segunda-feira, 18 de julho de 2011

Praia da Cova Redonda






Sou algo conservadora no que toca a hábitos e procedimentos além de que não sou muito curiosa. Há anos que vimos aqui para esta vizinhança da Sr.ª da Rocha e nunca me tinha dado ao trabalho de  ir espreitar uma prainha aqui mesmo ao lado que está indicada com o nome de  Praia da Cova Redonda. No sábado, deu-nos para ir lá ver a vista. Fomos descendo, descendo por uma escadinha estreita pelo meio de árvores e silvados que para nosso descanso, faziam uma sombra bem frondosa e lá pelo meio ainda descobrimos uma enorme piscina redonda de água muito azul, bem rodeada de um relvado verdejante e de belas espreguiçadeiras pertencentes a um resort (como se diz agora, embora eu prefira dizer empreendimento) de luxo.

Depois de descermos para aí o dobro das escadas, lá nos deparámos com uma concha de areia escaldante bordejada pelas águas calmas desta zona do país. Muito bonita - como todas as que se descobrem por entre as escarpas da costa - e bastante sossegada.

Mas... por entre as arribas desgastadas e aproveitando as suas sombras, ainda se viam banhistas deitados parecendo ignorar ou esquecer o perigo a que se expunham. Não aprendemos nunca, ou gostaremos mesmo do desafio?


domingo, 17 de julho de 2011

Faísca McQueen


 


O meu neto José, que, como já aqui disse, tem apenas dois anos e meio, é “vidrado” no Faísca McQueen, que é, para quem já não tem ou ainda não tem criancinhas por perto, um simpático carro de corridas cor de Ferrari, novo desenho da Disney que já vai na segunda longa metragem para além de vender a imagem em tudo e mais alguma coisa desde carrinhos de brinquedo, Lego, copos, pratos, canecas, T-shirts pijamas e até em capas de edredon.

Todos os dias ele vê o vídeo do Cars 1 – assim se chama o primeiro filme do dito “fetiche” – enquanto come a sopa e, um dia desta semana, a mãe resolveu levá-lo ao cinema ver o Cars 2. Foi um deslumbramento! Primeiro porque foi sua a primeira ida a uma sala de cinema, depois porque teve à sua disposição um daqueles horrorosos baldes de pipocas que comeu até ao cansaço, além de que podia saltar livremente da sua cadeira alta para o colo da mãe ou para o da avó. Mas ver o simpático carrinho vermelho e os seus camaradas em grande plano é que foi o encantamento total. Claro que não entendeu nada do enredo do filme, mas tudo viu com a máxima atenção.

Como gosto muito de ver no jornal a classificação dos filmes feita pelos melhores críticos da praça, lá fui espreitar o que diziam eles sobre esta obra. Só um dos críticos tinha opinião: não era “de fugir”, mas era classificado de mau.

Mas o facto é que eu gostei. Gostei bastante. Acho que está muito bem feito, muito bonito e cheio de referências culturais que as crianças podem absorver que só lhes fazem bem. Apresentam desenhos lindíssimos de Itália, de Paris e de Londres e o engraçado do filme, na minha perspectiva de eterna fã do atraente 007 (especialmente o desempenhado pelo incomparável Sean Connery), é que todo o enredo segue de muito perto as aventuras quiméricas e loucas do multifacetado agente secreto britânico ao serviço de Sua Majestade com os seus intermináveis recursos de defesa e de ataque e com licença para matar. Até a música remete para os acordes potentes e sacudidos dos filmes de Mr Bond. E nem sequer deixa de glosar o tema ecológico e actual das energias renováveis e alternativas. Muito giro!

Recomendo a quem tenha crianças como desculpa  - e não só - para irem ver.

Let's look at the trailer!...


quinta-feira, 14 de julho de 2011

Elogio






Sabemos todos por experiência que, quando nos fazemos acompanhar por uma criança pequena, somos alvo de certas atenções que não nos são dispensadas se formos só nós pobres adultos.

O meu genro F. que tem dois filhos lindos que o põem, como acontece com qualquer pai, extremamente vaidoso, diz, algo inchado, que, quando sai com o seu pequenino Eduardo de cinco meses ao colo, as miúdas olham todas, interessadas, para ele...

