sexta-feira, 8 de julho de 2011

O meu primeiro bikini



(Mulheres romanas, Séc. IV, AD)

Foi, nos últimos dias, notícia algo jocosa de jornais e telejornais: o bikini fez, no passado dia 5, 65 anos.

Embora haja evidências de que na Antiguidade se usasse já, o modelo actual composto por duas peças foi criado em 1946 por Louis Réard, engenheiro mecânico francês que dirigia a loja de lingerie de sua mãe perto do Folies Bergères, em Paris. A apresentação da peça aconteceu cinco dias depois da detonação da primeira bomba atómica dos Estados Unidos da América (EUA) no Atol de Bikini, no dia 5 de Julho, o que deu origem à designação adoptada para a peça irreverente então criada.

No início dos anos 40, belezas do cinema americano como Ava Gardner, Rita Hayworth e Lana Turner já usavam fatos de banho de duas peças.


(Ava Gardner 1941)

Aqui na Europa pode dizer-se que foi a escultural Brigitte Bardot que lançou a moda do bikini nos anos 50. E, no início dos anos 60, Ursula Andress usou-o no primeiro filme do 007.



(Brigitte Bardot)

A Igreja, retrógrada e reaccionária como sempre, proibiu por ordem de Pio XIX  o uso de semelhante indumentária e cá no Portugal de Salazar então nem se podia falar nisso!

Lá em minha casa, o meu pai não me deixava  usar bikini por muito que eu lhe tentasse o juízo. No Verão de 66, quando fomos passar as nossas primeiras férias à Ericeira – onde e quando conheci o meu marido – a minha mãe, que nas coisas da moda era muito mais avançada e liberal, comprou-me nos malogrados armazéns do Eduardo Martins – que ardeu completamente no fogo do Chiado de Agosto de 88 – um atraente fato de banho branco que, na realidade não tinha duas peças mas era como se as tivesse porque sobre as duas partes tinha apenas um rendilhado que as cobria. Escusado será dizer que dava mais nas vistas que se de um bikini se tratasse. Porém, assim, o meu pai nada pôde dizer...

Comprei o meu primeiro bikini – lindo! duas peças ainda pouco ousadas de um suave tecido que parecia turco verde musgo – para o Verão de 69 só depois do meu pai morrer. Não foi por desrespeito, juro! É que eu achava – e acho – mesmo elegante e moderno. Nunca mais voltei a usar fato de banho. De ideias fixas? Sou! Um bocado...

Só para se rirem, vou deixar fotografias do meu primeiro bikini e de outros de quando era ainda menina e moça.

O tal bikini verde musgo, no Verão de 69, na Praia Grande (Sintra)


Outro mais moderno no Verão de 71, em S. Pedro de Muel (Leiria)

Este aqui com as cores características dos anos 80
no Verão de 89, na Praia de Madeiros (Leiria)

 
Ainda hoje uso bikini e penso que vou usá-los sempre até ser velhotinha mesmo contrariando a minha fiha mais velha que sempre preferiu usar fato de banho. Porém, os meus bikinis  mais recentes talvez não tenham já graça nenhuma para serem mostrados aqui... ...


quarta-feira, 6 de julho de 2011

O Apólogo das Lebres e das Rãs





Como por vezes me deixo resvalar e me sinto um bocado infeliz (as mulheres têm um pouco a tendência para a autocomiseração) lembro-me muitas vezes deste apólogo que a minha professora de Literatura Portuguesa do 7º ano (actual 11º),  nos leu quando estávamos a estudar a obra de D. Francisco Manuel de Melo, autor moralista do século XVII, mais conhecido de todos pela sua "Carta de Guia de Casados".

A Senhora Dona Amália Ferreira da Costa (lá no Maria Amália, à época, as professoras tinham o nome precedido do muito respeitoso Sr.ª D. e não da vaidosice do Dr  como passou a acontecer mais tarde) tinha muito orgulho no seu apelido e carregava nos rr de Ferreira e nós ríamos muito (à socapa, claro) mas lia muito bem e sabia muito de literatura o que me deixava sempre pendente das suas palavras. Por isso nunca mais me esqueci deste apólogo que achei carregadinho de significado e de ensinamento. E hoje, na sequência de uma visita a uns amigos, mais uma vez me veio à mente.

Vou deixá-lo aqui na sua versão em prosa e escrito no português do século XVII (que seria o actual se não tivesse entretanto havido vários acordos ortográficos...)

