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sábado, 12 de setembro de 2020

Uma enorme lição de humildade



Não é dos meus autores preferidos - até só li um ou dois dos seus romances - mas não podia deixar de trazer aqui esta lição de humildade, atitude, qualidade que nós, portugueses, muito pouco cultivamos...

domingo, 14 de junho de 2020

Há gente que consegue ser muito desagradável!

Das piores coisas que nos podem acontecer – pelo menos a mim! – é, por algum motivo estar a queixar-me de qualquer coisa ouvida ou sentida e haver logo quem venha triunfalmente dizer «Ah, comigo não!!!»

Tem presente quem é professor e por aqui passar aquelas reuniões de conselho de turma em que se está a analisar o comportamento e o aproveitamento dos alunos e alguém, com a maior sinceridade, se queixa do aluno tal que se comporta mal nas suas aulas, ou que não tem interesse pelas matérias ou por qualquer outra razão e vem outro professor, todo prazenteiro, armado em bom, elogiar o mesmo aluno que até se porta muito bem nas suas aulas e que até é muito interessado e muito querido... Até pode ser verdade, mas constatá-lo de imediato e em determinado tom é muito desagradável para quem apresenta o problema.

Na vida do dia-a-dia frequentemente acontece o mesmo. Por vezes, até em tom de desabafo, uma pessoa tem a fraqueza de se lamentar seja lá pelo que for e logo o interlocutor se gaba exatamente do contrário ou – o que também sucede muito – arranca com uma lição moralizante para cima de quem já está em baixo. Muito mau! Para se ouvir uma reprimenda ou arrostar com a grande felicidade do outro, quando se vai à espera de algum consolo, mais vale ficar calado e sofrer sozinho.

Há gente que consegue ser muito desagradável!

Razão tinha o nosso Fernando Pessoa quando dizia: «Fazer o menor número de confidências possível. É melhor não fazeres nenhuma, mas se fizeres algumas, fá-las falsas ou imprecisas.»





terça-feira, 27 de agosto de 2019

Da justiça emocional

Não sei se existe uma justiça emocional, mas se não existe, inventei-a eu agora ...  O que também não é difícil já que somos meio racional, meio emocional - Damásio dixit. Tenho para mim que por muito que as leis e os procedimentos sejam límpidos e bem definidos, a decisão final tem sempre muito, ou bastante, ou um mínimo de emocional.

Todo este introito para chegar à reflexão que quero deixar hoje aqui: 

Tantas vezes dizemos (e não sou só eu) que os filhos são injustos connosco. Especialmente agora que a vida foi passando e nos fomos tornando emocionalmente mais frágeis, racionalmente mais indecisos.  Sentimo-nos magoados por determinadas circunstâncias ou seja lá por que for e acusamo-los de serem injustos connosco o que nos faz ficar ainda mais magoados. E, fechados no nosso eu, que é único, pensamos «eu não fui assim para os meus pais.» Não teremos mesmo sido?

Quid pro quo - e quantas vezes teremos nós sido injustos para eles sem de tal nos termos dado conta?

Tantas vezes achámos que os nossos pais foram injustos connosco, sem pensarmos quão injusto teremos sido com eles?

E se aquilo que nós - enquanto filhos, ou enquanto pais - tantas vezes achámos injusto afinal - dada a conjuntura da vida - de injusto nada tinha? 

É deste intrincado de julgamentos que nascem tantos conflitos em família (como fora dela...)

A vida não é justa! (Ou será?!)




quarta-feira, 14 de agosto de 2019

Adoráveis funcionários públicos!

De passeio pela cidade velha de Lagos - cidade de que muito gosto e onde já passei muitas férias de verão - fui desaguar à Praça do Infante, onde entrei na Igreja de Santa Maria, cujo interior não conhecia, passei por edifício antigo onde havia uma exposição de artigos artesanais e depois fui tirar fotografias ao edifício do Mercado de Escravos, sem a menor intenção de o ir visitar - apenas tirar umas fotografias como já tinha tirado aos monumentos por que passara. 

Saem da porta do museu três senhoras que "simpaticamente" quase me impedem de continuar a fotografar o edifício, dizendo ironicamente: «Já está na hora de fechar!» e quase me enxotam para fora do gradeamento. Apanhada de surpresa, limitei-me a dizer que estava apenas a fotografar. Uma outra das "simpáticas" senhoras diz, sem que nada lhe tenha perguntado: «Amanhã estamos cá à mesma hora!» Ao que eu, apenas por simpatia, respondi: «Amanhã já cá não estou.» E então veio o cúmulo da "simpatia" e da "delicadeza" da senhora: «Então o que andou a fazer todo o dia?» E fechou mesmo as grades cheia de "poder"...

