segunda-feira, 7 de março de 2011

Os nossos alunos surdos


A “minha” escola tem alunos surdos (profundos e severos) desde o início dos anos 90. Foram alunos acompanhados desde pequeninos pela então chamada Equipa de Educação Especial que, depois de fazerem o 1º ciclo, passaram para a nossa escola para seguirem a sua escolaridade conforme prescrito na lei do tempo do excelente ministro Roberto Carneiro. Aí, frequentavam pequeninas turmas de 4/5 alunos com professores escolhidos que recebiam alguma formação interna para seguirem esses alunos e, nas disciplinas práticas, como EVT, Música e Educação Física, faziam parte de uma turma regular para, deste modo, fazerem a sua integração próxima.

E assim tem funcionado desde então. Com o desaparecimento das Equipas de Educação Especial e com a criação dos Agrupamentos de Escolas, esses alunos, bem como os portadores de outras deficiências, entraram num modelo de completa integração nas escolas as quais passaram também a ter os seus próprios professores especializados, terapeutas e outros técnicos especializados.

Actualmente o agrupamento é a escola de referência para alunos surdos daqui da zona, continuando a receber e a acompanhar alunos com patologias auditivas desde os três anos até ao 9º ano.

Tudo isto para apresentar um pequenino vídeo feito pelos actuais alunos surdos do 9º ano – a quem ainda me sinto muito ligada porque ainda os ajudei a integrar na escola – com a ajuda do professor de Inglês e do intérprete de Língua Gestual e que vai servir para participarem num projecto europeu sobre os jovens nos media.

 




À laia de resposta para as questões que eles levantam no vídeo, tenho a informar que li que a TVI está a preparar uma nova novela que vai abordar o tema da surdez, estando já duas das suas mais mediáticas artistas, a Rita Pereira e a Margarida Marinho, a aprender Língua Gestual Portuguesa para contracenarem com o Lourenço Ortigão que vai fazer o (difícil) papel de surdo. Sabe-se lá se algum dia não poderá ser um dos nossos meninos da D. Dinis a desempenhar um papel desses? Oxalá!

Não posso deixar de mandar daqui “paletes” de beijinhos para os “artistas” do vídeo – especialmente para o Joel e para o Paulo, que são os que conheço bem desde o 5º ano – e desejar-lhes, a todos,  as maiores felicidades e sorte em tudo nas suas vidas!

 

domingo, 6 de março de 2011

Gatices...





Quem disse que gato escaldado de água fria tem medo?!

sábado, 5 de março de 2011

Formação em ADD...





Todos nós sabemos o que os professores pensam sobre os dois últimos modelos de avaliação do seu próprio desempenho. Todos nós nos lembramos dos milhares de professores que saíram às ruas em 2008 para fazerem parar o modelo de avaliação do desempenho legislado pelo ministério de Maria de Lurdes Rodrigues. Continuamos a ver e a ler por todo o lado sobre o desmedido desagrado destes profissionais pela forma como estão a ser avaliados. Os blogs que se dedicam exclusivamente aos assuntos relacionados com a educação bradam diariamente, quase de hora a hora, diria, contra este modelo altamente burocrático, excessivo e destruidor do bom ambiente nas escolas e houve até um desses bloguistas que se deu ao trabalho – que eu reportei de absolutamente ingénuo – de definir 10 medidas para parar a avaliação já!

E, depois de tudo isto e de muito mais que não vou esmiuçar aqui, a que assistimos? O Ministério da Educação encomendou ao ISCTE uma formação para formadores especializados em avaliação do desempenho docente que pôs à disposição das escolas em meados de Fevereiro. Será, no dizer do Secretário de Estado Alexandre Ventura, uma formação em cascata (como se usa dizer agora) onde se formarão os formadores que irão dar formação aos avaliadores através dos centros de formação das escolas.

Não falou o Dr. Alexandre Ventura em alterar o modelo que, como sabemos, é apodado de ter todos os defeitos e mais algum (e terá, não o discuto!)

Foram abertas 25 vagas para essa formação. Sabem quantos professores se inscreveram para a receber?

600! (Quantos deles terão andado e, por ventura, voltarão a andar nas manif(s) a vociferar contra a ADD?)

sexta-feira, 4 de março de 2011

A queda da ponte





Passam hoje dez anos sobre a tragédia que foi a queda da Ponte Hintze Ribeiro, em Entre-os-Rios, sobre o Rio Douro.

