terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

3ª feira de Carnaval - dia de trabalho



Aquele “nosso” primeiro que dizia coisas inéditas como “nunca me engano e raramente tenho dúvidas” e “deixem-nos trabalhar” enquanto recebia dinheiro a rodos da Europa que malbaratou por falta de organização e por se rodear de pessoas pouco sérias para não dizer vigaristas – a primeira qualidade de um bom líder é saber rodear-se das pessoas certas – mandou todo funcionalismo público trabalhar na 3ª feira de Carnaval nos idos de 93.

Como nessa altura estava afastada da escola em comissão de serviço na Coordenação (na ex- CAE, que por acaso caiu daí a um mês e tal por razões partidárias) tive de ir ao serviço – ia dizer “trabalhar” mas detive-me porque, de facto, trabalhámos muito pouco, para não dizer nada. Brincámos muito, fizemos muitos telefonemas e mandámos muitos faxes de Coordenação para Coordenação e, como as escolas estavam paradas, não tivemos telefonemas para responder, nem questões para resolver. 

Eu apresentei-me no serviço trajada de funcionário público da letra Z, nesta triste figurinha:



Mas não fui apenas eu quem foi trabalhar mascarada. Vejam o grupo todo: desde as Coordenadoras até às funcionárias administrativas, muitas de nós fomos vestidas para brincar.



E houve até um folheto com o horário e as atividades previstas que foi distribuído pelos trabalhadores:



 
Esse “trabalho forçado” de 1993 não poupou o “nosso” primeiro, cuja aceitação começou a decair a partir de então, tendo culminado com o grande buzinão da ponte no ano seguinte. Mas será que este povo vai ter força e vontade para fazer o mesmo a este “nosso” primeiro tão diligente que decretou o atual "trabalho forçado"?


segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Máscaras de Carnaval



Amanhã os nossos diligentes governantes vão trabalhar - para darem o exemplo a este povo calaceiro - e vão aparecer assim:






Mas perante a troika vão decerto aparecer com esta máscara:


De bons alunos, cumpridores e com o "trabalho de casa" feito...

Ou com esta:



Ou porque não com esta mais ao estilo dos seus chefes alemães?....




domingo, 19 de fevereiro de 2012

O terceiro cardeal



"A Família" (Livro da Primeira Classe)

Não entendo a vantagem mas ontem as notícias anunciavam com algum orgulho que o nosso país “ganhou” o seu terceiro cardeal. Trata-se de um D. Manuel Monteiro de Castro, que as notícias também dizem ser “o cardeal diplomata”. E parece-me ser tanta a sua diplomacia que tratou logo de (re)mandar as mulheres para casa cuidar dos filhos. Disse mais este crânio (que tendo andado em missão por esse mundo fora parece que pouco aprendeu) tido como homem de “vasta experiência e cultura” que “o trabalho da mulher a tempo completo não é útil ao País. Trabalhar em casa sim, mas que tenham de ir trabalhar pela manhã até à noite creio que para o país é negativo.” E que “a mulher deve poder ficar em casa, ou, se trabalhar fora, num horário reduzido, de maneira a que possa aplicar-se naquilo que é a sua função essencial, que é a educação dos filhos.” 

E aí, pensei: será que face ao número absolutamente ingente de desemprego, o senhor cardeal quer guardar o que ainda há para os homens – chefes de família “por direito”, ou está ainda imbuído daquele espírito ideológico ditatorial, clerical, paroquial, para não dizer bafiento e castrador, consagrado na Constituição de 1933 que afirmava a igualdade de todos os cidadãos perante a lei e a «negação de qualquer privilégio de nascimento, de nobreza, título nobiliárquico, sexo ou condição social», (…) «salvas, quanto às mulheres, as diferenças da sua natureza e do bem-estar da família»? Também a senhora condessa de Rilvas, dirigente da Obra das Mães, aquando da criação daquela organização em 1938, esclareceu que esta tinha como objetivo intervir «no campo moral, pela reeducação da mulher, fazendo-as regressar ao lar e ensinando-as a amar os seus filhos». [in “A cada um o seu lugar” de Irene Flunser Pimentel].

Será que o senhor cardeal vem mesmo reforçar as pretensões deste governo em fazer-nos retroceder àqueles tempos que não queremos nem lembrar?




sábado, 18 de fevereiro de 2012

Especial amigas!



