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quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Celeste Rodrigues (1923-2018)

Morreu hoje, aos 95 anos, a cantadeira de fado Celeste Rodrigues.

A Celeste Rodrigues de que me lembro é a dos anos 50 quando passava na rádio esta cançãozinha (irónica, dizia o meu pai, referindo-se à queda de um hidroavião da carreira comercial que fazia a ligação entre o Funchal e Lisboa) que se chamava «Olha a Mala».

A canção era divertida e fazia as minhas delícias de miúda pequena, lá em Algés.

A Celeste cantava e bem, mas era irmã da Amália, que por essa altura já não era a menina que vendia limões por ali até Alcântara, mas antes uma fadista bem aceite em Lisboa.

Dizia-se lá por casa (a minha mãe e os meus avós maternos viveram em Algés desde os anos 30) que a carreira da Celeste ficou muito comprometida ao longo dos tempos pelo percurso, pela "aura" da irmã. (dito de outra forma: diziam eles que Amália não deixava que a irmã cantasse...)


Como não sou fã do fado, deixo aqui a cançãozinha da minha infância e um medley de canções populares que deixa transparecer a voz límpida e também poderosa de Celeste Rodrigues.

Paz à sua alma!










sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

A Língua Portuguesa é muito traiçoeira!

Porque rir é preciso, aqui deixo um fado corrido para vos divertir um pouco e para atestar como a Língua Portuguesa é mesmo traiçoeira... (já lá dizia o Herman José...)




Bom fim de semana!


segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Gisela João

Li por ai que a menina faz anos hoje - 34. Um escândalo! Quem é que tem 34 anos?! E como é natural de Barcelos - terra do meu pai e de toda a sua família - resolvi trazê-la aqui...

Vejam, que a miúda é bem divertida e tem boa voz...

(A canção é do saudoso Carlos Paião e também foi cantada por Amália)




segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Intertextualidades

Para introduzir umas sessões sobre Literatura Portuguesa que vou animar numa organização sénior, apresentei hoje a melodiosa «Cantiga Partindo-se», reunida no Cancioneiro de Resende,  da autoria de João Roiz de Castel-Branco, romântico trovador do século XV.


Senhora, partem tam tristes
meus olhos por vós, meu bem,
que nunca tam tristes vistes
outros nenhuns por ninguém.

Tam tristes, tam saudosos,
tam doentes da partida,
tam cansados, tam chorosos,
da morte mais desejosos
cem mil vezes que da vida.

 Partem tam tristes os tristes,
tam fora d’esperar bem,
que nunca tam tristes vistes
outros nenhuns por ninguém.


A cantiga foi musicada e foi cantada por Adriano Correia de Oliveira, por Amália, pelo Quarteto 111, pelo Vitorino...

Porém deixo aqui uma versão de 1962 numa belíssima voz do fado de Coimbra. Espero que gostem.







Também Saramago lembrou o trovador com o poema «Lembrança de João Roiz de Castel-Branco»


Não os meus olhos, senhora, mas os vossos,
Eles são que partem às terras que não sei,
Onde memória de mim nunca passou,
Onde é escondido meu nome de segredo.

Se de trevas se fazem as distâncias,
E com elas saudades e ausências,
Olhos cegos me fiquem, e não mais
Que esperar do regresso a luz que foi.

(in Os Poemas Possíveis)

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Saudades de Lisboa

É dos melhores programas da rádio - mas eu oiço pouco - A Cena do Ódio, ao domingo de manhã, na Antena 1. Trazem temas de sempre numa perspetiva diacrónica geralmente em volta de um determinado tema.

Ontem, depois de passarem o poderoso Dans le port d'Amesterdam pelo inimitável Jacques Brel, recordaram o fado Lisboa à noite que estreou na revista «Não faças ondas» nos anos 50 na voz da saudosa Milú acompanhada por Francisco José, o dos «Olhos Castanhos».

Aqui passa na voz de Amália e depois, para comparação ou contraponto, na voz arrebatada de Tony de Matos.







É nestas alturas que me dá cá uma saudade de Lisboa...
















quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Só à noitinha

Contava-me a minha mãe que, era eu bebezinha, lá em Algés, teve uma criada (desculpe-se-me a palavra. Nesse tempo "não havia" empregadas domésticas e, muito menos, colaboradoras como agora. Além de que eu não tenho qualquer medo das palavras ...) que tinha tido um grande desgosto de amor. (Tal como a fadista que aqui trago hoje, aliás.)

Nesse tempo - e estou a falar nos finais de 40/iniciozinhos de 50 - ouvia-se rádio a todas as horas porque não havia mais nada e a música que passava era essencialmente (para não dizer «apenas») música portuguesa e a música portuguesa era fado - a canção do regime. 