Areias movediças que abalaram a ponte, que nos abalaram a todos, que abalaram a já abalada construção política do país. Governos minoritários no nosso país trazem, à partida, as fundações minadas: não sabemos bem o que queremos e votamos assim-assim, não dando um poder seguro aos governos e depois, abalamo-los, abanamo-los até caírem porque continuamos a não saber muito bem o que queremos.

Isto sempre em círculos. Até quando? Até onde?

quinta-feira, 3 de março de 2011

Somos assim, que se há-de fazer?


Costumo ler as pequeninas crónicas da última página do DN assinadas pelo jornalista Ferreira Fernandes, inexorável crítico da nossa sociedade e da nossa política que, em meia dúzia de palavras, não "as poupa" a ninguém. Considero a crónica de hoje particularmente boa porque, ao contrário do que se usa agora afirmar em toda a comunicação social, tudo o que de mal que nos acontece é por culpa dos políticos, especialmente dos últimos porque são os que estão mais à mão e porque já nos esquecemos dos anteriores, ele descarrega as responsabilidades da nossa situação actual sobre alguns (muitos?) de nós, pondo não o dedo, mas os dedos todos na ferida. Até dói!

Querem ler?

"A todos os bancários com 58 anos que estão há dez anos na reforma. A todos os jornalistas com dentaduras como teclados de piano pagas quase de borla antes que lhes tirassem essa trafulhice. A todos os maus professores que subiram na carreira só porque passaram tantos anos no ensino quanto os passados pelos bons professores. A todos os mestrandos com idade para saber que nunca exercerão o que estudam, mas que vão aproveitando porque entretanto sempre vai pingando a bolsa obtida graças à influência de um familiar. A todos os condutores de Mercedes que o têm porque o seu nível de patamar do emprego diz "direito a carro de classe X", quando a qualidade com que exercem o trabalho seria mais para andar de burro. A todos os autarcas que fizeram obras em casa e não precisaram de pagar por elas. A todos, pobres e ricos, donos de jantes de liga leve e filhos com educação ainda mais leve. A todos os que lá em casa bebem vinho vulgar mas durante a semana, com factura metida na tesouraria da empresa, hesitam entre o Pêra Manca e um Quinta do Crasto Vinha Maria Teresa. A todos os empresários que declaram às Finanças prejuízo e aos amigos declaram que este ano vai ser Maldivas. A todos: obrigado. Ontem, vendo os meus feitores, humildes e com a boina enrodilhada nas mãos, prestando contas à dona alemã da quinta, senti a minha parte da vergonha. Mas a todos, obrigado: graças a vocês sei que há maiores culpados."

quarta-feira, 2 de março de 2011

Faz já 42 dois anos...


... que o meu pai morreu, aos 49 anos de idade. Dois dias depois do tremor de terra de 1969. Morávamos em Sintra. Foi num Domingo em que o meu pai tentou levantar-se para ir tratar de um negócio (teria sido o negócio da vida dele) para o local da barragem do Roxo para, com uns sócios espanhois tratar de negociar carradas de tomate para se fazer uma fábrica de concentrado. Não deu para se levantar. Teve um ataque de coração. E naquele tempo (e venham-me falar bem do tempo do Salazar!) não havia ambulâncias para chamar, nem  hospitais equipados a funcionar, nem médicos de urgência. Chamámos à pressa o Dr Telmo Henriques que conhecia o problema dele, mas que ainda demorou uma meia hora a chegar. Lembro-me das suas quase últimas palavras: "Aquele cabrão [desculpem-me!] quando chegar já não é preciso!" Depois ainda tivemos de ir desencantar uma enorme e pesadíssima garrafa de oxigénio que transportámos, o meu primo M. e eu escadas acima e pronto! Depois de muitas massagens cardíacas (qual desfribilhador, qual quê!) e de muito oxigénio, ficou-se-nos nos braços. Só me lembro de ver o meu primo, que viveu connosco muitos anos, sentado no sofá de canto do quarto a chorar baba e ranho. Assim mesmo: baba e ranho.

Já não houve negócio e a  fábrica de produtos liofilizados, que à época eram novidade, produziu apenas mais alguns meses.

