sexta-feira, 6 de julho de 2018

Dia de ir às livrarias

A ironizar quando ainda estava na escola, costumo dizer que a sexta-feira de manhã é a minha manhã livre...

É o dia de ir às compras, ao talho, à fruta, ao super, de ir ver as lojas ao shopping, de ir espreitar as livraras. Que são três! Tantas!

Há sempre um ou outro livro que teima em "agarrar-se-me" às mãos. E depois há tantos que eu gostaria de trazer mas que não posso! Pois quando os leria? (e como os pagaria?!...)

E aí lembrei-me deste textinho maravilhoso do ainda mais maravilhoso Almada...




quarta-feira, 4 de julho de 2018

Telemóveis na escola?

Há dias foi transmitida a notícia de que em França iam proibir os telemóveis nas escolas. Do jornal para onde escrevo uns textos pediram-me, na qualidade de ex-professora e presidente de escola, um comentário sobre o assunto para um fórum que publicam todas as semanas.

O comentário que apresentei foi o seguinte:

«Parece-me uma ótima medida. Oxalá pudéssemos nós, no nosso país, aprender com esse bom exemplo. Durante as aulas, o processo de aprendizagem necessita de atenção, concentração e sossego para que se realize – talvez se poupasse muito dinheiro aos pais em explicações! Por outro lado, os intervalos servem para gastar energias acumuladas, descansar a mente e conversar de viva voz e não estar “enfronhado” nos aparelhos. Outra vantagem será o “desligar” dos pais, tornando as crianças e os adolescentes mais autónomos.»

Pois fiquem a saber, caros amigos, que o meu foi o único texto favorável à medida francesa. Senti-me autêntica «velha do Restelo»!

Os restantes participantes no fórum eram o Professor Daniel Sampaio, dois professores da Escola Superior de Educação e Ciências Sociais aqui de Leiria, um diretor de agrupamento de escolas e o diretor de um centro de formação de professores. Todos liminarmente contra! com exceção do diretor de agrupamento, que ainda falou em mudança de metodologias na sala de aulas. Todos os restantes comentadores não são professores de adolescentes há anos e estão a ano-luz da realidade das escolas e do ensino que, de um modo geral, ainda se pratica nas salas de aulas.

Diz um: «Quando a escola diaboliza uma tecnologia perde a oportunidade de educar para ela. Ao diabolizar os telemóveis, perde também as múltiplas funcionalidades destes equipamentos para potenciar a renovação dos contextos de aprendizagem.»

Outro acrescenta: «Há mais vantagem no uso do telemóvel nas escolas do que na sua proibição para voltar ao uso do dicionário de milhares de páginas e à pesquisa em atlas ou enciclopédias tantas vezes desatualizadas.»

E ainda outro: «A proibição de levar o smartphone para a escola é, para mim, uma medida exagerada e que poderá revelar algum desconhecimento sobre estas matérias.»

O Professor Daniel Sampaio, por quem nutro a maior consideração, apresenta uma opinião um tanto naïf: «Não concordo porque o telemóvel faz parte da vida dos adolescentes e também dos seus professores. (…) Quer em família, quer na escola, é preciso criar regras de utilização, em que há períodos em que é possível utilizar o telemóvel, nos outros períodos não é.»

Todos eles falaram do uso do smartphone em termos de ferramenta de estudo e de pesquisa no âmbito da sala de aula, quando sabemos muito bem que a grande maioria das aulas – com honrosas exceções, naturalmente! – continuam a ser bastante expositivas, com base nos manuais adotados e pouco mais.

… … Mas como diziam os outros: don’t let me be misunderstood!  *  Nada tenho contrao uso das tecnologias! Eu própria tenho um I Phone e um I Pad e gosto. Os meus netos também têm os seus gadgets eue usam e gostam. Mas tudo tem o seu tempo e o seu espaço. Se os miúdos os tiverem ali à mão na escola, garanto-vos que – a não ser nas aulas de TIC ou nas bem programadas para o seu uso, que são poucas – eles não os usam senão para irem ao facebook ou ao Messenger, ou até com outras finalidades piores...


*



segunda-feira, 2 de julho de 2018

Sejamos agradáveis


Sabe quem me conhece e quem já me vai conhecendo por aqui que não sou frequentadora de missas. Não interessa estar aqui e agora a esgrimir as razões que me levam a ter este comportamento.

Hoje, por força das circunstâncias, assisti à missa de corpo presente de uma velha senhora professora do “liceu” de Leiria que fazia o favor de ser minha amiga, figura grada da cidade e de quem, também por força de não sei que circunstâncias, vou ser a seguidora na direção de uma Academia Sénior.

A missa foi celebrada por um padre franciscano, coadjuvado por um jovem frei, o que, já por si, a tornou diferente das institucionais missas – entenda-se por isso o que se entender. Mais dinâmica, mais natural, mais alegre (apesar da circunstância) mais coloquial, enfim. (paradoxalmente, nem queiram saber as saudades que eu tenho de uma missa em latim…)

Mas, no meio dos habituais rituais das missas, das orações estereotipadas e do continuado senta-e-levanta a que os frequentadores tão bem obedecem – e que eu ordeira e educadamente imito – hoje gostei e aprendi mais uma lição: quando o celebrante disse que Deus gosta que sejamos agradáveis para Ele e uns para os outros.