Que fique aqui bem claro que eu própria fui funcionária pública durante 37 anos da minha vida e tenho tratado com funcionários públicos altamente diligentes e competentes, guias de museus, funcionários das finanças e outros. Mas tristemente ainda encontramos muitos da escola do antigamente quando os funcionários públicos (chefes de repartição, chefes de secretaria, funcionários das finanças, da segurança social, dos correios, etc, etc.) se sentiam cheios de poder (coitados...) e ainda mais cheios de vontade de o exercer...









(Esta última fotografia já foi tirada depois de as senhoras me fecharem as grades na cara...)




(Esta é a imagem do teto do alpendre gradeado que retirei da net)

quarta-feira, 5 de junho de 2019

Você é estrebaria...

Hoje tive de ir a uma agência bancária que não é a minha de sempre e, depois de alguma espera – e era eu a única cliente presente – os três funcionários à vista azafamavam-se muito frente aos monitores dos seus computadores – lá fui atendida por um jovem daqueles de fatinho muito justo e de sorriso estampado no rosto imberbe.

Depois de um cumprimento daqueles de mão morta – que não vai bater àquela nem a nenhuma outra porta – fez sinal para que me sentasse e perguntou em que me poderia ajudar.

Pus a minha questão que de imediato foi desfeita pela sua resposta pronta. E, para tal, toca de me tratar e destratar por você – você para cá, você para lá e aquele sorrisinho condescendente de garoto que está ciente de toda a informação perante a idosa que é capaz de nem entender o que ele está a dizer...

Desenhei também o meu sorrisinho condescendente e disse-lhe: «Não diga você. É feio e fica-lhe mal.» Ele manteve aquele sorrisinho que trazia estampado na carinha deslavada e, orelhas moucas, lá continuou o horrível tratamento por você…


De há uns tempos para cá, tudo quanto é vendedor, promotor de operadoras e empresas de eletricidade e gás de porta em porta, meninos com o secundário feito e até mais acima, tudo usa o tratamento por você!

Fazem parte da gramática do português as formas de tratamento bem como os níveis de língua. Será que os professores TODOS se têm esquecido de abordar essas áreas?
E, se assim foi, o que fazem nos programas de formação destes jovens (e até menos jovens) profissionais?

Devia ser-lhes dito que o tratamento por você está reservado a certas castas da aristocracia seja ela de que tipo for, dos namorados nos tempos de fervilhante apaixonamento e a pessoas que se conhecem bem.

De resto, você é estrebaria…




domingo, 25 de novembro de 2018

Não o fazem apenas os políticos...


Esta é mais uma história da minha rua.

A vizinha tinha (e tem) muito mau feitio. Diziam, por eufemismo, que “tinha o nariz arrebitado”. Eu, que sempre a conheci por dentro (e até gostava dela: se calhar ainda gosto, sei lá!) sempre achei que o fazia por grande défice de educação e de boas maneiras.

Por de mais autoritária, gritava tanto lá em casa que se ouvia em toda a vizinhança. Tudo a toque de caixa. A prole tinha-lhe um “respeitinho” exacerbado que os fazia obedecer-lhe ao minuto. Lá em casa não entrava (nem entra) ninguém – crianças então nem pensar – porque tudo estava (e está) museologicamente exposto sem lugar a mínimas mexedelas…

De um humor altamente variável, eram (e são…) mais as vezes que passa e quase não fala (ou não fala mesmo) às pessoas, mesmo as mais chegadas do que aquelas em que se digna notá-las. Algumas dessas vezes é capaz de falar sem parar, de contar chistes e de falar nos bons velhos tempos com a maior emoção.

Amigos fazia-os com grande facilidade e, enquanto lhe convinha eram umas amizades excessivas com encontros e prendas constantes, até ao dia em que, por qualquer motivo, se desagradava deles e pof! Acabavam-se as amizades…

Extremamente vaidosa e bastante conflituosa, sempre se arrogou o direito de desconfiar, julgar e maldizer quem quer que fosse – nomeadamente os que que eram mais próximos.

Daquelas pessoas com quem, apesar das prendas que, por vaidade, gosta(va) de distribuir pelo Natal, nunca se pôde, nem pode contar para nada.

Conseguiu, com os seus comportamentos desmedidamente azedos, afastar, ao longo dos tempos, os familiares jovens mais próximos que, já adultos, só lhe falam por educação.

Agora que – como a todos nós sempre acaba por acontecer – a Vida lhe tem desabado em cima com toda a espécie de maldades, quer dar uma imagem de santidade (que nunca se preocupou em ter) como aquelas pessoas que, para o fim da vida e com o terror da morte e da doença se viram para os deuses que sempre desprezaram. E trata de querer branquear todo um passado de desconformidade dizendo e repetindo: «que é que eu fiz, para merecer isto tudo?»; «qual foi o meu grande pecado?»

Entretanto, e perante educada indiferença com que é tratada por aqueles que toda a vida desfeiteou, lamenta e diz não entender as razões de tal distanciamento, de tal frieza de comportamentos… «Gostava de lhes perguntar que mal lhes fiz!» - reclama continuadamente.

