sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Sexta-feira, 13!

Podia falar do(s) Dia(s) da Rádio,


... e de quem matou a Rádio...




Podia celebrar aqui convosco o aniversário do nascimento do multi-sabedor Agostinho da Silva (um dos proscritos de Salazar) que nasceu há já 109 anos mas cuja obra é ainda e sempre tão atual.



Poderia falar dos 50 anos que passam hoje sobre o vergonhoso assassinato do General Humberto Delgado e da sua secretária perpetrado pela PIDE (quem dera a estes "nossos" vergonhosos "governantes" ter uma PIDE às suas ordens...)


(Aclamado pela multidão no Porto pelas eleições de 1958)

(Chegada de Delgado à estação de Santa Apolónia)

Mas não! Vou dizer apenas isto:


É sexta-feira!
Have fun!

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Parabéns!

Este maroto faz hoje 4 anos!



Parabéns



quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Madre Paula

Na «Antologia de Poesia Portuguesa Erótica e Satírica» organizada por Natália Correia e inicialmente publicada em 1966, de onde ontem tirei os versos sobre as medidas da língua (?), encontrei, entre muitos outros poemas interessantes – quase todos, aliás – um epigrama da autoria do poeta Filinto Elísio, amigo e confidente da Marquesa de Alorna (século XVIII) no tempo em que esteve confinada no Convento de Odivelas que passo a transcrever.


Queixou-se uma noviça ao pai honrado
que da ordem um tafulão
lhe tinha quase à força escarapelado
o virgíneo botão:
«Gritaste ao menos contra o agressor,
misérrima tolinha?»-
(exclama o ginja já todo em furor).
«Não, meu pai, não convinha
(lhe torna a triste) que era pior mal;
sendo alta noite, tempo mui perigoso
de incomodar o meu provincial,
que com a abadessa estava no seu gozo.»


Lembrei-me, a propósito, do romance «Madre Paula» de Patrícia Müller que li no final do ano passado e de que gostei bastante. É um romance histórico baseado na vida da noviça de Odivelas por quem o rei D. João V se apaixonou violentamente e de quem foi amante durante treze anos chegando a ter um filho com ela. 

(Casa que D. João V mandou construir
para Madre Paula, anexo ao Convento de Odivelas
luxuosamente mobilado como se de um palácio se tratasse)

Está muito bem escrito e, pretendendo ser uma narrativa erótica, não chega perto disso, o que é bom porque evita ser considerada uma obra menor. É um romance despretensioso contado em primeira pessoa, muito bem apresentado, sem tiques piegas ou sentimentalões. A arquitectura do romance está bem conseguida com constantes avanços e recuos na narrativa o que torna a leitura mais cativante.

Recomendo a quem gosta de ler romance histórico.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

E a propósito de beijos...

E a propósito de beijos (castos) veja-se, por oposição, como já no século XV, se escrevia sobre beijos...


De Fernão da Silveira e Dom Rodrigo de Castro
que beijou uma dama
e ela meteu-lhe a língua na boca

Pois medistes assim crua
a sua língua com a vossa,
dizei-nos qual é mais grossa,
se a vossa, se a sua.
Também queremos saber 
até onde foi metida,
e qual era a mais comprida,
mais solta no remexer.
Se veio tal falcatrua
por sua parte ou por vossa,
nos dizei qual é mais grossa,
se a vossa, se a sua.



Resposta de Dom Rodrigo

Mais comprida e mais delgada
achei a sua que a minha,
porque toda a campainha
me deixou escalavrada.
E fez-se tão grandes brigas
nos queixais
que mos não fizera tais
um grande molho de urtigas.

(Fernão da Silveira, in Cancioneiro Geral)


Qual "50 Sombras de Grey", qual carapuça.... temos por cá muito melhor!


segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Primeiro beijo

Foi mesmo há muitos, muitos anos como é de prever, mas não há um único nove de Fevereiro em que não me lembre. (Sou muito boa em datas o que não sei se será uma vantagem ou um problema.) Foi num fim de tarde de um dia nove de Fevereiro - era uma segunda-feira de Carnaval - que dei (ou me deram...) o meu primeiro beijo. É daquelas recordações de adolescência que nunca mais esquecem, não é?

