segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Afinal também há loiros...


Atenção, amigas! Há sempre um momento em que chega a vingança. Quantas anedotas de loiras (burras, mas giras) já vos contaram?




Pois chegou o contraponto! Porém, cuidem-se miúdas e tenham atenção! É que também há loiros, giros e ... burros!



Se não, leiam:

«Carlos era loiro, estúpido e muito tímido, mas arranjou uma namorada, num dia de inspiração.


Um dia, saíram de carro para um passeio pela Costa da Caparica.

Depois de andarem alguns kms, o Carlos ganhou coragem e pôs a mão nas pernas dela.

E ela disse:

- Se quiseres, podes ir mais longe...

Animado, Carlos engatou a primeira e foi até ao Algarve!»

domingo, 14 de agosto de 2011

Fim de férias


 
Por este Verão o Algarve para nós acabou. E do que -  vamos - eu pelo menos vou ter mais saudades não é disto:




Nem disto:




Nem disto assim: 



Ou assim:




Ainda não é bem disto que vou ter saudades:




É disto aqui que eu vou mesmo ter saudades. Ali à disposição, todo o dia e... toda a noite se necessáro for, à saída da sala, sempre a convidar-nos, a chamar por nós...




sábado, 13 de agosto de 2011

Meio ano



 O meu pequenino Eduardo fez ontem seis meses que é uma data importante - meio ano!... Parabéns, Dudu!





E, a propósito, eu pensei  numa prendinha bordada com palavras para ele. Assim:


Meio ano
e mais um ai
mais um soluço
e um sorriso
e meia vida é passada.

Vai devagar, vai
com esmero
sem rebuço
e em sossego, vai
que a vida é isso mesmo:
um amor, um desamor,
um desgosto, uma alegria,
em compasso, dia a dia
como ave, como flor
que murcha depois de amanhã
mas hoje é toda cor.


sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Um desafio



(da net como muitas outras imagens aqui expostas)


Terminei ontem a leitura de mais um livro de autoria portuguesa que já sabem que eu leio quase só autores nossos e mesmo assim sobram-me livros em pilhas. Transcrevo aqui algumas (poucas) passagens da excelente narrativa. Mas por muito que vos possa parecer pelo(s) conteúdo(s), não foi escrito no tempo dos Filipes, nem no tempo da monarquia tão pouco! É até nosso contemporâneo e algo actual...



Quem é capaz de adivinhar que livro que andei lendo?

 
“E pela docilidade, maneira menor, conseguem-nos eles atingir, manejar até, enganar; reconhecemo-lhes o jogo mas nele entramos por inépcia, hábito, também por astúcia. Astúcia, como única maneira que até há bem pouco tempo nos era de única valia, defesa.
E às vezes um pouco como desterradas nos sentimos; se sente a mulher quando não cumpre a figura imposta pelos tempos, não interpreta e assim tenha de procurar caminhos, outros «países» onde viva a diferença do seu, país dado pelo útero da mãe.
A que mãe fugimos? Que mãe nos fugiu? A quem podemos, acabamos sempre por dizer, assim como, aliás, a todo o factor proporcionante de paixão-amor:

«(...) já me vós fostes a vida,
agora me sois o dano;»


“Mãe:

Sabes bem que não quero voltar mais para casa. Estou cansada das tuas ajudas e da prisão em que assim me vais conseguindo ter.
Ao meu filho serei eu que hei-de criar e não tu, nem como tu a mim me criaste, assim o espero fazer sem conselhos teus
Peço-te que me deixes em paz.”


 
“Definitivamente proscrita só eu, que só a mulher é irredimível na sua desonra, não por ser sua desonra, mulher em si tão pouco conta, mas por escrito na lei que sua desonra é a do machos que deviam tê-la e não souberam guardá-la, consentindo assim numa ameaça à sua propriedade privada, desonra que só é lavável com o sangue da mulher rebelde. (...) É costume nos homens ser seu horizonte de absoluto o jogar com a vida da mulher, mas jogo sem risco aceite, senhor, como jogam as crianças com os sapos, que quando o bicho morre nem é pela mão da criança, é com seu espanto e mesmo com sua ofensa ao bicho que se morre assim.”


