quarta-feira, 21 de maio de 2014

Sinais de (re)toma

Agora que os donos da Europa e do FMI permitiram que a ministra Swap «se conseguisse livrar» da troika e obrigaram o “governo” à suja «saída limpa», começam a despontar os primeiros sinais de alívio, os primeiros «sinais de retoma».

O grande «grito do Ipiranga» foi dado pelo “governo”: realizou uma reunião de conselho de ministros (acho que até falaram em inglês…) em que aprovou um documento em inglês (“para inglês ver, claro!) pirosamente chamado «The Road to Growth» para atrair investidores para Portugal. E já vieram engalar em arco dizer que, para combater o emprego jovem, a McDonald’s vai criar 600 novos empregos nos próximos três anos. Que belos empregos! Duradores, muito bem pagos e com fortes perspectivas de futuro… …

No dia seguinte ao do conselho de ministros, o Eurostat veio com a notícia de que Portugal tem a sexta taxa de emprego mais baixa da zona euro, afastando-se pelo quinto ano seguido do objectivo europeu de 75% até 2020 e que a taxa de emprego entre os portugueses com idades entre 20 e 64 anos caiu em 2013 pelo quinto ano consecutivo para os 65,6.

No mesmo dia, o INE publicou as Contas Nacionais Trimestrais em que mostra que a retoma que o governo decretou existir não passa de uma (recorrente) ficção: no primeiro trimestre de 2014, quando comparado com o trimestre anterior, a economia caiu 0.7% em termos reais.

O PIB tem caído em cadeia (diz que é por causa do encerramento de uma refinaria da Galp e da diminuição da produção da AutoEuropa) e o investimento caiu mais de 30% desde o início do programa de ajuda externa.

E hoje ficámos a saber que o preço que pagamos pelo gás e pela electricidade é dos mais altos da EU.

São ou não são uns extraordinários sinais de (re)toma? Robustos e fiáveis…

Uns bons tomas (sem «re») é o que este “governo” precisa!!





terça-feira, 20 de maio de 2014

O raço do «eduquês»!

Não chegava os nossos jovens engenheiros fugirem para a Alemanha onde são recebidos de braços abertos nas fábricas e nas empresas.

Não chegava os nossos jovens cientistas emigrarem para os países onde a investigação é financiada, incentivada e acarinhada e nos quais fazem um excelente trabalho.

Não chegava os nossos jovens enfermeiros serem atraídos para a Inglaterra e Irlanda às centenas.

Também fiquei hoje a saber que o Reino Unido recruta duzentos alunos portugueses, do ensino secundário por ano para integrarem as universidades inglesas garantindo-lhes isenção de propinas.

A minha questão é a seguinte: se realmente, como o ministro (C)rato e os seus apaniguados do tipo Henrique Neto, Guilherme Valente e outros quejandos, o nosso ensino nos últimos vinte ou trinta anos tem sido baseado no facilitismo, sem os alunos terem sido sujeitos a exames nacionais desde o 4º ano, sendo antes sujeitos ao método do «eduquês»,  como é que as elites culturais dos países ditos civilizados e desenvolvidos aceitam e até vêm buscar estes nossos jovens?

E põe-se-me outro problema: é que, por enquanto, são apenas duzentos alunos do secundário que são, anualmente, levados para fora. Agora imaginem quando no secundário passar a ser leccionado o mandarim, as paletes de alunos que vão ser recrutados para as universidades chinesas! Vão ser charters e charters cheios de jovens a voar para a China. E então é que o país vai envelhecer…

(daqui)

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Entrada nº 1500



Esta é a entrada 1500 deste espaço.
Um obrigada muito especial a todos os que têm tido a paciência de me  «aturar».




domingo, 18 de maio de 2014

O Museu Escolar de Marrazes



Nasceu de um projeto da velhinha Área Escola (quem se lembra?) desenvolvido numa escola do 1º ciclo aqui da freguesia de Marrazes no ano de 1992/3 e subordinado ao tema “A Escola através dos tempos”. Em Maio de 1997, ganhou um espaço para guardar e expor o muito material escolar de outras eras que se foi juntando e, este ano, mais propriamente no passado dia 16, já fez 17 anos.

