quarta-feira, 7 de julho de 2010

Saiu o Calendário Escolar


Saiu hoje o diploma que define o calendário escolar do próximo ano lectivo. É o Despacho n.º 11 120-A/2010 que pode ser consultado aqui. As actividades lectivas iniciar-se-ão entre 8 e 13 de Setembro.  Aqui para nós, esta nova moda de começar o ano lectivo na 1ª metade de Setembro é um tremendo disparate mercê do nosso clima. Começamos as aulas com tempo de praia, muitas vezes em instalações do tipo sueco (anos 70) como é a "minha" escola, com as salas todas envidraçadas e com os alunos (e os professores...) a suspirarem  pelos banhos de mar.

A nossa tradição era começar as aulas a 1 de Outubro, até porque muitas famílias ainda iam e vão de férias na primeira metade de Setembro. E íamos muito a tempo de começar e de aprender tudo o que tínhamos para aprender.

Mas, enfim, manda quem pode e há que aproximarmo-nos das datas europeias!

Saíram também as normas para a organização do ano lectivo no Despacho n.º 11 120-B/2010 que pode ser lido aqui.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Morreu Matilde Rosa Araújo


Aos 89 anos, que fez no primeiro dia deste Verão, morreu a poeta-professora Matilde Rosa Araújo.

Deixa mais de vinte livros para crianças – histórias e poemas – tendo-se sempre, ao longo da sua vida, dedicado à problemática da infância.

A primeira vez que ouvi falar da escritora foi no meu ano de estágio que foi o meu primeiro ano no ensino oficial. Fiz estágio em 1973 na Escola Preparatória de Paula Vicente e o livro de textos de Língua Portuguesa adoptado para os 1º e 2º anos do Ciclo Preparatório (actual 5º e 6º anos) era a selecta LER, da autoria de Matilde Rosa Araújo (e outros), também ela professora do recém-criado Ciclo Preparatório do Ensino Secundário, como então se chamava.

Uma escolha criteriosa de belos textos sobre temas variadíssimos, de bons autores da língua portuguesa como Sophia de Mello Breyner, Rui Cinati, António Gedeão, Sebastião da Gama, Cecília Meireles, Neves e Sousa, Manuel Ferreira, Albino Forjaz Sampaio, Vitorino Nemésio, Miguel Torga, ela própria, entre muitos outros. Que bem se trabalhou com aquele manual! Durante anos fui lá retirar textos para outros alunos, para outros fins.

Lembro-me da visita de Matilde Rosa Araújo, há mais de vinte anos, à minha escola, aqui em Leiria, como escritora, a convite das professoras de Português e da Biblioteca. Uma senhora. Muito meiga, muito doce, com um jeito natural para a interacção com as crianças. Uma simplicidade – que é, aliás, apanágio das pessoas de grande nível.

Deixo aqui um poeminha da autora, que fui retirar da selecta atrás referida, e que aparece logo nas primeiras páginas – no 1º ano do ciclo (actual 5º ano) é pelos animais que conquistamos o afecto e a confiança dos nossos alunos logo a partir das primeiras aulas.

Pastor

Meu cão:
Seus olhos castanhos
Tamanhos
De compreensão.

Meu cão:
Seus olhos castanhos
Tamanhos
De mansidão.

Seu nome é Pastor;
Seus olhos castanhos
Tamanhos
De Amor.


segunda-feira, 5 de julho de 2010

Parques de Sintra



Repreendida (e bem) pelo meu amigo e seguidor de Sintra, o Gato Preto, por ter exposto aqui os parque de Londres antes de falar dos parques da minha adolescência, dos parques de Sintra, vou, de alguma forma, emendar a mão, copiando para aqui algumas fotos (recolhidas na net) daqueles frondosos parques que em nada, mas mesmo em nada, ficam atrás dos que expus ontem, muito até pelo contrário.

E quantos de nós conhecem os de Londres e desconhecem os de Sintra? O roteiro que deixo aqui é o da minha juventude: o parque da Liberdade, outrora chamado Dr. Oliveira Salazar, que para mim é o mais belo de todos porque era o meu parque de todos os dias: lá estudei horas a fio, lá namorei e passeei, lá assisti a espectáculos de bailado maravilhosos e até a treinos de hockey-em-patins dos meus colegas de escola e a desafios dos craques dos anos 60.







Depois vem o Parque das Merendas, lá bem perto da casa onde morei, passado o chamado Largo do Vítor e onde íamos muitas vezes ter com as amigas que lá viviam e ao musgo para fazermos o presépio de Natal.

