domingo, 12 de fevereiro de 2012

Parabéns, Eduardo, meu querido!




O meu neto mais pequenino fez hoje um ano e foi assim:









E a avó - piegas... - escreveu para ele:

Catrapum
e já passou o ano um!
Logo depois há de passar o ano dois.
Num plim
hás de ir para o Jardim
e a brincar atrás da bola
hás de ir a correr para a escola.

Que a tua estrela
seja de todas a mais bela!
Que a tua vida
seja de todas a mais colorida!
E sejas tu todo cabeça e coração
entre a loucura e o juízo,
minha carinha de riso
minha bolinha de sabão!

Boa sorte para o meu pequenino ... e para os outros!

  

Está cá um frio!


Bolas que tem estado cá um frio!
Está-se tão bem assim!


Mas também não é preciso exagerar!
Será mesmo preciso ir para dentro da máquina de secar?




sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Lá como cá





Afinal não é só cá. A justiça está ferida de morte e – ainda bem ou ainda mal – não é só cá. O Supremo em Espanha conseguiu aniquilar o juiz Baltasar Garzón expulsando-o da carreira judiciária, da brilhante carreira que ele construiu enquanto o deixaram. É que ele lutou contra o terrorismo, contra o tráfico de droga, contra a corrupção, contra o crime organizado. Ele tentou defender os Direitos Humanos violados pelas ditaduras. Ele derrubou Pinochet e abanou outros ditadores. Incomodou muita gente o que decerto lhe granjeou muitos opositores, muitos inimigos.

Porém, quando se atreveu a mexer com a ditadura de Franco, ai mais devagar! Há muitos interesses em jogo, está muito próximo no tempo, muitas esperanças são acalentadas ainda, especialmente agora com a ascensão deste governo de direita. 

E o pior é que, como muito bem resume o apólogo da cobra e do pirilampo, ele brilha!


quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Língua





Língua;
língua da fala;
língua recebida lábio
a lábio; beijo
ou sílaba;
clara, leve, limpa;
língua
da água, da terra, da cal;
materna casa da alegria
e da mágoa;
dança do sol e do sal;
língua em que escrevo;
ou antes: falo.

(Eugénio de Andrade, Rente ao Dizer)

(Ontem, por acaso, vi o programa Prova dos Nove. Não, não vou referir a discussão entre Pedro Santana Lopes e Fernando Rosas à roda do entendimento de democracia de cada um. O que me surpreendeu completamente e me deixou verdadeiramente espantada comigo própria foi o facto de ter concordado com o que foi dito (e com a forma entusiasta e esclarecida como foi dito) por Santana Lopes, enquanto discordei em absoluto da opinião (que denotou apenas falta de conhecimento) de Francisco de Assis sobre ... o acordo ortográfico.)


quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Loiça de ...


Adoro loiças! Acho que herdei esse gosto dos meus pais. A minha mãe aonde ia trazia sempre mais umas loicinhas. A certa altura apaixonou-se pela loiça de Alcobaça e mudou toda a decoração da sala de jantar para os tons azuis dessa loiça. O meu pai, como bom barcelense que era, de cada vez que ia visitar a mãe, trazia mais loiças da popular feira das quintas feiras. galinhos, músicos, canecas, pratos, travessas...

Ora ontem tivemos de sair do âmbito do Castelo (de Leiria) fui dar com estes belíssimos candeeiros de loiça.






Nas paredes havia também outras lindas peças de faiança típicas da mesma cidade.






Trata-se de uma loiça de inspiração islâmica, com cenas de caça e de pesca e com pássaros e com flores cuja manufatura remonta aos século XV. 

Claro que já toda a gente percebeu onde fomos, não é verdade?


terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Piegas, a tua tia!



Ó seiscentos mil desempregados, não sejam piegas!

Ó quatro mil e tantos casais desempregados, não sejam piegas!

Ó quinze mil reformados que vão ver as suas magras pensões cortadas porque recebem outra igualmente magra, não sejam piegas!

Ó oitenta por cento dos reformados da Segurança Social que recebem uma pensão inferior ao ordenado mínimo, não sejam piegas!