Não é bem o meu caso mas esta semana tenho cá em baixo comigo o meu neto José que é moçoilo para dois anos e meio, com uns olhos bem pretos e bem atrevidos e que já fez uma conquista junto de uma menina dos seus dez/onze anos, muito querida e com muito jeito para crianças, que o leva com ela para o meio da piscina dos grandes e joga a bola com ele.

Como ando sempre por ali a vigiá-los como quem não quer a coisa, e como toda a minha vida lidei de uma forma lisa e algo cúmplice com alunos destas e de outras idades, a menina já me confidenciou tudo acerca dos seus avós e das doenças que entretanto infelizmente os limitaram. E aí, surgiu o mais franco e mais natural elogio que me foi feito nos últimos tempos. Disse ela: “Nunca vi uma avó que aguentasse tanto tempo dentro de água...”


terça-feira, 12 de julho de 2011

Obrigado, Sr. Ministro!



Não gosto particularmente do comentador (opinion-maker) João César das Neves. Muito "de direita", muito moralista  para o meu gosto. Mas deixei-me encantar - ou talvez melhor - enternecer pela crónica que assinou  no DN de ontem e que tinha como título "Obrigado, Sr. Ministro!". Foi aliás o título que me chamou a atenção já que, repito, não me dá muito para ler os seus escritos. Dizia assim:

Há dias um pobre pediu-me esmola. Depois, encorajado pela minha generosidade e esperançoso na minha gravata, perguntou se eu fazia o favor de entregar uma carta ao senhor ministro. Perguntei-lhe qual ministro e ele, depois de pensar um pouco, acabou por dizer que era ao ministro que o andava a ajudar. O texto é este:


"Senhor ministro, queria pedir-lhe uma grande ajuda: veja lá se deixa de me ajudar. Não me conhece, mas tenho 72 anos, fui pobre e trabalhei toda a vida. Vivia até há uns meses num lar com a minha magra reforma. Tudo ia quase bem, até o senhor me querer ajudar.

Há dois anos vierem uns inspectores ao lar. Disseram que eram de uma coisa chamada Azai. Não sei o que seja. O que sei é que destruíram a marmelada oferecida pelos vizinhos e levaram frangos e doces dados como esmola. Até os pastelinhos da senhora Francisca, de que eu gostava tanto, foram deitados fora. Falei com um deles, e ele disse-me que tudo era para nosso bem, porque aqueles produtos, que não estavam devidamente embalados, etiquetados e refrigerados, podiam criar graves problemas sanitários e alimentares. Não percebi nada e perguntei-lhe se achava bem roubar a comida dos pobres. Ele ficou calado e acabou por dizer que seguia ordens. Fiquei então a saber que a culpa era sua e decidi escrever-lhe. Nessa noite todos nós ali passámos fome, felizmente sem problemas sanitários e alimentares graves.

Ah! É verdade. Os tais fiscais exigiram obras caras na cozinha e noutros locais. O senhor director falou em fechar tudo e pôr-nos na rua, mas lá conseguiu uns dinheiritos e tudo voltou ao normal. Como os inspectores não regressaram e os vizinhos continuaram a dar-nos marmelada, frangos e até, de vez em quando, os belos pastéis da tia Francisca, esqueci-me de lhe escrever. Até há seis meses, quando destruíram tudo.

Estes não eram da Azai. Como lhe queria escrever, procurei saber tudo certinho. Disseram-me que vinham do Instituto da Segurança Social. Descobriram que estava tudo mal no lar. O gabinete da direcção tinha menos de 12 m2 e na instalação sanitária do refeitório faltava a bancada com dois lavatórios apoiados sobre poleias e sanita com apoios laterais. Os homens andaram com fitas métricas em todas as janelas e portas e abanaram a cabeça muitas vezes. Havia também um problema qualquer com o sabonete, que devia ser líquido.

Enfureceram-se por existirem quartos com três camas, várias casas de banho sem bidé e na área destinada ao duche de pavimento (ligeiramente inferior a 1,5 m x 1,5 m) não estivesse um sistema que permita tanto o posicionamento como o rebatimento de banco para banho de ajuda (uma coisa que nem sei o que seja). Em resumo, o lar era uma desgraça e tinha de fechar.