                                     

                                              


                                     

 Grupos de rapazes e raparigas, no primeiro dia das férias de Natal, munidos de cestos e de facas pela estrada da Pena, Fonte dos Amores, Monserrate naquele misto de névoa, de mistério e de frio que só há em Sintra, para trazermos enormes postas de musgo verde para o presépio.




(Fonte dos Amores)

Por fim, os parques da Pena e de Monserrate – belíssimos, num matizado de mil verdes que nem nos quadros a ponto de cruz... Estes mais para turista visitar.


(Parque da Pena)

(Parque da Pena - águas da chuva)

(Fetos no Parque da Pena)

(Palácio de Monserrate)

(Parque de Monserrate)
(Parque de Monserrate)

Vale bem a visita, não vale?


domingo, 4 de julho de 2010

Porque hoje é Domingo


(St. James's Park)

Hoje é Domingo e está um calor incrível. Finalmente está bom para ir para a praia aqui na costa oeste onde as manhãs têm acordado húmidas e cheias de nevoeiro e em que o Sol faz a sua aparição breve lá para o meio-dia.

Somos um país de praias e cultivamos e bem essa tendência. Não temos a tradição de ir para o parque. Aí os ingleses são exímios e que belos parques eles mantêm no meio das cidades e por todo o lado e que bem os aproveitam em todos os momentos livres que têm, para ler, para descansar, conversar, descontrair,  admirar os esquilinhos aos saltos...

Deixo aqui algumas fotografias tiradas em parques de Londres.






(brincando nos relvados de Westminster Abbey depois da chuva)

(foto cedida pelo F. Mendes)

(foto cedida pelo F. Mendes)


(foto cedida pelo F. Mendes)


(Hyde Park)


sábado, 3 de julho de 2010

Marcelino Sambé ganha mais um prémio



Foi no passado fim-de-semana, no estado norte americano do Mississippi, ganhou a medalha de ouro do International Ballet Competition.


Quem é Marcelino Sambé? É um jovem de 16 anos, filho de pai guineense e de mãe portuguesa que nasceu num bairro social, em Paço de Arcos, num dia 29 de Abril – Dia Mundial da Dança.


Começou a dançar com 4 anos, em Paço de Arcos. Dançava em festas e no Centro Comunitário do seu bairro onde fazia dança africana.

Aos dez anos o pequeno Marcelino entrou para a Escola de Dança do Conservatório Nacional português, graças a uma bolsa especial de que pôde beneficiar. Foi uma assistente social que, apercebendo-se do seu talento, o encaminhou para esse estabelecimento.


Em cinco anos Marcelino conseguiu impor-se com um talento promissor, quer em Portugal, quer a nível internacional, participando e ganhando em diversos concursos: ganhou um primeiro prémio em Pequim, o Gran Prix de Berlim. Em Abril de 2009, obteve a medalha de ouro da categoria júnior na décima edição do Youth American Grand Prix Competition, organizada em Nova Iorque. Ficou em primeiro lugar de juniores no Concurso Internacional de Ballet de Moscovo.
 

Porém, o jovem permanece modesto perante todos estes prémios. Para ele o que conta nestes concursos, muito mais do que os prémios recebidos, é a "experiência de palco" que esses eventos proporcionam.
 
   
 

Eis mais um exemplo de humildade e de como nós, Portugueses, quando queremos, somos mesmo bons!





(Informações e fotografias retiradas da Revista de Dança e da net)




                                 

sexta-feira, 2 de julho de 2010

O Jantar do Grupo de Inglês


Todos os anos, há muitos anos, fazemos o jantar (ou almoço) de fim de ano do grupo de professores Inglês da minha Escola. Sempre com muita simplicidade, com muita alegria e com bastante espírito de grupo. Ontem, à noite, aconteceu outra vez. Mas o de ontem teve um especial valor para mim porque, para além do convívio habitual em que se festeja o final dos trabalhos lectivos, os colegas surpreenderam-me e à minha colega e amiga LC, que nos aposentámos no decurso deste ano, com simpáticos e divertidos momentos de despedida da vida escolar.

Estavam presentes as colegas já anteriormente aposentadas e outras que, não pertencendo já ao grupo da escola, estão ainda muito ligadas a nós e fizeram questão de estar connosco. Surpresa mesmo foi a presença da nossa colega Zita que veio da Margem Sul só para jantar connosco, tendo regressado a casa ainda ontem porque o trabalho ainda não terminou. Foi, de facto, de uma amabilidade e simpatia extremas.

