terça-feira, 8 de maio de 2018

Não bata em quem está em baixo

Em inícios dos anos 60, o meu pai foi a Nova York - não sei bem porquê, mas foi; nunca parava quieto e foi o que fez de melhor porque partiu cedo, muito cedo. 

Nessa altura eu era uma daquelas «teenagers inconsssientes», no meu 4º ou 5º ano do liceu, já encantada com a língua inglesa (de que era feita a música dos Beatles e do Elvis e do Cliff e do Little Richard e do Paul Anka e sei lá de quem mais) e meu pai - que me trazia sempre de onde ia os singles mais atuais - dessa vez trouxe-me um pesa-papéis em forma de poliedro com inscrições de frases populares. Em inglês, claro! 

Foi daquelas lembranças de que nunca me separei (até porque ele viria a morrer pouco tempo depois). 

Hoje lembrei-me (sabe-se lá por que motivo...) de o trazer aqui por causa de um dos ditos lá inscritos que diz assim:

Never hit a man when he is down he may get up

que o mesmo é dizer: Nunca batas num homem que esteja em baixo; ele pode levantar-se.


(Para de falar enquanto eu estou a interromper)

Entretanto aqui ficam outros ditos que possam achar divertidos e... certeiros.


Silêncio! O génio está a trabalhar
Se és tão esperto porque é que não és rico?
Há uma coisa que o dinheiro não pode comprar - a pobreza


(Não sejas escravo do ordenado; arranja um emprego para a tua mulher)


(Para matar o tempo tenta trabalhar para a morte dele)


Eu gosto da minha profissão: odeio é o trabalho!
Trabalho: o flagelo da classe bebedora.
PEMSA!!


segunda-feira, 7 de maio de 2018

Não é do OLX, mas...




Então o cavalheiro pôs um anúncio para venda da Enciclopédia Britânica em 45 volumes em muito bom estado. A questão é que já não precisava dela.

Casara-se no mês anterior e a mulher sabe tudo.

domingo, 6 de maio de 2018

À minha mãe (e a todas...)


MÃE

Apareceste-me de repente no espelho
Era a tua cara na minha
Sorriste-me sorri-te
sorri-me
Afinal envelhecer é caminhar
ao teu encontro
Reconcilio-me com meu rosto
envelhecendo
porque através dele me sorris
com minha boca meus olhos
magoadamente
Um dia os nossos rostos estarão sincronizados
num só olhar

(Teresa Rita Lopes, in Afectos, Lisboa, 2000)


A minha mãe
no dia do seu casamento: Out/1946

sábado, 5 de maio de 2018

Dia da Língua Portuguesa

O jornal lembrou-me que era hoje o seu dia: Dia da Língua Portuguesa.

Eu sei que este dia existe e que foi criado em 2009 pela CPLP e até tinha já pensado num texto bem antigo para o celebrar. Agora o que me pareceu sempre improvável era encontrar um texto de homenagem à nossa bela e vetusta língua numa secção de economia do jornal…

Para mim a disciplina de economia é intragável, por isso raramente – para não dizer nunca – leio artigos sobre essa matéria. Mas… ao desfolhar a secção Mais Artes, deparei-me com este título:

Língua portuguesa, hoje é o teu dia!

Aí tive de “travar” e ler. Começa assim:

«Foi com as ondas do mar que a Língua Portuguesa aprendeu os seus requebros, a sua plasticidade. Foi pelas ondas do mar que viajou, marcando cada lugar que tocava; misturando-se, transformando-se, multiplicando-se. Há 600 anos, atirou-se ao mar para ser do mundo. Musical, suave e sonora, foi a primeira língua franca falada em todos os continentes. Desse legado há palavras Portuguesas usadas em mais de 60 línguas, só no japonês são 90. Falada no Brasil, Portugal, Angola, Cabo Verde, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste e Guiné-Bissau, a Língua Portuguesa é o mais valioso recurso endógeno de uma comunidade de 280 milhões de pessoas. A 5ª língua mais falada no planeta, a 3ª no hemisfério ocidental, e a 1ª no hemisfério sul.

