sexta-feira, 17 de junho de 2011

Que esperar de Nuno Crato?





Agora que temos a certeza que o Dr. Nuno Crato vai mesmo ser o novo Ministro da Educação, fui rapidamente à estante tirar o seu tão apreciado – não por mim, mas quem sou eu? – livrinho “O ‘Eduquês’ em Discurso Directo – Uma Crítica da Pedagogia Romântica e Construtivista”, editado pela Gradiva, em Abril de 2006, em que o autor, em cerca de 104 das 121 páginas escritas, critica a pedagogia proposta e aplicada “por várias áreas políticas, que tiveram uma influência crescente no Ministério da Educação ao longo dos anos 80 e 90, que, portanto, vingaram sob a acção dos governantes de partidos tão diversos como o CDS/PP, PPD/PSD e o PS.” (pág. 9)

E, rapidamente, me precipitei para as conclusões, para ter uma ideia, ainda que muito vaga, das ideias gerais do novo ministro para a educação básica e secundária. E diz: “A finalizar, apontamos em poucos parágrafos secos algumas ideias sobre o que consideramos que se deve adoptar na educação.

Em primeiro lugar, julgamos que o ensino não precisa de reformulações drásticas nem reviravoltas pedagógicas revolucionárias. (...)

Em segundo lugar, é preciso centrar forças nos aspectos essenciais do ensino, ou seja, na formação científica dos professores, no ensino das matérias básicas, na avaliação constante e na valorização do conhecimento, da disciplina e do esforço. (...) É necessário reafirmar que o essencial na formação de professores é o conhecimento da matéria que ensinam. (...) Também nos currículos e práticas do ensino básico e secundário – e mesmo universitário, mas essa é uma outra batalha – é indispensável a concentração nas matérias e temas essenciais de que são exemplo a Matemática e o Português, a História, a geografia e as Ciências. Em todas essas áreas seria bom que se estabelecessem patamares mínimos – standards – e se concentrassem esforços, sendo-se ambicioso e exigente no domínio dos mínimos essenciais.

A avaliação é fundamental, mesmo para a entrada na profissão de professor (...) É preciso manter os exames nos 9º e 12º anos de escolaridade (...). Admite-se que um outro exame nacional se venha a tornar necessário, possivelmente no 4º ou no 6º ano de escolaridade. (...)

O espírito de disciplina, trabalho, esforço, persistência e concentração deve ser desenvolvido nos estudantes de forma sistemática e progressiva. O ensino tem de formar elites, mas também de acompanhar os menos favorecidos ou menos dotados e apresentar-lhes vias alternativas. (...)

É indispensável adoptar expectativas exigentes para os estudantes e o seu trabalho. (...) currículos ambiciosos e avaliações rigorosas e continuadas trabalham a favor de estudantes mais bem preparados.

Finalmente, é necessário adoptar métodos provados, que são naturalmente eclécticos. (...) Deve-se desenvolver o gosto pelas disciplinas e tentar motivar os alunos, mas não se pode limitar o ensino àquilo de que os alunos gostam, nem se deve balizar o progresso curricular pelo sentimento positivo dos alunos. (...)

Os bons professores sabem o que se deve fazer e tentam fazê-lo. Se muitas vezes não o fazem mais e melhor, essa limitação não se lhes deve. Deve-se sim às imposições avulsas do Ministério, aos currículos desconexos, aos maus manuais escolares, a um ambiente de desrespeito pela cultura e pela educação.” (págªs 115 a 120)


Breve declaração de intenções, escritas há cinco anos, estas perspectivas são passíveis de várias leituras, de diversas operacionalizações. Que esperar?

7 comentários:

  1. Por mim. Se mantiver o que disse até agora...

    Mas estou aqui para ver:)

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  2. boa pergunta, Carol...

    pelo menos não é de se vergar, é mais "Maria Rodrigues".

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  3. A avaliar por estas palavras, eu que não sou nada de direita, aplaudo de pé e com enorme entusiasmo. Finalmente!

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  4. vamos ver, jfilipemo! Vamos ver...

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  5. Não me apetece nada pensar naquilo que irão fazer!
    Estou cansada e pensar cansa ainda mais.
    Como diz Alberto Caeiro "pensar incomoda como andar à chuva"... :-))

    Abraço

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  6. Bom regresso, Rosinha! Que tal os Ventos?

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  7. Là bas até se estava bem o pior é cair de novo no real!
    Oito dias sem ler jornais, ver televisão ou usar a internet, muito mar, muito sol, leituras para pôr em dia limpam a alma! :-))

    Abraço

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