Em ambiente de enorme boa disposição, conversámos, brincámos, cantámos – o nosso coordenador, o Luís, traz sempre consigo a viola e músicas gravadas dos bons anos 60/70 – o que nos faz logo sentir muitos anos mais jovens.

Porém o momento alto foi a apresentação das letras que o Luís escreveu para músicas do nosso agrado relembrando toda a nossa carreira. Não sei como ele consegue compor essas lyrics mas consegue e o certo é que é tão comovente e, ao mesmo tempo, tão divertido! A minha foi escrita para a música Great Pretender, uma das canções da minha vida, que já foi tema de um texto que escrevi aqui para o blog em 6 de Maio e está tão bem conseguida que não resisto a copiá-la para aqui.


Devo deixar aqui o meu agradecimento público a todo o grupo pela simpatia e pela ternura e pelos momentos vividos e absolutamente inolvidáveis.

Obrigada, Joãozinha. Obrigada, Luís, Lúcia, Luísa, Gracinda, Isabel, Elsa e todas e todos e o meu até já, o meu até sempre!


quinta-feira, 1 de julho de 2010

Correspondência de Sophia de Mello Breyner e Jorge de Sena

Terminei a leitura da correspondência trocada, de 1959 a 1978 (ano da morte de J. Sena), entre estes dois grandes poetas da segunda metade do século XX só tenho a dizer que gostei muito.


Primeiro, porque gosto muito de saber notícias em primeira pessoa do que se passou nos tempos idos do século passado no nosso país. Depois escritos por quem sabe mexer com a nossa língua com uma simplicidade extrema. E ainda por cima dando-nos a conhecer um pouco que é muito do dia a dia, em tempo de franca ditadura, de duas figuras tão sonantes da nossa poesia de quem pouco ou nada sei/sabemos.

Não se entende como continua a não ser conhecida e divulgada a vastíssima obra de Jorge de Sena. Será que a “lítero-cambada” portuguesa que o desprezou nos anos 50 continua a desprezá-lo actualmente?

Em 1961, Sophia agradecia ao seu amigo Jorge de Sena o envio do livro “Poesia - I” sobre o qual diz: “O livro deu-me uma extraordinária impressão de grandeza. Uma grandeza que é estilo, precisão, exactidão, força, construção e mais ainda testemunho, olhar olhando em frente, inteireza, coragem.” Ao que ele responde: “Eu não sei, Sophia, aí (em Portugal) quase tudo não me merece. Mas o que lhe garanto é que, aqui (no Brasil), também nos não merecem. Temos por cá o mesmo carreirismo torpe, cuja virtude é ser representado em descarado makebelieve.” (pág. 42)

Será que o país ainda não lhe perdoou o desprezo e o sarcasmo com que respondeu ao exílio a que a própria nação o forçou?

Exemplo desse sarcasmo é “o violento poema de Lisboa” (como o próprio poeta diz) (pág. 126) que ele oferece a Sophia “em paga da leitura dos teus esplêndidos poemas novos” e que deixo aqui:


Que esperar daqui? O que esta gente

não espera porque espera sem esperar?
0 que só vida e morte
informes consentidas
em todos se devora e lhes devora as vidas?
O que quais de baratas e a baratas
é o pó de raiva com que se envenenam ?
Emigram-se uns para as Europas
e voltam como se eram só mais ricos.
Outros se ficam envergando as opas
de lágrimas de gozo e sarapicos.


Nas serras nuas, nos baldios campos,
nas artes e mesteres que se esvaziam,
resta um relento de lampeiros lampos
espanejando as caudas com que se ataviam.


Que Portugal se espera em Portugal?
Que gente ainda há-de erguer-se desta gente?
Pagam-se impérios como o bem e o mal
— mas com que há-de pagar-se quem se agacha e
                                                               [mente?


Chatins engravatados, pelenguentas fúfias
passam de trombas de automóvel caro.
Soldados, prostitutas, tanto rapaz sem braços
ou sem as pernas — e como cães sem faro
os pilhas poetas se versejam trúfias.


Velhos e novos, moribundos mortos
se arrastam todos para o nada nulo.
Uns cantam, outros choram, mas tão tortos
que a mesquinhez tresanda ao mais singelo pulo.


Chicote? Bomba? Creolina? A liberdade?
É tarde, e estão contentes de tristeza,
sentados em seu mijo, alimentados
dos ossos e do sangue de quem não se vende.


(Na tarde que anoitece o entardecer nos prende).

                        (Jorge de Sena)