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sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Moda ou sujeição?

Sempre que foi preciso facilmente encontrei camisolas – agora chamadas básicas – de golinha alta para os miúdos usarem por baixo das camisas, das camisolas – agora chamadas sweats – ou dos casacos, para irem mais aconchegados para a escola.
Este outono, já corri todas as lojas desde as franchising tipo Zara, Benneton, Tiffosi,  Mo, etc. e tal, até às do chamado comércio tradicional onde as respetivas empregadas – agora diz-se colaboradoras – põem os olhos em alvo, como se não soubessem do que falo e dizem «Não temos.»; «Este ano, não se usam.»; «Sabe: fazem muito calor aos miúdos e eles constipam-se…»

Quer queiramos, quer não, temos de vestir aquilo que os ditos prontos-a-vestir mandam e, mesmo que desejemos manter o nosso estilo, os nossos gostos, as nossas formas de conforto, dificilmente o conseguimos porque as roupas e os chamados assessórios são exatamente iguais em tudo quanto é loja.

Eu que, por gosto próprio, raramente uso calças, andei, nos últimos cinco ou dez anos, a fazer figura de parva a perguntar por saias aí pelas lojas e a ver o ar de pena ou condescendência ou sei lá de quê das empregadas, que agora se chamam colaboradoras, para cima de mim como se eu fosse uma extraterrestre ou perguntasse por uma peça do século XIII. Saias! Que disparate! Agora saias!...

Eu cá gosto da moda e das modas, mas, por favor, dêem-me algum espaço de liberdade! Gosto especialmente de fazer a minha vontade e de me sentir confortável com o que visto. Não sou, nem pouco mais ou menos, escrava da moda.

Tive um colega na Faculdade, nos idos de 60, a quem chamávamos «o pusilânime» porque aplicava essa palavra a tudo e a todos – que dizia que em Letras os rapazes teriam mais saída junto dos professores porque eram poucos, enquanto as raparigas eram muitas e eram todas iguais: os mesmos penteados, as mesmas roupas, o mesmo estilo. Teria alguma razão. Imagino o que ele pensará hoje com as lojas a exibirem tudo igual – cores, cortes, modelos, padrões – e sem o hábito que se perdeu de ter uma costureira, uma modista de confiança que nos talhe e costure modelos a nosso gosto.

A propósito, já leram o livro «O Tempo entre Costuras» da espanhola Maria Dueñas? É interessante: passa-se no tempo da Guerra Civil de Espanha, mas lê-se muito bem e sem grandes exigências literárias. Não sou grande admiradora de best-sellers, mas gostei de ler este.




segunda-feira, 27 de junho de 2016

Fechando-nos



Na semana passada fui passar o dia a Coimbra. A Sé Velha, a Baixa, o rio, os recantos antigos. Nos últimos anos, Coimbra só de passagem, ou as reuniões dos presidentes das escolas com a Ministra ou com a direção-geral, ou os shoppings.

Quando, na década de 70, vim viver para Leiria, Coimbra passou a fazer parte da minha área de ação: comecei a deslocar-me para lá para ir com as miúdas ao pediatra, para as reuniões de professores da experiência Veiga Simão e de orientadores de estágio, e, desculpem-me a “vaidosice” mas até para comprar sapatos e roupas na Ferreira Borges… Anos 80, que se há de fazer?

Depois a vida mudou, Leiria “melhorou” e Coimbra passou a ser apenas local de reuniões na DREC (muitas e longas e… inúteis)



No outro dia voltei a passear pela Ferreira Borges e pela Sofia. Tão diferentes! O café restaurante Nicola que era um requinte não passa agora de um café sem brilho sem serviço de classe e com bolos requentados. Das lojas de roupas e da excelente Sapataria Romeu, nem sinal. Contam-se por muitas as lojas fechadas ou então transformadas em lojas de artesanato para turista ver. As lojas de marca do tipo franchising enclausuraram-se todas nos shoppings e o mesmo aconteceu às pessoas: encafurnadas nos shoppings.

O mesmo acontece aqui por Leiria e decerto em todas as outras cidades: o centro de comércio da cidade está abandonado, com as lojas fechadas, abandonadas ou transformadas em armazéns de produtos chineses. Até a Zara do centro da cidade vai fechar. Uma tristeza. As pessoas preferem acantonar-se de manhã à noite no shopping onde passeiam pelos corredores com luzes e ar artificiais, escrutinando montras e preços, entrando e saindo até se sentarem numa das “esplanadas” a beber um café.

É então que penso e chego a acreditar que, mais dia, menos dia, mais século, menos década, estejamos a viver encafuados em enormes células fechadas, em imensas cidades artificiais daquelas subterrâneas ou subaquáticas ou dentro de grandes naves espaciais que se vêm nos filmes de ficção científica. Claustrofobia!



sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Black Friday

A nossa tendência bacoca para imitar tudo quanto vem dos States está, infelizmente, cada vez mais vincada. Já não chega importarmos cada vez mais palavras – como se a nossa língua não tivesse um vocabulário riquíssimo – e cada vez mais conceitos que quase só têm a ver com o mundo da finança e da gestão, que parece ser o único que faz girar o mundo, quando agora também temos de imitar as suas tradições (mais tolas).

