segunda-feira, 26 de março de 2012

Os exames da 4ª classe estão de volta!





A partir do próximo ano letivo, os alunos do 4º ano vão passar a ter provas finais de ciclo que contarão para a nota, anunciou hoje o ministro da Educação e Ciência durante uma conferência de imprensa para apresentação da proposta definitiva de revisão da estrutura curricular do ensino básico e secundário.

Até agora os alunos do 4º e 6º ano realizavam no final do ciclo provas de aferição, que não contavam para a nota. Tanto para o 4º como para o 6º as novas provas começarão por ter um peso de 25% na nota final. No segundo ano de aplicação a ponderação será de 30%, a mesma que está em vigor para o 3º ciclo e ensino secundário.

O Ministério da Educação e Ciência apresentou a versão final da Revisão da Estrutura Curricular que entrará em vigor no ano letivo de 2012-13.

As novidades desta estrutura curricular podem sintetizar-se do seguinte modo: (baseado no blog ProfAvaliação)

No 2º ciclo:
Separação da EVT em duas disciplinas: Educação Visual e Educação Tecnológica.
Oferta obrigatória de Apoio ao Estudo num total de 5 horas semanais. É obrigatória a oferta de escola mas só os alunos com dificuldades são obrigados a frequentá-la.
Manter o caráter experimental das Ciências da Natureza.
 
No 3º ciclo:
Oferta de uma segunda língua estrangeira para além da obrigatoriedade do inglês.
Mais tempo para a História e a Geografia.
Educação Visual obrigatória nos 7º, 8º e 9º anos com reforço de tempos no 9º ano.
TIC obrigatória no 7º ano.
Disciplina de opção oferecida pela escola nos 8º e 9º anos. A Educação Tecnológica passará a ser fazer parte da oferta de escola.
A Educação para a Cidadania tanto pode ser oferecida na disciplina de História como num tempo específico.
 
No ensino secundário:
Mantêm-se duas disciplinas na formação específica. Na proposta anteriormente divulgada, só havia uma.
Reforço do ensino do Português no 12º ano com maior atenção na expressão escrita e oral.

Apoio aos alunos:
Os agrupamentos podem utilizar professores de outros níveis de ensino para ensinarem expressões no 1º CEB como professores coadjuvantes.

 Análise superficial (minha):
  • Exames no final de cada ciclo e em todas as disciplinas - o ministro (C)Rato não confia na avaliação contínua realizada pelos professores.
  • Exames do 4º ano - se a avaliação no 1º ciclo é qualitativa, como se vai aplicar o peso de 25% e depois 30% na nota final desse ciclo?
  • A separação da EVT - constitui um retrocesso (se fosse apenas este, não estaríamos tão mal!) de anos e de luta; além de que com a introdução das TIC nesta área curricular, muitos professores ficarão sem horário. 
  • Estudo Acompanhado - área curricular transformada em apoio apenas para alguns alunos o que vai reduzir ainda mais horários já que o apoio sairá da componente não letiva dos professores.
  • Educação para a Cidadania - dada "autonomia" aos diretores e aos conselhos pedagógicos para decidirem se será lecionada transversalmente ou como disciplina independente como oferta de escola. Uma falácia! Haverá tanto "currículo" para integrar a oferta de escola que logo logo a EC deixará de ter um tempo independente. E menos uma disciplina para incluir em horários de professores.
  • Organização das turmas - ao dar aos diretores autonomia para organizar as turmas com a desculpa dos apoios a oferecer  aos alunos, vamos facilmente voltar à criação (pouco decente, para não dizer abjeta) de turmas de bons alunos e turmas dos outros.
      Pode facilmente concluir-se que esta revisão curricular serve alguns dos objetivo deste governo:
  1. Reduzir drasticamente a despesa com a Educação - "fazer mais gastando menos" - gostam eles de dizer. Em português mais coloquial, diremos "fazer omeletes sem ovos"!
  2. Reduzir o número de funcionários dependentes do Estado.
  3. Voltar rápida mas veladamente ao "antigamente".