Possui um enorme acervo de materiais da escola de outros tempos, desde o tempo da 1ª República e especialmente do tempo do Estado Novo que vale a pena visitar não com os olhos da saudosa ternura daqueles tempos, como vejo em muita gente, mas com olhos críticos e objetivos.

No Dia Internacional dos Museus, que se celebra hoje, trago-o aqui para que o conheçam um pouco – até porque tomei hoje posse como membro da próxima direção. (E seja o que Deus quiser… meto-me em cada uma!!) Ah! E aceito sugestões para o tornarmos mais conhecido, mais aberto, mais dinâmico.























E mais. Muito mais!

sábado, 17 de maio de 2014

A minha mediania

Sempre me considerei uma pessoa de inteligência mediana. Digo sempre com muita humildade que «se eu consigo fazer uma certa coisa, toda a gente o conseguirá». Nunca senti os pés enterrados no lamaçal da estupidez, nem a minha cabeça alguma vez roçagou o brilho das estrelas.

Por isso há determinados comportamentos por parte de alguns outros que considero verdadeiros atentados à minha (mediana) inteligência. Um deles é uma pessoa contar-me duas e três vezes o mesmo episódio mesmo quando educadamente digo: «pois, já me disseste…». Isto para não falar – e isso acontece-me várias vezes – de quando me vêm contar algo muito interessante que fui eu que lhes contei ou darem-me uma ideia estupenda da qual fui eu que lhes falei…

Outro e bem pior é, sem dúvida, virem mentir para cima de mim quando hipocritamente me dizem aquilo que pensam que eu quero ouvir.

Mas pior, pior que tudo isto é ouvir os apaniguados deste “governo” dizer que «hoje é um dia excecional, um dia histórico porque a troika de foi embora»; que eles é que foram os tais que «correram com a troika»; que «Maria Luís Albuquerque foi a ministra que conseguiu fazer com que a troika se fosse embora, que foi, com Cavaco Silva, Carlos Costa, Vítor Gaspar e Passos Coelho, a protagonista do resgate; e que é um “nome incontornável como candidata à liderança do partido”. 




Por amor de Deus!! E os desastres que entretanto aconteceram ao povo e ao país em geral? E os roubos desmedidos? E os demandos? E as constantes mentiras? E as pessoas na miséria? E os retrocessos na economia, na saúde, na educação, na vida de todos os dias? E o aumento incrível dos proventos dos mais ricos? E o fosso abissal entre ricos e pobres e miseráveis – que outros não há!!

Num flash vem-me à mente o desespero de António Nobre:

«Jezus! Jezus! Jezus! o que hi vae de afflicção!

Ó meu amor! é para ver tantos abrolhos,
Ó flor sem elles! que tu tens tão lindos olhos!
Ah! foi para isto que te deu leite a tua ama,
Foi para ver, coitada! essa bola de lama
Que pelo espaço vae, leve como a andorinha,
A Terra!


    Ó meu amor! antes fosses ceguinha...»

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Azul, azul, azul



Azul, azul, azul, o mar fraqueja
Em orlas brancas pela praia fora.
Só esse som, alegre e antigo, rumoreja
No lúcido silêncio desta hora.

O mais — quietude, e no horizonte ralo
Um nevoeiro ou bruma ou ilusão
Que é como que um inútil intervalo
Do amplo azul que céu e águas são.

Sossega em mim, de ver, de ver, de ver,
Essa intranquilidade, a mágoa antiga
Que vem de se sentir viver,
Que vem de não poder querer
E de não ter uma alma nossa amiga.

Ah, mas essa dor,
Cheia de consciência do mutável
Da pobreza da vida e do amor
É tão antiga como o mar
E tem marés,
Cessa para recomeçar
Mais uma vez.

(9 - 3 - 1935
Fernando Pessoa)

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Dia da Família amília

No Dia Internacional da Família, deixo aqui algumas imagens enternecedoras e outras... nem por isso...















E, por fim, um outro tipo de família - a (abjeta) família BPN!