Espero que se divirtam.
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segunda-feira, 12 de março de 2018
Para começar bem a semana
Porque é preciso elevar os ânimos, (pelo menos os meus...) aqui fica uma pequena seleção de imagens divertidas desta bela senhora do cinema acompanhada por alguns belos senhores...
Espero que se divirtam.
Espero que se divirtam.
quinta-feira, 14 de dezembro de 2017
Brahams no Barbeiro
Recebi de uma amiga e sorri e gostei. Com o magistral Charlie Chaplin. Com a vigorosa Dança Húngara nº 5 de Brahams de que aprendi a gostar, entre muitas outras, cedo na minha vida com os discos (alguns ainda de 78 rotações) que comprava em segunda mão na Feira de S. Pedro.
Apreciem a mímica e a coordenação com a música.
Depois, se tiverem paciência, apreciem peça tocada por uma grande orquestra, que é uma maravilha.
E depois, se conseguirem, imaginem o trambolhão que eu dei a pretender dançá-la numa aula de bailado naqueles bons belos tempos...
sexta-feira, 2 de junho de 2017
Indian Love Call
Lembrei-me desta linda canção de amor, não sei bem porquê. Do tempo (que
não o meu, mas do tempo do meu pai que assobiava estas maravilhas lá por casa) das
operetas na Broadway no início do século passado, esta era a canção principal
do musical Rose-Marie. A história
desenrola-se nas Montanhas Rochosas do Canadá e conta a história de uma
rapariga canadiana que se apaixona por um mineiro que vai ser acusado de um
crime.
Foi o musical dos anos 20 do século passado que mais tempo esteve em cena
na Broadway e acabou por ser adaptado ao cinema por mais de uma vez.
Apreciem o momento em que o mineiro se afasta de Rose e ela canta a canção
que era de ambos: Indian Love Song.
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Canções de Amor,
Cinema,
Música Americana
terça-feira, 23 de maio de 2017
Morreu O Santo!
Já toda a gente
sabe, mas não quero deixar de aqui a minha modesta homenagem a Sir Roger Moore
que me habituei a ver nos idos de 60, ainda a branco e preto, na série de televisão O Santo, atrevido,
vaidoso e ... lindo!!
Deixem-me recordar-vos uma ou outra cena.
O seu grande papel foi, porém, o desempenho da personagem Bond, James Bond, o 007, tendo sucedido, neste papel, ao famoso e, a todos os níveis, grande Sir Sean Connery (que eu sempre preferi a todos os outros atores que se lhe seguiram incluindo Roger Moore).
Sir Roger
Moore morreu hoje, na Suíça, aos 89 anos, após
uma "curta, mas corajosa batalha contra o cancro", nas palavras dos seus três filhos.
De referir ainda o
seu empenho e entusiasmo como embaixador da boa vontade da UNICEF, uma função
para a qual fora nomeado em 1991.
Usando as palavras de um amigo: O século XX
insiste em desertar à força toda.
Lembremo-lo senhor de todo o seu charme.
domingo, 22 de janeiro de 2017
Hoje fui à matinée!
Xi! Aos anos que não ia à
matinée! Cinema para mim é à noite. Mas as tardes de domingo no inverno são tão
deprimentes (no verão também, com as praias cheias de gente e de nevoeiro nestas
praias aqui à volta) com o frio e com os programas que nos pretendem impingir
na televisão. Então tratei de me enfiar numa das salas do shopping que dava o Silêncio
do Scorsese às três. Há tempo que não via uma sala dessas tão cheia de
espectadores! Que bom! E todos em silêncio. Nem o crre-crre das pipocas se ouvia! Que bom!
Gostei do filme. Tem um ritmo
muito lento, especialmente na primeira parte, mas não me senti nada aborrecida.
A história é conhecida, lê-se aí pelos jornais: dois padres jesuítas
portugueses pedem ao Vaticano para irem ao Japão numa época de grande
fechamento daquele país ao exterior (séc. XVII) em busca do seu professor e
mentor que se dizia ter renegado a fé cristã tendo-se aculturado à vida e à
religião japonesas. O interessante, porém, não é a história, mas o que o
desenvolvimento da narrativa e as vivências das personagens, bem como os seus
pensamentos e as suas falas nos fazem pensar.
A violência das religiões: o meu
deus é o verdadeiro, o teu não existe ou não serve – uma teimosia que tantas guerras
tem originado desde que a humanidade tem história. A inabalabilidade da fé – ou
não. A existência de deus ou o seu dramático silêncio nos momentos mais pungentes.
