terça-feira, 17 de maio de 2016

O primeiro concerto

A menina pronta para o seu primeiro concerto - quer dizer, segundo, se contarmos com o da Violeta, no ano passado.

Ela queria muito ir ver o AGIR e a titi/fada madrinha fez-lhe a vontade...

Preparativos...




E lá foram elas!




E eu, aqui tão gira e tão cheia de experiência, e nunca fui a um concerto... :)

segunda-feira, 16 de maio de 2016

domingo, 15 de maio de 2016

Aeroporto Humberto Delgado

A partir de hoje o aeroporto da Portela passa a ser chamado de aeroporto Humberto Delgado, o militar português da Força Aérea que mais lutou contra Salazar, candidatando-se à Presidência da República em 1958 e enfrentado e suportando assim toda a espécie de ameaças, de ilegalidades e fraudes durante a campanha eleitoral bem como no próprio processo eleitoral. A sua intrepidez e temeridade que mostrou sempre contra o ditador valeu-lhe passar a ser conhecido por General Sem Medo, mas também deu azo a ser morto pela polícia política cinco anos mais tarde, no dia 13 de Fevereiro de 1965.

Hoje, dia em que se celebra o aniversário do seu nascimento – 15 de Maio de 1906 – e por se lhe dever a criação das primeiras ligações aéreas portuguesas, a República decidiu homenageá-lo associando o seu nome ao principal aeroporto do país.



Vale a pena reler, no seu livro de memórias, o que o próprio General diz acercado assunto.

«Quando os americanos convocaram a Conferência de Chicago em 1944, Salazar ficou desesperado porque éramos a única potência colonial sem ligação aérea com os nossos territórios ultramarinos! Criou-se portanto o Secretariado de Aeronáutica Civil e fui nomeado director.

Começámos do zero porque, como disse um americano, as linhas aéreas portuguesas consistiam em «um piloto, um avião, um mecânico, uma carreira por semana para Tânger»! A 31 de Dezembro de 1946, inauguraram-se as linhas aéreas para Luanda e Lourenço Marques e, nesse mesmo dia, pedi a demissão.

Era um trabalho difícil e um pequeno incidente mostrará melhor como era a situação. O subdirector, nessa altura major, hoje general, Humberto Pais, fora escolhido por Salazar sem me consultar. Eu disse então a Salazar que não havia lugar para dois Humbertos à cabeça da aviação civil, mas ele levou muito tempo antes de se decidir a afastá-lo. (…)

Durante oito anos participei em inúmeras assembleias internacionais democráticas e em dúzias de conferências internacionais e negociações para vários tratados. Tudo isto dará alguma ideia da experiência excepcional que adquiri em debate democrático e em tolerância, a qual teve profunda influência no meu pensamento. (…)

A minha licença especial [como representante nacional na NATO] terminou a 23 de Novembro, pelo que tive de regressar a Washington, pagando a viagem do meu bolso. Quando por fim consegui voltar definitivamente Portugal, em Setembro de 1957, não me foi dado qualquer comando militar, ou porque já estivesse sob suspeita, ou por ser efectivamente malquisto. Retomei o cargo de director-geral da Aviação Civil a 1 de Outubro de 1957.»

(in “Memórias de Humberto Delgado”, Humberto Delgado, Publicações Dom Quixote, 2009, pp.94-95 e 116)

sábado, 14 de maio de 2016

Brasil





Este é o nosso Brasil. O Brasil brasileiro. O Brasil do povo. Alegre e cheio de vida e de cor. O povo que, de uma forma ou de outra, viu as suas vidas algo melhoradas pelos governos que ontem terminaram. Brutalmente e da forma mais anti-democrática que se possa imaginar. Por meio não de um golpe, mas de uma golpada. Um ajuste de contas permitido por uma Justiça fraca e vendida que permite que uma governante «limpa» seja afastada por outros muitos indiciados de crimes e com imensas contas a prestar aos tribunais.

Agora é mesmo de Temer pelo Brasil. Muito trágico. Muito assustador. Muito lamentável.

Daqui o nosso forte e caloroso abraço ao nosso Brasil brasileiro.


sexta-feira, 13 de maio de 2016

Cuidado! Veja onde se senta!

Fim de semana. Momentos de saída, convívio, de festa. Mas tenha cuidado. Veja onde se senta, não vá acontecer-lhe como a ela!



quinta-feira, 12 de maio de 2016

Sobre o modo conjuntivo

Sabemos bem que grande parte de nós não se dá bem com o modo conjuntivo. E eu digo «nós» apenas para não parecer arrogante, que a minha vontade era mesmo dizer «grande parte dos portugueses» ou até mesmo «dos tugas». São muitos os opositores do acordo ortográfico de 1990 – daqueles que dizem que defendem a «bela língua de Camões» - que surpreendemos a mal-usar e a maltratar o pobre do conjuntivo…

