Agora é só escolher...
quarta-feira, 1 de julho de 2020
domingo, 28 de junho de 2020
Recado aos amigos distantes
Meus companheiros amados,
não vos espero nem chamo:
porque vou para outros lados.
Mas é certo que vos amo.
Nem sempre os que estão mais perto
fazem melhor companhia.
Mesmo com sol encoberto,
todos sabem quando é dia.
Pelo vosso campo imenso,
vou cortando meus atalhos.
Por vosso amor é que penso
e me dou tantos trabalhos.
Não condeneis, por enquanto,
minha rebelde maneira.
Para libertar-me tanto,
fico vossa prisioneira.
Por mais que longe pareça,
ides na minha lembrança,
ides na minha cabeça,
Etiquetas:
Estado de alma,
Poesia,
S. Pedro de Muel
sábado, 20 de junho de 2020
É Verão
Celebremos o Verão
- Com a bela imagem do solstício no monumento megalítico
- Com Sophia
Primeiro vem Janeiro
Suas longínquas metas
São Julho e são Agosto
Luz de sal e de setas
A praia onde o vento
Desfralda as barracas
E vira os guarda-sóis
Ficou na infância antiga
Cuja memória passa
Pela rua à tarde
Como uma cantiga
O verão onde hoje moro
É mais duro e mais quente
Perdeu-se a frescura
Do verão adolescente
Aqui onde estou
Entre cal e sal
Sob o peso do sol
Nenhuma folha bole
Na manhã parada
E o mar é de metal
Como um peixe-espada.
In O nome das Coisas, 1977
***
PRINCÍPIO DE VERÃO
Largos longos doces horizontes
A desdobrada luz ao fim da tarde
Um ar de praia nas ruas da cidade
Secreto sabor a rosa e nardo arde
in| "Ilhas",1989
- Com música
A clássica...
... e a louca...
Etiquetas:
Algarve,
Música Americana,
Música inglesa,
Poesia,
Verão
segunda-feira, 15 de junho de 2020
Sobre a pandemia
[O artigo é todo muito bom, mas
um pouco longo. Por isso trago aqui os parágrafos que me pareceram mais fortes.
– É que gosto mesmo muito do sociólogo Boaventura Sousa Santos!]
(…)
A sociedade global não está em guerra defensiva ante o
vírus. (…) não penso que a metáfora da
guerra nos ajude a compreender a condição do nosso tempo. Mas se há guerra,
então faz mais sentido imaginar que quem se está a defender é a natureza. O
novo coronavírus é um emissário que só insidiosa e violentamente impõe a sua
missão de ser recebido pelos poderes do mundo. E a sua mensagem é clara: um
“Basta!” dito na única linguagem em que aprendemos a temer a natureza, a
linguagem dos perigos que não podem transformar-se em riscos seguráveis.
É hoje consensual que a recorrência das pandemias está
ligada aos modelos de economia que dominaram nos últimos séculos. Estes modelos
provocaram a desestabilização fatal dos ciclos vitais de regeneração da natureza,
e, portanto, de toda a vida que compõe o planeta e de que a vida humana é uma
ínfima fração.
A poluição atmosférica, o aquecimento global, os
acontecimentos meteorológicos extremos e a iminente catástrofe ecológica são as
manifestações mais evidentes dessa desestabilização. O Basta! é um grito cujos
decibéis se medem pelo número de mortos. (…)
A natureza e a humanidade são contemporâneas e
complementares. A natureza somos nós vistos do outro lado da dicotomia. E,
dessa perspetiva, considerar a natureza como totalmente disponível e consumível
e empenhar-se na exploração sem limite dos recursos naturais foi um processo
histórico de autodestruição. (…)
(Palavras do sociólogo
Boaventura Sousa Santos, in Jornal de Letras, 3 de junho de 2020)
Etiquetas:
Corona Vírus,
Ecologia,
Leituras,
Natureza
domingo, 14 de junho de 2020
Há gente que consegue ser muito desagradável!
