quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Till there was you!


O facto é que estamos no mês de celebrar o amor. (Será que não o celebramos todos os meses?) Por isso há que recordar as mais belas canções de amor. E esta é uma delas; uma das minhas preferidas, pelo menos. Os Beatles, ano de 63 - Till there was you! Uma delícia.





Só que fiquei a saber que não foi uma das suas muitas composições originais. Foi revisitada por eles - e bem - mas tinha sido escrita em 1957 para uma peça musical The Music Man, que mais tarde foi realizada em filme. Deixo aqui a versão do filme, mais próxima do original, num registo mais romântico ao estilo dos anos 50. Para quem goste.



E viva o Amor!

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

A Dança das Horas

Há dias vi um bailado incrivelmente belo no blog da Irene Alves  sobre a admirável música A Dança das Horas de Amilcare Ponchielli que vos convido a ver. É uma verdadeira maravilha!

A propósito, lembrei-me da versão ligeira desta ária, com o título Like I do, que fez as minhas delícias na minha (tonta) adolescência. Também foi cantada por Nancy Sinatra.

Alguém se lembra?


segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Nos 70 anos da morte de Afonso Lopes Vieira

Falar em  Afonso Lopes Vieira faz-nos regressar aos nossos livros [únicos e fascizantes, diga-se] da Escola Primária em que apareciam aqueles versos para a infância do seu livro de 1911 Animais Nossos Amigos: Os Bois, O Cão faz ão ão, O Gato e o encantatório Ninhos, que era assim:

Ninhos
Os passarinhos
Tão engraçados,
Fazem os ninhos
Com mil cuidados.

São p’ra os filhinhos
Que estão p’ra ter
Que os passarinhos
Os vão fazer.

Nos bicos trazem
Coisas pequenas,
E os ninhos fazem
De musgo e penas.

Depois, lá têm
Os seus meninos,
Tão pequeninos
Ao pé da mãe.

Nunca se faça
Mal a um ninho,
À linda graça
De um passarinho!

Que nos lembremos
Sempre também
Do pai que temos,
Da nossa mãe!

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E por aí nos ficamos, que não foi autor estudado (nem falado) no Liceu e menos ainda na Faculdade.  A imagem que se tem é a de um autor de fim de século, de sensibilidade romântica muito colada aos valores morais (moralistas) da Igreja, um burguês a respirar e a transpirar aquela bondade romântica que pingava para o povo desfavorecido, pobre, miserável, mas cheio de saudável mansidão. Qualidades muito ao estilo do Estado Novo e que este aproveitou tanto quanto pôde.

Sabemos (quantos saberemos?!) que, aquando da inauguração da Capelinha das Aparições em Fátima, foi ele o autor da letra de «Para o Ave em Fátima». Fica então, quase sem remissão, autor ao serviço do salazarismo. (ver nota 1)

Então como explicar as inefáveis Éclogas de Agora, de 1935, que constituem um verdadeiro espírito de resistência ao Estado Novo? Nestas cinco éclogas, num estilo bucólico muito pessoal e numa linguagem críptica e metafórica, o autor desenvolve diálogos entre personagens/pastores resguardadas por criptónimos a fim de ludibriar a Censura. O poeta toma o nome de Umbro, Viviano, Aldo, por exemplo. (ver nota 2)


De notar o simbolismo do desenho da capa

Terá Afonso Lopes Vieira, de facto, sido um autor ao serviço do Estado Novo, ou ter-se-á o Estado Novo servido de Afonso Lopes Vieira (como de outros tantos)?

Foi esta a temática do Colóquio que a Câmara Municipal e a Biblioteca Municipal de Leiria – que tem o nome (e o acervo bibliotecário) do autor aqui nascido em 1878 – promoveram na passada terça-feira, dia 26, aos 70 anos da sua morte.

O Colóquio teve por tema «A glória do esquecimento» e teve como oradores, grandes estudiosos da vida e da obra do autor leiriense, como os Doutores Cristina Nobre (do IPL), Paulo Alexandre Pereira (da Universidade de Aveiro); José Rui Teixeira (da Universidade Católica do Porto); Luís Reis Torgal (da Universidade de Coimbra); e Eduardo Cintra Torres (da Universidade Católica de Lisboa).


Podem crer que foi uma jornada de grande nível cultural e de grande aprendizagem literária.

