quinta-feira, 8 de setembro de 2016

4º encontro de bloggers

Amigos, bloggers (presentes, passados e futuros...) e familiares!

Conforme ficou combinado no 3º encontro, que se realizou no passado mês de Abril, no Porto, estão abertas as inscrições para o 4º encontro que se realizará no Hotel Mar e Sol, em São Pedro de Moel, no próximo dia 23 de Outubro.






Claro que gente fina não fala em dinheiro, mas o almoço buffet tem o preço de 15 euros, pagando-se as bebidas à parte.(Ponho em letra pequena para não dar tanto nas vistas...)

As inscrições poderão ser feitas diretamente para o meu e-mail. 

Entretanto fica aqui o selo de adesão ao encontro que agradecia que fosse editado nos vossos blogs em local visível.

O selo está divino! Calculem quem o desenhou... Toca a adivinhar!

Ah! E toca a inscreverem-se!!




quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Constrangimento

Assim que deu com os olhos nos meus, baixou a cabeça, desviou o olhar, rodou os ombros. Reconheci-o imediatamente, mas correspondi ao afastamento. Há anos, bastos anos, entrou insofrido pelo portão lá da escola, sem atender ao porteiro, cego que ia, e pregou uma (nem sei dizer se foi só uma) bofetada num miúdo. O sururu foi enorme. O porteiro ligou ato contínuo para o gabinete do Conselho, enquanto o agredido, nosso aluno, rapidamente se apresentou à nossa porta para fazer queixa. Eu não podia permitir que um encarregado de educação entrasse pela escola dentro e batesse num aluno que nem sequer era seu filho.

Identificados agressor e agredido, polícia metida ao barulho, grande barafunda. Os miúdos envolvidos já eram grandinhos, catorze ou quinze anos; a mãe do agredido, muito zangada e cheia de razão: apresenta queixa, não apresenta queixa…

Convoquei o pai violento que não se mostrou muito disponível para falar comigo. Instei e lá se convenceu. Veio acompanhado da mulher (minha conhecida, muito conhecida…).

Porquê? O filho sofria de um pequeno atraso de desenvolvimento (que ainda assim não o impedia de fazer a sua escolaridade normal com as adaptações que lhe convinham e a que tinha direito) e, por um qualquer motivo que já esqueci, fora humilhado, agredido mesmo por um colega. Quando ficou a saber, reagiu a quente, muito a quente e os travões da convenção não obedeceram ou nem sequer foram acionados… «Pois, mas aqui na escola há responsáveis para mediar os conflitos e aplicar sanções. Não há espaço para justiceiros à americana…» disse-lhe.

Silêncio. Espaço. Mais silêncio. E então lágrimas a rolarem pela cara de um homem «forte e de barba rija»… E, depois de mais silêncio (em que o meu coração se sentiu apertadinho, apertadinho mesmo) fiquei a saber: ex comando de guerra (da inexplicável guerra colonial) a sofrer há muito de stress pós traumático crónico…

Não interessa contar aqui nem agora como a situação se resolveu. Resolveu-se. A vergonha, o constrangimento por parte daquele homem, porém, foi enorme…

… não admira que anos e anos depois, evitasse o meu olhar, a minha proximidade, apesar de eu ter cumprimentado e conversado afavelmente com a minha amiga, sua mulher. 





terça-feira, 6 de setembro de 2016

O Livreiro de Santiago

A ignorância é uma coisa terrível…

No passado mês de Junho fomos a Lisboa para a festa de anos de um amigo. Como a festa estava marcada para o fim da tarde, resolvemos ir à Biblioteca Nacional ver umas exposições que estavam a acontecer por lá, nomeadamente uma sobre o centenário da morte do poeta Mário de Sá-Carneiro.

Para além de uma exposição de desenhos inspirados no Livro do Desassossego, absolutamente desinteressante (ou então não possuo os conhecimentos visuais necessários para entender aquele traço) deparámo-nos com a história da vida de um português, Carlos George Nascimento, (1885-1966), natural da Ilha do Corvo que, em 1905, partiu para o Chile para ganhar a vida na caça à baleia. Quis o destino – ou sei lá quem – que conseguisse ficar com a livraria de um tio na cidade de Santiago do Chile, acabando por ser o primeiro editor das obras de Pablo Neruda.

Tudo isto explicado em cartazes e ilustrado com fotografias antigas. Ficámos muitos bem impressionados com a qualidade da informação e por termos tomado conhecimento de mais um português simples que, lançado na aventura do mundo, conseguiu ter uma projeção de sucesso.













