terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Companhia para o café...

Um lanchinho a meio da manhã na Praça Rodrigues Lobo é o melhor que me pode acontecer. É o sítio mais bonito de Leiria e traz-me belas recordações de outros tempos. 






E, mesmo com as temperaturas baixas que se estão a fazer sentir, dá vontade de vir cá para fora, para debaixo das arcadas. 

Estou normalmente sozinha porque gosto e porque, de manhã, as esplanadas estão quase vazias. Só que, esta manhã, tive umas companhias muito especiais...













Em cima da minha mesa, com todo o descaramento, todo o à vontade a pedir as migalhinhas do meu croissant... Já viram uma coisa assim?!


domingo, 15 de janeiro de 2017

Je ne veux pas travailler...

No limiar de mais uma semana de trabalho (e com o frio que faz, apesar do solinho amarelo) apetece mesmo é parafrasear os Pink Martini (lembram-se deles?) e gritar: «Je ne veux pas travailler!!!» que é como quem diz «eu não quero trabalhar!»




Boa semana!! 

sábado, 14 de janeiro de 2017

O Museu da Notícia

Em tempo de congresso de jornalistas, parece bem mostrar o Museu da Notícia que nasceu em Sintra no espaço tristemente deixado pelo Museu do Brinquedo - antigo quartel dos Bombeiros da Vila. (ricos bailes se faziam naquele espaço nos idos de 50, 60!...)




O museu, muito alegre, moderno e cheio de luz, estende-se por três andares com várias secções dedicadas a notícias sobre a história portuguesa e mundial.

Na entrada um globo interativo que mostra os ainda poucos locais do mundo que gozam de liberdade de imprensa.




Na vertical e a apanhar os três andares, uma espiral – a lembrar a imagem do ADN – a "Pirâmide de Babel", uma torre metálica com 69 televisões ligadas aos principais canais de notícias de todo o planeta.





Subimos e vamos vendo antepassados da rádio, da televisão, da imprensa.








Interessante a sala dos Imortais.










A sala dedicada aos duelos mais mediáticos.








Uma sala dedicada à propaganda jornalística.








E há o lounge, como lhe chamam, que é uma grande sala de estar com ecrans a toda a volta a passarem acontecimentos mundiais que foram notícia.




Podem "visitar" o museu em http://www.newsmuseum.pt/ mas o melhor mesmo é ir lá. A Sintra, à entrada da Vila. Com tempo, que há muito para ver e experimentar.




sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

De que lado estariam?

Todos nós assistimos já ou estivemos no centro ou de um lado de uma situação parecida com a que o jornalista Paulo Farinha tão bem aqui descreve.

De que lado estariam os meus queridos amigos?



O pai. «Calma. Vou contar até dez. Ele é uma criança, está a testar os meus limites. É isto que as crianças fazem. Testam os limites dos pais. Moem a paciência dos adultos. Isto é fita. Está a sujar o pijama todo no chão mas não vou fazer nada. Acabou de tomar banho e já está todo transpirado de tanto berrar. Vou respirar fundo. Agora não posso voltar atrás. Tenho de manter a postura. Dei uma ordem, disse-lhe para apanhar os brinquedos, agora não posso dar o flanco. Mas por que é que eu me lembrei de fazer isto agora, caraças?! E logo quando os meus pais estão cá em casa. O puto ia para a cama e arrumava eu a porra dos legos e amanhã logo se falava nisso. Deus me perdoe, mas há alturas em que me apetecia mesmo dar-lhe uma bolachada. Ou duas. Se calhar é o que está a merecer. Uma palmada bem assente. Ou uma chapada. Palmadas no rabo, o sacana fica a olhar para mim e a desafiar-me. Parece que está a gozar comigo. Só lhe bati uma vez e fez um berreiro que parecia que vinha a casa abaixo. Vinha a casa e vinha eu, com remorsos. Estou aqui estou a levantar a mão. Já o ameacei três vezes. Ou bato ou fico calado.»

A mãe. «Eu não me vou meter, eu não me vou meter. Não me posso meter. É uma coisa entre pai e filho. Se me meto para dizer ao miúdo para vir para a cama, o pai perde autoridade. Se o deixo estar ali no chão aos gritos a chamar por mim, parte-me o coração. Vou mas é sair. Vou passear o cão e o pai que se desenrasque. Não. Não posso fazer isso. Vou-lhe dizer para fazer o que o pai está a dizer. “Vai já apanhar os brinquedos como o teu pai mandou.” É isso mesmo. Mas não via adiantar. Só vou piorar. Este caminho não está a resultar e o pai está a ficar enervado e o filho está a ficar frustrado. Não percebe por que é que hoje tem de arrumar brinquedos. Está frustrado e está sujo. Irra, ainda há pouco tomou banho e já está todo encharcado em baba e suor. Eu não me vou meter.»

O avô. «O meu filho está a perder mão no puto. Estou aqui estou a levantar-me para dar uma chapada ao catraio. Este miúdo precisa de apanhar para perceber quem é que manda. Eduquei três filhos, todos apanharam quando tiveram de apanhar e não lhes fez mal nenhum. Um bom açoite faz maravilhas. A eles fez. Cresceram todos bem crescidinhos. E agora nenhum encosta o dedo nos filhos. Tenho seis netos e nenhum apanha dos pais. E todos deviam apanhar. Já todos mereceram umas lambadas. Este, está aqui está ali.»