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Nota 1

PARA O AVE DE FÁTIMA 

A TREZE de Maio, na Cova da Iria, apar'ceu, brilhando, a Virgem Maria. AVE 

A Virgem Maria, cercada de luz, nossa Mãe bemdita e Mãe de JESUS. AVE 

O mundo sofria; Portugal ferido sangrava e gemia.
Foi aos pastorinhos q. a Virgem falou. Desde então nas almas nova Luz brilhou. AVE 
Com doces palavras mandou-nos rezar, a Virgem Maria para nos salvar! AVE 
Achou logo a Pátria remédio a seu mal. E a Virgem bemdita Salvou Portugal! AVE 

Mas jamais esqueçam os bons corações q. nos fez a Virgem determinações, Falou contra o luxo, contra o impudor, de imodestas modas de uso pecador. Disse q. a pureza é querida a Jesus, disse q. a luxúria ao fogo conduz. A treze de Outubro disse-nos a Luz e a Virgem Maria escuta nos céus. AVE 
Á Pátria q. é vossa, dai Honra, Alegria e Graça de Deus AVE 

Á Virgem bemdita cante seu louvor toda a nossa terra num hino de Amor AVE 
Todo o mundo A louve para se salvar, desde o vale ao monte, desde o monte ao mar. AVE 
Já por todo o mundo se ama o nome Seu Portugal a Cristo tantas almas deu. AVE 
Oh, demos-lhe graças por nos dar seu Bem, à Virgem Maria, nossa qu'rida Mãe! AVE 
E para pagarmos tal graça e favor, tenham nossas almas só bondade e Amor. AVE 
Ave, Virgem Santa, 'strêla q. nos guia! Ave, Mãe da Pátria, Oh Virgem Maria!

(in «AFONSO LOPES VIEIRA  — de Conto do Natal (1905) a Santo António. Jornada do Centenário (1932) —  um percurso do apaziguamento »  Cristina Nobre )
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Nota 2  (excerto de uma das éclogas - Écloga II)

Viviano
(…)
Quando emprego os meus olhos
em tudo o que é passado
louvo o alto destino
que nos deixou de banda entre os festeiros
das funções deste prado
para ficarmos firmes e leais,
alheios à festança
de tanta vã mentira,
de tanta dor do gado,
inimigos de tantos maiorais!...

Esse gado mesquinho defendemos
tantos anos seguidos,
levantando os cajados
contra os lobos que assaltam os rebanhos,
desde os lobos azuis [monárquicos liberais-constitucionais, que vieram a fornecer ao Estado Novo o grosso da sua componente de apoiantes monárquicos]
(já muito desdentados)
té os vermelhos lobos [comunistas]
de perigosa goela!
E agora novos lobos [corporativistas de Estado - Salazaristas]
com fereza gelada
devoram as ovelhas,
assaltam a manada,
mandando que nem brado ou voz se solte
por que não se importunem tais orelhas!...
(…)

domingo, 31 de janeiro de 2016

Há 125 anos gritou-se Viva a República...31 de Janeiro de 1891...


"O mais luminoso e viril movimento de emancipação que ainda sacudiu Portugal no último século" , assim definiu João Chagas o levantamento revolucionário de 31 de Janeiro de 1891, no Porto, a primeira grande tentativa republicana de derrube da monarquia.



O ambiente de exaltação revolucionária e patriótica no Porto foi exemplarmente traduzido pela Liga Patriótica do Norte (LPN), fundada a 26 de Janeiro de 1890, logo a seguir ao ultimato. Presidida - a convite do monárquico Luís de Magalhães - pelo prestigiado poeta e socialista Antero de Quental, então radicado em Vila do Conde, a LPN reunia monárquicos e republicanos, irmanados no repúdio ao ultraje inglês e na ambição de recuperação de um país mergulhado em grave crise política, económica e social.

"Portugal - proclama Antero - expia com a amargura deste momento de humilhação e ansiedade de quarenta anos de egoísmo, de imprevidência e de relaxamento dos costumes políticos, quarenta anos de paz profunda que uma sorte raríssima nos concedeu e que só soubemos malbaratar na intriga, na vaidade, no gozo material, em vez de os aproveitar no trabalho, na reforma das instituições e no progresso das ideias".

Para o grande poeta - que após o fracasso do 31 de Janeiro regressa aos Açores, suicidando-se em Setembro de 1891 - o maior inimigo não era o inglês: " Somos nós mesmo, e só um falso patriotismo, falso e criminosamente vaidoso, pode afirmar o contrário. Declamar contra a Inglaterra é fácil: emendar os defeitos da nossa vida nacional será mais difícil (...) Portugal, ou se reformará, política, intelectual e moralmente, ou deixará de existir. Mas a reforma, para ser efectiva e fecunda, deve partir de dentro, do mais fundo do nosso ser colectivo: deve ser antes de tudo uma reforma dos sentimentos e dos costumes. Enganam-se os que julgam garantir o futuro e assegurar a nacionalidade com meios exteriores e materiais, com armamentos e alarde de força militar ".





sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

O papagaio

(Esta tem bolinha vermelha, mas... rir é preciso. Bom fim de semana!)



