E que tal aproveitar da melhor maneira a oportunidade que nos é dada?! (mas cuidado com as constipações...)
domingo, 10 de janeiro de 2016
sábado, 9 de janeiro de 2016
sexta-feira, 8 de janeiro de 2016
Are you lonesome tonight?
Não, não é nenhum tipo de convite para sairmos hoje à noite...
É que hoje é/seria o dia de aniversário do Rei Elvis (8 de Janeiro de 1935 - 16 de Agosto de 1977) e, como nunca me esqueço deste meu ídolo da minha juventude, deixo aqui a minha canção preferida (ou uma das minhas preferidas, que isto do grau superlativo é muito relativo...) na sua belíssima voz.
(E que lindo que ele era?!... Ui!)
Espero que gostem.
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quinta-feira, 7 de janeiro de 2016
Histórias da minha rua (9)
A vizinha tem uma filha no 10º
ano. Aqui na escola secundária. Escola suburbana. Escola que a miúda frequenta
desde o 7º ano com sucesso e sem problemas.
Este ano as coisas não têm
corrido muito bem em termos de relação professores - alunos. Os miúdos têm
vindo a queixar-se de uma boa parte do elenco dos professores da turma sobre a
forma como a matéria lhes é administrada e por causa da chuva de negativas
baixas que lhes caíram em cima durante todo o 1º período. De facto, não é, no
mínimo, curial , um professor classificar com negativas – e algumas
vergonhosamente baixas – vinte em vinte e cinco testes! Eu, professora, ficaria
desesperada com esses resultados! Como é que eu teria preparado os meus alunos
para esse teste?! Mal. Muito mal. Mas ali as colegas limitam-se a atribuir as
culpas para os professores do ciclo anterior (que por acaso são da mesma
escola) e a intimarem-nos a ler.
Ontem houve reunião com os
encarregados de educação para entrega das avaliações e a vizinha veio de lá
desesperada. Alguns pais queixaram-se ao diretor de turma sobre alguns professores
que se limitam a ler powerpoints nas
aulas e, se os miúdos dizem que não percebem, não há tempo para tirar dúvidas. Ao
que lhes foi respondido que os programas mudaram, os programas têm de ser
cumpridos e quem tiver dúvidas que vá às aulas de apoio. Isto agora é 10º e os
professores têm que preparar os alunos para o ensino superior.
A vizinha veio angustiada e dizia
que, com o que o diretor de turma dissera, tinha saído com a sensação de que
agora é assim: quem entende, entende e aguenta-se; quem não entende, fica pelo
caminho. Coitados dos nossos filhos, lamentava-se ela.
De facto, estes senhores
professores ainda não conseguiram compreender – ainda não houve quem lhes
passasse os powerpoints(!!) – que o
ensino passou a ser obrigatório até ao 12º ano (se eu concordo? se calhar não
concordo com esta obrigatoriedade de 12 anos, mas está legislada e aceite.) E o
ensino obrigatório é para todos, não é seletivo como no tempo em que
eles foram alunos. E que o ensino secundário tem os seus próprios objetivos e
nenhum deles é «preparar os alunos para o ensino superior».
Ai, ai! Quando é que estes
professores deixam de ser (pseudo) elitistas, deixam de se considerar máquinas
de «dar matéria» e assumem a sua missão (superior) de fazerem os alunos
aprender?
quarta-feira, 6 de janeiro de 2016
Neve
(vi no facebook e não resisti a trazer para aqui...)
«Branca e leve
Branca e fria»...
E cá em Leiria que só chove!!...
terça-feira, 5 de janeiro de 2016
Citadinos
Como os buracos de um crivo, apertadas,
As filas de janelas; empurrando-se,
As casas tocam-se de perto, erguendo-se
Pardas e inchadas como estrangulados.
Engalfinhadas umas nas outras vejo
No carro eléctrico as duas fachadas
De gente, descarregando olhares, caladas,
E cresce o emaranhado do desejo.