Das piores coisas que nos podem
acontecer – pelo menos a mim! – é, por algum motivo estar a queixar-me de
qualquer coisa ouvida ou sentida e haver logo quem venha triunfalmente dizer
«Ah, comigo não!!!»
Tem presente quem é professor e
por aqui passar aquelas reuniões de conselho de turma em que se está a analisar
o comportamento e o aproveitamento dos alunos e alguém, com a maior sinceridade,
se queixa do aluno tal que se comporta mal nas suas aulas, ou que não tem interesse
pelas matérias ou por qualquer outra razão e vem outro professor, todo
prazenteiro, armado em bom, elogiar o mesmo aluno que até se porta muito bem
nas suas aulas e que até é muito interessado e muito querido... Até pode ser verdade,
mas constatá-lo de imediato e em determinado tom é muito desagradável para quem
apresenta o problema.
Na vida do dia-a-dia frequentemente
acontece o mesmo. Por vezes, até em tom de desabafo, uma pessoa tem a fraqueza
de se lamentar seja lá pelo que for e logo o interlocutor se gaba exatamente do
contrário ou – o que também sucede muito – arranca com uma lição moralizante
para cima de quem já está em baixo. Muito mau! Para se ouvir uma reprimenda ou
arrostar com a grande felicidade do outro, quando se vai à espera de algum
consolo, mais vale ficar calado e sofrer sozinho.
Há gente que consegue ser muito
desagradável!
Razão tinha o nosso Fernando
Pessoa quando dizia: «Fazer o menor número de confidências possível. É melhor
não fazeres nenhuma, mas se fizeres algumas, fá-las falsas ou imprecisas.»
Etiquetas:
Comportamentos,
Fernando Pessoa,
Sobre mim
quarta-feira, 3 de junho de 2020
Rancho das Flores
Ando tão vazia de ideias - e de vontade e de tudo, enfim! - que hoje trago aqui imagens do meu nano-mini-micro-jardim que, esse sim, está bem cheio de beleza!
E assim ajudo a embelezar este pedacinho de blogosfera...
E, a propósito, deixo-vos com um poema de Vinicius sobre as flores.
Rancho das Flores
Entre as prendas com que
a natureza
Alegrou este mundo onde
há tanta tristeza
A beleza das flores
realça em primeiro lugar
É um milagre do aroma
florido
Mais lindo que todas as
graças do céu
E até mesmo do mar
Olhem bem para a rosa
Não há mais formosa
É flor dos amantes
É rosa-mulher
Que em perfume e em
nobreza
Vem antes do cravo
E do lírio e da Hortência
E da dália e do bom
crisântemo
E até mesmo do puro e
gentil malmequer
E reparem no cravo o
escravo da rosa
Que é flor mais cheirosa
De enfeite sutil
E no lírio que causa o
delírio da rosa
O martírio da alma da
rosa
Que é a flor mais vaidosa
e mais prosa
Entre as flores do nosso
Brasil
Abram alas p'ra dália
garbosa
Da cor mais vistosa
Do grande jardim da
existência das flores
Tão cheias de cores
gentis
E também para a Hortência
inocente
A flor mais contente
No azul do seu corpo
macio e feliz
Satisfeita da vida
Vem a margarida
Que é a flor preferida
dos que têm paixão
E agora é a vez da
papoula vermelha
A que dá tanto mel p'ras abelhas
E alegra este mundo tão
triste
No amor que é o meu
coração
E agora que temos o bom
crisântemo
Seu nome cantemos em
verso e em prosa
Porém que não tem a
beleza da rosa
Que uma rosa não é só uma
flor
Uma rosa é uma rosa, é
uma rosa
É a mulher rescendendo de
amor
Vinicius de Moraes
segunda-feira, 1 de junho de 2020
Obituário
Há 130 anos, em 1 de junho de 1890, Camilo suicida-se com um
tiro na cabeça, ao perceber que está cego e sem cura.
(Surripiado do facebook do meu amigo Alfredo Barroso)
Etiquetas:
Autores Portugueses,
Efemérides,
Óbitos
Subscrever:
Mensagens (Atom)






