sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Dois acontecimentos a registar!


(Ericeira anos 60)

Não fomos antes porque ainda não tinham saído os resultados dos meus exames de aptidão à Faculdade. A minha mãe não brincava em serviço! Enquanto não se acabavam os exames, ninguém ia para a praia lá em casa. Por isso só no dia 6 de Agosto fomos, de armas e bagagens, para a Ericeira para passarmos lá o mês. O meu pai foi lá pôr-nos e voltou para Sintra para ir trabalhar normalmente porque naquele tempo só os professores gozavam férias... não recebendo, naturalmente! Era o caso da minha mãe que por acaso recebia os doze meses do ano porque estava efectiva num colégio.

Chegámos à Ericeira a meio da tarde e, depois de nos instalarmos na casa alugada a uma senhora estranhíssima chamada Brígida, ainda fomos à praia estrear os nossos fatos de banho para a saison.

Foi aí que tudo aconteceu. Encantei-me por um moço que estava na barraca ao lado e ainda hoje vivemos juntos!
(Ericeira - Praia dos Pescadores)

(Praia dos Pescadores)


Foi em 1966, no dia da inauguração da Ponte Salazar.






Não sei quem foi, mas alguém disse que «Há casamentos que acabam bem e outros que duram para sempre» ... ...

Marilyn Monroe



Faz anos que, aos 36 anos, morreu Marilyn Monroe, uma das mais conhecidas sex symbols de Hollywood. Apareceu morta na manhã do dia 5 de Agosto de 1962 com uma overdose de barbitúricos, deixando a sua morte envolta num véu de mistério já que toda a documentação da investigação à sua morte desapareceu sem deixar rasto.

O seu ar de loira explosiva de curvas redondas bem sensuais e o género de filmes que rodou, comédias românticas, em que pouco tinha de usar os neurónios contrasta com a notícia dada hoje sobre um livro que vai ser publicado brevemente com textos íntimos e passagens dos seus diários que, dizem, revelam o seu extraordinário amor pela literatura e os livros. "Ninguém suspeitava que no interior de seu corpo vivia a alma de uma intelectual e poeta", escreve o italiano António Tabucchi no prefácio do referido livro.

Para recordar o triste fim da jovem artista que encantou o Presidente John Kennedy, fica o poema de Ruy Belo “Na morte de Marilyn”

Morreu a mais bela mulher do mundo
tão bela que não só era assim bela
como mais que chamar-lhe marilyn
devíamos mas era reservar apenas para ela
o seco sóbrio simples nome de mulher
em vez de marilyn dizer mulher
Não havia no fundo em todo o mundo outra mulher
mas ingeriu demasiados barbitúricos
uma noite ao deitar-se quando se sentiu sozinha
ou suspeitou que tinha errado a vida
ela de quem a vida a bem dizer não era digna
e que exibia vida mesmo quando a suprimia
Não havia no mundo uma mulher mais bela mas
essa mulher um dia dispôs do direito
ao uso e abuso de ser bela
e decidiu de vez não mais o ser
nem doravante ser sequer mulher
O último dos rostos que mostrou era um rosto de dor
um rosto sem regresso mais que rosto mar
e toda a confusão e convulsão que nele possa caber
e toda a violência e voz que num restrito rosto
possa o máximo mar intensamente condensar
Tomou todos os tubos que tinha e não tinha
e disse à governanta não me acorde amanhã
estou cansada e necessito de dormir
estou cansada e é preciso eu descansar
Nunca ninguém foi tão amado como ela
nunca ninguém se viu envolto em semelhante escuridão
Era mulher era a mulher mais bela
mas não há coisa alguma que fazer se certo dia
a mão da solidão é pedra em nosso peito
Perto de marilyn havia aqueles comprimidos
seriam solução sentiu na mão a mãe
estava tão sozinha que pensou que a não amavam
que todos afinal a utilizavam
que viam por trás dela a mais comum imagem dela
a cara o corpo de mulher que urge adjectivar
mesmo que seja bela o adjectivo a empregar
que em vez de ver um todo se decidia dissecar
analisar partir multiplicar em partes
Toda a mulher que era se sentiu toda sozinha
julgou que a não amavam todo o tempo como que parou
quis ser até ao fim coisa que mexe coisa viva
um segundo bastou foi só estender a mão
e então o tempo sim foi coisa que passou

(Ruy Belo)

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Maria Virgínia Pestana


Não há nada de morbidez nisso, mas gosto de ler a rubrica diária Obituário do DN. Todos os dias refere uma personalidade, nacional ou estrangeira, que foi a enterrar e que se destacou em vida em qualquer campo do conhecimento, do bem público ou simplesmente ficou célebre por algo que realizou. Fazem uma resenha da sua vida no e o factp é que tenho aprendido muito com essas breves leituras.

Ontem, referiram o passamento de uma senhora de 111 anos de idade, a Senhora Dona Maria Virgínia Pestana, que integrou a primeira turma de mulheres na Universidade de Coimbra, no ano de 1917. Achei um espanto!

Definem-na como uma mulher de garra – naturalmente! – enérgica e de bom humor que adorava cantar, tocar piano e guitarra e montar a cavalo. Fez o Curso de Ciências Físico-Químicas e leccionou no Liceu Infanta D. Maria, em Coimbra, tendo-se aposentado aos 75 anos! Foi uma das três fundadoras da primeira república de estudantes feminina, a Casa Independente de Raparigas. E teve seis filhos!

