Brotam como cogumelos por todo
este pequeno Portugal. E já não se pode com tanta “feira medieval”! Parece que
não há imaginação para mais nada. Parece que foi dito aos presidentes de câmara
que não seriam reeleitos se dos seus planos de atividades (será que os têm?!)
não fizer parte uma feirinha medieval…
Aqui em Leiria, torna-se
aflitivo. Desde 2010 que se fazem ano sim, ano também, feiras medievais em
Leiria. A primeira, a de 2010, teve lugar no Castelo e teve graça por, de
alguma forma, ter sido novidade aqui na terra.
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| Vejam como a minha neta era pequenina... |
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| Tenda dos Cristãos |
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| Tenda dos Judeus |
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| Tenda dos Muçulmanos |
(Por acaso, em 1995, lá na “minha
escola” realizou-se um evento medieval, com cortejo pela cidade; D. João II
saiu a cavalo e andou pela cidade; houve refeição medieval no Castelo e feira
no recinto da escola com alunos e professores vestidos à época. O objetivo foi
celebrar os 500 anos dos Descobrimentos sob a organização de três colegas de
História (louquinhas de todo…) que envolveu toda a comunidade escolar, pais
incluídos, naturalmente e até a cidade. Foi um espanto!)
Mas, voltando à cidade: a sua
edilidade saiu-se com a ideia peregrina de que Leiria deveria concorrer a
Cidade Europeia da Cultura 2027. Não vou aqui apresentar razões a favor ou
contra essa pretensão que nem sei se será legítima. Direi apenas que,
infelizmente, Leiria não tem “tradição” cultural de fundo. Basta lembrar que o
Museu da Cidade teve de esperar cem anos (leu bem! Cem longos anos!) para ser
inaugurado. E foi, de facto, este executivo camarário que o conseguiu em 2015.
As feiras medievais, as feiras de
Leiria há cem anos e outras quejandas repetem-se incessantemente – folclore,
mascaradas e mera diversão sem qualquer fundo cultural. Põem-se umas tendinhas –
as mesmas de sempre desde que me lembro – vendem-se uns chouriços, uns pães
cozidos no forno, uns ovos e uns produtos das hortas apresentados por umas
senhoras “mascaradas” de rurais; põe-se um curral com uns infelizes de uns
animais desenraizados para fingir; fazem-se uns cortejos apalhaçados;
convidam-se os ranchos folclóricos de sempre e pronto! Aí temos um “evento
cultural”… Baratinho. Pobrezinho. Ataviadinho. Pequenino.
Este ano, teve lugar no centro da
cidade e fardos de palha não faltaram por todo o lado… Resolveram arranjar um “tema”:
«1401
Aqui Nasceu a Casa de Bragança». Disseram que se tratava da «recriação do casamento, realizado em
Leiria, de D. Afonso de Portugal (filho natural de D. João I) com D. Beatriz
Pereira de Alvim (filha de D, Nuno Álvares Pereira) e depois afirmaram que
surgiu a Casa de Bragança.» Rigor histórico? Nenhum!
E ainda acrescentaram que «Leiria Medieval pretende ser um espaço de
animação e convívio cujo objetivo é dar a conhecer ao público as principais
características desta época, a Idade Média.» Arranjaram uma série de
figurantes que não se importaram nada de vestir aqueles fatos pseudo-medievais
e que se devem ter divertido à brava e pronto!
Só dá vontade de rir! Enfim!
Assim não vamos lá…
(As três últimas fotos foram retiradas da página do facebook do meu amigo Raul Mesquita)