(Numa viagem ao Corvo em 1948)
(A Livraria Nascimento nos anos 80)






Ontem, por casualidade, assistimos à apresentação de um filme, chamado «O Livreiro de Santiago» que está a passar na RTP2 em episódios e que é, nada mais, nada menos do que a encenação da vida de Carlos George Nascimento, o corvino que foi à aventura para o Chile no início do século passado.

A sua história é contada com detalhe no filme realizado por José Medeiros, músico e realizador açoriano. Natural de São Miguel, Medeiros é um dos protagonistas desta "narrativa ficcional baseada na vida e na obra do editor corvino": faz de Nascimento. Tal como o seu filho, David Medeiros, que veste a pele do livreiro enquanto jovem. A atriz Maria do Céu Guerra e os músicos Filipa Pais, Carlos Guerreiro e Jorge Palma também integram o elenco do filme.




segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Faria hoje 70 anos

Dispensa histórias e apresentações. A sua voz dúctil por de mais e intensa vivacidade falam por si. Faria hoje 70 anos, se não se tivesse entregado à morte pelos 45. 

Para o recordar como merece, deixo aqui a «minha canção» que ele tão bem interpretou.



domingo, 4 de setembro de 2016

Burkini? Nunca!

Como reação à moda oriental do burkini, um costureiro que preferiu não divulgar a sua identidade, criou o... crucini.

Ora vejam e digam por qual se decidiriam?...



Tenham uma boa semana!

sábado, 3 de setembro de 2016

Muito bom!

É assim que classifico o filme de Ivo M Ferreira baseado no livro «Cartas da Guerra» que reúne as cartas que o escritor António Lobo Antunes escreveu à mulher Maria José, o seu «querido amor» quando serviu em Angola, na inefável guerra colonial, nos anos de 1971-73.

Um belíssimo retrato da guerra em Angola. Retrato a branco e preto da platitude da paisagem com as suas belezas selvagens e únicas, dos horrores de uma guerra fratricida, do clima de desespero, de solidão de quase abandono das nossas tropas – pouco mais que crianças.

Não obstante as cenas violentas e sangrentas, as crises de desespero dos homens, de ansiedade levadas ao extremo, das indescritíveis saudades de casa, tudo é tratado com a maior “naturalidade”, como se tudo aquilo fosse normal e expectável. Mas sem ponta de «lamechice», o que começa a ser novidade entre nós.

Muito bem feito. Muito bem filmado. Muito bem representado. (Não éramos mais que dez pessoas na sala de cinema, mas quando o filme chegou ao fim, ficámos todos pregados nas cadeiras e não se ouvia um único som.) Bate fundo nas nossas almas este tema. E foi ainda há muito pouco tempo.

Vale a pena ir ver.


De referir que o ator que veste a pele de Lobo Antunes é lindo de morrer…




sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Tempo de Poesia

Veio cair-me no regaço, hoje, sem que o esperasse. 
Setembro é tempo de poesia - que o diga Eugénio de Andrade que até escreveu uma Pequena Elegia de Setembro.

Mas o poema que vou aqui deixar hoje é da autoria de Cláudia r. Sampaio (e nem é minha prima, se bem que eu não me importasse...) de quem nunca ouvira falar, mas que achei mesmo forte e arrebatador. Poderia ter sido eu a escrevê-lo se para tal tivesse talento. E por isso, aqui o deixo.

 Quando for embora não deixarei
migalha de mim.
Levarei o cheiro a desorientada
melancolia e desastre
e não deixarei um cabelo que seja.
Levarei comigo as gatas e os livros,
a roupa deixo-a às minhas amigas,
o umbigo, à minha mãe.

Vou e não esqueço.
Partirei sem as orquídeas que
me assombram delicadeza
e sem os cactos que me superam
em estirpe.
Vou aberta como um eterno retorno
e na simplicidade de um bebé que
procura um sítio onde se sentar.

Aqui há a desactivação das almas à
nascença e a ovação aos tristes.
Há a exultação do silêncio profundo
e a altivez congratulada dos néscios.
Há o sangue cansado dos bichos
e a preparação para a fuga da terra.
Aqui há a terra sem terra e a saliência
do teu ombro morto.
Há orelhas frias que soluçam tarde
e uma cova a dizer adeus.
Por isso vou embora no sentido inverso
ao das árvores
numa descida clandestina à mulher que
morreu em ondas.

Vou embora e deixo o meu vinco que
não morre mesmo que me passem com
alcatrão fresco e me estiquem.
Deixo apenas a verdade dos meus
olhos quando pendurados na janela,
a sorrir mundos
deixo as abelhinhas doidas que ignoraram
o meu salto,
e o riso da desistência
porque ainda preciso de mim.