Não são, de facto, apenas os políticos que pretendem branquear os erros passados…




sexta-feira, 23 de novembro de 2018

Isto da Black Friday...


Sabe bem quem já me vai conhecendo que não me incomodam nada nem beliscam a minha noção de identidade nacional as «importações» de hábitos culturais como atualmente acontecem nomeadamente aqueles que nos invadem vindos dos países anglo-saxónicos.

Foi o caso do Hallowe’en e do Dia de São Valentim de que tanto acusam os professores de Inglês (touchée…) Antes disso tinha-se «importado» o Pai Natal no seu vistoso fato vermelho da Coca-Cola montado no seu belíssimo trenó puxado por pares de renas do Polo Norte…

(Isto para não falarmos da constante «importação» de termos e expressões inglesas que vão enxameando a nossa belíssima lexicologia sem que os abespinhados defensores da ortografia anterior a 1990 disso façam o mínimo caso!)

Agora temos de aguentar a interminável torrente dos afamados (mas enfezados) descontos da Black Friday…

Faz parte das minhas rotinas ir ao shopping à sexta-feira de manhã para dar uma volta pelas lojas e fazer as compras da semana. Hoje calhou-me a tal da Black Friday. Os descontos andavam na casa dos 20% - sei que, até ao Natal, hão de aparecer descontos muito mais vantajosos, mas o shopping estava cheio e as pessoas parecia que andavam maluquinhas...




sábado, 13 de outubro de 2018

Ai as pessoas que dizem ser frontais!


(daqui)

Talvez seja por ter sido educada para a contenção, mas não lido bem com quem apregoa aos quatro ventos que é frontal.

A frontalidade, assim como a assertividade, são conceitos atuais que têm por princípio a franqueza e a sinceridade, mas numa base de boas maneiras. E é este último traço é que falha muitas, mas muitas vezes.

Quando vejo alguém muito ufano a anunciar que é muito frontal, quase adivinho borrasca…

Quem tem uma qualidade, um talento, uma aptidão, não tem necessidade de andar a apregoá-los por aí, sob pena de mostrar que de facto não os tem, mas gostaria…

Uma pessoa que se dirige a outra ou a outras anunciando à partida alto e bom som «eu cá sou muito frontal» deixa, de imediato, prever que é daquelas que usa a chamada frontalidade para mostrar a sua grosseria. E logo, logo berra, gesticula e barafusta. Acontece muito com quem tem um enorme autoconceito e não sabe o que são bons modos.

Tenho pena de não conseguir reagir de igual forma quando sou alvo de um desses comportamentos. Sorrio e respondo o mais serenamente que consigo o que leva a pessoa “frontal” a pensar que ganhou o diálogo porque sou mesmo “totó”. Depois fico danada comigo própria e passam dias até que me passe a birra.

Aconteceu-me ontem à tarde e ainda não me passou…


quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Os animais também se auto mutilam...




A minha gatinha preta tigrada, a Boneca Pipoca, tem estado intermitentemente internada desde o início de setembro. Sofreu o segundo atropelamento que lhe afetou a parte traseira: a cauda ficou sem sensibilidade e por algum tempo deixou de conseguir controlar os esfíncteres.

Foi sempre uma gatinha pouco feliz: foi a mais débil de uma ninhada de cinco gatinhos de uma gata da vizinha da frente que fugiam para o meu quintal. Foi sempre protegida pelo único irmão que era bem robusto e sofreu o primeiro atropelamento uma vez que atravessou a nossa rua. Foi depois disso que a adotei definitivamente.





Está bastante melhor, embora ainda tenham de lhe amputar a cauda.  Hoje fui buscá-la para vir passar o fim de semana a casa …

Num dos compartimentos ao lado, estava uma gatinha a miar pedindo festinhas que lhe prodigalizei… Tinha uma ferida enorme no pescoço protegida por um daqueles colares horríveis que não os deixam lamber-se como eles tanto gostam. Disse a veterinária que sofria de stress. A dona ficou doente e foi lá para casa uma pessoa para tratar de tudo. Com a ausência da dona, a gatinha começou a coçar-se incessantemente. A princípio fazia peladas que melhoravam quando a dona voltava para casa. Da última vez que se viu “abandonada” conseguiu esburacar o pescoço…

Verdadeira auto mutilação.

Por momentos passaram-me pelos olhos imagens daqueles adolescentes (lá da minha escola) que, com vidas tão difíceis, tão problemáticas, traziam os braços ou as pernas cheias de cortes feitos por eles próprios como forma de tentarem esquecer os seus problemas, as suas tristezas, as suas outras dores. Auto mutilavam-se. Uma e outra e outra vez… Prometiam não repetir, mas lá voltavam ao mesmo escondendo os golpes com as roupas. Penso que por necessidade, ou para aliviarem a pressão, mostravam-nos ou falavam disso a um(a) ou outro(a) colega ou a algum adulto em quem confiassem bastante.
Prometiam não voltar a fazê-lo, continuavam a cortar-se…


domingo, 18 de fevereiro de 2018

Da pieguice...

