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| (Tão envergonhados que eles estão!) |
Pensei muito antes de escolher
este título para o texto de hoje por o achar duro de mais. Pensei em escrever
«A irrevogabilidade compensa»; «A dissimulação compensa»; «O disfarce compensa».
Com efeito, em Portugal qualquer destes títulos fazem sentido. Mas depois
voltei à primeira ideia porque é de facto de crime que se trata. Um “governo”,
ou melhor, um grupo de pessoas que se encontram à quinta-feira em conselho, que
leva dois anos a derruir a economia do país, que põe a quantidade de pessoas
sem emprego em números nunca antes alcançados – porque não se trata de escrever
aqui ‘a taxa de desemprego’ porque essa não contém as pessoas que já não têm
direito ao subsídio de desemprego e que, portanto, passaram à condição de
indigentes; um “governo” que destrói a
chamada “classe média”, que arrasa a saúde e a educação que em trinta anos
deram saltos bruscos de qualidade desde o tempo da penúria da ditadura; um “governo”
que rouba os reformados e embirra com os funcionários públicos; um “governo”
que manda o povo emigrar e manda fora os seus jovens mais qualificados; um “governo”
que destruiu o estado social e enriqueceu os mais ricos, aumentando a despesa e
a dívida pública quando se tinha proposto ao contrário, um “governo” que fez
tudo isto e muito mais em dois anos pode ser apelidado de criminoso!
Mas hélas! Dois anos volvidos sobre
os “crimes” lesa-pátria e lesa-indivíduo e um “golpe de estado” obrado na
passada semana da forma mais reprovável por um ministro (do partido minoritário
da coligação) em busca de mais e mais poder, tudo volta à harmonia estadística.
Uma harmonia sustentada por um presidente da República que pertence e suporta e
defende – contra tudo e contra todos e até contra a Constituição – o partido da
maioria (relativa); uma harmonia apoiada pela Europa do cação, digo, do cherne:
agora até “recebem de braços abertos” a pequena dos swaps que ascendeu a ministra da continuidade depois de o seu
anterior chefe ter assumido o desastre total do seu trabalho desde que chegou
ao “governo” mesmo sem ter sido eleito. Uma harmonia sustentada por um segundo resgate
“soft” que a Europa quer oferecer aqui ao país de “bons alunos” para continuar
a ser uma horda de “bons alunos”; uma harmonia suportada pelas carinhas de
bonomia fingida de figuras (tristes) como o governador do Banco de Portugal e
de outros banqueiros, já para não falar nos jornalistas/jornaleiros e
comentadores que nos azucrinam o juízo nas televisões e nos jornais com o
propósito de nos amedrontar e aceitar tudo. Uma harmonia escorada até e pasme-se!
na Igreja que, segundo o recente Patriarca de Lisboa, considera que este “governo”
tem toda a legitimidade para continuar porque é suportado por uma maioria no
Parlamento…
É para continuar, sim senhor! E
não me venham dizer que a culpa é do Seguro (independentemente da sua forma de
estar pouco empolgada e “politicamente correta”) que não se comporta como
oposição. Nada disso!
É que cá em Portugal, a
hipocrisia manda e o crime compensa!