segunda-feira, 7 de maio de 2012

De castigo!



Ouvi esta manhã num flash de notícia que os funcionários (agora diz-se «colaboradores» mas eu recuso-me) do Pingo Doce vão ter um dia de descontos a 50% como aconteceu para o público em geral no passado dia 1. Muito bem!

Mas atenção! Não serão todos que terão direito a essa benesse! São apenas aqueles que não se recusaram a trabalhar naquele dia. Os outros ficam de castigo…

Aqueles comentadores neoliberais que têm vindo em defesa daquela maravilhosa cadeia de supermercados que tanto tem tido em conta os interesses nacionais dizendo que se tratou apenas de negócio, de lucro, de campanha promocional, não lhes passando sequer pela cabeça virar consumidores contra trabalhadores têm aí a resposta.


domingo, 6 de maio de 2012

Mãe!

Homenagem simples a todas as Mães do mundo - humanas e não humanas, conhecidas e às que não conheço, às próximas e até às outras!

Bem hajam todas as Mães pelo seu amor protetor e incondicional.




Minha Mãe, minha Mãezinha,
Ó minha Mãe, minha amiga!
Quem perde o amor de mãe
Perde tudo nesta vida!

Eu queria uma Mãe,
Inda que fora uma silva;
Inda que ela me arranhasse,
Eu sempre era sua filha!

Minha Mãe, que nos criastes,
Minha Mãe, com tais carinhos!
Eu agora vou p’ra guerra,
Morrer como os passarinhos…

Minha Mãe, é quem me dera,
Quem me dera, noite e dia,
Estar sempre aqui convosco
A fazer-nos companhia!

Minha Mãe ó uma rosa;
Com meu Pai se arrecebeu,
E a filha é um botão
Que da rosa rescendeu.

Ó minha Mãe, quem me dera
O que a minha alma deseja:
As portas do Céu abertas
Como estão as da igreja!

Oh minha Mãe dos trabalhos!
Para quem trabalho eu? 
Trabalho, mato o meu corpo,
Não tenho nada de meu!

(in "Tesouros da Literatura Popular Portuguesa", Verbo, 2004)

sábado, 5 de maio de 2012

Dia da Língua Portuguesa


(O dia 5 de Maio foi fixado como a data em que é anualmente comemorada a “Língua Portuguesa e a Cultura da CPLP”, uma decisão saída do XIV Conselho de Ministros da CPLP, realizado em Junho de 2009, em Cabo Verde. Nesta data, os ministros dos Negócios Estrangeiros e das Relações Exteriores recomendaram aos Estados-membros, às instituições da CPLP, aos Observadores Associados e Consultivos e às diásporas dos países da CPLP, a comemoração do Dia da Língua Portuguesa, tendo em vista a sua afirmação crescente nos Estados membros e na Comunidade internacional.)

E para me associar, deixo aqui, sobre a nossa bela língua, um excelente texto de Eduardo Lourenço e um poema de amor de Hélia Correia, ambos transcritos do Jornal de Letras, de Março/Abril do presente ano.

Língua e enigma

«O coração do enigma para cada povo é a língua em que a sua leitura do mundo se manifesta como mistério ao mesmo tempo luminoso e obscuro. É na língua e na língua ó que somos virtualmente imortais. Tudo se passa como se não pudéssemos ser sujeitos dela. Somos falados antes de falar e falamos para nos falar. Sem começo nem fim. Só no século XVIII quando o Ocidente começou a esquecer a língua como “dom de Deus” um ato recapitulativo de um Verbo criador do mundo, o mistério dessa revelação com sujeito, criadora ao mesmo tempo da voz, da consciência dela e do sentido da sua nomeação de toda a realidade, se converteu no enigma dos enigmas. Começou então a nossa marcha do Deserto. Falamos para povoar o mundo. E ao mesmo tempo para regressar a essa linguagem antes da linguagem, a essa língua divina, a do homem ainda não separado do universo e de si mesmo, sujeito de múltiplas línguas mas lembradas da única que dizia o Ser sem o mutilar, aquela que fala no silêncio do mar e nos cala.