As paredes são finas como a pele,
Todos me ouvem quando choro, ou então
É como um berro a conversa ciciada:
Emudecidos, em caverna fechada,
Sem ninguém que lhes toque, olhe para eles,
Todos estão longe e sentem: solidão.
(Alfred Wolfenstein, traduzido por João Barrento, in A
Alma e o Caos)
segunda-feira, 4 de janeiro de 2016
Eduardo Lourenço
Não sei falar da obra de Eduardo
Lourenço, o pensador que sabe e tem escrito (quase) tudo acerca da nossa
cultura. Uma vez que falei nisso à minha saudosa amiga Amélia Pais, ela
aconselhou-me a ler “Fernando, o rei da nossa Baviera”, que era o livro de
Eduardo Lourenço de que ela mais gostava. Fiquei a entender o valor, a qualidade,
a profundidade de pensamento e de conhecimentos que jorram dos seus textos. É
por isso que não perco um texto, um comentário, um ponto de vista seu que
apareça num jornal, numa revista.
Ouvi-o uma vez apenas e foi na apresentação
que José Sócrates fez do seu livro na Biblioteca Nacional na primavera de 2014 e
fiquei encantada com a sua eloquência fácil, a singela exposição dos factos e
acontecimentos históricos e sociais que, desde a Antiguidade, têm influenciado toda
a nossa vida ocidental, toda a nossa razão de ser. Ouvi-lo é como se todas as
peças de um imenso puzzle rapidamente se integram umas nas outras fazendo com
que tudo tenha um sentido.
E tudo isto por um senhor que já
conta 92 anos de vida e de intenso estudo. É espantoso! Por isso gostei de
saber que foi distinguido por mais um prémio, a primeira edição do Prémio Vasco
Graça Moura (que teria feito ontem 74 anos), depois de ter recebido o Prémio Camões
(1995) e o Prémio Pessoa (2008) entre muitos outros nacionais e internacionais.
O Diário de Notícias noticia isso
de forma quase poética: «Eduardo Lourenço junta Graça Moura a Camões e a Pessoa»
e relata a forma simples e algo humilde como o grande estudioso e pensador fala
daquilo que faz: «Quando lhe perguntamos
como corre o seu trabalho nos dias de hoje, responde: "Tenho sempre muita
dificuldade em chamar trabalho àquilo que eu fiz. Acho que era o Mastroianni
que dizia que não percebia como é que lhe chamavam trabalho quando, afinal de
contas, ele só tinha prazer naquilo que fazia. Eu não sou o Mastroianni, mas é
a mesma coisa. Não me posso considerar um trabalhador, é ofender os
trabalhadores verdadeiros." Conta que continua "a ler bastante"
e "a escrever", mas di-lo como quem é obrigado a comentar uma rotina
matinal.»
Mas melhor do que tudo o que eu
possa dizer, será passar a palavra a Guilherme de Oliveira Martins, outro
grande senhor da cultura portuguesa e presidente do júri que atribuiu o Prémio
Graça Moura, que diz: «Eduardo Lourenço
segue os passos da Geração de 70 demarcando-se da religiosidade tradicional, e
de um sentimento universal, notados em Fradique Mendes e depois na galáxia
Fernando Pessoa e no modernismo. Nesta ligação, o ensaísta assume grande
originalidade ao articular (como antes ninguém fizera) as Conferências
Democráticas e o Orpheu. "A história e o destino de Portugal nunca foram
trágicos fora da tragédia adiada que a vida é. Também não o são agora. Pela
primeira vez, o nosso país vive-se a si mesmo e começa até a ser visto pelos
outros, como um povo insolentemente feliz." Lourenço falou, por isso, de
"maravilhosa imperfeição", como marca indelével de Portugal. Nem
contentamento nem desconcerto, do que se trata é de procura de um sentido
emancipador. Perante as nuvens negras da crise, o seu tema é o da vontade, que
supere uma ciclotimia antiga. O tema de Portugal como Destino está de pé. Longe
dos mitos da glorificação ou do pessimismo são urgentes a liberdade e a
vontade! Afinal os mitos obrigam a ter deles uma leitura exigente e crítica.»
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