sexta-feira, 13 de abril de 2018

Mais uma Carneiro de peso...

Montserrat Caballé, nasceu em 12 de Abril de 1933 em Barcelona. Mais uma Carneiro de grande nível...

Fez ontem 85 anos, mas abandonou o palco aos 80 anos.

Nunca poderemos esquecer a maravilhosa canção Barcelona espetacularmente interpretada pela famosa cantora lírica e pelo espantoso Freddie Mercury cantada pela primeira vez em Maio de 1987 durante uma festa no "Kou Club" em Ibiza para comemorar a aprovação de Barcelona como sede das Olimpíadas de 1992. 

Seria a última vez que Freddie cantaria em público.





quinta-feira, 12 de abril de 2018

Quando em Abril os doces aguaceiros caem...


The Canterbury Tales (Os Contos de Cantuária) de Geoffrey Chaucer, escritos em finais do século XIV, a partir de 1380, não são propriamente fáceis de ler, embora sejam de uma riqueza poética que toca o maravilhoso.

Em cada Abril rico em aguaceiros – como é o de este ano – vem-me sempre à memória o início do prólogo pela doce melodia que transporta: “When in April the sweet showers fall”… 

Hoje deixo-vos aqui a Introdução ao grande prólogo do Contos na língua original e numa tradução que retirei da extraordinária coletânea «Rosa do Mundo: 2001 Poemas para o Futuro»

Espero que gostem.



When in April the sweet showers fall
That pierce March's drought to the root and all
And bathed every vein in liquor that has power
To generate therein and sire the flower;
When Zephyr also has with his sweet breath,
Filled again, in every holt and heath,
The tender shoots and leaves, and the young sun
His half-course in the sign of the Ram has run,
And many little birds make melody
That sleep through all the night with open eye
(So Nature pricks them on to ramp and rage)
Then folk do long to go on pilgrimage,
And palmers to go seeking out strange strands,
To distant shrines well known in distant lands.
And specially from every shire's end
Of England they to Canterbury went,
The holy blessed martyr there to seek
Who helped them when they lay so ill and weak. (…)

(Geoffrey Chaucer
Canterbury Tales
The Great Prologue – introduction)
Quando em Abril os doces aguaceiros caem
E até às raízes secas de Março penetram,
E todas as veias são banhadas por um licor
Tão poderoso que até produz a flor,
Quando também Zéfiro que docemente respira
Exala em cada arvoredo e urze uma brisa
Sobre os rebentos delicados, e o sol de tenra idade
Do signo de Carneiro já percorreu metade,
E as pequenas aves fazem concertos
Passando as noites de olhos abertos
(Assim a Natureza as incita e a tal compromete os seus corações)
Então as gentes anseiam por sair em peregrinações
E os romeiros por encontrar os lugares remotos
De santos distantes, que em muitas terras encontram devotos,
E especialmente dos confins de cada condado
Da Inglaterra, até à Cantuária têm chegado
Para procurarem o mártir e bem-aventurado santo, tão diligente
A prestar-lhes auxílio quando estiveram doentes.

(Tradução de Cecília Rego Pinheiro
Rosa do Mundo - 2001 Poemas para o Futuro)









terça-feira, 10 de abril de 2018

Foi assim que eu fiquei...

Acreditem! Foi assim que eu fiquei hoje à tarde quando saí para ir cumprir o meu "voluntariado" ...

Tal era a chuva e o vento... 




segunda-feira, 9 de abril de 2018

A Batalha de La Lys: um relato



A Batalha de La Lys, travada no Sul da Flandres em 9 de Abril de 1918, constitui o momento mais traumático da acidentada participação portuguesa na Primeira Grande Guerra.

Esta batalha insere-se na investida que a Alemanha desencadeou na Primavera desse ano com o objetivo de quebrar a resistência dos Aliados e acabar rapidamente com a guerra, buscando alcançar a vitória antes que os contingentes norte-americanos, que desembarcavam em França a um ritmo crescente, tomassem parte no conflito.

