A internet está cheia de lugares comuns. Não desses em que estais
pensando “viver um dia de cada vez”, “dar
a volta por cima”, “é complicado”, “basicamente”, “então é assim” – e tantos,
tantos outros.
O lugar comum a que hoje me
refiro é de outro teor. Nos blogs e
no facebook, pululam mensagens de
real e profunda tristeza que dizem: «Pai,
partiste há [tantos] anos…» ou «Faria hoje [tantos] a minha querida mãe/o meu
querido pai partiu…»
Temos, de facto, uma enorme
necessidade de expurgar a saudade, o vazio que nos ficou na alma (e no espaço
físico que é bem mais visível) e por isso expomo-los aos olhos de todos, talvez
com a esperança de que as palavras carinhosas de retorno nos aliviem o coração
(ou nos envaideçam o ego, sei lá!)
Pois hoje é dia de ser eu a vir
aqui plantar mais um desses lugares comuns: a minha mãe foi, de certo, a pessoa
que mais marcou a minha vida e, se bem que tenha partido inesperadamente há
trinta anos, nem por um só dia deixo de me lembrar dela. E tantas vezes, ao fim
da tarde, sinto aquela vontade de lhe telefonar como fazia todos os dias quando
a deixei sozinha em Sintra para finalmente vir viver a minha vida de mulher
casada.
Pois é: faria hoje anos – muitos,
mas não posso esquecer que tão cedo partiu…
Parabéns, mamã. Tenho muitas
saudades tuas.