Aquele “nosso” primeiro que dizia
coisas inéditas como “nunca me engano e raramente tenho dúvidas” e “deixem-nos
trabalhar” enquanto recebia dinheiro a rodos da Europa que malbaratou por falta
de organização e por se rodear de pessoas pouco sérias para não dizer
vigaristas – a primeira qualidade de um bom líder é saber rodear-se das pessoas
certas – mandou todo funcionalismo público trabalhar na 3ª feira de Carnaval
nos idos de 93.
Como nessa altura estava afastada
da escola em comissão de serviço na Coordenação (na ex- CAE, que por acaso caiu
daí a um mês e tal por razões partidárias) tive de ir ao serviço – ia dizer “trabalhar”
mas detive-me porque, de facto, trabalhámos muito pouco, para não dizer nada.
Brincámos muito, fizemos muitos telefonemas e mandámos muitos faxes de
Coordenação para Coordenação e, como as escolas estavam paradas, não tivemos
telefonemas para responder, nem questões para resolver.
Eu apresentei-me no serviço
trajada de funcionário público da letra Z, nesta triste figurinha:
Mas não fui apenas eu quem foi
trabalhar mascarada. Vejam o grupo todo: desde as Coordenadoras até às
funcionárias administrativas, muitas de nós fomos vestidas para brincar.
E houve até um folheto com o
horário e as atividades previstas que foi distribuído pelos trabalhadores:
Esse “trabalho forçado” de 1993
não poupou o “nosso” primeiro, cuja aceitação começou a decair a partir de
então, tendo culminado com o grande buzinão da ponte no ano seguinte. Mas será
que este povo vai ter força e vontade para fazer o mesmo a este “nosso” primeiro tão
diligente que decretou o atual "trabalho forçado"?

















