sexta-feira, 3 de abril de 2020

Dia da Literatura Infantil

Ontem foi o Dia da Literatura Infantil, mas não pude celebrá-lo porque estava a celebrar o aniversário do meu blog...

Ora como para mim, todos os dias são dias da literatura - mesmo que seja infantil - aqui fica hoje o meu tributo aos escritores e aos poetas que escrevem para as crianças - sem esquecer a nossa amiga blogger Lídia Borges.

Ainda guardo cá em casa alguns livrinhos de quando as minhas filhas eram pequeninas e, do livrinho «A Guitarra da Boneca» de Matilde Rosa Araújo (grande senhora das belas e poéticas histórias para crianças, que tive o prazer de conhecer), retirei exatamente o poeminha «Minha Guitarra»:

«Chuva de cordas brancas,
chuva de cordas frias,
E eu tenho uma guitarra
cigarra
de som molhado
que agarra
a alegria 
para tocar.
E minhas mãos 
para enxugar
teu rosto amado,
minha Mãe.»

(1983)









(Prenda de aniversário (em 1987) da Madrinha para a minha filha mais nova que, por acaso, faz anos hoje - 3 de Abril.)

quinta-feira, 2 de abril de 2020

10 anos

Faz hoje dez anos que abri este blog  - para ajudar a ocupar o tempo que me sobrava, apenas dois dias depois da notificação da minha reforma. 

Como diz a canção:

«10 Anos é muito tempo
Muitos dias, muitas horas a cantar
10 Anos é muito tempo
Deste tempo inteiro que eu vos quero dar.»

Ironicamente aqui me encontro ainda - e curiosamente a tentar ocupar o tempo que me/nos sobra nestes abomináveis tempos de clausura instituída por inimigo invisível e comum que nos quer tolher a vida.

De qualquer forma, aqui estou a celebrar estes dez anos do meu blog, com as suas/minhas mais de 2900 publicações e a agradecer os milhares de comentários e de visitas de quem por aqui tem passado.





quarta-feira, 1 de abril de 2020

E faz frio!

Primeiro de Abril, mas não é mentira...Chove e está muito frio. Neva na Serra. É uma massa de ar da Escandinávia - dizem. 

Da Guarda chegam-me imagens como estas:
















Bom para se estar confinado em casa como é de lei... O pior é a melancolia que daí vem. E faz um ano que para sempre partiu o companheiro de uma vida inteira. 

Da Balada de todos conhecida, retenho a última estrofe que me trai, que me conforta.


(...)


E uma infinita tristeza,
uma funda turbação
entra em mim, fica em mim presa.
Cai neve na Natureza
e cai no meu coração.

Augusto Gil


terça-feira, 31 de março de 2020

Chove






Chove. Há silêncio, porque a mesma chuva
Não faz ruído senão com sossego.
Chove. O céu dorme. Quando a alma é viúva
Do que não sabe, o sentimento é cego.
Chove. Meu ser (quem sou) renego…

Tão calma é a chuva que se solta no ar
(Nem parece de nuvens) que parece
Que não é chuva, mas um sussurrar
Que de si mesmo, ao sussurrar, se esquece.
Chove. Nada apetece…

Não paira vento, não há céu que eu sinta.
Chove longínqua e indistintamente,
Como uma coisa certa que nos minta,
Como um grande desejo que nos mente.
Chove. Nada em mim sente…

Fernando Pessoa

domingo, 29 de março de 2020

Morreu Mécia de Sena (1920-2020)

Foto de Mécia, por Fernando Lemos (1949).
Na Califórnia, onde vivia, morreu,ontem, dia 28, Mécia de Sena (1920-2020), viúva de Jorge de Sena e mãe dos seus nove filhos.


Organizadora incansável (e rigorosa) da obra do marido, Mécia de Sena era irmã do crítico literário e historiador da literatura Óscar Lopes.

Mécia tinha feito cem anos no passado dia 16.

(do blog do escritor Eduardo Pitta)


O Diário de Notícias desenvolve a notícia, dando relevo à sua extraordinária obra, que passou essencialmente por organizar, tratar e fazer publicar a imensa obra de seu marido, o escritor Jorge de Sena.