Se alguma das minhas amigas está a precisar de quem lhe lave o carro, tenho aqui uma equipa que recebi da minha amiga Gotinha e que recomendo!




É Carnaval, ninguém leva a mal...
Bom fim de semana e... divirtam-se!


sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Crânios da nossa praça



      O insuportável comentador político senhor Vasco Graça Moura – que doutor só enquanto crítico literário, tradutor ou escritor – disse esta semana numa entrevista que “Passos Coelho tem coragem, Seguro é um líder fraco.” Se de facto Passos Coelho tivesse a coragem que o senhor Graça Moura lhe atribui, tê-lo-ia de imediato demitido do cargo de diretor do Centro Cultural de Belém para o qual o convidara pouco tempo antes quando, ao assumir funções, afrontando-o, deu ordens para que não se cumprisse a lei no que toca à utilização do novo acordo ortográfico. É que o senhor Graça Moura tem, enquanto cidadão, o direito de escrever até segundo o acordo ortográfico anterior a 1910, mas enquanto dirigente de um organismo público, tem o dever e a obrigação de cumprir a lei.


      .  Face à notícia de que os funcionários públicos – inimigo público número um dos portugueses trabalhadores – o (menino) deputado do CDS, João Almeida, veio aos telejornais dizer – tal como o pequeno Aguiar Branco já dissera aos militares na semana anterior – que “quem não está bem muda-se!”

3  
     O senhor presidente presidiu hoje a uma conferência na Cidadela de Cascais subordinada ao tema “Nascer em Portugal” onde reuniu vários investigadores portugueses e estrangeiros (ouvi no noticiário da manhã que alguns eram suecos) para se concluir porque é que a taxa de natalidade está a descer drasticamente no nosso país. Duas observações: 1. Não me parece que seja preciso chamar investigadores para saber porque é que as famílias portuguesas não têm filhos! 2. O(s) investigador(es) sueco(s) – país em que a natalidade tem vindo a crescer –  vieram para procederem à comparação entre os dois países, ou para ensinar aos portugueses como se fazem filhos?! É que qualquer das hipóteses é, no mínimo, caricata, ridícula… Como caricatas e ridículas e mesquinhas e estreitas e sei lá o que mais são as vistas, as determinações, bem como as elevadas e doutas tiradas que saem pela boca fora destes nossos insignes dirigentes!



Para citar um outro crânio da nossa governação muito em alta atualmente e cuja tirada também não consigo esquecer, devo dizer com todo o seu estilo: pentelhos!....



 

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Fátima




Qual preferem? Esta,







Ou esta?










Podem até não gostar de nenhuma, naturalmente!

E que acham deste altar mor?





quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Ainda o Amor





No rescaldo do Dia do Amor - que espero tenham aproveitado bem! - deixo aqui a noção de amor do nosso grande Fernando Pessoa pela voz do seu mais próximo heterónimo Bernardo Soares. Espero que gostem tanto desta perspetiva quanto eu.


Nunca amamos ninguém. Amamos, tão-somente, a ideia que
fazemos de alguém. É a um conceito nosso - em suma
é a nos mesmos - que amamos.
Isto é verdade em toda a escala do amor. No amor sexual
buscamos um prazer nosso dado por intermédio de uma ideia nossa.
O onanista é abjeto, mas, em exata verdade, o onanista é a
perfeita expressão lógica do amoroso. É o único que não
disfarça nem se engana.
As relações entre uma alma e outra, através de coisas tão
incertas e divergentes como as palavras comuns e os gestos que
se empreendem, são matéria de estranha complexidade. Na própria
arte em que nos conhecemos, nos desconhecemos. Dizem os dois
'amo-te' ou pensam-no e sentem-no por troca, e cada um quer
dizer uma ideia diferente, uma vida diferente, até, porventura,
uma cor ou um aroma diferente, na soma abstrata de impressões
que constitui a atividade da alma.


(Livro do Desassossego, 1930)






O Fernando Pessoa ortónimo escrevia assim:




Eu gosto tanto de ti que tenho vergonha de
mim. Há todas as razões boas para eu não
gostar de ti,
 menos a de eu não gostar,
porque gosto.
 É fantástico a gente sentir o que não
quer e ter um coração independente.

(Apontamento escrito por Fernando Pessoa na dobra de um envelope, em data incerta.)

O Homem era mesmo avançado para a época - para muitas épocas a vir!