domingo, 8 de abril de 2018

Nascido a 8 de Abril

Vejam como o mês de Abril produz gente de valor e de arte!

Jacques Brel, (1929 - 1978) o poeta cantor belga dos idos de 50/60, nasceu em Bruxelas, num dia 8 de Abril, há já 89 anos. 

A sua canção mais conhecida foi, sem dúvida, Ne me quitte pas, uma pungente canção de amor, publicada em 1959, motivada pela sua separação de Suzanne Gabriello, cantora e atriz com quem o cantor manteve uma ligação amorosa.





Esta lindíssima canção de amor correu mundo e foi recriada por cantores de renome como Edith Piaf, Frank Sinatra, Barbra Streisand, Ray Charles, Maysa, Michael Jackson, Celine Dion, Nina Simone, e sei lá mais por quem...


Deixo aqui a versão de Sinatra, que muito me encanta. E a versão portuguesa, por Simone de Oliveira, com letra maravilhosamente adaptada pelo poeta David Mourão-Ferreira, a qual vai transcrita em baixo.

Espero que gostem.










Não me vás deixar
importa esquecer
trata de esquecer
o que há-de passar
esquecer o tempo
dos mal-entendidos
e o tempo perdido
em busca do vento
esquecer de vez
o que sem parar
nos tenta matar
com tantos porquês
Não me vás deixar
Não me vás deixar
Não me vás deixar
Não me vás deixar

Por mim te darei
pérolas de chuva
dum país sem chuva
que nem água tem
deixarei tesouros
depois de morrer
para tudo te encher
de luzes e de ouro
um reino farei
onde a murmurar
de sempre te amar
só tu serás rei
Não me vás deixar
Não me vás deixar
Não me vás deixar
Não me vás deixar

Não me vás deixar
inventar-te-ei
palavras que nem
se podem escutar
e falar-te-ei
de quem por amor
destrói o terror
de todas as leis
e a história de um rei
morto de pesar
por não me encontrar
também encontrei
Não me vás deixar
Não me vás deixar
Não me vás deixar
Não me vás deixar

Já mesmo se viu
do fundo de um mar
que nunca existiu
o fogo brotar
acontece enfim
um campo queimado
dá um perigo mais grave
que o melhor Abril
e ao cair da tarde
vão-se misturar
sob o céu que arde
tantas cores aos pares
Não me vás deixar
Não me vás deixar
Não me vás deixar
Não me vás deixar

Não me vás deixar
nada te direi
nem chorar já sei
vou ali ficar
dali te verei
dançar e sorrir
e escutar-te-ei
a cantar e a rir
até me sentir
sombra de uma sombra
que há na tua mão
sombra do teu cão
Não me vás deixar
Não me vás deixar
Não me vás deixar
Não me vás deixar






sábado, 7 de abril de 2018

A Taça de Chá

(daqui)


O luar desmaiava mais ainda uma máscara caida nas esteiras bordadas. E os bambús ao vento e os crysanthemos nos jardins e as garças no tanque, gemiam com elle a advinharem-lhe o fim. Em róda tombávam-se adormecidos os idolos coloridos e os dragões alados. E a gueisha, procelana transparente como a casca de um ovo da Ibis, enrodilhou-se num labyrinto que nem os dragões dos deuses em dias de lagrymas. E os seus olhos rasgados, perolas de Nankim a desmaiar-se em agua, confundiam-se scintillantes no luzidio das procelanas.

Elle, num gesto ultimo, fechou-lhe os labios co'as pontas dos dedos, e disse a finar-se: --Chorar não é remedio; só te peço que não me atraiçoes emquanto o meu corpo fôr quente. Deitou a cabeça nas esteiras e ficou. E Ella, num grito de garça, ergueu alto os braços a pedir o Ceu para Elle, e a saltitar foi pelos jardíns a sacudir as mãos, que todos os que passavam olharam para Ella.

Pela manhã vinham os visinhos em bicos dos pés espreitar por entre os bambús, e todos viram acocorada a gueisha abanando o morto com um leque de marfim.

A estampa do pires é igual.

(Almada Negreiros, in 'Frisos - Revista Orpheu nº1')




Porque Almada nasceu num dia 7 de abril, faz hoje 125 anos.


(daqui)

sexta-feira, 6 de abril de 2018

Sete rosas vermelhas

Recebi hoje estas sete lindas rosas vermelhas.

Uma por cada década de vida...




Vamos ver se dá para receber ainda mais uma por outra década... Ou estarei a pedir de mais? 

«É acreditando nas rosas que as fazemos desabrochar.»

Anatole France

quinta-feira, 5 de abril de 2018

Que nojo que eu sinto!