 
“Vazio sempre, o lugar a meu lado. Mulher sem homem, e sem força para transformar o mundo. E se alguém me chamou «mulher»? Como poderei ouvi-lo? Toda a luta se transforma em impotência? Tornei minha regra a fome e a sede? Minha vida foi fome e sede; mas onde poderia saciar-me? Regra é a justiça; por isso me neguei à injustiça. Fará sentido vida que é só recusa? Onde estão meus companheiros de luta? (...) Assim são os homens; amor de mulher para eles é entrega, obediência, serviço, gratidão. Quando o burguês se revolta contra o rei, ou quando o colono se revolta contra o império, é apenas um chefe ou um governo que eles atacam, tudo o resto fica intacto, os seus negócios, as suas propriedades, as sua famílias, os seus lugares entre amigos e conhecidos, os seus prazeres. E a mulher se revolta contra o homem nada fica intacto; para a mulher, o chefe, a política, o negócio, a propriedade, o lugar, o prazer (bem viciado), só existem através do homem. O guerreio tem o seu repouso; por enquanto nada há onde a mulher possa firmar-se e compensar-se das suas lutas. Chegará o dia? Até lá fica sem sentido a vida de mulheres como eu.”



“Teu modelo quero que seja nossa filha, igualmente pela doçura, pela discrição, pelo sorriso reconfortante nas horas mais difíceis na vida de sua casa; ainda aqui ela como tu, laboriosa abelha a cuidar a sua colmeia.
Como me envaideço de ti quando te vejo de avental a lavar a loiça, a passar as minhas camisas, ou a reparar-me os petiscos que sabes eu apreciar!”

 

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

London's burning





E, a propósito, lembrei-me daquela musiquinha - a nursery song - que se ensina às crianças e que diz assim:

London’s burning, London’s burning!
Fetch the engine, fetch the engine!
Fire, fire! Fire, fire!
Pour on water, pour on water!

E depois lembrei-me da canção dos The Clash (1979) que foi assim:




E, a seguir, lembrei-me desta canção de Sérgio Godinho (1997) que pode vir a ser assim:

Cuidado!
Atenção!
É proibido fazer lume
risco de explosão
Cuidado!
Atenção!
É proibido fazer lume
risco de explosão!





quarta-feira, 10 de agosto de 2011

O Marcelo diz que não entende!





Não resisto a transcrever mais uma das (excelentes) crónicas do escritor jornalista Baptista-Bastos. Quase me dá vontade de as transcrever semanalmente, o que se tornaria cansativo para quem me vai lendo e que não aprecia o (ia a dizer "o estilo", mas é quase impossível a quem gosta da nossa bela língua portuguesa não apreciar o estilo deste escritor) o conteúdo dos seus escritos.

Hoje, porém, está por de mais a meu gosto e por isso a deixo aqui:

«Disse o Marcelo Rebelo de Sousa: "Não percebo porque é que o trabalho paga, e o capital não." Claro que o Marcelo percebe muito bem o porquê do facto. Mas o Marcelo gosta muito de dizer coisas e de dissimular os factos. Não é com a aplicação de reajustamentos incidentais que o mundo se recompõe e Portugal melhora. O Marcelo, inteligente e perverso, nada tolo e muito ligeiro, é daqueles comentadores do óbvio que não arriscam nenhuma opinião contrária às opiniões dominantes. Irrita um pouco, à direita e à esquerda, mas trata-se de brotoeja passageira.

A afirmação do Marcelo, no comentário habitual, aos domingos, na TVI, constitui a repetição, dramática por ser repetição, do conteúdo do seu método de ideias. Acaso ele desejasse criar contenciosos, desfazer compromissos de classe e outros, atacar o preço pago pelo poder, tudo isso seriam razões do nosso contentamento. Sobretudo, do nosso esclarecimento fundamental. Mas não. No essencial, o Marcelo cala, consente, desvia, e crê, com cinismo e advertida fidelidade, no sistema louco que nos destrói e liquida lentamente.

O que é grave. O Marcelo é um intelectual muito arguto, muito lido e muito capaz de nos surpreender. Assim, torna mais pesada a responsabilidade que lhe cabe nesta cumplicidade tenebrosa. O espectáculo mediático, por ele protagonizado, todos os domingos, é o fácil recurso à atenção dos outros. Claro que gosto de o ver e de o ouvir. E admito, sem reticências, que o aprecio pessoalmente. Não faz batota. Ou, melhor, a batota que pratica é outra: pertence aos domínios da prestidigitação e do malabarismo. Sabe, como nenhum outro preopinante das televisões, utilizar a frase-chave, a locução com efeito pirotécnico, a contradição como testemunho da diferença.

