terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

A rosa que te dei...



Be my Valentine! 
Pronto, eu bem sei que não é tradição nossa! Que foram os parvos dos professores de Inglês que começaram com essas tretas! Que é só mais um pretexto para promover o consumismo! Que ... Que... Que... Porque somos nós tão Velhos do Restelo?! Quem não gosta (ou gostaria...) de namorar?

Para dar uma no cravo e outra na ferradura (quem disse que eu não gosto de provérbios?...) deixo aqui uma canção daquelas bem românticas (bem piegas?!) que dava para namorar mesmo quando ainda não brincávamos aos dias dos namorados - mas já brincávamos com os namorados...

Lembram-se? Foi ao festival da canção, ao nosso, em 74. 
Ah! E namorem bastante hoje - e sempre que puderem...




segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

O Porto




Acabei há dias de ler um livro de onde retirei esta descrição do Porto. Sei que muitos de vós também o leram já, até porque o autor, apesar de não ser dos mais jovens, está na moda. Quem sabe de quem estou a falar?


«Escuro, pitoresco, desleixado, o Porto já não é a metrópole que foi na minha infância. As pontes e a estação, o palácio do bispo, a Sé, a Torre dos Clérigos, tudo isso se mantém, e vista da margem esquerda a paisagem da cidade continua esplêndida. Mas nos rostos das pessoas há mais sombras que sorrisos, o ar de algumas ruas é de mau agouro.

O rio lá está, quase sem movimento, com pouca vida, só de longe um ou outro naviozito se arrisca a passar por entre as línguas de areia que lhe assoreiam a foz. Os rabelos envernizados que agora o navegam são falsificações da publicidade e na beira-rio lodosa de Gaia, que conheci cheia de bulício, a ferver de agitação, deitaram placas de cimento e fizeram esplanadas onde os turistas se sentam a beber cerveja, de costas para a cidade para melhor tomarem o sol. Passo, olho, vou adiante e minto a mim próprio, dizendo-me que é absurdo carregar o peso morto do passado.

Hospedei-me por uma noite num hotel da Praça da Batalha, contente de ver em redor quase todos os cafés do meu passado, a sua presença a confirmar que nem tudo se estiola, nem tudo morre.

Desço para o rio, atravesso a ponte, refaço o que foi o caminho de casa. Centenas ou milhares de vezes palmilhado, pouco importa a conta. Por um instante, com sede, quase me deixo tentar pelos guarda-sóis coloridos das esplanadas, mas continuo em frente, como se fosse inconveniência ou traição ir-me sentar entre estranhos no mesmo lugar onde antes brinquei, onde sonhei. Onde meu pai ia e voltava na sua ronda, vigiando o rio, assestando o binóculo nos vapores quando um movimento lhe parecia suspeito, ou quando os tripulantes desciam pelo portaló. Frustrado por ter de apreender o pequeno contrabando da meia dúzia de maços de cigarros presos dentro das calças, ou da garrafa de uísque apertada no sovaco, e ao mesmo tempo assistir impotente ao tráfico do vinho, do volfrâmio, das mercadorias, que os seus chefes e alguns colegas acobertavam.

Vira-os ganhar fortunas com o contrabando no começo da guerra, construir casas apalaçadas, subir de posto, receber medalhas por bons serviços, enquanto ele – que por natureza e educação tinha a lei por dogma – se gastava a pedir inquéritos urgentes, a apresentar queixas, a fazer listas, a escrever relatórios. (…)
Meu pai, que até então tinha bebido moderadamente, começou a intoxicar-se.»


domingo, 12 de fevereiro de 2012

Parabéns, Eduardo, meu querido!




O meu neto mais pequenino fez hoje um ano e foi assim:









E a avó - piegas... - escreveu para ele:

Catrapum
e já passou o ano um!
Logo depois há de passar o ano dois.
Num plim
hás de ir para o Jardim
e a brincar atrás da bola
hás de ir a correr para a escola.

Que a tua estrela
seja de todas a mais bela!
Que a tua vida
seja de todas a mais colorida!
E sejas tu todo cabeça e coração
entre a loucura e o juízo,
minha carinha de riso
minha bolinha de sabão!

Boa sorte para o meu pequenino ... e para os outros!

  

Está cá um frio!


Bolas que tem estado cá um frio!
Está-se tão bem assim!


Mas também não é preciso exagerar!
Será mesmo preciso ir para dentro da máquina de secar?




sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Lá como cá





Afinal não é só cá. A justiça está ferida de morte e – ainda bem ou ainda mal – não é só cá. O Supremo em Espanha conseguiu aniquilar o juiz Baltasar Garzón expulsando-o da carreira judiciária, da brilhante carreira que ele construiu enquanto o deixaram. É que ele lutou contra o terrorismo, contra o tráfico de droga, contra a corrupção, contra o crime organizado. Ele tentou defender os Direitos Humanos violados pelas ditaduras. Ele derrubou Pinochet e abanou outros ditadores. Incomodou muita gente o que decerto lhe granjeou muitos opositores, muitos inimigos.

Porém, quando se atreveu a mexer com a ditadura de Franco, ai mais devagar! Há muitos interesses em jogo, está muito próximo no tempo, muitas esperanças são acalentadas ainda, especialmente agora com a ascensão deste governo de direita. 

E o pior é que, como muito bem resume o apólogo da cobra e do pirilampo, ele brilha!


quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Língua





Língua;
língua da fala;
língua recebida lábio
a lábio; beijo
ou sílaba;
clara, leve, limpa;
língua
da água, da terra, da cal;
materna casa da alegria
e da mágoa;
dança do sol e do sal;
língua em que escrevo;
ou antes: falo.

(Eugénio de Andrade, Rente ao Dizer)

(Ontem, por acaso, vi o programa Prova dos Nove. Não, não vou referir a discussão entre Pedro Santana Lopes e Fernando Rosas à roda do entendimento de democracia de cada um. O que me surpreendeu completamente e me deixou verdadeiramente espantada comigo própria foi o facto de ter concordado com o que foi dito (e com a forma entusiasta e esclarecida como foi dito) por Santana Lopes, enquanto discordei em absoluto da opinião (que denotou apenas falta de conhecimento) de Francisco de Assis sobre ... o acordo ortográfico.)


quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Loiça de ...


Adoro loiças! Acho que herdei esse gosto dos meus pais. A minha mãe aonde ia trazia sempre mais umas loicinhas. A certa altura apaixonou-se pela loiça de Alcobaça e mudou toda a decoração da sala de jantar para os tons azuis dessa loiça. O meu pai, como bom barcelense que era, de cada vez que ia visitar a mãe, trazia mais loiças da popular feira das quintas feiras. galinhos, músicos, canecas, pratos, travessas...

Ora ontem tivemos de sair do âmbito do Castelo (de Leiria) fui dar com estes belíssimos candeeiros de loiça.






Nas paredes havia também outras lindas peças de faiança típicas da mesma cidade.






Trata-se de uma loiça de inspiração islâmica, com cenas de caça e de pesca e com pássaros e com flores cuja manufatura remonta aos século XV. 

Claro que já toda a gente percebeu onde fomos, não é verdade?