Ó pais e mães que auferem seiscentos euros e que ficaram sem abono de família, não sejam piegas!

Ó funcionários públicos e reformados que vão receber doze meses descontando porém sobre os catorze meses que costumavam auferir, não sejam piegas!

Ó doentes que deixaram de ter transporte para irem fazer os tratamentos que os mantêm vivos, não sejam piegas!

Ó quatrocentos mil idosos que vivem em solidão, não sejam piegas!

Ó miúdos que comem na escola a única refeição quente do dia, não sejam piegas!

Apetece dizer a esse primeiro ministro da treta: piegas a tua tia!




segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

A CPLP





A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) fez quinze anos e recebeu – nem sei como! – uma prenda do governo português: um palácio para aí instalar a sua nova sede em Lisboa. É o Palácio Conde de Penafiel, onde funcionava o Ministério das Obras Públicas, construído sobre o edifício do Correio Mor o qual foi destruído pelo terramoto de 1755. Está situado bem no centro, numa das encostas do Castelo de São Jorge.

A inauguração, feita pelo presidente da República, contou com a presença do vice-presidente de Angola, do PM português e dos ministros dos Negócios Estrangeiros de todos os países, o que, naturalmente, deu lugar a discursos.

Ora eu só trago este tema aqui porque, como convém a qualquer reformado, estava de televisão acesa a meio da manhã e assisti a um programa da SIC Notícias que deu destaque a este evento, abrindo de seguida um espaço para intervenção do público em geral. Não tenho muita paciência para ouvir essas discussões a maior parte das vezes ocas e bacocas, mas ocupada que estava com as lides domésticas, deixei-os falar. 

Exceções à parte – poucas – é verdadeiramente confrangedor constatar a ignorância, o egoísmo e a tacanhez de tantos de nós. Mais que um dos intervenientes afirmaram que a CPLP não servia para nada porque aqueles países em nada nos podem ajudar. Outros quiseram comparar – depreciativamente, claro! – a CPLP à Commonwealth. Só se esqueceram que a Commonwealth começou a desenvolver-se há mais de cem anos enquanto a CPLP tem quinze curtos anos além de que tem objetivos algo diferentes. O dislate é igual quando se quer comparar – e estamos sempre a fazê-lo – o grau de educação e de instrução do nosso país com o de países como a Suécia ou a Finlândia – só nos esquecemos que nesses países há cem anos quase não havia analfabetismo, enquanto por cá, a taxa de analfabetismo há cem anos era de 70% ou mais. Uma pequenina diferença!

Alguns intervenientes queixaram-se da introdução do novo acordo ortográfico, mas a parvoíce máxima ouviu-se da boca de um qualquer ilustre cidadão daqueles que sobram por aí e que sabem discutir de tudo um pouco, que lamentou “estarmos a desistir da nossa língua”,” estarmos a deixar de falar a nossa língua, a língua de Camões” [sic], que “ a pior coisa que se faz foi o acordo ortográfico”, que só se fez “para dar graxa a esses países dos PALOP” [sic]. 

As disciplinas de linguística que tive na Faculdade – e já foi há muitos anos – não me dão o conhecimento suficiente para afirmar que este é o melhor acordo que se poderia ter feito, mas deram-me o conhecimento mais que suficiente para saber que a língua é um organismo vivo, que se deteora com o uso, que se altera, que se modifica, que se deixa influenciar com o contacto com outras línguas e com outras formas de falar. E que, de vez em quando há que parar para lhe introduzir algumas alterações que se tornam norma. Também sei que, sempre que isso acontece, os falantes que aprenderam a usar a língua de determinada forma, reagem às mudanças e “recusam-se” porque lhes custa aceitá-las. Foi assim no início do século XX; foi assim nos anos 40; foi assim, mas menos porque as alterações aconteceram mais ao nível gramatical, em 1967.

Pensará, por ventura, aquele ilustre cidadão que atrás referi que a língua em que Camões escreveu a sua extraordinária obra – que duvido que ele conheça minimamente – era exatamente a mesma que se usa atualmente quer seja anterior ou posterior ao novo acordo?