámos a saber que os patrões das grandes superfícies convocaram, obrigaram,
chantagearam os funcionários para abrirem hoje, Dia do Trabalhador. (Porque não
o farão nos outros dois dias de fecharem portas, no Natal e no 1º do Ano?
Porque o farão apenas no 1º de Maio?) Grande revolta sentimos muitos de nós
perante tal pressão, tal repressão sobre os empregados que agora se chamam,
hipocritamente, de «colaboradores». Logo se encheu o Facebook – a maior montra nacional
de opiniões e a única já que este povo gosta é de se esconder por detrás da
escrita – de cartazes e dísticos apelando ao boicote às compras nas grandes
superfícies. Muito bem! E eu que não me livro destes laivos de idiota ingenuidade
para os quais já nem idade tenho, acreditei!
Agora vejam a minha indignação
quando, de manhã, passei pelo Pingo Doce aqui da zona e vi uma romaria de
pessoas sorridentes e em festa e de carros que enchiam o enorme parque daquele hiper!
Eu não queria acreditar!
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| Vão para lá e fiquem por lá! |
Entretanto vim para casa e ainda
e mais uma vez esperançada sabe-se lá em quê, liguei a televisão para ver o que
havia por Lisboa, festejos, manifestações, discursos e, para maior indignação, nos
três canais de sinal aberto e até nos canais de informação aparecia a cara de
estanhado do primeiro-ministro, desengravatado tal «homem de esquerda, de
trabalho», a debitar não sei que palavras que não tinha escrito e, se calhar, nem
pensado para os trabalhadores sociais-democratas! Oh, pelo amor de Deus! Tenham
dó! Entretanto, vimos as manifestações, duras manifestações na Grécia e,
espantemo-nos!, na Alemanha! Grandes povos! E não uns mansos como nós!
Só que não fiquei por aqui. A
meio da tarde, lá fomos de novo dar uma volta pelos canais de televisão para
ver as manifestações, mas… quais manifestações? Hoje é que dia? Hoje há
manifestações? Ah, sim! Só as havia na TVI 24 – grande TVI 24! Nem sei como! –
porque nos restantes canais, apenas víamos pessoas contentíssimas porque no
Pingo Doce quem fizesse cem ou mais euros em compras pagava apenas metade! E
dizia uma senhora dos seus 60 anos, com um sorriso de orelha a orelha: - Assim, sim! Haviam de fazer isto pelo
menos duas vezes por mês! Santa ingenuidade! Ou será mesmo santa estupidez?
Bem pode o Diário de Notícias
desfazer-se a dar novas da roubalheira que os senhores do partido do “nosso”
primeiro e do “nosso” presidente fizeram no âmbito do BPN que, se fossem hoje
as eleições, lá ganhariam eles porque são pessoas muito honestas e dizem sempre
a verdade e querem acabar com os feriados que só servem para os trabalhadores
(que agora se chamam colaboradores) não trabalharem!