Teria gostado de ir lá no 3º dia do Festival, sábado, dia 24, mas não deu. Havia o José Gil a falar sobre a Utopia em Fernando Pessoa, e o Manuel Alegre e o Bernardo Pires de Lima a discutirem a atual situação da Europa, e a Luísa Costa Gomes e o Jacinto Pires de Lima a falarem de literatura e de teatro, mas não deu...
Fui no domingo, dia 25 e também gostei. Óbidos estava / é linda, cheia de sol, de luz, de flores e de gente por todo o lado.
Pilhas de livros a muitos bom preço, mas como comprar mais e mais livros se depois não há tempo para os ler, nem já sítio para os arrumar?
E depois aproveitar para assistir à conversa de Ana Margarida Carvalho, Lúcia Bettencourt e Richard Zimler moderada pela escritora e crítica literária Helena Vasconcelos em volta do "dito! romance histórico.
Não ia muito entusiasmada com o tema porque atualmente os "ditos" romances históricos brotam como cogumelos em estilo best-sellers, isto é, sem grande qualidade literária. Mas, surpreendentemente, acabou por ser um belo momento (hora e meia que passaram a correr) de discussão de grande qualidade e com grande simplicidade sobre alguns dos livros daqueles autores.
Ana Margarida Carvalho referiu-se ao seu último romance «Não de Pode Morar nos Olhos de um Gato» sobre a vivência da escravatura pelos portugueses no Brasil - deve tratar-se de um romance bem violento mas de uma construção bastante inovadora.
Lúcia Bettencourt, escritora brasileira, que nos confidenciou que passara a sua lua de mel em Óbidos, falou com aquela tom natural, alegre e doce que os brasileiros tão bem usam, sobre os seus romances algo históricos «A Secretária de Borges» e um mais recente sobre o fim da vida de Rimbaud.
E Richard Zimler, uma simpatia aberta, que falou especialmente do seu primeiro romance «O Último Cabalista de Lisboa» sobre a vida dos judeus (sendo ele próprio judeu) em Lisboa no tempo anterior à entrada da Inquisição em Portugal, aludindo depois aos «Anagramas de Varsóvia» do tempo da II Guerra Mundial.
Muito interessante!
É um mimo, Óbidos!!