    domingo, 25 de março de 2012

    Casas de S. Pedro


    Parece-me que já aqui disse, mas vou repeti-lo e não será pela última vez: gosto muito de S. Pedro de Muel.  Não tanto pela praia em si que, tirando a fiada de barracas implantadas à direita  na língua de areia que, em maré baixa, deixa as rochas desgastadas à vista, é igual a tantas outras. Não tanto pelo mar que é violento e brutal permitindo escassos dias de bandeira verde. Não tanto pelo Sol que pode muito bem estar escondido pelas brumas durante dias e dias em pleno verão. É pelo encanto natural do lugar, pelo ambiente caprichosamente romântico que se respira entre o mar e o pinhal, pelo espaço poético das brumas da manhã, pela pequenez carinhosa, pelo conforto morno de autêntica "casinha de bonecas" que se respira quando, vindos de cima, desembocamos na ladeira da casa do poeta que nos leva ao Largo.




    Mas desde que, em inícios de 70, lá fui, o meu encantamento foi para as lindas casas que desde o centro junto ao mar até por entre os pinheiros se encontravam.



















    Uma das mais majestosas.




    As do Largo onde o mar entra sem qualquer rebuço quando está mais zangado.







    A minha preferida.



    Algumas réplicas desta, em pequeno.


    E em grande.


    A "nossa" casinha do Galo onde passámos tantos Agostos agradáveis!



    E esta na descida, cheia de remendos...



    E esta tão lindinha e tão típica!



    E o mar ali à espreita...



    A casa do Mestre Joaquim Correia e da minha "velha" colega Maria de Jesus na Escola Paula Vicente há muitos, muitos anos.



    E as suas obras de arte.






    "E la mar agora mora em nós: em ti la mar canta e ri e em mim canta e chora"

    São tantas, tantas! E tão bonitas naquele envolvimento de história de fadas. Poderia estar aqui toda a noite a pôr fotografas de casas de S. Pedro!


    sábado, 24 de março de 2012

    Hoje muda a hora


    Hoje muda a hora. Detesto estas mudanças da hora de cada vez que se dá o equinócio. Nunca me dei muito bem com o sono e estas mudanças ainda mo transtornam mais. Mas pronto! temos de viver com estas e outras circunstâncias.

    Esta noite, por exemplo, temos de nos contentar com menos uma hora de sono. E é por isso que deixo aqui esta sugestão de almofada para as minhas amigas estejam ou não bem acompanhadas...



    Bom sono e bom fim de semana!


    sexta-feira, 23 de março de 2012

    Emigrem vocês!




    Saltam os números a vermelho na primeira página do jornal: 150 000 emigraram no ano passado! Já são números que se aproximam dos registados nos anos 60 do século passado. Nesse tempo, os que se aventuravam a dar o “salto” chegavam aos países da Europa – coisa que o nosso não era – e, famintos de comer, de dinheiro, de civilização e de tudo o mais, aceitavam os trabalhos “sujos” e difíceis que os cidadãos desses países já não queriam realizar. Não é o caso atualmente. Felizmente. Não somos já um povo faminto de educação, de cultura, de civilização. As condições alteraram-se diametralmente. E mandam-nos emigrar! Mas será que há lugares disponíveis para todos esses novos emigrantes desenvolverem as funções para que se prepararam? 

    O senhor primeiro-ministro acha que este país não é “para novos”. Mas “para velhos” também não será já que se vão deixando desgastar-se e morrer dados os retrocessos sociais a que se tem vindo a assistir.

    Mas muito melhor do que eu, disse-o o escritor, poeta e cronista Manuel António Pina na angustiante mas excelente crónica que aqui deixo hoje.

     
    Este país não é para jovens nem para velhos

    «O primeiro-ministro instiga os jovens a emigrar, dizendo adeus ao país e àquilo que ele tem hoje para lhes oferecer: desemprego, precariedade, humilhação quotidiana, ao que o secretário de Estado da Juventude, um jovem da leva de boys que emigraram para o governo dotado de particular sentido de humor negro, chama a sua (dos jovens) «zona de conforto». Muitos dos que seguiram o conselho dormem agora, dizem jornais e TVs, nas estações de caminho-de-ferro da Suíça ou são pedintes e sem-abrigo em Inglaterra, e os mais felizardos arranjaram trabalho escravo na Alemanha e em França. De qualquer modo, o problema já não é do governo português. 