Aprendi muito cedo – sempre sou de Germânicas, não é? – que os ingleses, quando são apresentados a desconhecidos, dizem um educado e bem pronunciado «How do you do?» a que os outros respondem com o mesmo educado e vincado «How do you do?». E mesmo quando informalmente se encontram, cumprimentam com um «How are you?» e a resposta é simplesmente um «Fine, thanks» e “está a andar”. Mais informal ainda é o mero «Hi!» que leva por resposta qualquer coisa como «Hi, there!» e pronto.

Isto – foi-nos explicado – porque se trata apenas de um cumprimento e não para saber do completo estado de saúde do próximo. Dizia a minha primeira professora de inglês, há muitos, muitos anos, que para os ingleses «time is money» (que o mesmo é dizer “tempo é dinheiro”) e eles poupam até nas palavras – daí as muitas elisões da língua inglesa.

O que nós portugueses temos a aprender com os ingleses neste campo! Se encontramos uma pessoa conhecida, amiga, indiferente, daqueles que até nem gostamos muito, ou seja o que for e dizemos, por exemplo, «Olá! Como estás?», ou «Então tudo bem?» não é para sabermos das suas maleitas, das dores nas costas, da enxaqueca, da gripe da sogra, da unha encravada da cunhada… É apenas um cumprimento, um gesto de simpatia, uma manifestação de educação, sei lá! Não se me ponham por isso a contar as idas ao médico, ao dentista, ao homeopata de que uma vizinha lhe falou muito bem e que até é primo de uma amiga nossa que andou connosco no liceu, ou daquele massagista, que até é muito caro, mas vale bem a pena porque saímos de lá derreadinhos de “pancada” mas dores na lombar nunca mais… Poupem-me!

E se, por qualquer eventualidade, calha dizermos que, por acaso também sofremos da lombar ou da cervical ou de um dente do siso, lá temos para mais meia-hora de explanação sobre a guinada, a moinha, a dor aguda que, seja ela qual for, é por certo muito mais forte do que a nossa, superioridade que é simplesmente traduzida por um expressivo e suspirado «tu sabes lá!»

E depois ainda estranhámos quando o outro disse que deixássemos de ser piegas…




Tenham uma boa semana!


sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Black Friday ou de como somos parolos...

Tenho por hábito ir ao shopping todas as sextas-feiras de manhã dar uma volta pelas lojas e pelas livrarias e, no fim, Continente com ela para fazer as habituais compras da semana. Costumo dizer, por piada, que é a minha manhã livre, a parodiar o tempo de professora com a tarde ou a manhã livre (que raramente gozava… mas isso é outra conversa!)

Ora hoje, ao aproximar-me da rotunda que leva ao shopping, começo de ver filas de carros quase parados, em bicha, à espera de acederem aos parques do edifício.

Que se passa? Qual será o impedimento? Terá havido acidente? Aí, fez-se-me luz!! Black Friday!! E eram ainda dez da manhã. Mas é feriado? Ninguém trabalha hoje? O que é isto?

Difícil, senão mesmo impossível arranjar lugar nos estacionamentos. Mas, como é habitual, o marido lá me deixa a gozar a minha “manhã livre” e segue para levar o neto para a escola.

Garanto que, sem ser nos dias imediatamente anteriores ao Natal, nunca tinha visto tanta gente no shopping àquela hora da manhã de um dia de semana! Os corredores cheios de gente, pareciam o calçadão da Nazaré em domingo de verão e, nas lojas, as empregadas corriam esbaforidas a atender, a procurar números maiores, a arrumar peças que clientes deseducadas deixavam espalhadas por qualquer lado, caídas e viradas do avesso por as terem experimentado por experimentar.

Em algumas das lojas mais populares, as bichas nas caixas de pagamento chegavam à porta – dava vontade de nem lá entrar. Noutras, puseram a música tão alto que fazia a confusão maior. Noutras ainda devem ter contratado novas “colaboradoras” (como se diz agora e é fino) a quem devem ter dado ordens para “atacar” as clientes com grandes sorrisos que, não sei por que razão, lhes elevada o tom de voz e as tornavam enervantes… Dava vontade de fugir!

E tudo isto para se obter 20% de desconto sobre os artigos.