(Para ler mais: https://www.dn.pt/cultura/morreu-mecia-de-sena-escritora-e-guardia-do-para-sempre-que-a-ligou-a-jorge-de-sena-12001038.html    )


Jorge de Sena e Mécia de Sena em Londres

https://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/15504.pdf

sábado, 28 de março de 2020

Bolo Covid-19

Confinado em casa, o pessoal inventa de tudo! Até já foi inventado o Bolo Covid-19...

Copiei de um facefriend e até é fácil de fazer.

Aqui fica a receita:


(Muito útil para afogar as mágoas da quarentena e animar as crianças que até podem ajudar a misturar os ingredientes.)

1 laranja sumarenta (Raspa grossa, sumo e polpa)
1 iogurte natural
1 medida de coco ralado
3 medidas de farinha
3 medidas de açúcar
1/2 medida de óleo
4 ovos
1 colher de sopa de fermento
1 golo de vinho do Porto
1 colher se sobremesa de canela
1 dúzia de nozes picadas grosseiramente

1. Quando começar a preparação ligue o formo a 180°;
2. Misture os ingredientes todos com uma colher de pau ou equivalente. Não convém usar batedeira.
3. Leve ao forno em forma untada com margarina e polvilhada com farinha. 30/40 minutos, dependendo do forno.
4. Convém cobrir com papel vegetal. Se necessário deixar cozer um pouco mais. Faça o teste do palito...





(Se o fizerem, podem enviar uma ou duas fatiazinhas por mail...)

sexta-feira, 27 de março de 2020

Lisboa ainda resiste




Corre por aí um belo poema que Manuel Alegre dedicou à Lisboa que agora sofre com o Corona Vírus e que diz assim:

Lisboa Ainda

Lisboa não tem beijos nem abraços
não tem risos nem esplanadas
não tem passos
nem raparigas e rapazes de mãos dadas
tem praças cheias de ninguém
ainda tem sol mas não tem
nem gaivota de Amália nem canoa
sem restaurantes, sem bares, nem cinemas
ainda é fado ainda é poemas
fechada dentro de si mesma ainda é Lisboa
cidade aberta
ainda é Lisboa de Pessoa alegre e triste
e em cada rua deserta
ainda resiste

20 de março de 2020, Manuel Alegre

E lembrei-me deste outro, igualmente de Manuel Alegre, sobre uma Lisboa acorrentada em tempos de ditadura. Lisboa resistiu!


Lisboa perto e longe


Lisboa chora dentro de Lisboa
Lisboa tem palácios sentinelas.
E fecham-se janelas quando voa
nas praças de Lisboa -- branca e rota
a blusa de seu povo -- essa gaivota.

Lisboa tem casernas catedrais
museus cadeias donos muito velhos
palavras de joelhos tribunais.
Parada sobre o cais olhando as águas
Lisboa é triste assim cheia de mágoas.

Lisboa tem o sol crucificado
nas armas que em Lisboa estão voltadas
contra as mãos desarmadas -- povo armado
de vento revoltado violas astros
-- meu povo que ninguém verá de rastos.

Lisboa tem o Tejo tem veleiros
e dentro das prisões tem velas rios
dentro das mãos navios prisioneiros
ai olhos marinheiros -- mar aberto
-- com Lisboa tão longe em Lisboa tão perto.

Lisboa é uma palavra dolorosa
Lisboa são seis letras proibidas
seis gaivotas feridas rosa a rosa
Lisboa a desditosa desfolhada
palavra por palavra espada a espada.

Lisboa tem um cravo em cada mão
tem camisas que abril desabotoa
mas em maio Lisboa é uma canção
onde há versos que são cravos vermelhos
Lisboa que ninguém verá de joelhos.

Lisboa a desditosa a violada
a exilada dentro de Lisboa.
E há um braço que voa há uma espada.
E há uma madrugada azul e triste
Lisboa que não morre e que resiste.

E resistirá sempre!