quarta-feira, 3 de julho de 2013

Kafka no seu melhor!

O Google informa-nos que passam hoje 130 anos desde o nascimento de Franz Kafka. Francamente não sabia, nem nunca Kafka foi um dos autores de que eu gostasse ou conseguisse ler até ao fim por emaranhado de mais, por surrealista de mais, por insólito e absurdo de mais por sufocante de mais!

A situação que se vive no país desde o meio da tarde de ontem, porém, é a maior homenagem que se pode fazer ao movimento surrealista. Escrevi ontem no facebook que o texto que o pseudo-primeiro-ministro leu ontem ao país à hora dos telejornais nem mesmo Kafka seria capaz de o redigir. De facto, o insólito, o absurdo, a alienação, a paranoia foram ali elevadas ao seu expoente máximo. 

O método kafkiano, no entanto, e para nosso mal, não se limitou à retórica do alienado primeiro-ministro. Infelizmente, esse processo alastrou a toda a situação, toda a conjuntura que vivemos desde ontem à tarde.

Senão, vejamos:
  • O número dois do governo – que anteontem era número três – demite-se ontem de manhã porque diz não concordar com a nomeação da substituta do anterior número dois que se demitira no dia anterior; o presidente da República diz que não sabia de nada e faz uma declaração impenetrável sobre a forma de fazer cair o governo.
  •   Enquanto o povo fica a saber pelas televisões que o atual número dois pedira a demissão do governo, o presidente da República dá posse apressadamente à substituta do anterior número dois que fora a causadora da demissão do atual número dois; dessa cerimónia de que estão ausentes os restantes ministros do mesmo partido do número dois demissionário, o pseudo-primeiro-ministro entra e sai num instantinho e a visada está tão feliz que não consegue despegar da cara um sorriso completamente idiota que lhe vai de orelha a orelha.
  • À hora de abertura dos telejornais, o insolitamente descarado e embusteiro primeiro-ministro faz ao país a tal declaração mais que kafkiana em que diz que foi surpreendido com o pedido de demissão do número dois que, na véspera, nada lhe terá dito contra a nomeação da rapariga do sorriso desmedido e diz que não se demite, que não abandona o país. (Suspeito, cá para mim, que o país queria era abandoná-lo a ele…)
  •  Logo após esta pseudo-diversão, em igual tom e quase com a mesma voz vem, sem ninguém lhe encomendar o sermão, o líder do maior partido da oposição dizer alegremente (quase tanto como naquele dia, há dois anos, em que o anterior líder daquele partido e então primeiro-ministro abandonou o partido, o governo e o país) que estava ali aos saltinhos prontinho para ser governo.
  •  As televisões pululam de comentadores que se multiplicam a prever cenários qual deles o mais arrevesado e o mais telúrico. Alguns canais anunciam que os restantes ministros e secretários de Estado do partido do número dois ora demissionário, devem demitir-se hoje de manhã. (Seria o mínimo que se lhes devia! Mas, quando cheguei às notícias do almoço e nada de pedidos de demissão, aí comecei a desconfiar…) Nas notícias da manhã, um elemento do partido do número dois afirmou que claro que o senhor presidente da República foi avisado em devido tempo do pedido de demissão daquele.
  • O povo – essa instituição vaga e abstrata de quem tanto se fala – que andou durante meses a fazer manifestações de rua a pedir a demissão imediata do governo e até do presidente e a escrever piadas no Facebook sobre esse mesmo assunto, agora está caladinho, cheio de medo, a dizer que não havia necessidade disto, que a troika vai-se vingar em nós, que a alternativa não é credível, que os políticos são todos iguais, ah! e que lá se vai o nosso esforço e a nossa credibilidade na Europa e que assim e que assado…
  •  E agora, ao fim da tarde, ficamos a saber que afinal o número dois não volta, mas que está disponível para negociar com o partido do número um para manter tudo na mesma!

É ou não é o que eu digo? Nem Kafka com a sabedoria dos seus 130 anos conseguiria escrever uma novela melhor!

terça-feira, 2 de julho de 2013

Postais

Hoje recebi pelo correio - ainda há CTT!!! - umas prendas do nosso Henriquamigo por ter participado com sucesso - nem sei como! porque sou péssima em enigmas - que não posso deixar de vos mostrar de tão lindas.

Agradeço do coração ao nosso querido amigo da Travessa do Ferreira a gentileza e a simpatia, dirigindo-lhe daqui deste meu humilde espaço os meus mais sinceros votos de que não se lhe acabe o humor.






Isto era o que estava pensado para a entrada de hoje. E a minha intenção era perguntar aos meus possíveis leitores ou passantes qual o seu postal preferido.

Mas com os desenvolvimentos políticos da tarde, não posso deixar de acrescentar este postal do Borda d'Água que encontrei no facebook e que deixo aqui também para saber das vossas preferências...




segunda-feira, 1 de julho de 2013

Dia Mundial das Bibliotecas

 
 
 
«As bibliotecas são como aeroportos. São lugares de viagem. Entramos numa biblioteca como quem  está a ponto de partir. E nada é pequeno quando tem uma biblioteca. O mundo inteiro pode ser convocado à força dos seus livros. 

Todas as coisas do mundo podem ser chamadas a comparecer à força das palavras, para existirem diante de nós como matéria da imaginação. As bibliotecas são do tamanho do infinito e sabem toda a maravilha. (...)

As bibliotecas só aparentemente são casas sossegadas. O sossego das bibliotecas é a ingenuidade dos incautos. Porque elas são como festas ou batalhas contínuas e soam trombetas a cada instante e há sempre quem discuta com fervor o futuro, quem exija o futuro e seja destemido, merecedor da nossa confiança e da nossa fé.


Os livros oferecem o que são, o que sabem, uma e outra vez, sem refilarem, sem se aborrecerem de encontrar infinitamente pessoas novas. Os livros gostam de pessoas que nunca pegaram neles, porque têm surpresas para elas e divertem-se a surpreender. Os livros divertem-se. 

As pessoas que se tornam leitoras ficam logo mais espertas, até andam três centímetros mais altas, que é efeito de um orgulho saudável de estarem a fazer a coisa certa. Ler livros é uma coisa muito certa. As pessoas percebem isso imediatamente. E os livros não têm vertigens. Eles gostam de pessoas baixas e gostam de pessoas que ficam mais altas.
  
Depois da leitura de muitos livros pode ficar-se com uma inteligência admirável e a cabeça acende como se tivesse uma lâmpada dentro. É muito engraçado. Às vezes, os leitores são tão obstinados com a leitura que nem acendem a luz. Ficam com o livro perto do nariz a correr as linhas muito lentamente para serem capazes de ler. (...)»

Valter Hugo Mãe 



E os meus amigos, qual é a vossa relação com as bibliotecas?

domingo, 30 de junho de 2013

Primeiro dia de praia

Foi só um bocado de manhã porque estava muito calor. E a água muito fria como é costume aqui na zona. Mas estava um lindo dia de sol e de mar muito azul.






E estes barcos? Apaixonei-me por eles - bem maiores e mais vistosos a lembrarem os dos Vikings - quando pela primeira vez os vi na praia da Vieira a serem puxados do mar pelas mulheres e por juntas de bois, nos idos de 50.