Sei, por experiência, que daqui a uns dias, a maior parte desses artigos, senão todos, estarão com descontos muito mais apetecíveis e com a vantagem de não entrarmos nos atropelos de uma sexta-feira negra…

Esta tonteria é recente, pelo menos aqui em Leiria. Nada tenho contra a apropriação de costumes – as chamadas tradições – de outros países, o que está a acontecer com uma rapidez vertiginosa. Mas que diabo!! Qualquer dia estamos a fazer as tristes figuras das americanas que esperam horas para a abertura das lojas e depois entram numa corrida louca a ver quem consegue abarbatar mais artigos que poderão depois não servir para nada…

Que facilmente aderimos às modas mais tolas e mais vazias de essência… É que isto não é mostrar-se moderno – é mesmo mostrar-se parolo.




domingo, 7 de maio de 2017

Texto politicamente pouco correto

É como do dia da mãe e o dia do pai e da tia e do sobrinho – nesses dias são palavras bonitas, flores, bolos e chocolates; são poemas, fotos antigas, lágrimas de amor e de saudade e outras hipocrisias (eu avisei que ia ser pouco correto!)

Os livros e as leituras e a poesia e ler em geral são também conceitos e artefactos que apenas são heroicizados nos dias de. Depois … oblivion!

A Livraria Arquivo (que eu não me canso de aqui mencionar) bem como a Biblioteca Municipal fazem de tudo para trazerem à cidade escritores de nome e de renome. Desde Mário de Carvalho até Eduardo Lourenço, de Maria Teresa Horta até Mega Ferreira e a Teolinda Gersão, de Lobo Antunes a Mário Cláudio e a Teresa Rita Lopes e outros muitos. Os últimos que fui ouvir foram mesmo Pedro Mexia e, ontem, Gonçalo M. Tavares. As salas, quer da Arquivo, quer da Biblioteca são de mediana dimensão e, mais ou menos, enchem. Os que vamos assistir – e eu não sou por de mais assídua! – somos quase sempre os mesmos: já nos conhecemos, ou já nos conhecíamos, sei lá!

Mas, o que mais me espanta e dói é ver que, de três grandes escolas secundárias e mais quatro grandes EB2/3 que agregam uma miríade de escolas do 1º ciclo e do pré-escolar – isto sem falar nos colégios religiosos que são dois e grandes – não se encontra um professor(a)! Os que lá vão estão já aposentados e somos quase sempre os mesmos. Nem imaginam como lamento! E não me venham com a desculpa da falta de tempo, dos muitos trabalhos burocráticos e outros porque eu sei do que falo. Preguiça? Indiferença? Arrogância ou simplesmente medo?

Os professores – e que me desculpem as exceções, que as há e boas, mas poucas – sentem-se muito senhores da sua sabedoria; fizeram o seu cursinho, entraram na(s) sua(s) escolinha(s) e pronto! não precisam de mais nada! Nem de ler (mais), nem de estudar (mais), nem de se informar (mais), nem de ir ouvir quem sabe mais do que eles! Pequeninos na sua pretensa grandeza. Naquela grandeza que lhes vem dos manuais com as perguntas todas, com as respostas todas, com as planificações todas das quais não arredam pé nem por decreto! Por isso recusaram ser avaliados.

Hoje, assisti a mais um espetáculo deplorável. Numa destas efemérides de Março/Abril centradas no livro, a Livraria Arquivo homenageou largamente a escritora de literatura juvenil Ana Pessoa, especialmente pela sua última obra Mary John, e convidou-a a vir a Leiria. Ora a jovem escritora mora e trabalha como tradutora em Bruxelas pelo que teve de pôr férias para cá vir e calhou ser hoje o dia da sua presença por cá.

A apresentação e entrevista estiveram a cargo de uma professora bibliotecária de um dos Agrupamentos de Escolas da cidade que se fez acompanhar de quatro alunos de uma turma do 9º ano, curiosamente três rapazes e apenas uma rapariga, que leram e exploraram o livro e prepararam uma excelente entrevista. Tudo bem, não vos parece?

Pois pasmem, meus amigos! Dos pais dos alunos, apenas os de um estiveram presentes. Para se deslocarem à livraria que está situada no centro da cidade, vivendo eles nos arredores, teve a professora bibliotecária de os ir buscar e levar. Dos professores dos alunos, apenas a professora da opção esteve presente; nem a Diretora de Turma, nem mais nenhum dos professores da turma. Da direção da escola, ninguém. Do Departamento de Línguas – ai as leituras, ai os livros, ai os alunos não leem! – ninguém! Das outras escolas todas, ainda menos. Não é verdadeiramente arrepiante?

Ah, porque era domingo! Porque estava um dia de verão! Porque havia a Feira de Maio! Ah, porque veio a TVI e transmitiu em direto! Ah! Que bons somos em desculpas!!