"Diz que, lá não sei donde, se juntaram as lebres a conselho, e por todas foi assentado que se fossem lançar em ˜ua alagoa e se afogassem, sem ficar mais geração de tão triste gente perseguida de todo o mundo, que toma seu perigo por divertimento. Ora, indo já todas correndo, fizeram [tão] grande matinada que as ouviram as rãs que estavam junto do charco. E, como tivessem grande medo do arruído, foram-se lançando n’água, ganhando-lhe a dianteira do pricipício. Notou isto ˜ua das lebres, que ia diante, e parou fazendo deter as outras, a quem disse: «Senhoras, tende mão! Não nos lancemos a perder por miseráveis, pois vemos que ainda o são mais estas rãs, que tem medo de nós e a nosso respeito se precipitam». Donde digo que não há estado tão triste do mundo, que não haja outro mais triste com que aquele possa consolar-se."

Porém, quem preferir a versão poética, (bem mais bela e completa) poderá "servir-se"...

Diz que as lebres, como gente,
hum dia, conselho houveraõ
por naõ viver tristemente;
e afogarse derepente,
todas juntas rezolveraõ.

Duas raãns, como sohiaõ,
junto a o charco eraõ, pastando,
a donde as lebres corriaõ;
e de medo doque ouviaõ
vaõse no charco lançando.
Huma lebre mais ladina
que isto viu; tevesse quedo,
e gritou pella campina;
ten de maõ gente mofina,
que inda há raãns, que vos tˇe medo.


Vedes que assy padaceis,
o que dizeis, e callais,
desses males taõ crueis?
Quantos homˇens cuidareis
Que vos trocáraõ seus ays.
Fes Deos o mundo pezado,
logo o repartio, segundo
nossas forças, nosso estado;
cada qual vay carregado,
e mais, quem tem mais do mundo.

terça-feira, 5 de julho de 2011

O Pinhal das Artes




O Pinhal das Artes é, nas palavras dos seus organizadores, a SAMP, um Festival de artes para a primeira infância, num espaço dedicado à família, à sensibilização ambiental e à educação pela e para a arte e a sua 5ª edição realizou-se no passado fim de semana no Pinhal do Rei, em S. Pedro de Muel.

A SAMP é a Sociedade Artística Musical dos Pousos, uma freguesia de Leiria, cujo motor e mentor é o professor e maestro Paulo Lameiro e desenvolve ua miríade de actividades musicais, de dança e de expressão dramática  para as crianças durante todo o ano.  Famosos mesmo nacional e internacionalmente  são os Concertos para Bebés que aconselho vivamente aos pais de crianças pequeninas.

No sábado, lá fomos a S. Pedro espreitar o dito festival que tem lugar junto ao parque de campismo da Orbitur.


À entrada, um enorme aquário cheio de grandes peixes


Actividades variadas  ao ar livre


Experimentar brincadeiras novas


 A tenda principal onde se realizaram os espectáculos


Schola Cantorum Pastorinhos de Fátima, o coro infantil do Santuário
dirigido por Paulo Lameiro


As meninas do coro entre o público

 O maestro sempre cuidadoso com os seus meninos
(que são quase só meninas)

Preparando as crianças para as histórias para irem dormir


A família esteve embevecida...


segunda-feira, 4 de julho de 2011

Uma no cravo e outra na ferradura...


Não, não vou perorar sobre a evolução semântica da expressão "dar uma no cravo e outra na ferradura" se bem que de algum modo seja fácil de descobrir. Mas isso é mais da área do nosso amigo  Rafeiro Perfumado ...

Hoje vou trazer aqui o polémico tema do novo acordo ortográfico. É que, no fim de semana, passámos ali pelas falésias entre a praia Velha e a praia de S. Pedro de Muel (desculpem, eu gosto de escrever Muel ainda de acordo com o antigo (mais antigo)  acordo  porque foi assim que aprendi quando vivi na Vieira nos anos 50) e vi um aviso em madeira que me chamou a atenção por ter a palavra "proteção" escrita já de acordo com o novo acordo ortográfico. Porém, ao ler todo o aviso, notei que a referida palavra também estava escrita ainda "à antiga".

Depois entendi! É que quer ali passe o Professor Malaca Casteleiro, quer passe o Dr. Vasco Graça Moura,
qualquer deles fica satisfeito com a ortografia empregue...