A compaixão pelo próximo ou a renúncia objetiva da minha crença? Dramático por
isso. Mas não moralista – em nenhum momento. Não podemos cair na nossa
pequenina e enviesada tentação de julgar se aquele fez bem ou fez mal, se
deveria ter feito assim ou de outra maneira. E aí a inteligência emocional joga
o seu papel. Por de mais importante. Marcante.
Os diálogos são bem inteligentes,
tanto os dos cristãos como dos japoneses. As emoções são desassombradas, lisas,
sem pieguices. As cenas cruéis não são eivadas de violência gratuita – própria
dos filmes americanos. O ambiente é sereno, cinzento azulado, silencioso ele
próprio, em que perpassa uma constante nebulosidade. Nem o calor nos causa
suores como nos filmes passados no Vietnam. Belíssimo o recorte das escarpas
face ao mar, as ondas a desenrolarem nas praias.
São quase três horas de filme – sai-se
de lá em silêncio.
sábado, 3 de setembro de 2016
Muito bom!
É assim que classifico o filme de
Ivo M Ferreira baseado no livro «Cartas da Guerra» que reúne as cartas que o
escritor António Lobo Antunes escreveu à mulher Maria José, o seu «querido
amor» quando serviu em Angola, na inefável guerra colonial, nos anos de
1971-73.
Um belíssimo retrato da guerra em
Angola. Retrato a branco e preto da platitude da paisagem com as suas belezas selvagens
e únicas, dos horrores de uma guerra fratricida, do clima de desespero, de solidão de quase
abandono das nossas tropas – pouco mais que crianças.
Não obstante as cenas violentas e
sangrentas, as crises de desespero dos homens, de ansiedade levadas ao extremo,
das indescritíveis saudades de casa, tudo é tratado com a maior “naturalidade”,
como se tudo aquilo fosse normal e expectável. Mas sem ponta de «lamechice», o
que começa a ser novidade entre nós.
Muito bem feito. Muito bem
filmado. Muito bem representado. (Não éramos mais que dez pessoas na sala de cinema,
mas quando o filme chegou ao fim, ficámos todos pregados nas cadeiras e não se
ouvia um único som.) Bate fundo nas nossas almas este tema. E foi ainda há muito
pouco tempo.
Vale a pena ir ver.
De referir que o ator que veste a
pele de Lobo Antunes é lindo de morrer…
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Opinião
domingo, 26 de julho de 2015
Liz Taylor
Uma das mulheres mais bonitas - para mim, será mesmo a mais bonita - da história do cinema!
O que vos parece?
segunda-feira, 15 de dezembro de 2014
O Robert Redford
Da mesma forma que nos anos 60
achava o Alain Delon uma brasa de lindo que era, aí por meados de 80 deixei-me
encantar pelo Robert Redford.
Com a minha liberalidade do
costume (e para cativar os alunos, claro) abertamente falava nas aulas de
inglês de mim, dos meus gostos e não gostos e das minhas preferências. Assim falava,
teatralmente, em como gostava do Robert Redford (carregando um bocado nos rrr
para tornar a coisa mais apelativa).
Ora estávamos um dia a praticar oralmente as “if-clauses”
– que é como quem diz as frases condicionais – e eu propus aos alunos a pergunta
«What would you do if you won a million of dollars?» que é como quem diz «O que
farias se ganhasses um milhão de dólares». Então uma das minhas alunas teve a
saída mais espantosa que se pode imaginar: «I would go to Hollywood and bring
Robert Redford for you» (Iria a Hollywood e traria o Robert Redford para
si.)
Grande risota na aula e grandes
agradecimentos por parte da professora….
Mas que ele era bonito, lá isso
era! Não acham?
sábado, 1 de novembro de 2014
A Balada de Bonnie and Clyde
Por falar em filmes "daquele tempo", uma década depois de «Gata em Telhado de Zinco Quente» que "vimos" ontem, quem se lembra de ter visto «Bonnie and Clyde» com a belíssima Faye Dunaway e o galã Warren Beatty?
Ora vejam se se lembram.
Soube hoje pelo Henriquamigo da Travessa do Ferreira que já estão a filmar a versão portuguesa e o cartaz até já foi lançado.
