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segunda-feira, 26 de junho de 2017

Publicidade Pingo Doce na Holanda

Eu sei que este vídeo é antigo, mas a pouca vergonha do merceeiro Alexandre continua atual. Depois criou a Fundação - que durante anos foi dirigida pelo Sr António Barreto e pelo seu enorme ressentimento - e pensa que está tudo pago ao país...

O texto é da autoria de Rui Zink.



sábado, 12 de abril de 2014

Crime e castigo

Dia de compras no Continente. Muita gente nas caixas para pagar. E, atrás de mim, a querer muito passar-me à frente, uma senhora bem mais velha do que eu, olhava aflita para o relógio. Estava quase a dar-lhe passagem à minha frente, quando chega outra senhora que a aconselha a ter calma, ainda falta meia hora para o autocarro, eu vou no mesmo e ainda há tempo. E daí começaram a falar disto e mais daquilo.

Falam de como as pessoas trabalham muito, muitas horas e cada vez ganham menos e cada vez mais lhes cortam os apoios e os subsídios; aí a senhora que tinha resposta para tudo para a senhora mais velha, sai-se com aquela máxima paroquialmente doentia «andaram a dar-nos de mais e agora temos de pagar!» Crime e castigo!

Virei-me para a frente para abstrair e não me meter onde não era chamada e tratei de pôr as minhas compras no tapete da caixa. Esqueci a conversa das minhas vizinhas de trás e tratei de pagar. «Vai querer o número de contribuinte na fatura?» pergunta a senhora da caixa. «Não!» respondi rindo, que não é por aí que vamos lá… E responde a empregada com aquele ar assustado de português que foi apanhado a fazer asneira: «andaram a dar-nos a mais e agora temos de pagar!»

Duas vezes em parcos minutos, não!! «Minha querida, - disse chegando-me perto - não andaram nada a dar-nos de mais! Andaram foi a roubar de mais! E agora somos todos nós que temos de pagar!» Farta de que nos acusem de termos andado a gastar de mais!! Farta de que nos digam que andámos a viver acima das nossas possibilidades! Houve foi quem andasse a roubar acima das suas possibilidades! (infelizmente, essa nossa veia de rapina já vem do tempo das descobertas).

Farta de que inculquem nas mentes mais indefesas, mais desvalidas que andámos, de facto, a gastar acima das nossas possibilidades para que aceitemos de cabeça baixa como castigo todos os desmandos que queiram desferir sobre nós! Castigo sem crime!




sábado, 19 de maio de 2012

... também foi ao pingo doce...

Eu não sei, disseram-me. Que o Cavaco, antes de ir de férias para Timor e para não mais onde, ainda foi ao pingo doce aproveitar as promoções...




Tenham um bom fim de semana!

segunda-feira, 7 de maio de 2012

De castigo!



Ouvi esta manhã num flash de notícia que os funcionários (agora diz-se «colaboradores» mas eu recuso-me) do Pingo Doce vão ter um dia de descontos a 50% como aconteceu para o público em geral no passado dia 1. Muito bem!

Mas atenção! Não serão todos que terão direito a essa benesse! São apenas aqueles que não se recusaram a trabalhar naquele dia. Os outros ficam de castigo…

Aqueles comentadores neoliberais que têm vindo em defesa daquela maravilhosa cadeia de supermercados que tanto tem tido em conta os interesses nacionais dizendo que se tratou apenas de negócio, de lucro, de campanha promocional, não lhes passando sequer pela cabeça virar consumidores contra trabalhadores têm aí a resposta.


terça-feira, 1 de maio de 2012

Indignação!

Amigos, celebremos o 1º de Maio feriado enquanto o há! Que se estes tecnocratas que tomaram conta do governo e que de História nada sabem nem querem saber, vão retirar feriados que festejam a liberdade e a libertação como o 1º de Dezembro e o 5 de Outubro e, com a sede de vingança de que sofrem, a muito breve trecho deverão retirar o 1º de Maio e o 25 de Abril.

Mas atenção! Não posso, não devo acusar apenas os tecnocratas – para não dizer palhaços, que os palhaços não têm culpa nenhuma – do governo por estas decisões de promoção do trabalho de forma a debelarmos a crise… Este povo está a pedi-las!