Por isso não vamos votar, por isso não intervimos, por isso embiocamos em nós próprios … porque estava a chover, porque havia o Sporting-Benfica, porque era dia de praia, porque os políticos são todos iguais, porque, porque, porque…

O filósofo José Gil, que sabe muito disto e não politicamente incorreto como eu, chama-nos «o país da não-inscrição» e acrescenta e bem que isso «é possível porque as consciências vivem no nevoeiro.» (O Medo de Existir, 2005,p. 18)

Na montra da Arquivo

sábado, 29 de abril de 2017

A gata Tama

Hoje o Google assinala o 18º aniversário do nascimento da gata Tama, que era a chefe da estação de comboios Kishi em Kinokawa, no Japão. Isso mesmo: a gata era mesmo chefe da estação!

Durante muitos anos, a estação de Kinokawa teve muito pouco movimento o que ia provocando o seu encerramento em 2004. Em 2007, os japoneses tiveram a ideia de nomear a gato de Chita, chefe da estação na altura, para suceder no cargo ao seu dono.

A gatinha atraiu multidões de viajantes só para vê-la no seu escritório com o gorro oficial de tamanho de gato. Essa decisão acabou por salvar a estação do encerramento e ainda contribuiu muitíssimo para desenvolver a economia local.


(daqui)

A gatinha nasceu no dia 29 de abril de 1999 – faz hoje 18 anos – e morreu em 25 de junho de 2015. Entretanto já arranjaram um outro gatinho para fazer as suas funções. É o Nitama, ou o Tama II.

Fez-me lembrar quando, há uns anos, fui a Londres e fiquei num hotel em que um gatarrão andava por cima do balcão da receção como se fosse o dono daquilo tudo… O rececionista acabou por informar que o dono do hotel era mesmo o gato!




Uma foto do gato

Claro que tive de lhe pegar ao colo...


A biblioteca de uma escola aqui de Leiria tem um gato que anda livre por lá, o que também é uma atração para os alunos. Uma delícia, não vos parece?

Também na Biblioteca Municipal havia um gato leitor. Infelizmente e como nem todos temos a mesma sensibilidade, quando a nova responsável camarária pela Biblioteca tomou posse, mandou de imediato que retirassem de lá o gato e pronto!

Feitios...

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Ainda a viagem de finalistas

A primeira notícia deixou-me consternada. Mil alunos portugueses expulsos de Espanha por terem destruído hotel?! Vergonha!

Depois foi a “discussão” aqui em casa, de cabeça quente: «ai, se fosse filho meu!»; «ai, se tivesse sidos eu viria todo o caminho a chorar com medo do que me iria acontecer!»; «filho meu nunca irá!»; «não se sabem comportar, é o que é!”

É um facto que eles – muitos deles – não se sabem comportar. E nem é preciso serem jovens em final do secundário, nem estarem a quilómetros de casa e longe dos pais. Quando, em Julho, vamos para a Senhora da Rocha para o nosso hotel de sempre, até nos «passamos da cabeça» com o comportamento hooligânico que as criancinhas de nove, dez, onze, doze anos têm na piscina interior e no jacuzzi, local que se supõe ser de calma e de relaxe para os adultos. As criancinhas dão saltos de corça para dentro da piscina, jogam a bola e gritam como se não houvesse amanhã! E nunca são mais do que meia dúzia deles e sabem que os paizinhos estão no quarto ali em cima ou até mesmo ali fora, descansadinhos da vida tomando banhos de Sol.

Mas, pensando bem: quem se lembra de enfiar perto de mil jovens com as hormonas primaverilmente aos saltos num mesmo espaço hoteleiro com bar aberto e mais não sei o quê? Esperavam o quê? Que rezassem o terço e fossem para o quarto ver a novela? E depois ainda me lembrei de uma triste experiência que tivemos em Fuengirola nos inícios de 90 quando, ao comprarmos um determinado carro, nos ofereceram uma semana de férias num enoooooooooorme hotel daquela estância balneária. Fomos tão mal tratados, mas tão mal tratados que pensámos nunca mais voltar de férias a Espanha. Não nos deu para destruirmos o quarto, mas garanto-vos que ‘roubei’ todas as toalhas que pude e … pronto!! Lembro-me que só consegui que me falassem bem quando passei a dirigir-me a ‘eles’ em inglês…

Hoje de manhã, ouvi uma entrevista com a responsável pela agência de viagens que tratou da viagem e do alojamento dos jovens que disse que, para além do valor que cada jovem pagou pela semana cada um teve de disponibilizar mais 50 euros para eventuais danos. Quando expulsaram os jovens, os dirigentes do hotel apoderaram-se do tal fundo, sem disso darem conhecimento à agência e recusaram-se a permitir que os representantes da mesma entrassem para verificarem os danos.

Não pretendo, nem pouco mais ou menos, desculpar os comportamentos dos jovens, mas parece-me que há algo – ou muitos ‘algos’ – que estão muito mal contados. Desde meter mil jovens de férias, loucas férias, num mesmo espaço até porem-nos todos a andar logo no segundo dia da semana já paga!

