domingo, 7 de fevereiro de 2016

Para as minhas amigas avisadas...

Hoje deixo aqui uma prece para as minha amigas mulheres rezarem (enquanto a Quaresma não chega...) todas as noites em estilo novena...

E, como é Carnaval, os meus amigos homens não podem levar a mal... 

«Que o mar vire cerveja e os homens aperitivo, que a fonte nunca seque e que a nossa sogra nunca se chame Esperança, porque Esperança é a última que morre...

Que os nossos homens nunca morram viúvos, e que os nossos filhos tenham pais ricos e mães gostosas!

Que Deus abençoe os homens bonitos, e os feios se tiver tempo...

Deus...

Eu vos peço sabedoria para entender um homem, amor para perdoá-lo e paciência pelos seus actos porque, Deus, se eu pedir força, eu bato-lhe até matá-lo.

Um brinde...

Aos que temos, aos que tivemos e aos que teremos.

Um brinde também aos namorados que nos conquistaram, aos trouxas que nos perderam, e aos sortudos que ainda vão conhecer-nos!

Que sempre sobre, que nunca nos falte, e que a gente dê conta de todos!

Ámen.


Adenda: Os homens são como um bom vinho: todos começam como uvas e é dever da mulher pisá-los e mantê-los no escuro até que amadureçam e se tornem uma boa companhia para o jantar.»


sábado, 6 de fevereiro de 2016

Está explicado!




Daí os elogios de ontem!!!

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Estou a ficar cá uma piegas!

Sexta-feira, manhã de ir às compras para o meio da cidade. Oh não! Paragem no trânsito por causa do desfile de Carnaval das criancinhas das escolas. Isto de estar fora da escola vai para seis anos dá nisto: uma pessoa já nem se lembra destas datas e destas confusões!

Melhor ir a pé para chegar lá a baixo mais depressa. Mas os miúdos vão tão engraçados! Tema sugerido pela Câmara: segurança rodoviária e bombeiros. Vai de tirar fotografias.













Mas depois vêm as crianças das “minhas” escolas lá do “meu” agrupamento. E os abraços amorosamente saudosos das “minhas” coordenadoras de escola, da “minha” vice para o 1º ciclo, foi cá uma emoção e bateu cá uma saudade! Tive de fugir para não me verem as lágrimas.















Estou a ficar cá uma piegas! Razão tinha o outro!

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Till there was you!


O facto é que estamos no mês de celebrar o amor. (Será que não o celebramos todos os meses?) Por isso há que recordar as mais belas canções de amor. E esta é uma delas; uma das minhas preferidas, pelo menos. Os Beatles, ano de 63 - Till there was you! Uma delícia.





Só que fiquei a saber que não foi uma das suas muitas composições originais. Foi revisitada por eles - e bem - mas tinha sido escrita em 1957 para uma peça musical The Music Man, que mais tarde foi realizada em filme. Deixo aqui a versão do filme, mais próxima do original, num registo mais romântico ao estilo dos anos 50. Para quem goste.



E viva o Amor!

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

A Dança das Horas

Há dias vi um bailado incrivelmente belo no blog da Irene Alves  sobre a admirável música A Dança das Horas de Amilcare Ponchielli que vos convido a ver. É uma verdadeira maravilha!

A propósito, lembrei-me da versão ligeira desta ária, com o título Like I do, que fez as minhas delícias na minha (tonta) adolescência. Também foi cantada por Nancy Sinatra.

Alguém se lembra?


segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Nos 70 anos da morte de Afonso Lopes Vieira

Falar em  Afonso Lopes Vieira faz-nos regressar aos nossos livros [únicos e fascizantes, diga-se] da Escola Primária em que apareciam aqueles versos para a infância do seu livro de 1911 Animais Nossos Amigos: Os Bois, O Cão faz ão ão, O Gato e o encantatório Ninhos, que era assim:

Ninhos
Os passarinhos
Tão engraçados,
Fazem os ninhos
Com mil cuidados.

São p’ra os filhinhos
Que estão p’ra ter
Que os passarinhos
Os vão fazer.

Nos bicos trazem
Coisas pequenas,
E os ninhos fazem
De musgo e penas.

Depois, lá têm
Os seus meninos,
Tão pequeninos
Ao pé da mãe.

Nunca se faça
Mal a um ninho,
À linda graça
De um passarinho!

Que nos lembremos
Sempre também
Do pai que temos,
Da nossa mãe!

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E por aí nos ficamos, que não foi autor estudado (nem falado) no Liceu e menos ainda na Faculdade.  A imagem que se tem é a de um autor de fim de século, de sensibilidade romântica muito colada aos valores morais (moralistas) da Igreja, um burguês a respirar e a transpirar aquela bondade romântica que pingava para o povo desfavorecido, pobre, miserável, mas cheio de saudável mansidão. Qualidades muito ao estilo do Estado Novo e que este aproveitou tanto quanto pôde.