Veja-se o caso dos hipermercados: ontem ficámos a saber que os patrões das grandes superfícies convocaram, obrigaram, chantagearam os funcionários para abrirem hoje, Dia do Trabalhador. (Porque não o farão nos outros dois dias de fecharem portas, no Natal e no 1º do Ano? Porque o farão apenas no 1º de Maio?) Grande revolta sentimos muitos de nós perante tal pressão, tal repressão sobre os empregados que agora se chamam, hipocritamente, de «colaboradores». Logo se encheu o Facebook – a maior montra nacional de opiniões e a única já que este povo gosta é de se esconder por detrás da escrita – de cartazes e dísticos apelando ao boicote às compras nas grandes superfícies. Muito bem! E eu que não me livro destes laivos de idiota ingenuidade para os quais já nem idade tenho, acreditei!

Agora vejam a minha indignação quando, de manhã, passei pelo Pingo Doce aqui da zona e vi uma romaria de pessoas sorridentes e em festa e de carros que enchiam o enorme parque daquele hiper! Eu não queria acreditar!


Vão para lá e fiquem por lá!

 Entretanto vim para casa e ainda e mais uma vez esperançada sabe-se lá em quê, liguei a televisão para ver o que havia por Lisboa, festejos, manifestações, discursos e, para maior indignação, nos três canais de sinal aberto e até nos canais de informação aparecia a cara de estanhado do primeiro-ministro, desengravatado tal «homem de esquerda, de trabalho», a debitar não sei que palavras que não tinha escrito e, se calhar, nem pensado para os trabalhadores sociais-democratas! Oh, pelo amor de Deus! Tenham dó! Entretanto, vimos as manifestações, duras manifestações na Grécia e, espantemo-nos!, na Alemanha! Grandes povos! E não uns mansos como nós!

Só que não fiquei por aqui. A meio da tarde, lá fomos de novo dar uma volta pelos canais de televisão para ver as manifestações, mas… quais manifestações? Hoje é que dia? Hoje há manifestações? Ah, sim! Só as havia na TVI 24 – grande TVI 24! Nem sei como! – porque nos restantes canais, apenas víamos pessoas contentíssimas porque no Pingo Doce quem fizesse cem ou mais euros em compras pagava apenas metade! E dizia uma senhora dos seus 60 anos, com um sorriso de orelha a orelha: - Assim, sim! Haviam de fazer isto pelo menos duas vezes por mês! Santa ingenuidade! Ou será mesmo santa estupidez?

Bem pode o Diário de Notícias desfazer-se a dar novas da roubalheira que os senhores do partido do “nosso” primeiro e do “nosso” presidente fizeram no âmbito do BPN que, se fossem hoje as eleições, lá ganhariam eles porque são pessoas muito honestas e dizem sempre a verdade e querem acabar com os feriados que só servem para os trabalhadores (que agora se chamam colaboradores) não trabalharem!



sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Abertos ao domingo à tarde





Já tinha visto num título do jornal logo de manhã e depois, quando lá cheguei para as compras da semana, estava anunciado por todos os lados: “Este domingo estamos abertos à tarde.” Entretanto, recebi uma mensagem no telemóvel a dizer: “Este domingo aproveite 10% de desconto em cartão em todo os produtos.” Manobras do marketing!

E, quando cheguei à caixa para pagar as compras, disse à empregada em tom de alguma cumplicidade: “Então lá vos obrigaram a trabalhar ao domingo à tarde...” Com a civilidade que é apanágio dos empregados daquela grande superfície (agora diz-se colaboradores, mas eu não gosto desta nova denominação para os trabalhadores por conta de outrém) a senhora abriu os olhos em ar de grande espanto e admiração e, delicadamente, respondeu-me: “Sabe que é a primeira pessoa que nos diz isso?... É que toda a gente concorda com esta nova medida...”

Contam-se pelos dedos as vezes que fui ao supermercado aos domingos e agora, aos domingo à tarde, ainda menos. É a minha forma de reagir contra. Posso parecer antiquada, mas se houvesse muita gente a pensar assim, podia ser que houvesse mais consideração pelos funcionários dos supermercados. Claro que eles têm na mesma os seus dias de folga, mas é ao domingo que os filhos estão também em casa e eu continuo a advogar que as famílias continuam a precisar de ter os seus tempos comuns de natural convívio, descanso, diversão, aprendizagem, discussão de assuntos, refeições em conjunto, toda uma miríade de procedimentos que fazem a diferença na preparação para a educação e para a cidadania dos mais novos.