Mas isto sou eu a pensar…





quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Da desonestidade

De facto, não vivemos num país honesto. Não vivemos num mundo honesto. E não venho aqui falar das licenciaturas tipo-Relvas nem de outras parecidas desonestidades do tipo manipulação ou brainwash (desculpe-se-me o anglicismo, mas parece menos mal do que “lavagem ao cérebro”…) numa época em que os fins justificam (todos) os meios. 

Desde que a economia tomou o lugar da ética dos costumes e do humanismo, vale tudo para enganar o próximo. Pode ser imoral, mas desde que seja legal… ou pseudo-legal , tudo bem. Sabemos bem como somos peritos em fazer interpretações paralelas da legalidade.

Um dia destes, uma operadora de telecomunicações ofereceu-me um desconto de trinta euros mensais relativamente à minha atual operadora com menos um serviço que de facto eu não uso. Contactei a minha operadora, com cujo serviço estou assaz satisfeita, e informei que ia mudar apenas porque estava a pagar muito, a não ser que eles me baixassem de cinco serviços para quatro e fizessem o acerto devido. Passado não sei quanto tempo, ofereceram-se para me fazer um desconto mensal de cinco euros. Fui literalmente aos arames com semelhante oferta e perguntei se eles me tomavam por parva! Menos um serviço e tiravam-me cinco euros?! Que não, que eu não tinha entendido bem, que me mantinham os cinco serviços e me tiravam cinco euros. Vociferei! Disse que não utilizava o quinto serviço e por isso mudaria de operadora. Mais dez ou quinze minutos de espera ao telefone… Então mantinham-me os cinco serviços e far-me-iam quinze euros de desconto e não pagaria a box. Bom. Mas tive de dizer ao pobre do assistente do cal-centre, que não tem culpa nenhuma, que não vivemos num país sério, que se não “negociarmos” e vociferarmos não ganhamos nada. Se fossem sérios, não estariam à espera da ameaça para baixarem as mensalidades.

É assim em todas as áreas. Até na escola. Uma desonestidade geral, uma trapalhice própria de quem não é sério e está a ver se se safa à conta dos outros. Tudo isto porque vivemos num estado de impunidade geral. Infelizmente, não temos quem nos defenda das trapalhices, da falta de honestidade, da indiferença, do deixa-andar, da indolência instituída.

Pior é quando a desonestidade implica os alunos. Que dizer daquela professora que diz aos alunos que não se preocupem a estudar os conteúdos tal e tal porque já foram suficientemente avaliados e depois, pelo menos um terço do teste versa esses mesmos conteúdos? Que dizer do grupo disciplinar que adota um manual que explora determinada obra literária e depois, nas aulas, ignora-se essa obra e estuda-se outra que não consta do manual e que os alunos têm de comprar ou imprimir da net?


Poderia aqui apresentar mais uns tantos “episódios” de desonestidade para cima dos alunos, mas não quero maçar os meus leitores…




sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Corando...

Não tenho emenda. Às portas das sete décadas de vida, continuo a corar como uma adolescente pudica sempre que, por algum motivo, sou posta em evidência.

Fui sempre assim. Nas aulas, perante os muitos alunos tímidos que coravam assim que lhes dizia o nome, serenava-os irmanando-me com eles no que tocava à coloração das faces. Nas reuniões dentro e fora da escola, sempre que tinha de tomar uma forte posição contrária à da maioria – e aconteceu bastantes vezes – eu dizia com clareza: «Eu coro muito, mas digo sempre!» E dizia. Mesmo que fosse contra tudo e contra todos.

Hoje, estava eu a ver de uns livros na secção de livraria do Continente, e a uns dois ou três metros de mim estava uma jovem senhora que olhava para mim com alguma insistência. Até que, depois de me fazer algumas perguntas sobre a minha profissão e onde a exercera, acabou por me dizer que tinha sido minha aluna. Claro que não me lembrava dela. Classes de trinta e tal alunos, nos idos de oitenta… E aí, a senhora começa a dizer: «Foi minha professora de inglês e uma boa professora e eu gostava tanto da senhora! Muito boa professora… Eu gostava muito da senhora.»

Então não é que comecei de corar, corar, corar até à raiz dos cabelos? Que vergonha. O que terá a minha ex-aluna pensado de mim? Certamente que estou xexé…




sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Da arrogância

Andava hoje lá pelo shopping. Olhou para mim, muito séria e algo sobranceira. Esperava decerto que a cumprimentasse, mas realmente não o fiz.

Num relance voltei a vê-la séria, algo sobranceira, mas muito tímida, na aula, sentada lá atrás. Pouco à vontade, algo insegura – bastante insegura. E sempre aquele olhar sério, constante, sem pontinha de desvio.

Sabemos que muita da arrogância, da sobranceria que muitas pessoas atiram sobre os outros tem, como contraponto, muito de timidez, de insegurança. Só que o outro não tem obrigatoriamente de fazer esse exercício de compreensão, especialmente se já não se tratar de uma criança.