Sabemos (quantos saberemos?!) que, aquando da inauguração da Capelinha das Aparições em Fátima, foi ele o autor da letra de «Para o Ave em Fátima». Fica então, quase sem remissão, autor ao serviço do salazarismo. (ver nota 1)

Então como explicar as inefáveis Éclogas de Agora, de 1935, que constituem um verdadeiro espírito de resistência ao Estado Novo? Nestas cinco éclogas, num estilo bucólico muito pessoal e numa linguagem críptica e metafórica, o autor desenvolve diálogos entre personagens/pastores resguardadas por criptónimos a fim de ludibriar a Censura. O poeta toma o nome de Umbro, Viviano, Aldo, por exemplo. (ver nota 2)


De notar o simbolismo do desenho da capa

Terá Afonso Lopes Vieira, de facto, sido um autor ao serviço do Estado Novo, ou ter-se-á o Estado Novo servido de Afonso Lopes Vieira (como de outros tantos)?

Foi esta a temática do Colóquio que a Câmara Municipal e a Biblioteca Municipal de Leiria – que tem o nome (e o acervo bibliotecário) do autor aqui nascido em 1878 – promoveram na passada terça-feira, dia 26, aos 70 anos da sua morte.

O Colóquio teve por tema «A glória do esquecimento» e teve como oradores, grandes estudiosos da vida e da obra do autor leiriense, como os Doutores Cristina Nobre (do IPL), Paulo Alexandre Pereira (da Universidade de Aveiro); José Rui Teixeira (da Universidade Católica do Porto); Luís Reis Torgal (da Universidade de Coimbra); e Eduardo Cintra Torres (da Universidade Católica de Lisboa).


Podem crer que foi uma jornada de grande nível cultural e de grande aprendizagem literária.

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Nota 1

PARA O AVE DE FÁTIMA 

A TREZE de Maio, na Cova da Iria, apar'ceu, brilhando, a Virgem Maria. AVE 

A Virgem Maria, cercada de luz, nossa Mãe bemdita e Mãe de JESUS. AVE 

O mundo sofria; Portugal ferido sangrava e gemia.
Foi aos pastorinhos q. a Virgem falou. Desde então nas almas nova Luz brilhou. AVE 
Com doces palavras mandou-nos rezar, a Virgem Maria para nos salvar! AVE 
Achou logo a Pátria remédio a seu mal. E a Virgem bemdita Salvou Portugal! AVE 

Mas jamais esqueçam os bons corações q. nos fez a Virgem determinações, Falou contra o luxo, contra o impudor, de imodestas modas de uso pecador. Disse q. a pureza é querida a Jesus, disse q. a luxúria ao fogo conduz. A treze de Outubro disse-nos a Luz e a Virgem Maria escuta nos céus. AVE 
Á Pátria q. é vossa, dai Honra, Alegria e Graça de Deus AVE 

Á Virgem bemdita cante seu louvor toda a nossa terra num hino de Amor AVE 
Todo o mundo A louve para se salvar, desde o vale ao monte, desde o monte ao mar. AVE 
Já por todo o mundo se ama o nome Seu Portugal a Cristo tantas almas deu. AVE 
Oh, demos-lhe graças por nos dar seu Bem, à Virgem Maria, nossa qu'rida Mãe! AVE 
E para pagarmos tal graça e favor, tenham nossas almas só bondade e Amor. AVE 
Ave, Virgem Santa, 'strêla q. nos guia! Ave, Mãe da Pátria, Oh Virgem Maria!

(in «AFONSO LOPES VIEIRA  — de Conto do Natal (1905) a Santo António. Jornada do Centenário (1932) —  um percurso do apaziguamento »  Cristina Nobre )
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Nota 2  (excerto de uma das éclogas - Écloga II)

Viviano
(…)
Quando emprego os meus olhos
em tudo o que é passado
louvo o alto destino
que nos deixou de banda entre os festeiros
das funções deste prado
para ficarmos firmes e leais,
alheios à festança
de tanta vã mentira,
de tanta dor do gado,
inimigos de tantos maiorais!...

Esse gado mesquinho defendemos
tantos anos seguidos,
levantando os cajados
contra os lobos que assaltam os rebanhos,
desde os lobos azuis [monárquicos liberais-constitucionais, que vieram a fornecer ao Estado Novo o grosso da sua componente de apoiantes monárquicos]
(já muito desdentados)
té os vermelhos lobos [comunistas]
de perigosa goela!
E agora novos lobos [corporativistas de Estado - Salazaristas]
com fereza gelada
devoram as ovelhas,
assaltam a manada,
mandando que nem brado ou voz se solte
por que não se importunem tais orelhas!...
(…)