Que me desculpem os meus amigos que por aqui passam, mas isto hoje vai muito fora do que se instituiu chamar de «politicamente correto» - seja isso o que for.

Foi logo de manhã que li na capa do jornal: «“Atos sexuais relevantes” com criança de 10 anos dão pena suspensa». E depois, lá dentro, o título da notícia era: «Um ano de abusos sexuais de criança punido em tribunal com pena suspensa», enquanto o respetivo subtítulo, despudoradamente, dizia: «Tribunal de Braga deu como provado que explicador de xadrez praticou “atos sexuais relevantes” com aluna de dez anos.»

Que nojo senti!

Então o “senhor professor” de xadrez, de 38 anos de idade, abusou de uma menina de dez anos durante um ano inteiro e o Tribunal condenou-o por um crime de abuso sexual agravado da criança. Apesar de o “senhor professor” negar sempre os crimes – pois claro! – o acórdão deu como provado que o homem forçou a vítima a “atos sexuais de relevo” ao longo de um ano, desde junho de 2015 até perto de o arguido ser detido pela Polícia Judiciária em julho de 2016.

O tribunal deu como provado que os abusos aconteceram na casa de banho do clube onde o arguido dava explicações e na sua própria casa.

Ora depois de isso tudo, o Tribunal condena o “senhor professor” a quatro anos e meio de prisão com pena suspensa e dez mil euros de indeminização à criança.

A notícia ainda refere que “cerca de 75% dos autores de crimes de abuso sexual de menores foram condenados a penas suspensas de prisão em 2015 e 2016.” (…) “Nestes dois anos houve um total de 696 condenações, em que os juízes puniram com penas suspensas em 523 processos.”

E se alguma dessas infelizes crianças fosse filho/a de um dos senhores juízes, será que agiriam da mesma maneira?

Então, juntando a estas situações vergonhosas, as muitas outras em que os “senhores” juízes e as “senhoras” juízas perdoam os casos de violência doméstica contra as mulheres e mais aqueles casos em que aqueles supracitados “senhores” arquivam as poucas vergonhas de uma determinada área partidária como foram os casos dos submarinos e das Tecnoformas e das universidades portucalenses e do inexorável BPN com toda a “fauna” partidária que lhe está inerente e mais aquele caso em que um ex primeiro ministro esteve/está refém político dos ditos “senhores”, o que eu advogaria sinceramente e fazendo minhas as palavras do grande feitor de Abril, seria:

Esses “senhores e essas “senhoras” todos para o Campo Pequeno! Já!


(para ler mais:)




quarta-feira, 4 de abril de 2018

Da Literatura Infantil

Celebrou-se no passado dia 2 o Dia Internacional da Literatura Infantil - em justa homenagem a Hans Christian Andersen, autor dinamarquês que escreveu tão belos contos de fadas e que nasceu no dia 2 de abril de 1805.

Para contribuir - embora fora de horas - para a festa do Livro Infantil, lembrei-me de deixar aqui algumas imagens de uma exposição de livros de histórias para crianças em modelo pop-up que tive a sorte de ver há algum tempo na Biblioteca Nacional. 

A  exposição tinha o engraçado título de «Livros a Saltar». Vamos ver alguns.




























Faz-se de tudo para atrair as crianças para os livros!

segunda-feira, 2 de abril de 2018

Oitava temporada

Até parece que vou falar das novelas da TVI com as suas intermináveis temporadas. Mas não! 

A oitava temporada é aqui no meu blog... Quer isto dizer que ando aqui há já oito anos a "moer-vos o juízo" e estou para continuar, com altos e baixos, sei lá até quando.

E, a propósito da "oitava", lembrei-me daquela anedota muito velha, do tempo dos discos pedidos na rádio . Era o programa «Quando o telefone toca» - quem se lembra? «Senhor Joaquim Pedro, posso dizer a frase? (era a frase publicitária) Posso pedir um disco?»

Ora um dia, telefonou para lá um senhor a pedir para tocarem o disco «oitava». Mas o Senhor Joaquim Pedro não conhecia esse disco e teimava: «será mesmo oitava? Não conheço! Pode cantar um bocadinho para eu ver se conheço?»
E aí, o ouvinte, tímido, cantou: «Oitava na peneira, oitava peneirando, oitava no namoro, oitava namorando»...

Para vos avivar a memória e para celebrar a entrada na minha oitava temporada, aqui fica este belo forró nordestino de Waldemar Henrique (anos 40 do século passado) pela voz do célebre Luiz Gonzaga.




domingo, 1 de abril de 2018

Um almoço de Páscoa algo diferente

Observem bem e vejam se não é um almoço algo diferente...


Divirtam-se! Rir é preciso!