terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Piegas, a tua tia!



Ó seiscentos mil desempregados, não sejam piegas!

Ó quatro mil e tantos casais desempregados, não sejam piegas!

Ó quinze mil reformados que vão ver as suas magras pensões cortadas porque recebem outra igualmente magra, não sejam piegas!

Ó oitenta por cento dos reformados da Segurança Social que recebem uma pensão inferior ao ordenado mínimo, não sejam piegas!

Ó pais e mães que auferem seiscentos euros e que ficaram sem abono de família, não sejam piegas!

Ó funcionários públicos e reformados que vão receber doze meses descontando porém sobre os catorze meses que costumavam auferir, não sejam piegas!

Ó doentes que deixaram de ter transporte para irem fazer os tratamentos que os mantêm vivos, não sejam piegas!

Ó quatrocentos mil idosos que vivem em solidão, não sejam piegas!

Ó miúdos que comem na escola a única refeição quente do dia, não sejam piegas!

Apetece dizer a esse primeiro ministro da treta: piegas a tua tia!




segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

A CPLP





A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) fez quinze anos e recebeu – nem sei como! – uma prenda do governo português: um palácio para aí instalar a sua nova sede em Lisboa. É o Palácio Conde de Penafiel, onde funcionava o Ministério das Obras Públicas, construído sobre o edifício do Correio Mor o qual foi destruído pelo terramoto de 1755. Está situado bem no centro, numa das encostas do Castelo de São Jorge.

A inauguração, feita pelo presidente da República, contou com a presença do vice-presidente de Angola, do PM português e dos ministros dos Negócios Estrangeiros de todos os países, o que, naturalmente, deu lugar a discursos.

Ora eu só trago este tema aqui porque, como convém a qualquer reformado, estava de televisão acesa a meio da manhã e assisti a um programa da SIC Notícias que deu destaque a este evento, abrindo de seguida um espaço para intervenção do público em geral. Não tenho muita paciência para ouvir essas discussões a maior parte das vezes ocas e bacocas, mas ocupada que estava com as lides domésticas, deixei-os falar. 

Exceções à parte – poucas – é verdadeiramente confrangedor constatar a ignorância, o egoísmo e a tacanhez de tantos de nós. Mais que um dos intervenientes afirmaram que a CPLP não servia para nada porque aqueles países em nada nos podem ajudar. Outros quiseram comparar – depreciativamente, claro! – a CPLP à Commonwealth. Só se esqueceram que a Commonwealth começou a desenvolver-se há mais de cem anos enquanto a CPLP tem quinze curtos anos além de que tem objetivos algo diferentes. O dislate é igual quando se quer comparar – e estamos sempre a fazê-lo – o grau de educação e de instrução do nosso país com o de países como a Suécia ou a Finlândia – só nos esquecemos que nesses países há cem anos quase não havia analfabetismo, enquanto por cá, a taxa de analfabetismo há cem anos era de 70% ou mais. Uma pequenina diferença!

Alguns intervenientes queixaram-se da introdução do novo acordo ortográfico, mas a parvoíce máxima ouviu-se da boca de um qualquer ilustre cidadão daqueles que sobram por aí e que sabem discutir de tudo um pouco, que lamentou “estarmos a desistir da nossa língua”,” estarmos a deixar de falar a nossa língua, a língua de Camões” [sic], que “ a pior coisa que se faz foi o acordo ortográfico”, que só se fez “para dar graxa a esses países dos PALOP” [sic]. 

As disciplinas de linguística que tive na Faculdade – e já foi há muitos anos – não me dão o conhecimento suficiente para afirmar que este é o melhor acordo que se poderia ter feito, mas deram-me o conhecimento mais que suficiente para saber que a língua é um organismo vivo, que se deteora com o uso, que se altera, que se modifica, que se deixa influenciar com o contacto com outras línguas e com outras formas de falar. E que, de vez em quando há que parar para lhe introduzir algumas alterações que se tornam norma. Também sei que, sempre que isso acontece, os falantes que aprenderam a usar a língua de determinada forma, reagem às mudanças e “recusam-se” porque lhes custa aceitá-las. Foi assim no início do século XX; foi assim nos anos 40; foi assim, mas menos porque as alterações aconteceram mais ao nível gramatical, em 1967.