Ora a dita criada, que ao que a minha mãe dizia tratava muito bem de mim, de cada vez que na rádio passava este fado «Só à noitinha», largava-se num pranto sem fim, além de que, no final da tarde, àquela hora crepuscular que mais nostalgia nos traz, retirava-se para o seu quarto para chorar.

(Assim quase estou eu, mesmo sem o tal desgosto de amor... (muito dada a episódios depressivos, enfim!!)


Vale a pena ouvir este fado de 1945 quanto mais não seja para apreciar a voz ainda tão límpida de Amália Rodrigues.





domingo, 28 de fevereiro de 2016

Ainda David Mourão-Ferreira

Na sequência do que aqui escrevi a propósito do aniversário do poeta David Mourão-Ferreira, e porque - como toda a gente sabe - ele compôs muitos poemas para serem cantados por Amália Rodrigues, recebi da minha habitual leitora Majo, esta prenda que desconhecia. 

E para mostrar que não sou completamente alérgica ao fado, e porque se trata de um belo poema muito bem cantado, deixo-o aqui.

Aproveito para dedicar a publicação de hoje à autora dos blogs Lisboa e Leiria que é uma tão grande amante de fado.

Espero que gostem.





terça-feira, 29 de setembro de 2015

Maldito equinócio!

Ando irritada, enervada, com a sensibilidade verdadeiramente à flor da pele. Acordo às tantas da madrugada e não consigo mais conciliar-me com o sono. Sinto-me angustiada. Razão tinha a minha avó espanhola - que me criou e que faria hoje 120 anos a acreditar nos «papeles» que a Embaixada lhe forneceu nos idos de 50 do século passado já que o seu assento de nascimento ardeu na Guerra de Espanha – quando, miudinha ainda, me chamava «senhora das angústias». Lembro-me bem que sofria desmedidamente com a ausência dos que me eram queridos, ou quando previa ausências ou mudanças de meio – o que era habitual lá na família. Lembro-me bem de me rebentarem as lágrimas sem motivo aparente e do nó que se me formava na garganta que não me deixavam parar de chorar. Isto mesmo em muito miúda. A minha mãe, uma mulher-de-armas da cepa transmontana (e Escorpião e professora primária…), que não tinha a paciência nem a doçura de sua mãe – aquela querida avó que faria hoje 120 anos – perguntava-me porque chorava eu e eu, na minha ingenuidade de criança, dizia que não sabia. Aí, muitas vezes, levava uma bofetada e a minha mãe concluía: «Pronto, agora já sabes!» Tratamento de choque que acabava por … não dar resultado. Outros tempos.

Sempre tive um temperamento algo depressivo alimentado por um qualquer medo interior que me vem do mais recôndito do meu ser e do qual pouco ou nada sei dizer. (A psicanálise teria aqui muito a dizer, mas…)

Este sentir (portuguesmente) melancólico – apesar de ser uma pessoa especialmente alegre e divertida quando em (boa) companhia – agudiza-se na Primavera com a minha habitual propensão para a astenia e no Outono que me traz uma saudade louca de tudo – acho que até do futuro! – dos meus mortos (precoces), e outras realidades, de outras vidas, de outros espaços. Apetece-me fugir (de mim, talvez…)

A culpa é do equinócio – só pode…

Assim me sinto agora: muito angustiada sem saber exactamente porquê. Maldito equinócio!

E para tentar expurgar este mal que tenta desgastar-me, lanço mão e deixo aqui um fado- canção que recorrentemente me tem vindo à memória nestes últimos dias.



sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Canções de amor (5)

Foi a primeira canção do dia e fiquei apaixonada como se fosse a primeira vez que a tivesse ouvido.

Que belo poema de amor do O'Neill!

Até apetece dizer «Tomai lá do O'Neill»!




Bom fim de semana!

domingo, 23 de agosto de 2015

Mulheres de Viana

Dizem que não há coincidências. Mas, não sei se por coincidência ou não, apareceu-me no Pinterest esta ternurinha de meninas de Viana, logo este fim de semana em que por lá se estão a celebrar as Festas de Nª Srª da Agonia.

Vejam lá se não são  mesmo uma ternurinha!



E, já agora, vejam estas (mais velhas e bem mais vaidosas, com o seu ouro todo) que «roubei» ao meu facefriend Ribeiro Francisco, um vianense do coração.














Havíamos de ir a Viana , não vos parece?...




segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Grão de arroz

Tropecei hoje, sem querer, nesta canção que não ouvia há anos. É de 1954.
E lembrei-me que era daqueles pedaços de canções que a minha mãe me cantava, era eu pequenina...
Querem ouvir ou, sei lá, relembrar?




quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Gosto dele é gingão!