    Os velhos são mais difíceis de exportar; é, principalmente, mais difícil convencê-los a deixarem-se exportar. A solução, para o país e o governo se verem livres também dos velhos, que só dão despesa, tinha necessariamente que ser mais imaginativa. 

    Se o Governo fosse de comunistas, dar-lhes-ia a famosa injecção atrás da orelha. A solução final neoliberal é mais «humana»: deixá-los morrer (aos velhos pobres, porque os ricos podem comprar a vida) de morte por assim dizer natural, como a Dra. Manuela Ferreira Leite defendeu na TV que morressem os insuficientes renais com mais de 70 anos precisados de hemodiálise e sem meios para a pagar, já que a hemodiálise custa um dinheirão e ocupa médicos e enfermeiros pagos a peso de oiro com os descontos feitos à Dra. Ferreira Leite e ao Dr. Eduardo Catroga. 

    Em duas semanas, 6100 pessoas, na sua maioria, segundo o Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge, idosos com mais de 75 anos, morreram em Portugal de frio e de gripe. O pneumologista Agostinho Marques, director da Faculdade de Medicina do Porto, tem poucas dúvidas quanto às razões do morticínio. Em declarações à Antena 1, apontou o facto de não só muitos idosos pobres não se terem vacinado como, por falta de meios (sobretudo atendendo aos brutais aumentos da electricidade e do gás), «não ligarem os aquecedores», acabando assim por sucumbir de frio. 

    De facto, muitas das «poupanças» que o Dr. Paulo Macedo tem feito na saúde, do fecho de postos e unidades hospitalares aos aumentos das taxas moderadoras e aos obstáculos financeiros colocados ao transporte de doentes crónicos, atingem sobretudo doentes idosos sem recursos ou com pensões de miséria, muito em particular os que residem em regiões do interior do país onde os políticos só vão de quatro em quatro anos quando abre a caça ao voto. Tudo junto com as «poupanças» nas prestações sociais, não era difícil prever o destino que uma política de austeridade dirigida quase exclusivamente aos sectores mais vulneráveis da população reservaria aos idosos pobres. 

    Vistas as coisas friamente e do ponto de vista da «economia de mercado» neoliberal dominante, para a qual a saúde é, como diz a Dra. Ferreira Leite, um direito de quem pode pagá-la, menos 6100 reformas ou rendimentos sociais de inserção são uma boa notícia para o défice do Dr. Vítor Gaspar. E, se o vírus da gripe continuar por aí ainda durante uns meses, a boa notícia será decerto substancialmente melhor.
    Entretanto, para os de saúde mais resiliente, o Ministério da Segurança Social anunciou o milagre da multiplicação: mais dez mil camas em lares da terceira idade sem gastar um tostão com a construção de mais lares nem com mais quartos nos lares existentes, mas... mandando pôr outra cama nos quartos onde hoje já se amontoam três ou quatro idosos. 

    Se este país não é para jovens nem para velhos, para quem é, afinal, este país?»




    quinta-feira, 22 de março de 2012

    Fontes


    No Dia Mundial da Água algumas fontes lindas para alegrar o olhar e refrescar as nossas mentes.


    Fonte do Lis e do Lena

    Fonte Grande em Leiria

    No Parque da Pena em Sintra

    Fonte dos Passarinhos no Parque da Pena

    Ainda nos jardins da Pena


    Fonte da Pipa na Vila Velha em Sintra datada de 1778

    Fonte em São Pedro de Sintra da autoria de Raul Lino

    Fonte a caminho de Monserrate

    Mandada construir pelo Visconde de Monserrate para o bem público em 1875
    Fonte da Riba Fria, ou Fonte d'El Rei, no caminho de Monserrate

    Fonte nos jardins de Monserrate

    Fonte de 1926 na Ericeira

    Fonte dos Golfinhos na Ericeira
    Fonte de Santa Catarina, na Penha, Guimarães, em estilo de grande romantismo...