Se o objetivo de uma marca plural é agregar diferenças culturais, a nossa língua é a marca mais global da nossa identidade. Este tesouro multinacional, como qualquer fortuna, tem de ser acautelado, potenciado, alimentado. Temos de promover, divulgar, cuidar nas escolas, no espaço mediático, nos documentos oficiais, nas falas públicas; utilizando-a como pilar e fator de desenvolvimento transnacional. (…)

Valorizar este património é defender a nossa posição cultural e económica. É defender os interesses estratégicos comuns a todos os países de língua oficial Portuguesa. É assegurar que a nossa presença planetária não se resume a uma memória, mas um fator de continuidade e de futuro lusófono. (…)

… e termina desta forma quase épica:

(…) «Nada nos une mais que a língua de Camões; o herói que escreveu o nosso futuro e nos deixou um apelo a uma nova partida, a uma nova esperança, a uma nova lusofonia. Importa que não nos esqueçamos que os Lusíadas somos nós e que a língua Portuguesa é a nossa alma, a nossa moeda, a nossa marca. Parabéns, vives em mim, vemo-nos todos os dias, mas hoje, é o teu dia!»

(Carlos Coelho, Gestão das Marcas de Portugal, DN)





sexta-feira, 4 de maio de 2018

A ver o Star Wars

É que foi mesmo por acaso que dei com o primeiro filme desta saga épica Star Wars ou A Guerra das Estrelas.

O canal Hollywood está a passar hoje uma maratona dos vários filmes desta "space opera" dirigida por George Lucas. 

Não vou ver os episódios todos, naturalmente; mas adorei ver o jovem Harrison Ford (o protagonista Han Solo, a linda princesa Leia (a artista que lhe deu vida, infelizmente, já morreu), Obi Wan Kenobi, o bom amigo do Skywlaker, os tontos dos robots R2 D2 e o C-3PO (oh-oh, dizia ele...), o doce Yoda, o malvado Darth Vader, os jedi com as suas espadas de luz....maravilhas dos idos de 70.

De facto, o primeiro filme saiu em maio de 1977, mas não foi por isso que decidiram fazer a maratona, até porque foi apenas em 25 de maio que o filme foi estreado. 

A questão é que hoje é dia 4 de maio - em inglês May 4th, o que permite um engraçado trocadilho com a frase leit motiv da saga: «May the force be with you!» - Que a força esteja contigo - em português...

"Let's look at the trailer" como dizia o bom do Herman... E ouvir o tema musical de abertura que é espantosamente bela e poderosa.




quinta-feira, 3 de maio de 2018

Maio mês das rosas

Depois dos cravos de Abril, chegam as rosas de Maio. 

Adoro rosas! Vejam aqui as minhas primeiras.












Lenda

"Não colhas essas rosas.
As rosas,
Irmãs na terra das estrelas,
São mais lindas nos olhos que na mão.
Contenta-te em vê-las.

Deixa-as na haste,
Cor de púrpura e ouro.
Se as colheres, as rosas morrerão."

Não quis ouvir o teu agouro.
Colhi todas as rosas que nasceram
Nos caminhos por onde me levaste
E as rosas não morreram....

(Lenda das Rosas- Álvaro Moreyra
1888-1964)


terça-feira, 1 de maio de 2018

Um poema para o 1º de Maio

"O poeta
declina de toda a responsabilidade
na marcha do mundo capitalista
e com suaves palavras, intuições, símbolos e outras armas
promete ajudar
a destruí-lo
como uma pedreira, uma floresta,
um verme."

(Carlos Drummond de Andrade - "Antologia Poética" (2007), pág.158.)

Entretanto deixo aqui uma lembrança do primeiro 1º de Maio (1974) em Leiria.
Eu ainda estava em Lisboa.



(foto de I. Soares)