Pensará, por ventura, aquele ilustre cidadão que atrás referi que a língua em que Camões escreveu a sua extraordinária obra – que duvido que ele conheça minimamente – era exatamente a mesma que se usa atualmente quer seja anterior ou posterior ao novo acordo?


domingo, 5 de fevereiro de 2012

O Lugar da Mulher


Recebi hoje de uma amiga este guia de 1953 que vou deixar aqui para rir, ou talvez não...  Com o caminho de regresso que as coisas estão a levar, nunca se sabe... ...





























sábado, 4 de fevereiro de 2012

Canções francesas


E quando, nas festas animadas  pelos "meus" Diamantes, eu pedia ao meu querido amigo Caínhas, o baterista, para tocarem "Oh, toi qui regrettes" e ele dizia: "O quê? Eu na retrete?..." Ou quando eu lhe pedia para tocarem "Je pense à lui" e ele brincava  "Pensas no Luís?"... Às vezes, lá me faziam a vontade e eu ficava encantada; outras vezes nem por isso e lá ficava eu toda aborrecida. Tolices de adolescente, sei lá! Sei é que gostava muito dessas e de outras canções francesas, românticas desse bons tempos.

E porque hoje é sábado, ficam aqui para relembrar e desejar a todos um bom fim de semana.










sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

A nossa Justiça






Ainda bem que os ex ministros de Cavaco não roubaram um shampoo e uma embalagem de polvo, senão estavam tramados!.... É que a nossa Justiça não perdoa!


quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Temos um artista na família...


Depois de ter sido considerado um dos finalistas do Plus Grand Concours Photo du Monde 2011, o meu genro Francisco foi o único português a ganhar um dos dez primeiros lugares, a nível mundial, na Open Competition da Sony Photography Awards 2012 na categoria de Arquitetura, com esta fotografia.



Temos ou não um verdadeiro artista na família?

E, já agora, são capazes de dizer onde tirou ele esta fotografia? 

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

O pobre Cavaco



Todos conhecem bem a minha especial antipatia (para não dizer pior!) pelo senhor presidente. Também sabem que quase não resisto a uma boa crónica do jornalista-escritor Baptista-Bastos. E então se, por força do destino, se juntam ambos os parâmetros, então é o delírio! 

Recebi um dia destes um texto escrito por BB no Jornal de Negócios que alude à última triste gaffe do senhor presidente (da qual ele nunca teve a humildade de se desculpar junto do povo que precipitadamente agrediu) e, se bem que já um pouco atrasado, não consigo deixar de a transcrever para aqui pela sua atualidade e pela sua verdade. Concordo com cada uma das palavras que compõem a crónica à exceção do seu "piedoso final".

O pobre Cavaco

«A pátria, estarrecida, assistiu, nos últimos dias, à declaração de pobreza do dr. Cavaco, e aos ecos dessa amarga e pungente confissão. O gáudio e o apoucamento, a crítica e a repulsa foram as tónicas dominantes das emoções. Os blogues, aos milhares, encheram-se de inauditos gozos, e a Imprensa, grave e incomodada, não deixou de zurzir no pobre homem. Programas de entretenimento matinal, nas têvês, transformaram o coitado num lázaro irremissível. Até houve um peditório, para atenuar as suas preocupações de subsistência, com donativos entregues no Palácio de Belém. Porém, se nos detivermos, por pouco que seja, no dr. Cavaco e na sua circunstância notaremos que ele sempre assim foi: um portuguesinho no Portugalinho.

