quarta-feira, 15 de junho de 2011

Vai uma ginjinha?



Árvores carregadinhas de ginjas - que, infelimente, não são nossas...


Tão lindas!


Então pus-me a fazer ginjinha! É uma das tradições da casa. Daquelas que herdei da minha mãe. Eu não sei como é que ela tinha tempo para estas coisas, mas tinha. Era professora primária – como sempre se disse sem o medo das palavras que agora se tem! – no tempo em que uma professora tinha trinta e muitos alunos de todas as classes; fazia ensino individualizado com as meninas da 1ª classe; levantava-se muito cedo para “passar as cópias” para elas e para corrigir os trabalhos das outras; tinha a casa e a família com dois adolescentes para gerir – o que não é fácil! – dava, depois das aulas curriculares, as célebres explicações para o exame de admissão aos liceus e à escola técnica e ainda tinha tempo para fazer doces e bolos e camisolas de malha para nós dois. Claro que nem é preciso dizer que andava tudo a toque de caixa à frente dela especialmente eu e as alunas, coitadas!

Mas voltando à ginjinha. Um ano, lá pelo início dos anos 60, depois da elaboração do licor, lá foram os frascos para uma janela onde dava muito sol e onde haveriam de permanecer durante aproximadamente três semanas para se fazer a respectiva fermentação. Ora nós tínhamos em casa uma cadela fox terrier muito pespeneta que se chamava Laika, como qualquer cadela que se prezasse naquela época, e um gato lãzudo, preto, de olhos verdes que se chamava Fananuque – que era a distorção do nome Faruk que o meu pai lhe pôs por ele ser todo preto... E um dia, os nossos amigos desapareceram da nossa companhia. Onde se meteu a Laika? Onde estará o Fananuque?

É preciso dizer que nós morávamos num casarão, lá em Sintra, com duas alas de divisões divididas pela enorme sala de aulas e pelo imenso refeitório que, além de um ror de escadarias para baixo e para cima, tinha uma cave que dava para um jardim e para o enorme campo de ténis que servia de recreio para as alunas da escola. E os nossos animaizinhos, quais donos da casa, tinham acesso a todo esse espaço. De modo que, lá andámos, eu e o meu primo M. escada abaixo, escada acima, à procura deles.

Eis senão quando, fomos dar com eles, muito refastelados, na divisão onde estavam os frascos da ginja, um dos quais estatelado no chão e feito em pedaços, e os bons dos bichinhos a lamberem o líquido doce e bem alcoolizado... Foi uma risota! Porque eles estavam completamente bêbados! O gato não se aguentava em pé e a tonta da cadela até entrou às arrecuas para o caixotinho forrado onde dormia!


Bom, agora só falta deixar aqui a receita da ginjinha da minha mãe, que não pode ser mais simples:

A proporção dos ingredientes tem esta base:

1 kg de ginjas
1kg de açúcar
1 litro de aguardente

Descaroçam-se as ginjas, envolvem-se no açúcar e junta-se-lhe a aguardente. Mistura-se muito bem e verte-se para frascos que, bem fechados, se põem a fermentar ao sol durante três semanas.

Se possível longe da tentação de possíveis animais caseiros...



A descaroçar as ginjas, uma a uma, com agulha de croché


Agora, só daqui a três semanas...


9 comentários:

  1. Querida Carol, gostei da tua receita de ginjinha, mas gostei especialmente da história da tua mãe heroína e do episódio da tua infância!
    Obrigada pela partilha :)

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  2. Cereja, Observador, também gosto muito; até mais para comer e fazer doce. Não queria era parafrasear o senhor presidente da república ue disse na Gardunha, que as cerejas até são boas para os calos...

    Obrigada, Manuela, Rogério, pela vossa simpatia.

    Agulha de croché, pois então! Haviam de ser descaroçadas à dentada, menino Rui?!...

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  3. Gosto muito... "com elas".
    No entanto na que eu faço, adiciono um pau de canela. Experimentem, fica delicioso.
    Quanto à aguardente, normalmente é bagaceira da minha propriedade, pois costumo mandar fazer ou das uvas ou do bagaço quando faço a minha pinga.
    É por essas e por outras que esta máquina se vais aguentando.

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  4. As recordações são mais saborosas quando se consegue trazer para o presente a doçura nelas contida. A Carol conseguiu esse feito com a ginjinha feita com a receita de sua mãe.
    Na minha terra, em Baião, ou melhor em Santa Cruz do Douro, para alem do arroz de favas do Eça de Queirós, adoçavam-se os dias com o doce de cerejas.

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  5. É verdade, Arêgos, e muito obrigada pela sua visita e pelo seu contributo. Toda a zona do Douro é riquíssima em boa cereja e boa fruta em geral; então naquele micro-clima do Vale da Vilariça, nem vale a pena falar, porque é tudo muito bom e dá-se tudo bem naquele solo. Conheço e gosto muito de toda a zona do Douro que é lindíssima. Aliás, gosto de quase tudo no nosso país. É lindo!

    Amigo João! Nada de se meter agora na ginjinha! Olhe lá as suas válvulas... Que sorte ter tudo da sua lavra para fazer licores e não só. Eu cá, citadina como sou, tive de ir a uma taberna aqui perto, cuja dona conheço bem, para ela me arranjar aguardente bagaceira. Só falta o pau de canela - mas vou juntar. Obrigada pela sugestão.

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