Agora é a moda da Black Friday. A última sexta-feira do mês de Novembro é o dia dos “enormes” descontos nas lojas para as pessoas avançarem as suas compras de Natal. Nos Estados Unidos é a loucura máxima porque os descontos e as promoções devem mesmo valer a pena. Por isso as lojas preparam-se para abrir portas à loucura na quinta-feira à noite.

No nosso tradicional  nacional parolismo, a Fnac anunciou por todos os lados a sua Black Friday com 50% de desconto em artigos sinalizados. Houve até um jornal diário que saiu com uma sobrecapa com o apelo aos ditos 50% de desconto nas ditas lojas. E até se alardeou aos quatro ventos a abertura da iniciativa na quinta-feira à noite com divertimentos para os clientes.



Não fui lá logo ao início, com receio de ter de esperar horas nas enormes filas ou de ser trucidada por aqueles clientes loucos que se espezinham uns aos outros na pressa de chegarem primeiro aos artigos… Mas hoje, a meio da manhã, e com todas as minhas calmas, lá fui na esperança de comprar uns jogos, uns livros, um ou outro brinquedo para os miúdos.

Flop!!! (Já que é para ser americano, vai tudo em americano…)

Os livros – duas mesas deles cá em baixo para a gente adulta e uma apenas lá em cima na secção infanto-juvenil – que tinham 50% de desconto anunciado, apenas 30% funcionavam como desconto direto enquanto os restantes 20% ficavam registados no cartão. Os jogos com desconto, meia dúzia deles e brinquedos… não vi nenhum! Talvez estivessem escondidos, sei lá!

Material informático e musical não procurei muito, mas o que vi tinha os habituais 5% de desconto e um ou outro lá teria 20%, 10%...

Publicidade enganosa para não dizer mentirosa… mas, que se há-de fazer ou dizer? Habituaram-se à falácia, à mentira, ao embuste, sabe-se lá com quem…

Outras lojas, porém, sem usar o alarde da publicidade aos quatro ventos e mostrando uma especial consideração pelos clientes, tinham anunciados determinados descontos em todo o material existente. Gostei bastante mais!!

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Quem se lembra?



Alguém se lembra desta loucura?!

sábado, 23 de novembro de 2013

Preconceito à parte



Que fique, antes de mais, muito claro que não alimento qualquer tipo de preconceito contra a diferença. Diferença de cor de pele, diferença dos que têm a desdita de nascer com qualquer tipo de deficiência, diferença na orientação sexual que as pessoas seguem.  

Ontem fui a uma loja Nespresso onde fui atendida por um empregado – que agora se chama pomposa e superiormente de colaborador – que me acolheu com uns gestos e uns requebros de voz que nem a menina que minutinhos antes me instruíra sobre os tipos e preços de chávenas e copos da marca usara. Todo ele era estilo «tia de Cascais» na fala e sorrisinhos tipo Catarina Furtado. «Esnobou» um pouco (como dizem os nossos irmãos brasileiros) quando consultou a minha ficha e viu que eu vinha de Leiria, onde – disse ele com o ar mais superficial – estivera apenas uma vez para, parecia-lhe, o juramento de bandeira de um amigo. Mas acabou por me perguntar se eu aceitava um café quando viu a cor do meu cartão de pagamento (remanescentes de quando eu era remediada, claro! Nada tem a ver com o meu atual estado de riqueza, na opinião do “governo”…) Declinei sedutoramente (que eu também sei  armar-me em «tia de Cascais quando me apetece) o galanteado convite e saí da loja de sorriso aberto e a pensar cá para mim: «mas porque é que agora põem estes “panascas” (mil desculpas aos meus queridos amigos bloggers pelo vernáculo, mas foi esta a palavra que me ocorreu) a atenderem o pessoal?!

É que não foi a primeira vez que passei por esta experiência e que tive este tipo de pensamento. Aqui em Leiria a Zara Home também tem a atender uns meninos super, super magrinhos dentro daqueles aventais pretos e comprido, indumentária da casa, que lhes dão duas ou três voltas ao corpito. Dirigem-se-nos com um ar mais angélico que os querubins que lá vendem agora pelo Natal e, com uma vozinha que nem a minha neta de seis anos usa, nos perguntam: «Precisa de ajuda? … Esteja à vontade…»)

Isto para nem falar num outro menino também super coquette, também com não mais de 50 cm de diâmetro, de olhinhos azuis e pestanas enroladas com revirador que “colabora” na Douglas aqui no shopping e que todo ele se meneia para falar com o mulherio – tipo eu  – que lá vai ver o preço dos after-shaves

Eu nem sei, nem posso nem quero dizer que estes “meninos” – como eu lhes chamo – são homossexuais ou não, se gostariam de ser meninas ou não, nem me interessa, juro! Mas por que raio é que os empregadores agora escolhem estes coquettes travestidos em vez de contratarem mulheres, raparigas giríssimas, bem pintadas e de unhas esmaltadas, bem-falantes e genuinamente coquettes – homossexuais ou não, que isso (repito!) a mim não me faz diferença nenhuma – e que as há por aí aos montes? Ou então miúdos lindos e sedutores, tipo Clooney, Paulo Pires, Filipe Duarte ou outro, morenos de olhos verdes com maneiras bem masculinas e bem atraentes daqueles que fazem uma mulher olhar de esguelha e ter maus pensamentos, mesmo que à noite se deitem com o polícia de giro?!