    ... que, em penedo adjacente, tem inscrito uns versos que dizem assim:

    Fonte de Santa Catarina

    Murmura, fonte, murmura
    É brando o teu murmurar
    Que meiguice, que ternura
    Tu tens nesse soluçar.

    Cada gotta do teu pranto
    Que obre esta penha cae
    É uma pérola de encanto
    Que pela terra se esvae

    Murmura, fonte, murmura
    Geme transida de dor,
    Teu pranto – a própria doçura –
    Diz saudade, diz amor.

    Bráulio Caldas
    Agosto 1885




    quarta-feira, 21 de março de 2012

    Outro Dia de...


    Este mês de Março é rico em Dias de... Hoje é o Dia da Árvore e da Poesia, dois temas por de mais belos e importantes para os deixarmos passar sem celebração.

    Hoje o dia (não deu em chuvoso, como gostaríamos...) deu em ir à "minha escola" porque é dia de ir desejar os meus parabéns a dois bons amigos que lá deixei - a chefe do pessoal e o técnico da ASE - e dei com estas belas imagens de comemoração à Árvore.








    Não me canso de mostrar os indícios do trabalho dos meus (ex)colegas no seu melhor! (malgré tout...)

    Para celebrar o Dia da Poesia, escolhi este poema de João Roiz de Castelo Branco, do século XV, que foi sempre um dos meus preferidos desde os meus tempos de adolescente romântica e que, de tão belo, até foi musicado e cantado.


    Cantiga partindo-se
    Senhora, partem tam tristes
    Meus olhos por vós, meu bem,
    Que nunca tam tristes vistes
    Outros nenhuns por ninguém.
    Tam tristes, tam saudosos,
    Tam doentes da partida,
    Tam cansados, tam chorosos,
    Da morte mais desejosos
    Cem mil vezes que da vida.
    Partem tam tristes os tristes,
    Tam fora de esperar bem,
    Que nunca tam tristes vistes
    Outros nenhuns por ninguém.


    Poderão gostar de o ouvir a versão original  por José Cheta




    ... ou na interpretação de Amália.




    terça-feira, 20 de março de 2012

    Primavera



    Este é dos poemas sobre a Primavera de que eu gosto mais e, por isso, tenho de o deixar aqui hoje, dia em que o equinócio se deu às cinco e tal da manhã.
    Quando tornar a vir a Primavera
    Talvez já não me encontre no mundo.
    Gostava agora de poder julgar que a Primavera é gente
    Para poder supor que ela choraria,
    Vendo que perdera o seu único amigo.
    Mas a Primavera nem sequer é uma cousa:
    É uma maneira de dizer.
    Nem mesmo as flores tornam, ou as folhas verdes.
    Há novas flores, novas folhas verdes.
    Há outros dias suaves.
    Nada torna, nada se repete, porque tudo é real.



     Mas talvez prefiram esta outra evocação da Primavera.
    Principia a estação, com o seu ruído
    feito de sons de pássaros, que eu decifro.
    Mais difícil sinal são as cores várias,
    que despontam cada dia e eu vejo,
    ano após ano, iguais e singulares.
    Primeiro, um pouco além, o lírio roxo,
    que me traz consigo a criança viva
    que o colheu e, tal como a um barco,
    o fez singrar, só, roxo, macerado,
    na água que descia por um rego.
    Um lírio com a mão que o cortara
    já decepada e presa ao passado,
    sem o seu corpo. Vejo as três pétalas
    assim a confundir-se com os três dedos,
    como se as nossas mãos por vezes vivessem
    mais do que os passados corpos.
    Depois, foi esta a manhã das camélias
    brancas, cravadas com dureza em rostos,
    que, ainda de olhos fechados, tocam
    as corolas em busca do seu cheiro.
    São camélias mortais, e ainda atraem
    a face dos mortos, que algum dia
    as bafejaram com o seu hálito próximo.
    Manchas brancas de círculos informes,
    cada círculo contendo outro círculo.
    E, no centro de cada rosto, apenas,
    em cada Primavera, duram os olhos.
    (... ...)

    Fiamma Hasse Pais Brandão (1997)
     
    Desfrutemos a Primavera (enquanto não se paga imposto...)