Todas as línguas do mundo desenham nele o bem pouco mítico arquipélago de Babel. O mistério de cada uma participa dessa aventura humana sob a forma de um rizoma. Só a História singular de cada uma delas desvela os seus segredos. Não são os mesmos para o Japão, ou Bornéus, isolados milénios dos seus vizinhos, que os do ramo indo-europeu onde a nossa mergulha as suas raízes. Essa raiz sânscrita só para filólogos terá algum sentido. Para nós, mortais comuns, basta-nos o batismo camoniano, ou da matriz latina sob a qual se sumiu misteriosamente, ou quase, a nativa herança lusitana. Foi aquela que se derramou no mundo juntamente com o castelhano como as primeiras línguas no mundo do Ocidente. 

Nem ela nem a dos nossos vizinhos têm os dias contados. Até onde podemos imaginar-lhe o futuro, essa língua, hoje de variados tons, é um dos mais insólitos milagres linguísticos imagináveis, dada a sua origem tão modesta. Este simples estatuto devia poupar-nos todas as glosas apocalíticas acerca da sua perenidade. Como os amores míticos de Pedro e Inês, a língua em que eles couberam arderá até ao fim do mundo.»
 
Eduardo Lourenço, JL, Março/Abril 2012


(Hélia Correia)
  
Por ti eu troco a noite pelo dia

Por ti eu troco a noite pelo dia,
Como é o natural de uma paixão.
Do fado e dos poetas que seria,
E dos amantes, sem a escuridão?

E salta-me no peito o coração
Se certa voz murmura e pronuncia
Palavras já tão ditas mas que são
Pedaços de um segredo que arrepia.

De Gregos descontentes, de Latinos
Com pouca corrupção dileta herdeira,
Menina e moça, ó flor de verdes pinos.

Além da Taprobana transportada
E sempre renascida e sempre inteira,
Eis a ditosa língua, minha amada.

Hélia Correia, JL, Março/Abril 2012


sexta-feira, 4 de maio de 2012

Conversas de políticos...


Temos de levar a coisa a rir!

Bom fim de semana!

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Bancos

Desenganem-se se pensam que me vou pôr aqui a perorar sobre a ação dos bancos, essas ignóbeis instituições que nos obrigaram a viver muito acima das nossas possibilidades, oferecendo-nos empréstimos para casas na praia e viagens a Santo Domingo e carros de alta cilindrada, e que por isso agora o "nosso" pobre governo se vê obrigado a empobrecer-nos, a desempregar-nos, a retrocedermos coisa de trinta ou quarenta anos!

 Desenganem-se se pensam que vou falar do Banco Português de Negócios e dos seus magnânimos fundadores que, coitados, queriam tanto criar emprego e riqueza para o país e agora estão a ser difamados pelos jornais e apertados pela Justiça que, se Deus quiser, há de provar que estão todos inocentes!

Os bancos que hoje vos quero deixar aqui são outros bem mais inócuos e populares, daqueles onde antigamente se namorava e que espero que descubram rapidamente onde se encontram.



quarta-feira, 2 de maio de 2012

Sinédrio de malandros

Nos dias de crónica de Baptista-Bastos no DN, dá-me sempre vontade de transcrevê-las para aqui de tão lúcidas, tão certeiras e por tão bem traduzirem muito do que eu penso e acho. Nem sempre o faço sob pena de me tornar maçadora e repetitiva. Esta noite, porém, não resisti (uma vez mais…) a copiar pelo menos parte do texto de hoje.

«(…) As fraudes morais, que se tornaram, nas duas últimas décadas, em desportos particularmente requintados, atingiram, com Passos Coelho e seu grupo, patamares desaforados. 

Não sabemos como sair desta aventura pavorosa, na qual os vencedores não passam de pistoleiros mentais. Falam-nos como se fôssemos matóides e animam essa vasta murmuração que considera a política uma estrebaria e os políticos um sinédrio de malandros. Pedro Passos Coelho ganhou a simpatia de muita gente como paladino da "transparência" e da "verdade". Acentuou, com a voz treinada e uma simpatia de subúrbio, a dubiedade de carácter de José Sócrates. Afinal...

(... uma simpatia de subúrbio...)