O novo poder instalado na Rússia, saído da Revolução de Outubro, logo em Novembro assinara um cessar-fogo e em 3 de Março de 1918 firmara a paz separada com os Impérios Centrais. O exército alemão agora com uma só frente de luta na Europa, a ocidental, volta-se para a Flandres e decide a chamada "Operação Georgette” para retomar a cidade de Ipres e abrir caminho até Calais e Boulogne. É nesta operação que se enquadra o combate da planície do Lys. As forças militares em presença são, de um lado, a 2.ª Divisão do Corpo Expedicionário Português comandada pelo general Gomes da Costa e as Divisões 40ª e 55ª do Reino Unido, e, do outro lado, o 6.° Exército alemão, com oito divisões em primeira linha, outras quatro em apoio e mais sete em reserva.

A batalha começa às 4,15h com um bombardeamento alemão maciço sobre as trincheiras, sobre as primeiras e segundas linhas de infantaria. O comando português foi colhido de surpresa e levou algum tempo a perceber que não se tratava de mais um raid. As comunicações ficaram todas cortadas desde as 4,30h, quer as ligações telefónicas, quer o telégrafo. A batalha transformou-se numa série de combates locais de iniciativa dos oficiais subalternos.

Sem comunicações, logo desde o início cada unidade ficou entregue a si própria sem qualquer direção do comando e ficaram também comprometidas as transmissões entre a infantaria e a artilharia que a apoiava. Durante horas de bombardeamento pesado, a artilharia germânica conseguiu varrer as linhas de abastecimento e as posições da artilharia, e destruir completamente todas as fortificações da linha de defesa em frente ao setor português.

 Às 7h, as primeiras linhas de infantaria portuguesa eram "uma massa de escombros, de terra, de revestimentos despedaçados, amalgamados com os cadáveres das guarnições!"

Pelas 7,50h, os soldados alemães, a coberto da sua barragem de artilharia e do nevoeiro, saltam os parapeitos das trincheiras, atravessam a terra de ninguém, e atacam diretamente as posições defendidas pelos restos dos Batalhões de Infantaria, que os recebem à baioneta até serem completamente avassalados pela enorme superioridade numérica contrária, que avança em ondas sucessivas.

Uma hora depois, a Divisão Britânica começa a retirar, deixando o flanco português desprotegido a norte. Às 9,30h, as forças alemãs atacam as linhas de separação entre as congéneres portuguesas e inglesas em ambos os lados. Às 10,30h, os Britânicos da 55ª Divisão, a sul, avisam que também vão recuar e estabelecer posições defensivas. Assim, as divisões em que os flancos da Divisão portuguesa se apoiavam "retiravam para formarem flanco defensivo, deixando aberturas por onde o inimigo penetrou com mais facilidade".

A partir desta hora começa a desorganização de muitas unidades, completamente destroçadas, com os soldados errando desgarrados depois de abandonarem os seus postos.

Muitos são mortos e feridos, e milhares são feitos prisioneiros. As hostes portuguesas e britânicas não conseguiram aguentar o embate e cederam perante uma avalanche que chegou a ser na proporção de dez para um.

Cerca de 400 portugueses morreram nessa batalha e mais de sete mil portugueses terminaram a guerra em campos de prisioneiros alemães, onde enfrentaram condições de vida muito complicadas.

O seu desenlace feriu profundamente a alma nacional, chegando a falar-se de um novo Alcácer-Quibir.

(Texto adaptado de “Batalha de La Lys: um relato pessoal” recolhido e tratado por Guilhermina Mota. Trabalho completo em:


(Prisioneiros portugueses)

domingo, 8 de abril de 2018

Nascido a 8 de Abril

Vejam como o mês de Abril produz gente de valor e de arte!

Jacques Brel, (1929 - 1978) o poeta cantor belga dos idos de 50/60, nasceu em Bruxelas, num dia 8 de Abril, há já 89 anos. 

A sua canção mais conhecida foi, sem dúvida, Ne me quitte pas, uma pungente canção de amor, publicada em 1959, motivada pela sua separação de Suzanne Gabriello, cantora e atriz com quem o cantor manteve uma ligação amorosa.