Em boa verdade o modo verbal do conjuntivo é uma das grandes dores de cabeça de professores – e alunos – das línguas de origem latina. Sim, que a culpa é apenas e só mesmo do raço do latim. Veja-se o inglês, uma língua de estrutura gramatical tão mais simples – por isso se tornou “língua universal” – se não arrasou com o modo conjuntivo, nivelando-o com o modo indicativo que é bem mais simples e mais simpático… Por isso, em tempos, quando os miúdos no 5º ano ainda escolhiam entre o estudo do Francês ou do Inglês, nas primeiras aulas nós lhes perguntávamos «Então porque escolheste o Inglês?» e eles, inocentes, coitadinhos, respondiam «Porque não tem verbos»…

Bom, mas todo este intróito apenas porque esta manhã, enquanto me dedicava àquelas tarefas domésticas (terrivelmente execráveis e deprimentes, diga-se) de varrer, lavar, arrumar, me lembrei de uma daquelas canções portuguesas, portuguesinhas, dos idos de 50 que dizia: «Ai se os meus olhos falassem, amor…»

Por essa época, anos 50, tempos da minha 1ª/2ª classes, viemos viver aqui para a Vieira de Leiria (oh como eu estava predestinada!...) porque o meu pai veio trabalhar para os escritórios da fábrica de limas dos Feteiras. A vida era tão, mas tão diferente daquilo a que estávamos habituados em Lisboa que nos arranjaram uma criadita (entenda-se que era assim que se dizia nesse tempo), a Diamantina, uma jovenzinha que mais não tinha do que treze ou catorze anos e cujo percurso escolar desconheço em absoluto para minha mãe nas limpezas, ir encher os cântaros com água (à picota), levar-me e buscar-me à escola (que a menina não podia andar sozinha por aqueles caminhos…) Deus do céu, o que aprendi com ela sobre aspetos da vida na aldeia!

Ora acontecia que a Diamantina cantava muito enquanto lavava e limpava. E uma das suas canções favoritas, que ela cantava com um enorme fervor, era exatamente aquela «Ai se os meus olhos falassem, amor». Só que ela – e lá vem o malvado do modo conjuntivo – cantava, quase gritando: «Ai se os meus olhos falassam amor, talvez a ti te contassam o que eu não conto a ninguém…»

Por muito que o meu pai e a minha mãe – que era professora – a emendassem e a fizessem repetir a forma verbal corretamente, ela nunca conseguiu cantarolar a canção em bom conjuntivo…





quarta-feira, 11 de maio de 2016

Da liberdade de escol(h)a

Está na ordem do dia a discussão sobre a “liberdade de escolha” e, naturalmente, sobre isso também posso e quero e devo dar a minha opinião.

Que, à partida, tenho para mim que de liberdade de escolha temos nós, pobres mortais, «bicho da terra tão pequeno», muito pouca. Tudo o que temos a veleidade de que escolhemos, já há foi determinado. Somos, de facto, metade biológico e metade social e são esses antecedentes, essas premissas (e não só) que determinam aquilo a que chamamos escolhas. Para esta discussão, teria de chamar aqui linguistas e hermeneutas e hoje apenas e somente trago aqui a discussão corriqueira que se arrasta pela comunicação social sobre a dita «liberdade de escolha» da escola para o meu filhinho…

É mais uma discussão à portuguesa: discute-se e “arrepelam-se os cabelos” pelo acessório, deixando para trás – muito para trás, ou mesmo para nunca – o essencial.

Quanto à «liberdade de escolha» entre a chamada escola pública e a privada, é tal como nos outros aspetos sociais todos: se eu «escolho» ir ao médico particular em vez de usar o Serviço Nacional de Saúde, pago. Se eu «escolho» ir de táxi em vez de ir no transporte público, pago. Se eu «escolho» o doutor advogado fulano de tal para me defender em vez de usar o que o Estado põe à minha disposição, pago (e não é pouco…) Sempre que eu «escolho» aquilo que melhor corresponde às minhas pretensões, eu pago! Tudo dentro da minha mais estrita «liberdade de escolha».

Então porque é que, se eu quero «escolher» o colégio privado em vez da escola que o Estado põe à minha disposição, porque hei de recusar-me a pagar?

Se a Igreja quer manter escolas de cariz religioso, então que subsidie quem quer e não pode pagar. Quanto aos restantes colégios privados não clericais do tipo do grupo GPS e outros, parece-me que estamos conversados…

Diz-se à boca cheia que os colégios ficam mais baratos ao Estado e têm melhores resultados. Pois claro! Os professores são explorados até ao osso (e eu sei do que falo) e, se não correspondem ao exigido, são despedidos; os funcionários desdobram-se em atividades diversas e se assim não fizerem, acontece-lhes o mesmo. Quanto aos alunos, bom, isso então ainda é pior: crianças com necessidades educativas especiais não têm lá entrada (portanto não há despesas com professores da educação especial, nem com terapeutas ou psicólogos, nem com materiais e condições específicas. A estes pais é-lhes negada, à partida, a tão propalada «liberdade de escolha». Se a criança revela dificuldades de aprendizagem e não têm o sucesso devido, ou se não tem o comportamento “padrão”, é “convidada” a sair. Para além de tudo isto e “a montante” – como é moda dizer-se agora – as criancinhas são escolhidas, antes da matrícula, de acordo com a profissão e até com o “pedigree” dos pais.


E mais não digo, embora muito tivesse para dizer da minha longa experiência nestas lides da Educação.