E porque hoje é sábado, ainda deixo aqui a Balada de Bonnie and Clyde, na versão original dos bons velhos anos 60.
sexta-feira, 31 de outubro de 2014
Dos pares mais bonitos de Hollywood
No tempo em que o cinema era rei e em que os cinemas eram edifícios respeitáveis e elegantes com salas amplas e brilhantes de luzes e o flagelo das pipocas não tinha ainda sido instituído, o nosso sábado à noite era muitas vezes gasto em idas ao cinema.
Porque hoje é sábado, convido-vos a rever um dos pares mais bonito de Hollywood.
Um dos filmes mais marcantes dos anos 50 e um dos filmes da minha vida. Todos se lembram do título, não é verdade?
Bom fim de semana e, já agora, bons filmes.
Porque hoje é sábado, convido-vos a rever um dos pares mais bonito de Hollywood.
Um dos filmes mais marcantes dos anos 50 e um dos filmes da minha vida. Todos se lembram do título, não é verdade?
Bom fim de semana e, já agora, bons filmes.
segunda-feira, 29 de setembro de 2014
Os Maias
Este fim-de-semana lá nos
abalámos até ao cinema – que preguiçosos estamos para sairmos de casa se não
tivermos uma obrigação! – para irmos ver Os Maias com realização de João Botelho.
É bom que haja quem queira dar
visibilidade – e uma visibilidade moderna, desassombrada – aos nossos clássicos
e João Botelho, para além da quantidade de filmes que já assinou, realizou com
grande mestria a sua versão do Livro do Desassossego.
Quanto a Os Maias, que tem muito
mais de teatro do que de cinema, gostei e não gostei.
Gostei da intervenção do narrador em voz off que nos vai servindo o fio condutor da história;
Gostei da forma elegante como se nos apresentam as personagens e,
de alguma forma, a ambiência decadente em que se movem;
Gostei da finura das filmagens, nomeadamente no que toca às cenas
de envolvimento amoroso, especialmente da última noite de amor de Carlos e de
Maria Eduarda;
Gostei particularmente da representação de João da Ega e do velho
Afonso da Maia;
Gostei da utilização algo inovadora dos cenários pintados –
lindíssimos – em vez da bela paisagem natural da Lisboa oitocentista.
Mas não gostei da forma teatral e por de mais exagerada como nos foi
apresentado o passado da família Maia: as desavenças do pai absolutista com o
filho Afonso da Maia que, liberal e maçon, teve de se refugiar em Inglaterra,
bem com os amores de Pedro da Maia, pai de Carlos, com a negreira Maria
Monforte. Mesmo tendo sido feito com a intenção de dar a ideia de uma rápida
analepse, achei muito exagerado.
Muito embora tenha sido um
diletante, não gostei da escolha de
um betinho para dar vida à personagem
Carlos da Maia.
Não gostei do episódio das corridas de cavalos mais parecidas com
as de Ascot do que com a descrição crítica e irónica das mesmas no romance
escrito.
Também o Dâmaso Salcede, o amigo
adjacente de Carlos da Maia, não está bem na sua pele de bajulador balofo e
untuoso que Eça tão bem retrata e descreve. Tal como é absolutamente truncada a
história de rivalidade entre Eusebiozinho e Carlos desde os tempos da infância
em Santa Olávia e que vai redundar na idade adulta nas bengaladas – e só isso nos
é mostrado no filme – com que Carlos brinda o «amigo» na segunda parte do
filme.
A segunda parte do filme é, de
facto, muito mais dinâmica e entusiasmante do que a primeira que, com já acima
referi, me pareceu muito teatral.
De qualquer forma, acho que vale
a pena abalarem-se de casa e irem ver a versão João Botelho da obra-prima de
Eça.
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sexta-feira, 26 de setembro de 2014
Modelos de beleza
Para vos desejar um bom fim de semana hoje deixo aqui dois especimes de beleza do "nosso" tempo.
Lembram-se deste filme?
domingo, 15 de dezembro de 2013
Peter O'Toole
Morreu hoje, aos 81 anos, o ator de cinema com os olhos azuis mais bonitos, mais brilhantes e expressivos do cinema anglo-saxónico e um dos meus preferidos.
A sua obra-prima, o filme por que ficou mais conhecido foi Lawrence da Arábia que passou no Tivoli nos anos 60 e dizia-se que eram três horas de filme passadas no deserto e que as pessoas saíam no intervalo e só pediam água... Disparates de uma população pouco culta e mais ou menos ignorante.