O meu pai era uma pessoa muito empreendedora, muito viva, muito perspicaz e extremamente trabalhador. Mas tinha uma deficiência congénita de coração. E também era um pouco "estouvado"... Apesar de tudo, fumava como se fumava naquela época, sem restrições, bebia o que muito bem entendia e (ainda bem para ele!) viajou e divertiu-se tudo quanto pôde.

De facto, ficou muito afectado com aquele ronco rouco que saiu durante vários minutos das entranhas da terra e mais ainda com os estremeções que abanaram com força a casa onde vivíamos (já metida bem no sopé da Serra) bem rodeada de enormes árvores e mesmo por baixo dos enorme pegregulhos que parece que se vão desprender da mesma. (Ele sempre disse que nunca sentira um tremor de terra e que o primeiro de que se apercebesse lhe seria fatal). Depois de se ter recomposto (mal) do enorme susto, ele ainda teve de conduzir para o aeroporto para ir buscar o meu irmão que chegava de Cabinda, da guerra colonial, para umas curtas férias. E aí ainda voltou a sentir as réplicas do brutal abalo.

O seu pobre coração não resistiu a tanta comoção.

(retrato do meu pai e de minha mãe, no seu escritório em Lisboa, em 1967)


terça-feira, 1 de março de 2011

São rosas, Senhor!


Todos sabemos o quanto o nosso rei D. Dinis ficou espantado quando sua angelical esposa, D. Isabel, em pleno mês de Janeiro, lhe garantiu e mostrou que levava o avental cheio de rosas.

Imagine-se o espanto de Sua Alteza Real se soubesse que estive a fazer marmelada em Fevereiro! Pois é verdade! De facto, as compotas e doces fazem-se em Setembro quando os frutos ficam dourados. E eu fiz marmelada em Setembro. É como que um ritual que se cumpre desde a casa da minha mãe todos os Setembros. Mas em Fevereiro ...

O facto é que, quando aquele apreciado doce chega a esta altura já está rijo e escuro e já quase ninguém lhe pega apesar de gostarem muito de umas bolachinhas de água e sal com uma boa fatia de marmelada caseira. Por isso, este ano, resolvi congelar alguma polpa do marmelo bem como parte da água da sua cozedura para, quando a primeira edição terminasse, podermos calmamente avançar para a segunda.

E, quando a minha filha saiu da maternidade – em dois breves dias, que as coisas já não são como eram – avisou-me que o seu doce arsenal estava a chegar ao fim e, eis-me, de avental e panelão a proceder à segunda dose.




E, já agora, deixo aqui a receita da marmelada segundo a minha mãe (e, certamente, segundo as outras mães todas...)

Lavam-se os marmelos muito bem e cozem-se em panela/panelão em água abundante. Depois de cozidos, pelam-se com utensílio de madeira para não escurecer o produto. (Obs: no tempo da minha mãe fazia-se assim e levávamos cada escaldão por os bons dos marmelos não arrefecerem tão rapidamente como gostaríamos! Mas eu, que não tenho tanta paciência para estas coisas da cozinha, descasco-os crus e parto-os em quartos retirando-lhes os caroços, (que guardo para a geleia) o que também não é pêra doce já que os marmelos, ou gamboas (que são bem melhores) são bem rijos!

Depois de cozidos e pelados (ou descascados), reduzem-se a puré, pesando-se, em seguida, este polme.

Por cada quilo de polme usaremos um quilo de açúcar. No mesmo panelão, ou noutro, claro!, junta-se o açúcar (eu normalmente retiro meio quilo ao peso total do puré por causa da linha...) e, por cada quilo de açúcar, juntam-se 2,5 dl da água em que se cozeram os marmelos, deixando-se criar ponto (de rebuçado ou de ponta mole...) cerca de duas horas.

Quando se alcançar o dito ponto de cozedura, retira-se a panela do lume e, com muito cuidado para não nos queimarmos porque o açúcar em ponto salta em contacto com o marmelo já frio, mistura-se-lhe o puré do marmelo e mexe-se muito bem até ficar tudo bem ligado.

Depois é só verter o produto para tigelas de loiça e deixar doirar ao Sol durante uns dias para ganhar consistência.

Eu sei que há umas receitas rápidas modernas, feitas na panela de pressão. Se são mais práticas? São! Mas não é a mesma coisa!

Depois, se for caso disso, posso dar a receita da geleia de marmelo à moda da minha mãe (e das outras mães todas!)