Não me estão a ver numa festa de marchas populares, pois não? Eu também não! Mas a Terra todos os dias dá uma volta e, por isso, tudo pode acontecer...
Num belo fim de semana passado em Lisboa com familiares, aconteceu irmos ver desfilar uma pequenina familiar dos meus familiares que veio da Guarda . A sua marcha, do Bairro da Luz da Guarda fez um intercâmbio com a marcha de Alcântara e foram convidados a virem a Lisboa desfilar.
Claro que não faltaram os comes e bebes com a bela sardinha assada, caracóis e bifanas, como não faltou a musiquinha tipo pimba e assim... Mas passou-se um bom bocado apesar do vento que se fazia sentir lá no alto.
Havia marchantes de todas as idades, mas todos vertidos a rigor e a cantar alto e bom som.
Foi uma forma diferente de nos despedirmos dos Santos Populares.
Mas o que valeu mesmo foi ver e visitar a Capela do Alto de Santo Amaro que não conhecia e que tem uma configuração algo diferente. Em redondo, a capela quinhentista é protegida por um corredor circular coberto de lindos azulejos do século XVIII e fechado por pesados portões em ferro forjado.
Capela aberta com os três andores que saíram em procissão
(Santo Amaro)
(A bela vista sobre o Tejo)
(Pórtico de entrada para o adro da capela)
(Alto da escadaria com cruzeiro que desce até ao rio)
(Em forma de quilha de barco - bastante simbólico)
Há quem diga que foi aqui que Vasco da Gama veio rezar antes de embarcar para a sua viagem até à Índia.
Quem não se lembra daquele excelente
programa de televisão do Jô Soares «O
Planeta dos Homens» aí pelos anos 70/80! E de tantas expressões que ficaram
no nosso ouvido e que ainda hoje repetimos - «perguntar não ofende, oh triqui-
triqui», o «tem pai que é cego!», ou o «casa, descasa, casa, descasa», ou ainda
o «cale essa boca, sua múmia paralítica!»
Hoje e aqui, lembro a
expressividade e o pasmo com que o Jô Soares dizia «Isto é um ESPANTO! Um
ESPANTO!
Assim estou eu, PASMADA com este
nosso país que é um ESPANTO!
Eu passo a explicar e espero que
não pensem mal de mim… Nos quase 48 anos que estivemos casados, eu e o meu
marido tivemos contas bancárias separadas. Aliás, apesar da enorme cumplicidade
que sempre existiu entre nós e com as filhas – tudo sempre foi falado e
discutido à frente delas à mesa do jantar – havia uma enorme liberdade de vida,
d vida social, profissional, até cultural – tudo enfim! – e foi assim que nos
demos bem. Muito bem!
Ora com a sua morte algo
inesperada – por tão breve ter acontecido – desconhecia por completo que
deveria fazer um determinado pagamento nesse mês. Assim, deixei passar a data
limite e só depois o banco me avisou da minha falta. Não chegou a uma semana a
falha do pagamento que fiz assim que me informaram. Aconteceu isto no mês de
abril.
Para grande espanto meu e até
algum constrangimento, há umas duas ou três semanas fui para pagar, como
habitualmente, as minhas compras semanais no Continente, do qual possuo o
chamado e muito anunciado Cartão Universo que é um cartão de registo de
descontos das compras e, ao mesmo tempo, funciona como cartão de crédito – faço
as compras semanais e pago no fim de cada mês. Há anos que assim é – fui para
pagar com o dito cartão, dizia eu, e a máquina diz, sem apelo nem agravo: «o seu crédito está temporariamente
bloqueado. Contacte o número tal e tal…»
Assim fiz. Falei com uma senhora
de um qualquer call centre a quem
disse que nunca tinha falhado qualquer pagamento nem sequer alguma vez tinha
alcançado o plafond do cartão. Depois
de consultar o meu registo, disse-me amavelmente que não tinha nenhuma dívida
com eles, mas tinha falhado um pagamento num outro organismo e até me disse o
montante exato do dito.
Fiquei sobre brasas, como devem
calcular e dirigi-me ao “simpático” banco onde o chamado “gestor da conta” me
esclareceu que assim que há uma falha de qualquer pagamento, eles (uns queridos!)
avisam não sei que entidade nacional que,
de imediato, passa a notícia a todos os bancos. Mas que não me preocupasse
porque isso rapidamente se trataria. Seria uma questão de dias.
Só que, em finais de junho, o meu
cartão Universo continua bloqueado. De novo me dirigi ao “simpático” banco e queixei-me
alto e bom som que estava a ser tratada por eles como a maior das caloteiras do
país. E perguntei se fazem o mesmo a um Berardo, ou a um Dias Loureiro, ou a um
Duarte Lima! A funcionária “amavelmente” respondeu que esses senhores não eram
clientes deles e, receosa de que eu me comportasse mal, passou-me ao dito “gestor
de conta”. Este consultou o computador, fez uns tantos telefonemas e voltou a
dizer-me que a situação se resolveria em alguns dias.Só que me anda a falar em “alguns dias” desde
abril…
Dá para entenderem a minha
fúria?! Porque é que o Berardo – que esse sim, é um caloteiro de papel passado – e outros, enfim, não têm os seus cartões bloqueados?!
E eu que sempre fui cumpridora e certinha em tudo, sinto-me ... sei lá... enxovalhada - ou pior!
É sempre uma enorme tentação de cada vez que chega o Verão - recordar a lendária canção «Summertime» que integra a ópera «Porgy and Bess» escrita por G. Gershwin nos anos 30 do século passado.
As bandas de jazz trataram-na, adaptaram-na e logo se tornou um enorme sucesso. Como melhor a conhecemos é pelo saxofone de Louis Armstrong e na voz da Ella Fitzgerald.
Mas hoje vou deixá-la aqui nesta versão anterior.
Se bem que o original na peça de teatro era este - que é uma verdadeira delícia.
Então lá fomos com o objetivo de visitar o Museu da Resistência e da Liberdade que visou transformar a prisão dos dissidentes políticos do regime de Salazar em espaço museológico de Memória e de Liberdade.
(Também fomos com o propósito de comer uma bela de uma caldeirada, mas isso é outra história...)
(1935)
(Entrada do mar)
(Entrada principal)
(Memorial dos presos políticos)
(O chamado parlatório)
(O Parlatório por Júlio Pomar)
(Retrete)
(Vieira da Silva)
(O Fortim Redondo)
(...onde se encontravam três solitárias)
(História de uma fuga)
(A grande fuga de 1960)
(Uma parte da fortaleza está rodeada pelo mar) (daqui)
(... e atiravam-se ao mar...)
(Ali por trás enxergam-se as celas ainda não visitáveis)