Ouvi hoje de manhã na rádio. Sabem que não sou grande fã do fado, mas a este achei piada por ser brincalhão e saltitante. É que para mim o fado é como o jazz: à partida digo que não gosto de jazz porque me aborrecem – irritam-me mesmo, como o canto de alguns pássaros – os sons repetitivos e estilhaçados como se de arestas se tratasse do saxofone ou mesmo do piano ou as vozes secas e metálicas que muitos cantores de jazz gostam de forçar, nomeadamente as mulheres cantando o chamado jazz contemporâneo em português. Mas se me perguntarem se gosto de Glenn Miller, sim, adoro! Se me perguntarem se gosto dos blues e do jazz dos pretos de New Orleans da primeira metade do século XX, sim, adoro! Se me perguntarem se gosto de Louis Armstrong, de Otis Reding, de Ray Charles, de Frank Sinatra, de Nat King Cole, sim, adoro!!

Com o fado é a mesma coisa. Se me perguntarem se gosto de fado, a minha primeira resposta é «Não». Na minha infância o fado era doentio, queixinhas, por de mais dramático, deprimente, cinzento – como a alma dos portugueses nessa época (e se calhar na actual também, mas enfim…). O fado era o Marceneiro (que nunca consegui ouvir) o Carlos Ramos (um chato!) o Fernando Farinha (o miúdo da Bica) e a Amália (cuja voz comecei a apreciar apenas há meia dúzia de anos) que achava fascizante com aquela medonha ”Casa Portuguesa” que pretendia mostrar como era bom viver numa casinha portuguesa modesta, pobrezinha e assim. Eu era miúda, mas intrinsecamente detestava!... E, por oposição (tantas coisas senti e defendi na vida por oposição!) gostava do fado gingão, divertido, folgazão que nos fazia sentir como um povo vivo. Fado do tipo A Casa da Mariquinhas, do Zé da Samarra com a amante ao seu lado, do Eh pá, não fiques calado e outros de que já nem me lembro (isto foi nos anos 50). Claro que depois passei a apreciar o fado cantado por Maria Teresa de Noronha, por Vicente da Câmara, depois por Carlos do Carmo, Paulo Bragança, Camané e assim…

Bom, mas voltando ao começo: ouvi hoje na rádio e achei graça por ser divertido e gingão, bem ao meu gosto - o Fado da Procura pela Ana Moura.



E, já agora, também vou deixar aqui a nova versão da Casa da Mariquinhas, toda modernizada, pela Gisela João, que ouvi há dias e achei uma graça… Espero que gostem.





domingo, 16 de novembro de 2014

Dia do Mar

Para celebrar aqui o Dia Nacional do Mar, roubei umas fotos aqui, uns poemas ali e uma canção além e pronto! Já está!




(roubadas ao meu amigo António Filipe Matias)


MAR SONORO
Mar sonoro, mar sem fundo, mar sem fim.
A tua beleza aumenta quando estamos sós
E tão fundo intimamente a tua voz
Segue o mais secreto bailar do meu sonho.
Que momentos há em que suponho
Seres um milagre criado só para mim.


LUSITÂNIA
Os que avançam de frente para o mar
E nele enterram como uma aguda faca
A proa negra dos seus barcos
Vivem de pouco pão e de luar.

(roubados a Sophia de Mello Breyner)



(roubado à Dulce Pontes)


Se bem que goste muito mais da versão original (quem diria, não é?!)




quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Carlos do Carmo

Ouvi hoje na rádio parte de uma entrevista dirigida pela melhor entrevistadora portuguesa da atualidade – eu diria mesmo a única – Maria Flor Pedroso ao fadista-cantor Carlos do Carmo que, como todos sabem, foi distinguido com um Lifetime Grammy, o primeiro Grammy Latino a ser atribuído a um cantor português. O prémio será entregue no próximo dia 19 em Las Vegas e o cantor falou, entre muitas outras coisas, da alegria e do orgulho em ter sido agraciado e do que vão, ele e a mulher, fazer naquela louca cidade americana. Vão, disse ele, fazer coisas loucas como, por exemplo, submeterem-se a um (re)casamento daqueles à moda de Las Vegas.

Sabemos o bom comunicador que é Carlos do Carmo como sabemos o homem de esquerda que é. Falou, feliz, de todas estas alegrias e divertimentos e da família; falou, orgulhoso, do seu contributo e de outras entidades para a elaboração da candidatura do Fado a Património da Humanidade, um trabalho sério e profundo que se prolongou por seis anos; e falou de outros assuntos ligados à situação do país.