Tocou-me fundo esta ideia de que devemos esforçar-nos por sermos agradáveis uns para os outros. A noção de agradar aos outros entra bem na minha ideia dos grandes pilares da nossa dádiva, da nossa abertura ao outro: a compaixão e a generosidade. Compaixão que não é sinónimo de «pena»; generosidade que não é sinónimo de «ser bonzinho».

Sejamos, pois, agradáveis uns para os outros – o que não é sinónimo de mostrar «boas maneiras».





domingo, 1 de julho de 2018

O que faz uma noite mal dormida...

Apesar das caretas que o verão tem feito, as noites têm sido amenas e, se houver chuva, há abrigos por aí. 

Por isso a gataria cá da casa, gosta de sair depois do jantar e é um castigo para os voltar a meter em casa. Brincam, correm uns atrás dos outros, sobem às árvores e afiam as unhas na casca e, quando as chamo, correm corredor fora e saltam o muro para o amplo terreno ao lado.

De manhã, quando lhes abro a porta do quintal, entram cheios de fome, miam desalmados, "tomam o pequeno almoço, e depois dá nisto...









sexta-feira, 29 de junho de 2018

Cantigas a São Pedro

Já que não devo  aqui trazer
por ter sido um fascista
veio o Rogério cá dizer,

deixo, e já sem medo,
de a alguns desagradar,
umas quadras A São Pedro
das senhoras ali do Lar.












Por não seres namoradeiro
Deu-te Deus outra missão
A de seres do tempo o senhor.
Por isso te rogo
Santinho derradeiro
Para a chuva, por favor:
Manda sol a tempo inteiro!

quinta-feira, 28 de junho de 2018

Histórias da minha rua (12)



A costureira é uma jovem senhora que trabalha ali num armazém de roupas de uma loja fina de Leiria. Faz os arranjos nas roupas das clientes da loja fina e, para além disso, faz arranjos nas roupas da clientela aqui da(s) rua(s). Farta-se de trabalhar e não tem mãos a medir.

Trabalha ali sozinha e, muitas vezes, há vizinhas que se sentam lá a conversar e a fazer-lhe companhia (e a moer-lhe a cabeça com conversas da treta…).

Hoje tive de lá ir descarregar mais umas coisinhas para arranjar – que eu de costura só pregar botões e coser bainhas e já não é mau! – e ela, que é uma doçura de pessoa, pediu desculpa por não ter feito ainda as emendas noutras peças que lá tinha deixado. Que as pessoas não fazem ideia do trabalho que dá fazer uma emenda nem que se seja para apertar ou alargar uma saia ou umas calças.

Estava lá uma senhora de mais de oitenta anos de idade que se apressou a dizer que sabia bem dar o valor a esse trabalho porque, na sua juventude, trabalhara de costura, no tempo em que tudo se costurava em casa, cuecas, combinações, camisas de homem. «A primeira camisa de homem que fiz foi para o meu irmão ir às sortes, toda branquinha, toda feita por mim. Morreu na tropa na Índia.» - acrescentou com tristeza mal contida.

E, a propósito dos trabalhos desses tempos longínquos, contou como, aos sete anos, lá na serra (da Estrela) foram ela e os irmãos (depois de irem ao primeiro dia de escola nunca mais lá puseram os pés porque havia que ir trabalhar no campo – só a mais nova teve permissão para ir à escola e fez a 3ª classe) postos na serra a tomar conta das ovelhas, com aquele frio, com a neve, ela com um xaile preto pela cabeça que, quando chovia, deitava tinta preta porque era tingido… e o pai que lhe dizia que não deixasse as ovelhas saltarem para fora da cerca que o patrão cobrava-lhes vinte e cinco tostões por cada ovelha que saltasse…

E contou de como fez a sua vida sem nunca ter aprendido a ler e de como conseguia ajudar as filhas a fazer os problemas da escola: elas liam-lhos e ela fazia os cálculos de cabeça e explicava-lhes… e de como aprendeu a fazer tantas coisas. E disse-o sem saudosismos nem autocomiseração, sem aquele ar patético do bafiento culto das tradições, num tom lavado e até um tanto envaidecido.

Gostei de ouvir as suas histórias, mas não me venham nunca com aquela de que «antigamente é que era bom» - porque não era. Não era mesmo!

quarta-feira, 27 de junho de 2018

Exposição de José Luís Tinoco

As belas instalações do Banco de Portugal em Leira, depois do encerramento daquela dependência, foram transformadas em espaço para exposições de arte.



Ontem, com tempo que me sobrou de alguns “recados” que tinha para fazer, e também para refrescar do calor do início da tarde, entrei para visitar a exposição “Os Ateliers” do leiriense José Luís Tinoco. Esse mesmo: o da música!

José Luís Tinoco nasceu em Leiria em 27 de dezembro de 1932. (o resto da vida de Tinoco dedicada às artes poderão lê-la aqui)









O amolador noturno

Ceia

Claraboias 





Autorretrato



Sultanas







Jardim

Desenhou muitos selos para os "nossos" CTT.

















E na música






Um verdadeiro artista!