Ultimamente pensei pedir aos senhores fiscais para virem à barraca onde vivo desde então, medir as janelas e ver as instalações sanitárias (que não há!). Mas tenho medo que ma fechem, e então é que fico mesmo a dormir na rua.

Mas há esperança. Fui ontem, depois da missa, visitar o lar novo que o senhor prior aqui da freguesia está a inaugurar, e onde talvez tenha lugar. Fiquei espantado com as instalações. Não sei o que é um hotel de luxo, porque nunca vi nenhum, mas é assim que o imagino. Perguntei ao padre por que razão era tudo tão grande e tão caro. Afinal, se fosse um bocadinho mais apertado, podia ajudar mais gente. Ele respondeu que tinha apenas cumprido as exigências da lei (mais uma vez tem a ver consigo, senhor ministro). Aliás o prior confessou que não tinha conseguido fazer mesmo tudo, porque não havia dinheiro, e contava com a distracção ou benevolência dos inspectores para lhe aprovarem o lar. Se não, lá ficamos nós mais uns tempos nas barracas.

Senhor ministro, acredito que tenha excelentes intenções e faça isto por bem. Como não sabe o que é a pobreza, julga que as exigências melhoram as coisas. Mas a única coisa que estas leis e fiscalizações conseguem é criar desigualdades dentro da miséria. Porque não se preocupam com as casas dos pobres, só com as que ajudam os pobres."


Lembro-me de terem acontecido situações destas há uns tempos atrás e fiquei até surpreendida com esta manifestação-denúncia de JCN sempre tão consentâneo com o "status quo"...

Hoje, porém, lá veio o meu "querido" Ferreira Fernandes exprimir aquilo que me tinha ficado a pairar no espírito sem que eu tivesse conseguido determinar bem o que era. Diz ele, no seu estilo tão característico:


Aqui no DN, João César das Neves escreveu ontem um hino ao homem. É assim, conta ele, que um homem pobre foi acolhido num lar feito por gente generosa para homens pobres e velhos. Os doces eram de esmola e as habitações espartanas - mas eram, o que reconfortava o homem de reforma magra. Infelizmente, é sempre JCN a contar, há o Estado mau que se mete com os homens bons. Veio a ASAE, e a sua mania dos produtos embalados, veio o Instituto da Segurança Social, e a sua mania das fitas métricas, e fecharam o lar. E o velho e pobre homem, diz JCN, vive agora numa barraca. Ah, grito lancinante a favor dos homens e contra a frieza do Estado! E estava eu com os olhos marejados quando me lembrei que JCN chama às suas crónicas "Não Há Almoços Grátis". Parei. Mas (agora sou eu a falar), então, JCN sabe que os homens, e até os homens donos de lares, não são necessariamente bons. E que entre lares fechados por não terem tantos bidés como a ASAE quer e lares onde os velhos são maltratados, haverá mais destes do que daqueles (vale um almoço de aposta?). Talvez o velho, inventado por JCN, quando grita ao ministro (que representa o Estado) "veja lá se deixa de me ajudar", esteja errado. Talvez ele precise mesmo de normas e leis a ajudar porque os almoços nunca são grátis e os homens deixados à rédea solta trazem a liberdade da "raposa livre no galinheiro livre" (cito Lacordaire para mostrar que não é o anticatolicismo que me move).


segunda-feira, 11 de julho de 2011

Velhos maltratados






Mais do que os recentes cortes nas avaliações sobre a economia e as finanças portuguesas realizadas pelas tão faladas agências de notação americanas e que tantos amargos de boca têm trazido para o senhor presidente e para os senhores governantes e respectiva família partidária; mais do que as violentas medidas da troika para tentar equilibrar as mesmas; mais que o corte no décimo terceiro mês; mais que todas as medidas além-troika que, à sombra desta, o governo da nova maioria se prepara para tomar (qual PEC IV, qual carapuça?) doeu-me uma notícia de ontem que coloca Portugal no grupo dos seis piores países no que toca à violência sobre os idosos.