O Marcelo dá umas bicadas, pequeninas para não degenerarem em infecção, mas, infelizmente, nunca nos informa, nunca toma posição antagónica àquela que pertence ao discurso e à acção reinantes. "Não percebo porque é que o trabalho paga, e o capital não." A frase contém, no seu bojo, algo de degradante, por imoral. O sistema de que é paladino permite e estimula a indignidade, aquela e outras mais.

O Marcelo, lido em Keynes, tem, desde há muito, conhecimento de que o capitalismo é autofágico porque não sobrevive à tentação de "fornecer os ricos com meios para que fiquem mais ricos". E, também, de que esta etapa acelera o processo de dissolução do sistema, quando se lhe pode aplicar a metáfora de Dostoievski, Os Irmãos Karamazov: "Se não há Deus, tudo é permitido." »


terça-feira, 9 de agosto de 2011

A crise é culpa de quem?





A meados de Julho, o sr. Obama declarou “nós não somos Portugal”. De facto, Portugal, por culpa única e absoluta do primeiro ministro José Sócrates que esteve no governo nos últimos seis anos, viveu – e está a viver – este ano, o pior momento da sua história desde a entrada na Comunidade Europeia e desde a chegada dos milhões que essa adesão lhe granjeou.

A crise mundial anunciada caiu-nos em cima como antes já tinha caído em cima da Islândia, da Grécia e da Irlanda porque somos, por um lado, um daqueles pobres países ensolarados e imundos (PIGS) em que o povo não gosta de trabalhar e quer apenas estender-se ao Sol e tomar banhos de mar e, por outro, porque esteve sujeito, malgrado seu, porque ninguém que eu conheça votou nele,  à governação desastrosa e ruinosa do apeado primeiro ministro José Sócrates.

Porém, (e há sempre um “mas” – lembrar que o “mas”, bem como o “porém” (e o “todavia” e também o “contudo”) é uma conjunção adversativa... – em todas as histórias, especialmente nas mal contadas) na semana passada o senhor que afirmou “não serem Portugal”, e cujo país está a léguas de distância de nós em termos de endividamento externo, sofreu um calafrio – para não usar o já tão propalado “murro no estômago” – ao ver a China (a China, veja-se! Mas sabe-se lá a que preço pago com sangue, suor e lágrimas pelo seu próprio povo) puxar- lhes as orelhas pela sua “débil e improvisada política orçamental” e por “viverem acima das suas possibilidades”, ao ver as agora tão famosas agências de notação baixar-lhes o rating, ao ver que o Senado podia não lhe autorizar elevar o tecto do endividamento.

E na Europa não se está melhor: a nossa vizinha Espanha começa a ser “atacada” e vai aprovar medidas para combater o défice e até a Itália – que não é dos PIGS, embora seja governada por um verdadeiro pig – e que é tida como tendo uma economia estável, começa a estar na mira da desconfiança no que toca à solidez da dívida pública tendo o pig, digo, Sr. Berlusconi de entrar já com um pacote de medidas para reequilibrar as contas públicas.

Entretanto, as bolsas mundiais vivem “momentos de pânico” por causa da possibilidade de recessão nas economias mundiais e perdem milhões... De tal modo que os G7 e os G20 (que bem podiam ser todos corridos à força de G3...) não param de se telefonarem, de se reunirem e sei lá o que mais!

E eu que levei os primeiros seis meses deste ano a ouvir (pessoas de grande nível como o Sr Presidente e a Sr.ª Ferreira Leite e o Sr Louçã outras pessoas de igual gabarito político) dizer que nós, portugueses, tínhamos entrado nesta crise financeira violenta e sem remissão, mercê da má governação do anterior primeiro ministro (que até foi chamado de “delinquente” pela mui estudiosa Sr.ª Filomena Mónica, certamente acolitada pelo seu ex e também mui estudioso Sr. António Barreto, e de nazi e de Sadam Hussein entre outras coisas por outras personagens eminentes da cena cultural e até o nosso filósofo José Gil, que não tem “medo de existir” se refere ao “passado desastroso que José Sócrates nos deixou”) fico-me a cismar se também foi este primeiro ministro que, qual autêntico anti-Cristo, nos destruiu a capacidade de viver e de sobreviver, se foi ele, repito, o responsável por todo este desalinho europeu, ocidental e quiçá até mundial.