E os meus amigos, qual é a vossa opinião sobre a adopção do novo acordo ortográfico?

domingo, 3 de julho de 2011

Veja onde foi o jovem casal...




Só para não continuar a falar mal dos governantes... E já que somos um belo país à beira mar plantado e que o nosso mar é tão azul e tão bonito, deixo umas imagens bem frescas e fica no ar o enigma  mais simples de toda a blogosfera: Onde foi o jovem casal?







Sardinhas de Lisboa





Ganhei da minha mãe este traço de insatisfação – ou serão todas as mulheres umas eternas insatisfeitas?

Só me lembro de a ver (mais ou menos) feliz quando morávamos em Algés. Quando, aí por 56, fomos (ou devo dizer viemos?) viver para a Vieira de Leiria, não obstante se ter embrenhado em aulas a adultos e em campanhas de cidadania (nessa época ainda não existia, entre nós, este conceito) a criar, montar e organizar a creche e a cantina para as trabalhadoras da fábrica de limas e a ajudar a organizar os festejos do centenário da fundação da fábrica de limas União Tomé Feteira, entrou numa depressão (palavra que também não se usava à época) a que o psiquiatra que a acompanhou chamou de esgotamento cerebral, que só conseguiu ultrapassar quando regressámos de vez a Algés. Depois, quando, em Outubro de 58, definitivamente mudámos para aquele casarão enorme e sombrio no sopé da Serra de Sintra em que estava sediada a Escola, e onde, dois ou três dias depois de lá estarmos um (amável e intrépido) vizinho veio avisar os meus pais dos cuidados a terem com uma pessoa muito ligada ao trabalho da minha mãe e que era informadora da PIDE, nunca mais a senti completamente satisfeita. Duas ou três vezes mudámos de casa em Sintra para lugares mais alegres mas sempre voltávamos a residir no enorme casarão que era a Escola que muito agradava ao meu pai e a que a minha mãe com muito enfado chamava a “sua prisão sem grades”.

Não pretendo falar da minha já conhecida e antiga insatisfação por morar onde moro, mas sinto que, por vezes, me faz falta não sei muito bem o quê. É nessas alturas que penso que preciso de ir a Lisboa – coisa que não acontece há bastante tempo. E então começo a arranjar pretextos. O último foi ir ver a exposição das sardinhas das festa de Lisboa. O pior é que escoou-se o mês de Junho e deixei fugir a oportunidade já a mostra já terminou.

Desde que inventaram a Internet, porém, há sempre a hipótese de fazermos visitas virtuais e foi o que eu fiz. Mas não é a mesma coisa!

Pelo menos desde 2008 que a EGEAC (Empresa de Gestão Equipamentos e Animação Cultural) lança um concurso para o desenvolvimento da imagem das Festas de Lisboa cujo tema é a sardinha.


Eis algumas das concorrentes:


A sardinha fadista
A sardinha de croché



A sardinha de chita


 A sardinha nobre  (mas não Fernando Nobre...)


A sardinha mamã




Outras propostas

A sardinha vencedora de 2011



Sardinhas de 2008



Sardinhas de 2009



Sardinhas de 2010


 E ainda estas que acho muito bonitas!



sexta-feira, 1 de julho de 2011

Mentiras e mais mentiras


Já vi este vídeo em, pelo menos, mais dois blogs, mas não posso deixar de o passar aqui. Para conhecimento.
E, a propósito, transcrevo parte de um excerto escrito pelo nosso grande poeta e pensador Fernando Pessoa nos idos de 1915 e que tão actual continua!





“Tão regrada regular e organizada é a vida social portuguesa que mais parece que somos um exército do que uma nação d gente com existências individuais. Nunca o português tem uma acção sua quebrando com o meio virando as costas aos vizinhos. Age sempre em grupo sente, sempre em grupo, pensa sempre em grupo. Está sempre à espera dos outros para tudo.

Somos incapazes de revolta e de agitação. Quando fizemos uma “revolução” foi para implantar uma coisa igual ao que já estava. Manchámos essa revolução com a brandura com que tratámos os vencidos. E não nos resultou uma guerra civil que nos despertasse; não nos resultou uma anarquia, uma perturbação das consciências. Ficámos miseravelmente os mesmos disciplinados que éramos.”

Fernando Pessoa
1915 (excertos)