Por mim, adorei o filme e acho que fiquei "apaixonada" pelo homem... Depois vi vários filmes com ele, mas aquele de que mais gostei foi O Leão de Inverno em que o Peter O'Toole representava o rei Henrique II de Inglaterra e contracenava com a magnífica Katherin Hepburn.
Também o vi em Becket, What's new, pussycat?, Como roubar um milhão, Lord Jim, Good-bye, Mr Chips, A Noite dos Generais, Sherlock Holmes, O Último Imperador, e outros de que já não me lembro.
Mas... não vim aqui falar dos filmes que vi, mas quase tão-somente para relembrara sua elegância, a sua finura de gentleman e os seus belos olhos azuis.
![]() |
| (The Lion in Winter) |
![]() |
| (Com a minha querida Audrey Hepburn) |
![]() |
| (Com a lindíssima Elizabeth Taylor) |
E mesmo já com alguma idade, continuava a ter aquele contorno de finesse que sempre conseguiu transmitir.
sábado, 7 de setembro de 2013
A Gaiola Dourada
Devia ser a única pessoa das
minhas amizades que ainda não tinha ido ver o filme do momento. Não estava com
muita vontade, não. Por uma questão de autoproteção. Quando passou aquela série
«Conta-me como foi» na RTP1 – bastante bem conseguida, diga-se – vi poucos
episódios, o mesmo acontecendo com a série «E depois do adeus». Tenho alguma
dificuldade em, de alguma forma, ver-me e ao povo de onde provenho ao espelho –
às vezes com inverdades, mas sobretudo com a nossa forma de ser, com os nossos
defeitos, as nossas fragilidades sem que para isso haja uma explicação, um
conhecimento sociológico, psicológico da evolução da história dessa nossa
maneira de ser. Tenho medo de ver o povo a que pertenço (sem nunca, em qualquer
situação, ter dito nem dizer como oiço a muito boa gente: «tenho vergonha de
ser portugês/a») metido a ridículo ou tratado de forma falaciosa.
Bom mas depois de ouvir dizer que
era um filme bem-disposto e que nos arrancava algumas boas gargalhadas, hoje lá
me decidi, até porque gosto muito do modo de representar da Rita Blanco já
desde o tempo em que ela, muito nova ainda, trabalhava com o extraordinário
Herman José.
No final da primeira parte estava
a gostar do filme e, tirando alguns pequenos exageros, estava de facto a ser
divertido. Mas quando chegámos ao clímax da história, a cena do jantar de
noivado, dá-se o ponto de viragem e de filme pró-comédia passa-se ao filme
pró-comédia romântica em que são explanados sentimentos e símbolos portugueses
muito bem “metidos” como por exemplo a cena do fado – que começou por me
contrariar bastante, mas cuja intenção entendi ainda antes de a canção ter
chegado ao fim – a beleza verdadeiramente impressionante e de enorme impacto do
Douro e, no fim, o aparecimento do jogador Pauleta. (Por mim, só retiraria a força com que aquele fado
fascizante «Uma Casa Portuguesa» foi apresentado; mas isso sou eu que não gosto
mesmo daquela canção.)
Trata-se de um filme cujo propósito
é muito mais para nos roubar uma ou duas lagrimas do que para as tais boas
gargalhadas.
Atrevo-me a dizer que este filme
foi feito ao estilo dos últimos filmes de Woody Allen sobre Paris e Roma.
quinta-feira, 30 de maio de 2013
The Great Gatsby
Com grande alarde venho aqui, a
este diário – sempre adorei diários! – registar que ontem fui ao cinema!
Aí pelos meus treze anos comecei
a assinalar os momentos importantes dos meus dias numa pequena agenda de que o
meu pai não precisou e aí passei a apontar também quando ia ao cinema, o nome
do filme, dos artistas principais e – riam-se que eu não me importo! – se davam
beijos apaixonados… Mas enquanto nesse
tempo ia ao cinema pelo menos duas vezes por mês ao cinema porque os meus pais,
moradores apaixonados pela Lisboa dos anos 40/50, adoravam ir ao cinema,
atualmente, por preguiça, por inércia ou simplesmente porque não sinto o apelo
da magia lisboeta para sair para eventos, vou muito pouco ao cinema.
Pois ontem obriguei-me a ir ver O
Grande Gatsby. Por duas razões: primeiro porque foi uma das obras que tive de
ler na Faculdade quando nos idos de 60 fiz a muito mal lecionada Literatura
Norte Americana e depois porque tenho um grande encanto pelo glamour dos loucos anos 20 do século
passado.