Mas a frase que me ficou mesmo no ouvido foi a seguinte: «Que estúpida esta esquerda que temos, que se recusa a unir-se, permitindo assim que a direita vá ganhando!» E não se deteve em mais explicações. Eu também não o farei, naturalmente.


domingo, 27 de outubro de 2013

Não Venhas Tarde

Oiço muito pouca rádio; oiço apenas quando vou no carro e ando muito pouco de carro. É uma falha minha talvez não ouvir rádio mas aborreci-me dela (como estou a aborrecer-me da televisão) há muitos anos, quando a rádio deixou de ser um meio de ouvirmos música para ser um meio de ouvirmos anúncios e diálogos tontos que pretendiam ser frescos entre locutores também eles tontos dizendo baboseiras para o pessoal rir. Um dos primeiros programas que “chumbei” foi o famoso «Pão com Manteiga» do não menos famoso (e tonto também, que nunca gostei nada dele…) Carlos Cruz. Depois apareceu o pretensioso do Sala e outros de que nem conheço os nomes e PIM! Matei a rádio!

Ao domingo de manhã, no carro – como já disse – oiço um bocado do «Amor é…» do Professor Júlio Machado Vaz e em tempos gostava de ouvir os programas sobre a história da música ligeira nacional e não só do meu querido colega Zé Nuno Martins. 

Ora esta manhã, por causa do “jet lag” da mudança da hora… apanhei o Professor já no final e depois começaram a passar um “faduncho” do fadista (esquecido, dizia a locutora) Carlos Ramos. Assim que ouvi os primeiros acordes – e porque, como muito bem sabem, não gosto de fado – saiu-me um daqueles “Oh não!...” embirrantes como se adolescente ainda fosse… E o meu marido, habituado (e que me habituou…) a fazer-me as vontades em termos de música (e não só…) mudou de posto.

«Não! deixa ouvir!» E aí nos demos à paciência e ao encantamento de ouvir a voz doce e modelada do velho fadista a desenvolver um poema que apesar de ter sido escrito nos anos 50, acabava por sugerir à mulher uma liberdade em termos de amor que não era possível defender nesses tempos obscuros.

E recordei: finais de 50, inícios de 60, nos primórdios da nossa televisão, havia programas que se repetiam semanalmente e que víamos com a obrigação de quem tem um bem precioso e raro. Era o caso das «Charlas Linguísticas» do Prof. Raul Machado; da «TV Rural» do Eng.º Sousa Veloso; do «Museu de Cinema» do António Lopes Ribeiro; do programa de declamação de poemas por João Villaret (que eu também abominava!); da «Noite de Fados» pelo Carlos Ramos cujo genérico era, nem mais nem menos, o fado «Não Venhas Tarde» - o tal que passou hoje de manhã na rádio…

(O meu Babá)

Eu passava longas temporadas em casa dos meus avós maternos e, já eles viviam em Minde, o meu avô não dispensava ouvir o programa semanal de Carlos Ramos – que eram uma descomunal seca para mim já muito mais interessada no Paul Anka ou no Elvis. Assim que ouvia os trinados da guitarra que anunciavam o «Não Venhas Tarde», lá me saía o habitual “Oh, não!”. Mas por muito habituada a que o meu avô (o meu Babá) me fizesse as vontades, esta ele definitivamente não fazia. Nunca! É que ele gostava mesmo de fados – eu até lhe chamava o Zé da Samarra (com a amante a seu lado…) que o meu Babá era bem atiradiço e, se calhar por isso, ou por ser um lisboeta do coração, ele gostava tanto do Carlos Ramos e do seu fado de marca «Não Venhas Tarde».  

(Vale a pena dar atenção à letra)







quarta-feira, 22 de maio de 2013

Dia de Leiria

No Dia da Cidade de Leiria, deixo-vos com o único fado de Coimbra que tem por tema Leiria e a sua Moura Encantada.

A interpretação é de Janita Salomé.



Mais bonita (na minha opinião) é a interpretação (bem como as imagens do vídeo) de Manuel Branquinho que poderão apreciar no link abaixo.




terça-feira, 18 de setembro de 2012

É preciso acreditar

Como já aqui afirmei por mais de uma vez não sou grande fã do fado e menos ainda do fado de Coimbra provavelmente por não ter estudado lá. Não posso porém, deixar de registar a perda de uma das excelentes vozes do fado e das baladas de Coimbra - Luiz Goes, médico e músico, nascido em 1933.

E, porque estamos numa fase tão difícil da nossa vida política e social, escolhi esta balada tão admiravelmente interpretada por Luiz Goes,  cujos versos tanto nos podem dizer!