Esta lindíssima canção de amor correu mundo e foi recriada por cantores de renome como Edith Piaf, Frank Sinatra, Barbra Streisand, Ray Charles, Maysa, Michael Jackson, Celine Dion, Nina Simone, e sei lá mais por quem...


Deixo aqui a versão de Sinatra, que muito me encanta. E a versão portuguesa, por Simone de Oliveira, com letra maravilhosamente adaptada pelo poeta David Mourão-Ferreira, a qual vai transcrita em baixo.

Espero que gostem.










Não me vás deixar
importa esquecer
trata de esquecer
o que há-de passar
esquecer o tempo
dos mal-entendidos
e o tempo perdido
em busca do vento
esquecer de vez
o que sem parar
nos tenta matar
com tantos porquês
Não me vás deixar
Não me vás deixar
Não me vás deixar
Não me vás deixar

Por mim te darei
pérolas de chuva
dum país sem chuva
que nem água tem
deixarei tesouros
depois de morrer
para tudo te encher
de luzes e de ouro
um reino farei
onde a murmurar
de sempre te amar
só tu serás rei
Não me vás deixar
Não me vás deixar
Não me vás deixar
Não me vás deixar

Não me vás deixar
inventar-te-ei
palavras que nem
se podem escutar
e falar-te-ei
de quem por amor
destrói o terror
de todas as leis
e a história de um rei
morto de pesar
por não me encontrar
também encontrei
Não me vás deixar
Não me vás deixar
Não me vás deixar
Não me vás deixar

Já mesmo se viu
do fundo de um mar
que nunca existiu
o fogo brotar
acontece enfim
um campo queimado
dá um perigo mais grave
que o melhor Abril
e ao cair da tarde
vão-se misturar
sob o céu que arde
tantas cores aos pares
Não me vás deixar
Não me vás deixar
Não me vás deixar
Não me vás deixar

Não me vás deixar
nada te direi
nem chorar já sei
vou ali ficar
dali te verei
dançar e sorrir
e escutar-te-ei
a cantar e a rir
até me sentir
sombra de uma sombra
que há na tua mão
sombra do teu cão
Não me vás deixar
Não me vás deixar
Não me vás deixar
Não me vás deixar






sábado, 7 de abril de 2018

A Taça de Chá

(daqui)


O luar desmaiava mais ainda uma máscara caida nas esteiras bordadas. E os bambús ao vento e os crysanthemos nos jardins e as garças no tanque, gemiam com elle a advinharem-lhe o fim. Em róda tombávam-se adormecidos os idolos coloridos e os dragões alados. E a gueisha, procelana transparente como a casca de um ovo da Ibis, enrodilhou-se num labyrinto que nem os dragões dos deuses em dias de lagrymas. E os seus olhos rasgados, perolas de Nankim a desmaiar-se em agua, confundiam-se scintillantes no luzidio das procelanas.

Elle, num gesto ultimo, fechou-lhe os labios co'as pontas dos dedos, e disse a finar-se: --Chorar não é remedio; só te peço que não me atraiçoes emquanto o meu corpo fôr quente. Deitou a cabeça nas esteiras e ficou. E Ella, num grito de garça, ergueu alto os braços a pedir o Ceu para Elle, e a saltitar foi pelos jardíns a sacudir as mãos, que todos os que passavam olharam para Ella.

Pela manhã vinham os visinhos em bicos dos pés espreitar por entre os bambús, e todos viram acocorada a gueisha abanando o morto com um leque de marfim.

A estampa do pires é igual.

(Almada Negreiros, in 'Frisos - Revista Orpheu nº1')




Porque Almada nasceu num dia 7 de abril, faz hoje 125 anos.


(daqui)

sexta-feira, 6 de abril de 2018

Sete rosas vermelhas

Recebi hoje estas sete lindas rosas vermelhas.

Uma por cada década de vida...




Vamos ver se dá para receber ainda mais uma por outra década... Ou estarei a pedir de mais? 

«É acreditando nas rosas que as fazemos desabrochar.»

Anatole France