Lembremo-nos desse cartaz hilariante, aposto em tudo o que era muro ou parede, e no qual ele aparecia, junto de um grupo de enérgicos colaboradores, sob o extraordinário estribilho: "Deixem-nos trabalhar!" Cavaco governava pela primeira vez e os publicitários colocaram-no e aos outros em mangas de camisa arregaçadas. Os humoristas de serviço rilharam os dentes, de gozo, mas a época não era propícia à ironia. O País tornou-se numa espécie de imagem devolvida do primeiro-ministro: hirto, um espeque rígido, liso, um carreirinho de gente cabisbaixa.

O respeitinho é muito lindo: essa marca d'água do salazarismo regressava para um país que perdera a noção do riso, se é que alguma vez o tivera. Cavaco resulta desse anacronismo que fede a mofo e a servidão. É um sujeito de meia-tijela, inculto, ignorante das coisas mais rudimentares, iletrado e, como todos os iletrados, arrojado nas afirmações momentâneas. As suas "gaffes" fazem história no anedotário nacional. É um Américo Tomás tão despropositado, mas tão perigoso como o original.

Manhoso, soube aproveitar o momento vazio, no rescaldo de uma revolução que também acabou no vazio. Os rios de dinheiro provindos de Bruxelas, e perdulariamente gastos, durante os infaustos anos dos seus mandatos, garantiram-lhe um lugar de aplauso nas consciências desprotegidas dos portugueses. Este apagamento da verdade está inscrito, infelizmente, numa Imprensa servida por estipendiados, cuja virtude era terem o cartão do partido. Ainda hoje essa endemia não foi extirpada. Repare-se que, fora alguns escassos casos isolados, ainda não foi feita a crítica aos anos de Cavaco e das suas trágicas consequências políticas, ideológicas, morais e sociais. Há uma falta de coragem quase generalizada, creio que explicada pela teia reticular de cumplicidades, envolvendo poderes claros e ocultos.

A mediocridade da personagem é cada vez mais evidente. E se, no desempenho das funções de primeiro-ministro, foi sustentado pela falsa aparência de el dourado, devido aos dinheiros da Europa, generosamente distribuídos por amigos e prosélitos, como Presidente da República é uma calamidade afrontosa. Tornou o lugar desacreditante e desacreditado.

Logo no primeiro dia da sua entrada no palácio de Belém, o ridículo até teve música. Um país espavorido assistiu, pelas televisões, sempre zelosas e apressuradas, àquela cena do dr. Cavaco, mãos dadas com toda a família, a subir a rampa que conduz ao Pátio dos Bichos, e ao interior do edifício. Um palácio que não merecia recolher tal inquilino. Mas ele é mesmo assim: um portuguesinho no Portugalinho, um inesperadamente afortunado algarvio, sem história nem grandeza, impelido para o seu peculiar paraíso. A imagem da subida da ladeira possui algo de ascensão ao Olimpo, com aquelas figuras muito felizes, impantes, formais, intermináveis. Mas há nisto um panteísmo marcadamente ingénuo e tolo, muito colado a certa maneira de ser portuguesinho e pobrezinho: tudo em inho, pequenininho, redondinho.

Cavaco nunca deixou de ser o que era. Até no sotaque que não perdeu e o leva a falar num idioma desajeitado; no inábil que é; no piroso corte de cabelo à Cary Grant; no embaraço que sente quando colocado junto de multidões ou de pessoas que ele entende serem-lhe "superiores." Repito: ele não dispõe de um estofo de estadista, e muito menos da condição exigida a um Presidente da República.

O discurso da sua pobreza resulta de todas essas anomalias de espírito. Ele tem sido um malefício para o País. É ressentido, rancoroso, vingativo, possidónio e brunido de mente. Mas não posso deixar de sentir, por este pobre homem, uma profunda compaixão e uma excruciante piedade.»

Baptista-Bastos