Quando a vizinha passava, o papagaio gritava-lhe:

- Bom dia, putona linda!

Todos os dias era isto até que a mulher, já farta, foi queixar-se ao dono do papagaio. Este castigou-o pintando-o de preto.



No dia seguinte a vizinha passou e o papagaio não disse nada.

A mulher, com ar triunfante, provocou-o:

- Então agora estás calado, não é?

O papagaio com ar superior e depreciativo respondeu-lhe: 

- Quando estou de smoking, não falo com putas!

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Vergílio Ferreira

Hoje foi dia de (re)ler Vergílio Ferreira. Faz 100 anos que nasceu, lá na aldeia de Melo no concelho de Gouveia.

Bem me fazia reler a Alegria Breve, Rápida a Sombra, Signo Sinal, Para Sempre, Nítido Nulo, Até ao Fim – romances que li avidamente nos anos de 80 e de 90, mas que agora gostaria de reler não com os olhos de quem lê um bom romance, mas com uma perspetiva mais profunda, mais literária.

Hoje, porém, limitei-me a rever algumas páginas do volume I da sua Conta-Corrente que abrange escritos (muito pouco) diários dos anos 1969 a 1976. Um espanto de escrita, de saber, de sinceridade. Sempre gostei.

Dessa (re)leitura breve, retirei para aqui duas entradas de outros 28 de Janeiro.

«28-Janeiro (72) (sexta). Hoje são os cinquenta e seis, quase «sexagenário» - que tal? Manifestação dos rapazes do liceu. Lá lhes disse que obrigadíssimo pela saudação ao «professor» que não gosto de ser. (…) Contei que quando confesso isto a antigos alunos, eles se mostram surpreendidos. O quê? Eu não gostava? Eles diriam que sem ela eu morria de inanição. Pois se eu «disfarço» tão bem… Coube-me o destino de uma fracção de «homem público». E o «homem público» é quase o feminino de «mulher pública». Como o corpo desta está à disposição de todos, está a reputação daquele. Mas se a profissão é má, tem algo bom. Para mim apenas o encontrar mais tarde antigos alunos que se lembram com agrado das aulas que lhes arranjei. Talvez o ter mais tempo para as habilidades literárias. E é só. Tudo o mais é chatérrimo, a começar pelo ordenado. (…)»

«28-Janeiro (76) (quarta). Fiz sessenta anos. Agora quando morrer ninguém dirá que «ainda era novo». É o que bruscamente se me representou: uma vida finda. Mas tenho de sobreviver. Vale-me que em todas as idades da vida se fecha um círculo que as absolutiza. Seja eu pois o que for, isso me será evidentemente verdadeiro, certo, justificável. São os outros, os de menos idade, que poderão discordar. Mas dar neste caso razão aos outros é estar e não estar no meu mundo. O que é absurdo. Entretanto vou pensando numa notícia deste género: «Foi atropelado na via pública um pobre sexagenário»… Em todo o caso, para mim, em «sexagenário» é obviamente um tipo de oitenta anos.»

Escolhi outra entrada que me pareceu bastante interessante pelo momento que acabámos de viver. Ora leiam.

«8 de Junho (76) (terça). Ontem na TV confronto entre os candidatos à Presidência da República: Pinheiro de Azevedo, Ramalho Eanes, Octávio Pato e Otelo Saraiva de Carvalho. Pinheiro de Azevedo, um tonto; o Pato, um catequista mecanizado; o Otelo, um pobre ingénuo; o Eanes, seguro, directo, inteligente. Creio que para todo o País ficou feita a demonstração de quem merece a Presidência. Receava pelo Eanes. Julgava-o tosco, seco de princípios, sem agilidade mental. É expedito, sem alterar a firmeza de ideias. Foi o único que falou «patriotismo», «reencontro de Portugal», história secular. Foi brilhante o modo como anulou o Otelo, envolvendo-o numa geleia de amabilidade. Como a uma mosca. Otelo seria bom, «generoso», mas muito «influenciável». O que é o pior que se pode dizer de um chefe. Ser «influenciável» é não saber o que se quer.»