Sei que cresceu dentro de um casulo familiar que teve uma rápida ascensão económica o que cedinho os fez ganhar “estatuto” dentro desta sociedade fechada, pequeno burguesa de pequena cidade de província, com todos os “tiques de rico” que lhe estão associados.

As viagens, as marcas dos carros, das roupas, dos saltos altos, dos cuidados pessoais provocam uma enorme mudança e tudo isso suporta, alimenta, anima os ares sobranceiros, altivos, direi mesmo arrogantes – aconteceu com a mãe, minha ex-colega, e ela seguiu-lhe de perto as pisadas.

Eu, porém, continuo a perscrutar nela uma certa timidez, uma certa insegurança por detrás daquela sobranceria. Olhou-me ainda outra vez a ver se lhe falava. Mas não o fiz. Ela é que deveria falar-me.

(Que me seja desculpado se, na minha juventude, alguma vez, inadvertidamente, ousei mostrar-me assim altiva ou arrogante para cima de alguém – eu que sempre tive um fundo tão tímido, por vezes, tão inseguro.)




sábado, 29 de outubro de 2016

O país dos ais

Foi a meio da manhã. Cheguei à florista e estavam duas pessoas à minha frente. Olhei para as imensas vasilhas com flores e respectivos preços e, com o olhar, escolhi um gordo ramo de belas margaridas brancas de corolas bem cheias.

Esperei. A senhora que estava a começar a ser atendida optou por deixar as flores encomendadas porque estava com um bocadinho de pressa. Bem encostada ao balcão, ditou, com todas as delongas, para a empregada o tipo de flores que queria, o preço limite do ramo e depois, demorou um bom pedaço de um bocado para decidir a que horas haveria de ir levantar a encomenda. «A que horas fecham?» E a empregada, sorridente mas a pretender mostrar o ar mais estafado do mundo afirmava que a patroa era capaz de nem fechar. Aí a dona da loja arremelgou os olhos mostrando o seu ar mais cansado e disse que fechar, fechava, mas não sabia quando, pois se já não aguentava com tanta dor nas costas. E mais já estava drogada. A partir daí foi um desfiar de ais e de uis que nunca mais acabavam. A segunda cliente meteu-se na conversa reclamando horas e horas de trabalho que ainda teria de cumprir, ao que a empregada respondeu que estava ali que nem a conseguia ver de tão tonta que se sentia e por aí fora… A senhora que afirmara estar com um bocadinho de pressa lá se decidiu a marcar a recolha das flores para as sete e meia e a segunda cliente – que asseverara ter muito trabalho pela frente – foi placidamente atendida pela dona da loja (que já se drogara) enquanto eu, que já tinha as minhas margaridas de braçado, entreguei apressadamente a nota sem troco à empregada (antes que ela, no transe de uma tontura, se espetasse no chão) e quase nem lhe dava tempo para enrolar as flores numa folha de papel para que não pingassem…

Saí breve. Nunca suportei queixumes no trabalho! A atitude no trabalho tem de ser diligente e ativa. Se está doente, trate-se. Se está contrariado, mude-se. 

É uma das nossas (tristes) maneiras de ser: o lamento é o nosso melhor suporte. Se não nos queixamos, podemos dar a ideia que não “nos matamos” a trabalhar e, por outro lado, não granjeamos a piedade dos outros. Assim um pouco como na tragédia grega…





quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Vendo-a como a comprei…

Não se trata de uma anedota. A história verdadeira foi-nos contada há pouco e passou-se com uma familiar próxima de quem no-la contou. E rimos a bom rir. Eu vou apenas (re)contá-la para todos vós. «Vendo-a como a comprei». Mais ou menos. Com mais ou menos particularidade, com mais ou menos adjectivo, com mais ou menos advérbio. Sabe-se que «quem conta um conto, aumenta (sempre) um ponto»…

Era uma senhora distinta, já avó de netos, temente a Deus, respeitadora constante de todos os Mandamentos da Santa Madre Igreja e presença assídua na missa e em outros acontecimentos da sua paróquia.

Um dia veio de passeio até às Caldas da Rainha, cidade por de mais conhecida pelas suas vistosas loiças – e nem é preciso nomear o Bordalo Pinheiro – e pensou que lhe ficaria bem levar uma lembrança ao senhor prior.

Entrou em diversas lojas da especialidade e bem lhe mostraram as belas peças em forma de folha de couve, outras ornamentadas com belas lagostas e outros animais e apetitosos frutos, mas nada disso – pensava a piedosa senhora – agradaria ao senhor prior.

Até que lobrigou uns frades capuchos muito rechonchudos e de olhar seráfico que fizeram as delícias da senhora: seria a prenda ideal para o senhor prior. Mandou embrulhar, pagou e sentiu-se satisfeita no seu intento.

Já os meus amigos estão a ver a cara da senhora e do senhor prior quando este recebeu e abriu a prenda!!