Mentir é errado, dizemos. Porque
magoa as outras pessoas, porque o benefício que causa é menor do que o dano que
provoca, porque semeia a incerteza nas relações, porque a moral e a ética e o
senso comum dizem que é errado. Será? Não mentir pode magoar mais do que faltar
à verdade e, sejamos honestos: as relações sociais – todas elas – estariam
condenadas sem a mentira. Por isso, e apesar desta ideia generalista de que
mentir é errado, talvez, afinal, não seja assim tão errado. Ou, pelo menos,
talvez não seja errado sempre. (…)
Os estudos mostram que mentimos
entre dez e duzentas vezes por dia, dependendo do perfil de cada um e, sobretudo,
da quantidade de relações sociais e interações que temos. Fazemo-lo pelas mais
variadas razões. Eis uma delas: da próxima vez que a sua mulher ou o seu marido
lhe perguntar «estas calças fazem-me gorda/o?», experimente responder «sim, mas
o problema não são as calças, é tudo o que comes». Ou da próxima vez que
estiver maldisposto e cheio de problemas, experimente responder com sinceridade
a toda a gente que lhe faz a costumeira pergunta: «Então, tudo bem?» (…) Queremos
honestidade, mas não sabemos lidar com ela. (...)
Mas atenção: estas teorias não
são carta-branca para todas as mentiras. «A mentira que merece elogio é aquela
que nos permite relacionarmo-nos com os outros», explica o sociólogo espanhol
Ignacio Mendiola, autor do livro Elogio de la mentira, «fora deste elogio à
mentira estão as mentiras que fazem do outro um mero instrumento para se
alcançar um objetivo». (…)
Mas não queremos só ser
enganados, também nos enganarmos a nós próprios com uma perna às costas. Para
quê? A maioria dos investigadores defende que é apenas para vivermos mais
felizes e chamam a esse mecanismo «ilusões positivas». (…)
Certa, errada, inócua,
prejudicial, esporádica ou sistemática, a mentira é uma constante na nossa
vida. E negar que a dizemos é apenas dizer mais uma.
ELES VERSUS ELAS
Os homens mentem mais do que as
mulheres, diz um inquérito realizado, em 2012, no Reino Unido, pela empresa de
estudos de mercado One Poll, depois de entrevistar 3000 adultos. O estudo –
encomendado pelo Museu da Ciência britânico – conclui que as mentiras mais
frequentes também são diferentes. O top 10 das mentiras de cada sexo para os
seus parceiros é este:
HOMENS
1 Não bebi assim tanto.
2 Não se passa nada, estou ótimo.
3 Não tinha rede no telemóvel.
4 Não foi assim tão caro.
5 Estou a caminho.
6 Estou preso no trânsito.
7 Não, o teu rabo não está assim
tão grande.
8 Desculpa, não vi a chamada.
9 Sim, perdeste peso.
10 É mesmo aquilo que eu queria.
MULHERES
1 Não se passa nada, estou ótima.
2 Não sei onde está, não lhe
mexi.
3 Não foi assim tão caro.
4 Não bebi assim tanto.
5 Estou com dor de cabeça.
6 Estava em saldos.
7 Estou a caminho.
8 Já tenho isto há séculos.
9 Não, não deitei fora.
10 É mesmo aquilo que eu queria.