Foi um beijo mais ou menos assim....


Ou assim...



Mas não foi destes assim....




domingo, 8 de fevereiro de 2015

A flor do cato

A vizinha deu-me uma haste de um aloé e eu lá a pus num vasinho. Com o meu pouco jeito para jardinar, o cato lá se foi mantendo e dando mais uma ou outra haste. Depois mudei-o para um vaso grande, mas lá em cima à torreira do Sol e à intempérie penso que nunca foi muito feliz... Este inverno, porém, ao fim de muitos anos, resolveu dar flor e fiz-lhe uma festa!



Lembrei-me, a propósito, do filme A Flor do Cato, uma comédia romântica, como se diz agora, que vi em finais de sessenta (1969) e que deu para rir a bom rir. Fui ver porque era protagonizado pela belíssima atriz Ingrid Bergman que era das minhas muito favoritas artistas.

Alguém se lembra?



Veja-se o cato ainda sem flor







E, por fim, o cato já com uma pequenina flor...
Atenção que a flor do meu cato nada tem a ver com a simbologia que carregava esta pequenina flor... do cato!

Muito boa semana!

sábado, 7 de fevereiro de 2015

Amanhã é outra vida!

Incomoda-me, desassossega-me mesmo, encontrar pessoas de quem sempre gostei e que, a certa altura, por mera afirmação do seu eu (ou do seu mais recente grupo de eus) me viraram as costas e se fizeram minhas – não direi inimigas, mas tão-somente desamigas.

É que – não sei se por ser do Carneiro (!) – nos sentimentos, não tenho meio-termo: quando gosto, gosto mesmo muito e é para sempre e quando não gosto, afasto-me, desligo-me e é um sossego – passo à indiferença. Quando me sinto contrariada, ofendida, por alguém de quem não gosto, passo ao mero «bom-dia», «boa tarde» ou nem isso, se a ofensa é dura. Mas quando a ferida é provocada por alguém de quem gosto e de quem não espero a afronta, dói muito e dói-me para sempre. Por isso me incomoda cada reencontro com essas pessoas – é que eu continuo a gostar delas.

Hoje encontrei uma dessas antigas amigas. E se nos demos bem! Trabalhámos tanto juntas e com os mesmos objectivos, tanto “brincámos” juntas, “trocámos” filhas nas férias, dávamo-nos muito bem dentro da maior bonomia, numa independência de mãos dadas, numa paridade sem sujeição. Quem me conhece sabe que sou assim nas minhas afeições.

Um dia o elo partiu-se porque o grupo fez força nesse sentido e quebrou pelo lado mais fraco: o dela – desculpe-se-me a imodéstia! O grupo absorveu-a mas não conseguiu absorver-me a mim. (Sou de difícil absorção – e não é que isso seja bom, entenda-se.) O grupo não me perdoou, por me pensar presa fácil e eu, que até, quando calhava ou era preciso, me dava bem no grupo como noutro qualquer que não me desagradasse, passei a ser vista como adversária, «persona non grata».

E aquela pessoa que trabalhou tanto comigo, que juntas tanto «brincámos», que até «trocámos» filhas e que até me admirava (ela é que o disse) passou a ser minha direta adversária. Fez de tudo para me derrubar: permitiu que o grupo se envolvesse – e ela própria, tenho a certeza – nas maiores irregularidades para me tirar de lá.

No dia em que finalmente conseguiu/conseguiram, foi ela própria que, vitoriosa, foi lá para se despedir de mim (ou despedir-me…) e, impante, disse: «Dá cá dois beijos, Graça Maria! Amanhã é outra vida!»

Ainda gosto bastante dela pelo que trabalhámos juntas, pelo que «brincámos» juntas, por termos «trocado» filhas, pela sua jovialidade, pela sua simplicidade, pela sua independência (que perdeu). Mas, e por isso mesmo, incomoda-me encontrá-la!

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(Agora imaginem o que me aborreceu quando aquela operadora de comunicações lançou aquela publicidade!.....)