A avó. «Meu rico filho. Apanhou do pai e agora não quer bater no filho. Este miúdo mói a paciência a um santo, um puxão de orelhas não lhe caía nada mal, mas os meus filhos sempre disseram que nunca iam bater nos filhos deles. Eu já lhe tinha chegado a roupa ao pelo. Mas o meu filho é que sabe. Os pais é que sabem.»

O irmão. «Ainda bem que eu já estou na cama. Daqui a pouco tenho de chorar e fingir que acordei com esta gritaria toda. Mas está a ser divertido. O meu irmão é mesmo bom nisso. Leva uma birra até ao limite. Só tem 2 anos mas grita como se tivesse 4. Eu já não faço birras destas, já tenho 5. O meu pai ainda não aprendeu que tem filhos diferentes e deve fazer coisas diferentes. E ter reações diferentes. Mas se eu lhe disser isto ele vai perceber que eu e o meu irmão falamos sobre estas coisas. Mania de os adultos acharem que são mais espertos do que nós e só nos conseguem dobrar à força. Com conversa vamos muito melhor.»

O filho. «Já me dói a garganta de tanto chorar, mas o meu pai não se cala. Se ele vier aqui dar-me um abraço e me pegar ao colo, vou espernear um pouco mas depois acalmo. Já estou farto deste número. Mas a culpa é do meu pai. Ele é que começou. E está ali aos gritos, feito histérico. Quem é que é a criança aqui? Eu ou ele?»


(Paulo Farinha, in Notícias Magazine, 8/jan/2017)

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Maria Teresa Horta distinguida em Londres

Poema de Maria Teresa Horta foi escolhido pelo jornal britânico The Guardian para a sua secção «Poema da Semana» do passado dia 28 de novembro. Foi publicado na sua versão original em português e na versão traduzida em inglês por Lesley Saundres. Esta apresentação bilingue é acompanhada por um artigo que fala do percurso da poeta e da sua escrita, com destaque para a obra Novas Cartas Portuguesas escrita em co-autoria com Maria Velho da Costa e Maria Isabel Barreno, nos inícios dos anos 70, ainda no tempo do Estado Novo.

A tradução do Poema foi distinguida com o primeiro prémio do Stephen Spender Prize 2016 que poderá levar à publicação da obra poética de Maria Teresa Horta no Reino Unido.

(informação retirada da revista Autores da SPA)

Poema

Deixo que venha
se aproxime ao de leve
pé ante pé até ao meu ouvido

Enquanto no peito o coração
estremece
e se apressa no sangue enfebrecido

Primeiro a floresta e em seguida
o bosque
mais bruma do que neve no tecido

Do poema que cresce e o papel absorve
verso a verso primeiro
em cada desabrigo

Toca então a torpeza e agacha-se
sagaz
um lobo faminto e recolhido

Ele trepa de manso e logo tão voraz
que da luz é a noz
e depois o ruído

Toma ágil o caminho
e em seguida o atalho
corre em alcateia ou fugindo sozinho

Na calada da noite desloca-se e traz
consigo o luar
com vestido de arminho

Sinto-me quando chega no arrepio
da pele, na vertigem selada
do pulso recolhido

À medida que escrevo
e o entorno no sonho
o dispo sem pressa e o deito comigo


(daqui)

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Quién subirá la cuesta d'enero?

Tem morrido tanta gente! E não me refiro apenas a figuras mediáticas estrangeiras e nacionais. São amigos e familiares deles que têm partido, alguns em grande sofrimento, em condições precárias de saúde.

O outono, com a sua proverbial queda da folha, e o inverno com o seu ar traiçoeiramente gélido, enfraquecem e fragilizam quem já está débil e levam ao apagar do último sopro de vida.

Lembro sempre um dito que a minha avó espanhola usava muito: «Quién subirá la cuesta d’enero?» Também repetia esta máxima porque o seu último marido se ficou no sono nos inícios de 60, a 8 de Janeiro. Tinha 51 anos. Ela própria não conseguiu subi-la que se apagou, aos 91 anos, já tão frágil, a 28 de Dezembro, nos alvores de 80.

Tem morrido tanta gente! «Quien subirá la cuesta d’enero?»



Sinto um prenúncio de morte
Dentro do meu coração.
Virá quando a der a Sorte.
Quando vier, virá em vão.

Porque a morte é sombra e nada,
É só a vida vulgar
Que de um lugar é tirada
E posta em outro lugar.

Ri, alma, do que acontece!
Nada existe, salvo seres.
A aranha da vida tece
Só teias de o não saberes.


(Fernando Pessoa, 16-03-1934)

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Navio que partes...



Navio que partes para longe,
Porque é que, ao contrário dos outros,
Não fico, depois de desapareceres, com saudades de ti?
Porque quando te não vejo, deixaste de existir.
E se se tem saudades do que não existe,
Sente-se em relação a coisa nenhuma,
Não é do navio, é de nós, que sentimos saudades.



1918, “Poemas Inconjuntos”

In “Poemas Completos de Alberto Caeiro”