A Organização Mundial de Saúde analisou mais de 50 países europeus e Portugal aparece entre os seis países com um cenário mais negro. A gravidade do problema repete-se, apenas, na Sérvia, na Áustria, em Israel, na Macedónia e na Eslováquia. E chega ao ponto de alertar para o seguinte: "Portugal tem um sério problema no que respeita aos maus tratos contra idosos."

De acordo com os resultados, 39 por cento dos inquiridos são vítimas de violência ou abusos, 32 por cento alvo de abusos psicológicos, 17 por cento de extorsão, 13 por cento de agressões físicas e 10 por cento de negligência.

E continua afirmando que, por dia, na Europa, quatro milhões de idosos são vítimas de humilhações, quer físicas quer psicológicas. Bofetadas, murros, socos, queimaduras no corpo e cortes propositados são algumas das agressões mais comuns praticadas contra a terceira idade.

Uma vergonha para o mundo dito civilizado. Um vexame para nós, portugueses, sermos classificados como violentos, brutais.

Quem disse que somos um povo de brandos costumes?!

domingo, 10 de julho de 2011

Vamos de férias

... para aqui:









Fiquem bem!
Mas não pensem que se vêem livres de mim...
Eu vou andar por aí. (Onde é que eu já ouvi isto?!...)

sexta-feira, 8 de julho de 2011

As agências de rating



Finalmente os políticos que actualmente nos governam, o presidente da República  e o resto dos cidadãos descobriram as famosas agências de rating passando a considerá-las devastadoras, nocivas, obscenas mesmo. Finalmente sentimo-nos ofendidos, vilipendiados, injustamente arrasados. Como bem diz o ditado - deus sabe o que eu detesto ditados! - "vale mais tarde que nunca"!

Bom, mas continuo a não entender como é que apenas agora isto aconteceu e por que é que de há uns três ou quatro meses para trás, ninguém se levantou contra os desmandos daqueles avaliadores  e teimavam todos em acreditar e divulgar que a responsabilidade era tão-somente do governo em funções senão mesmo do seu PM. Até o sr. presidente, tão distinto economista que, dizem, tão bem superintendido aos destinos desta  nossa tão querida terra, manteve-se caladinho como um rato, enfeudado nos seus proverbiais tabus e agora, de repente, desatou a língua vindo em defesa do ... povo.

Mas porque não quero ser - e muito menos parecer - agressiva nem tão pouco tendenciosa, e como há quem seja profissional destas coisas da análise da coisa política, deixo aqui a breve crónica de Ferreira Fernandes no DN de ontem sobre o assunto que está muito correcta, muito lúcida, muito clara, sem descurar, porém, a sua habitual ironia.

Felizmente Sócrates foi embora


"Passos Coelho reagiu: "Um murro no estômago." Também Cavaco Silva sentiu que não havia "a mínima justificação" para a classificação dada a Portugal. Aleluia, assinale-se que se alargou o leque dos que ficam sem fôlego com as intenções ínvias de uma agência de rating. "Lixo!", é o que a Moody's diz que somos. Anote-se, não porque a Moody's seja séria, mas porque é muito influente. Vamos ter de viver com ela, e as da matilha. A boa notícia é que José Sócrates já se foi embora. Ajuda muito. Até agora ele era aquela árvore que tapava a floresta das Moody's. A culpa era dele, só dele, dizia-se, e boa parte de Portugal andava encandeado com essa culpa. Agora já quase todos conseguimos ver a rataria das agências - é um passo em frente. O perigo seria que o PS, ressabiado pela animosidade anterior dos adversários, quisesse pagar com a mesma moeda. Felizmente, isso, que seria uma estupidez, não parece ser intenção do PS. Podemos ter, agora, uma opinião nacional, que deve ser transformada em vontade comum. Ter uma causa comum contra as agências de rating (como tem sido, em Espanha, desde o Rei, passando pelos dois maiores partidos, até aos jornais de direita e de esquerda) é bom. Não que sirva de grande coisa, de tal modo a teia nos é exterior. Mas é sempre bom quando o óbvio se torna universal e poupamos em falsos combates. Desde esta semana, Portugal está mais adulto."