Toda esta energia só pode vir de uma Carneiro – é que a Senhora Dona Maria Virgínia, que viveu de boa saúde até ao passado Domingo, comendo fruta e leite (nada de peixe nem carne) e lendo os jornais e revistas sem óculos, nasceu no dia 3 de Abril do último ano do século XIX!

Aqui fica um pequeno testemunho:






quarta-feira, 4 de agosto de 2010

A Origem



Não sei se acontece com todos, mas quanto mais tempo livre tenho menos coisas me apetece fazer! Nem ao cinema tenho ido! Eu que sempre adorei cinema!

Um dia destes, quase obrigada pela minha filha Ana, lá nos forçámos a ir ao cinema. E que bom que é. Sair de casa, ver gente nova, podermos comentar isto e mais aquilo – a partir de certa idade, até a consciência nos permite coisas que dantes não podíamos...

Fomos pelos títulos e pelos artistas. Sim, que pelas opiniões dos críticos de cinema não vale a pena, eles têm umas ideias arrevesadas...


Lá fomos ver A Origem - Inception - e gostámos. Trata-se de um thriller psicológico que tem como pano de fundo a mente humana, o seu subconsciente e passa-se no mundo dos sonhos. Pela primeira vez vimos um filme feito com alguma seriedade que reúne a aventura e a acção com o quase intocável mundo onírico, não esquecendo, naturalmente, o romance. É um filme bonito, com personagens bonitos – tem o Dicaprio como protagonista; a mulher dele é uma tal Marion Cotillard, elegantíssima e sedutora; a estudante de arquitectura que miticamente responde pelo nome de Ariadne e que é representada pela jovem e lindíssima canadiana Ellen Page; e até o meu querido Michael Caine de fino sotaque inglês dos filmes dos anos 70/80 tem um pequeno lugar de professor de belas artes e sogro da personagem principal. Aliás toda a representação está muito bem e os efeitos especiais bem como todo o cenário estão muito bem desenhados.

(Ellen Page)



Realmente, a certa altura, já não sabemos em que nível de sonho estamos com tanta acção, mas isso faz parte do thriller que é. E, nesses momentos também se torna algo pesado, como tudo o que nos põe perante o enigma que é a nossa mente, mas sai-se de lá bem disposto e isso é que interessa!



(Marion Cotillard)

 

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Afogamentos de crianças



 Este ano tem sido por de mais! Tantas crianças afogadas desde que o calor fez a sua aparição! Ontem foi mais uma menina de nove anos, em Oeiras. É doloroso e revoltante! As notícias dos jornais vêm com a questão da responsabilidade – a quem responsabilizar pela(s) tragédia(s)? E normalmente atiram-se as culpas para a falta de segurança dos espaços em questão. E se há falta de segurança, haverá sempre um autarca, um nadador-salvador ausente, um responsável de obra, um senhorio, alguém de fora para responsabilizar.

Por muito mal que pareça, duas ideias me assaltam:

· Ninguém fala da responsabilidade dos pais?

· Em tempo de aulas estes dramas não acontecem tanto – e ainda se diz mal da escola?

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Gatices

Desde que voltámos a casa, depois do "veraneio" no  Sul, as gatas nunca mais deixaram de andar arrimadas a nós não vamos fazer-lhes a partida de partirmos outra vez...

Esta gosta de se sentar em cima dos jornais que estamos a ler ou nos papeis que estão sobre a mesa do computador





A outra anda mais pela cozinha a ver se lhe calham umas aparas de bife ou qualquer outro pedacinho de carne...





Enfim, aqui para nós que a minha filha Ana não nos ouve, são as verdadeiras donas da casa...

domingo, 1 de agosto de 2010

Água de Madeiros



Há mais de trinta anos que, antes e/ou depois de irmos ou virmos de estar na praia a passar uma temporada, vamos, ao Domingo de manhã, passar um bocado na praia de Água de Madeiros.

Situa-se em pleno Pinhal do Rei, mesmo ali ao lado de S. Pedro de Muel (gosto mais de escrever com –u como se escrevia quando vivi na Vieira, há muitos, muitos anos), já no concelho de Alcobaça, e é extremamente sossegada. Além disso, teve sempre, para mim, uma enorme virtude: raramente se encontrava gente conhecida, o que para mim é óptimo porque nos/me evita os cumprimentos e salamaleques de circunstância... (De referir que sou, em férias e não só, uma bicho-de-mato compulsiva!)




O mar é imenso e bravo como é apanágio das praias do Oeste. Um oceano Atlântico furioso que fustiga estas praias empurrando-as sem cerimónias contra as altas dunas que o contemplam sobranceiras. Além disso, a temperatura da água é normalmente fria e também por isso raramente me meto lá.

Mas é maravilhoso aquele cheiro picante e salgado a mar e a pinhal que não se sente no Algarve.



Hoje, pela primeira vez este ano, fomos passar a nossa manhã de Domingo a Água de Madeiros. Como é usual, o tempo estava encoberto, o mar estava algo bravo, com bandeira amarela – se fosse no Algarve, dava para hastear a bandeira encarnada, ou roxa, ou outra ainda mais proibitiva! Havia muito poucos banhistas no areal certamente por causa do tempo nublado, mas não estava frio nem vento.


Até havia uma tendinha de panos indianos no areal!


E, ao longe, como de costume, quando não está envolta em nevoeiro, via-se o altivo farol de S. Pedro.