segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Fábula moderna




Era uma vez um leão já entrado na idade, um tanto pachorrento e pouco sabedor das andanças de gerir e decidir mas com muito boa opinião de si próprio que foi escolhido finalmente para rei da selva.

Não cabendo em si de orgulhoso e de contente, de imediato decidiu que afastaria de si e de qualquer pontinha de poder todos os descendentes do leão que morrera, deixando o trono livre.

Por outro lado, pensou que lhe seria favorável rodear-se dos animais do reino que sempre se lhe mostraram mais disponíveis e mais eficientes. E foi assim que se fez acompanhar no poder por umas tantas cobras e uns tantos tubarões que lhe juraram fidelidade eterna, prometendo-lhe que fariam todo o trabalho, podendo o velho leão passear-se pela selva bem disposto e livre, espalhando sorrisos pelos súbditos mais próximos.

O tempo foi passando e o leão continuava feliz. Tudo lhe aparecia feito pela corte, não tendo ele de fazer mais do que representar o seu reino nos encontros imperiais.

Mas – e há sempre um “mas” nas vidas das pessoas – a certa altura, o leão começou a notar alguma tristeza e desencanto entre os súbditos e resolveu chamar um velho elefante que nunca lhe fizera a corte nem lhe fora muito próximo para ele lhe dar a sua opinião mais desinteressada sobre o olhar baço e, por vezes, de rebelião que ele perscrutava no semblante dos próximos. E aí ficou a saber que os tubarões tinham começado a não se entender com as cobras; que estas trabalhavam com afã mas assentavam todo o seu trabalho em critérios de maldade e de vingança e que só os sequazes e apoiantes mais próximos do leão eram favorecidos e tratados com bonomia.

O leão ficou desagradavelmente surpreendido mas nada pôde fazer porque baseara toda a sua acção naquela corte que ele quase ingenuamente escolhera no princípio do seu reinado.

Diz quem se lembra que o leão foi ficando cada vez mais só, mais abandonado por todos e que até alguns elementos da corte inicial se foram afastando aos poucos.

Um chefe tem mesmo de conhecer muito bem quem tem à sua volta e tem de saber escolher muito bem os seus colaboradores mais próximos.

5 comentários:

  1. Este comentário foi removido por um gestor do blogue.

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  2. E, mais uma vez se prova que, leão que se preze, tem de saber dar uns chutos para fora de campo...
    É o futebol da vida...

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  3. Infelizmente também há leões que têm de ser chutados...

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  4. Esta do LEÃO, logo em semana de derby lisboeta em que os lampiões nos sugaram o sangue todo, chiça que é dose!...

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  5. Ó Gato Preto! Não tem nada a ver com o nosso leãozinho do Sporting! Há leões e leões! Alguns precisavam de ser chutados, diz a Rosinha, mas o do Sporting, por "muitas" que leve, continuará sempre a ser o nosso Leão!
    "Gosto muito de te ver, leãozinho..."

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