 Como assinalou um amigo meu, está a imitá-lo em grande, e veste-se pior. A protegê-lo e a apoiá-lo, pelo silêncio e pela lacuna, lá está o dr. Cavaco. Em condições normais, com um Presidente rigoroso e elevado, Passos já teria sido demitido. Mentir assim é o excesso dos excessos. Mas o dr. Cavaco é o dr. Cavaco que há. E a tenaz ideológica que nos esmaga tem, nele, a analogia perfeita. Adicione-se-lhe a ausência de coragem, o possidonismo intelectual, e a interpretação de infantário que faz das suas funções e ficamos com a dimensão do senhor.(…)»


(... o possidonismo intelectual...)

 “Com um Presidente rigoroso e elevado, Passos já teria sido demitido.” - E eu atrevo-me a acrescentar: Num país sério, com sentido de justiça e desenvolvido política, cultural e socialmente, este presidente já teria pedido a sua própria demissão!




 (Imagens retiradas da net)

terça-feira, 1 de maio de 2012

Indignação!

Amigos, celebremos o 1º de Maio feriado enquanto o há! Que se estes tecnocratas que tomaram conta do governo e que de História nada sabem nem querem saber, vão retirar feriados que festejam a liberdade e a libertação como o 1º de Dezembro e o 5 de Outubro e, com a sede de vingança de que sofrem, a muito breve trecho deverão retirar o 1º de Maio e o 25 de Abril.

Mas atenção! Não posso, não devo acusar apenas os tecnocratas – para não dizer palhaços, que os palhaços não têm culpa nenhuma – do governo por estas decisões de promoção do trabalho de forma a debelarmos a crise… Este povo está a pedi-las!

Veja-se o caso dos hipermercados: ontem ficámos a saber que os patrões das grandes superfícies convocaram, obrigaram, chantagearam os funcionários para abrirem hoje, Dia do Trabalhador. (Porque não o farão nos outros dois dias de fecharem portas, no Natal e no 1º do Ano? Porque o farão apenas no 1º de Maio?) Grande revolta sentimos muitos de nós perante tal pressão, tal repressão sobre os empregados que agora se chamam, hipocritamente, de «colaboradores». Logo se encheu o Facebook – a maior montra nacional de opiniões e a única já que este povo gosta é de se esconder por detrás da escrita – de cartazes e dísticos apelando ao boicote às compras nas grandes superfícies. Muito bem! E eu que não me livro destes laivos de idiota ingenuidade para os quais já nem idade tenho, acreditei!

Agora vejam a minha indignação quando, de manhã, passei pelo Pingo Doce aqui da zona e vi uma romaria de pessoas sorridentes e em festa e de carros que enchiam o enorme parque daquele hiper! Eu não queria acreditar!


Vão para lá e fiquem por lá!

 Entretanto vim para casa e ainda e mais uma vez esperançada sabe-se lá em quê, liguei a televisão para ver o que havia por Lisboa, festejos, manifestações, discursos e, para maior indignação, nos três canais de sinal aberto e até nos canais de informação aparecia a cara de estanhado do primeiro-ministro, desengravatado tal «homem de esquerda, de trabalho», a debitar não sei que palavras que não tinha escrito e, se calhar, nem pensado para os trabalhadores sociais-democratas! Oh, pelo amor de Deus! Tenham dó! Entretanto, vimos as manifestações, duras manifestações na Grécia e, espantemo-nos!, na Alemanha! Grandes povos! E não uns mansos como nós!

Só que não fiquei por aqui. A meio da tarde, lá fomos de novo dar uma volta pelos canais de televisão para ver as manifestações, mas… quais manifestações? Hoje é que dia? Hoje há manifestações? Ah, sim! Só as havia na TVI 24 – grande TVI 24! Nem sei como! – porque nos restantes canais, apenas víamos pessoas contentíssimas porque no Pingo Doce quem fizesse cem ou mais euros em compras pagava apenas metade! E dizia uma senhora dos seus 60 anos, com um sorriso de orelha a orelha: - Assim, sim! Haviam de fazer isto pelo menos duas vezes por mês! Santa ingenuidade! Ou será mesmo santa estupidez?

Bem pode o Diário de Notícias desfazer-se a dar novas da roubalheira que os senhores do partido do “nosso” primeiro e do “nosso” presidente fizeram no âmbito do BPN que, se fossem hoje as eleições, lá ganhariam eles porque são pessoas muito honestas e dizem sempre a verdade e querem acabar com os feriados que só servem para os trabalhadores (que agora se chamam colaboradores) não trabalharem!