Avisada embora pelo barómetro dos
críticos dos jornais, que nem sempre levo em grande conta, que não lhe atribuiu
mais do que uma estrela em cinco, vim contudo de lá um bom bocado dececionada.
A história é uma excelente história, ou não tivesse sido escrita por um autor
como Fitzgerald mas o filme nada lhe acrescenta. Tal como o autor, o
protagonista da obra tem um estilo de vida altamente luxuoso e gastador no
tempo louco do charleston, do jazz, dos automóveis de corrida, dos
recém-nascidos aviões, mas parece-me que o filme exagera na loucura, no movimento,
no barulho com nenhum outro objetivo que não seja o de atrair público daquele
dos baldes de pipocas e litradas de coca-cola. Apesar do excelente visual do DiCaprio
e do narizinho supra bem feito da protagonista, apesar da elegância dos
vestidos das mulheres, apesar da riqueza sumptuosa dos palácios onde moram os
protagonistas e das hordas de criados à disposição a todas as horas e das cenas
de libertinagem do pós I Guerra Mundial e das vicissitudes de uma América a
viver em plena Lei Seca, apesar das apetecíveis paisagens e dos efeitos visuais
ativadores de uma beleza natural ainda mais fascinante, a figura do narrador, Nick
Carraway, que acaba por escrever a história do grande Gatsby é desenhada da
forma mais hesitante, mais pasmada, mais irresoluta, logo ele que, não sendo a
personagem principal, seria quem podia fazer girar toda a ação de modo a mostrar
de facto a grandeza de Gatsby, a criar o élan
que daria à história a força necessária que evitasse que o filme acabasse
por viver apenas do envolvimento, da imagem, das circunstâncias, do acessório.
(Aqui para nós que ninguém nos ouve,
levei toda a segunda parte do filme a chamar-lhe … António José Seguro…)
quarta-feira, 13 de março de 2013
Argo
Hoje estou a rebuçados do Dr
Bayard. Uma tosse cavernosa daquelas que vêm do fundo da garganta (não! nada tem
a ver com a garganta funda…) faz doer o diafragma, afeta-me a voz que já mal
domino e assusta quem ouve. Mas mesmo assim fui ao cinema. Já tínhamos marcado
até porque era o último dia da exibição do filme Argo cá em Leiria e lá fomos. Sessão
das 19.40 e espectadores únicos na sala – até dói só de pensar no prejuízo do
exibidor, mas enfim.
Um bom thriller à americana com a deificação do herói americano e a
habitual lamechice do lar americano desfeito por causa do trabalho insano e
incondicional do herói em prol da pátria, com as dolorosas saudades do filho,
criança sempre encantadora, e da serena esposa que, no final o (re)aceita num
imenso abraço. Enquanto thriller é
muito bom, tem personagens americanamente reais e põe-nos em suspense.
Baseado no episódio verídico da
crise dos reféns da Embaixada Americana no Irão em Novembro de 1979 quando os
iranianos exigiam aos Estados Unidos a repatriação do Xá da Pérsia para o
julgarem e assassinarem, claro! No meio do caos, seis americanos conseguem
escapar da Embaixada e encontrar refúgio na casa do Embaixador Canadiano.
Sabendo que é só uma questão de tempo até os seis serem encontrados e
provavelmente mortos, um especialista da CIA chamado Tony Mendez surge com um
plano arriscado para fazê-los sair do país em segurança, encenando a realização
de um filme – Argo – a ser filmado no Irão.
Gostei, vale a pena ver, mas do
que tinha lido e ouvido, talvez as minhas expectativas fossem por de mais
elevadas pelo que saí um pouco dececionada.
Entretanto, entre entrarmos e
sairmos do cinema, o Porto foi eliminado da Champions e o mundo católico ganhou
um novo Papa. Sul-americano pela primeira vez na história da Cadeira de Pedro e
de nome Francisco. O meu pai tinha umas teorias lá muito dele, algumas bem
estranhas, diga-se. Uma delas era caracterizar as pessoas a partir dos nomes próprios
com que tinham sido batizados. E dos Franciscos, que era o seu próprio nome,
como fora o de seu pai e foi também o do seu filho, meu irmão, dizia que eram
todos boas pessoas, mas um bom bocado infelizes.
Superstições. Minhas.
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