segunda-feira, 13 de novembro de 2017

De baixa...

Só para dizer que o meu computador está de baixa. E deve ser baixa psiquiátrica - como a dona precisava... eh eh eh...





Até...

sábado, 11 de novembro de 2017

Foram umas em cima das outras!

Esta semana foi de mais!!

Primeiro foi a cena da interrupção dos velórios por agentes da PSP para levarem os corpos das vítimas da legionela para serem autopsiados. Não me apercebi ainda de qualquer pedido de desculpas formal às famílias destratadas.

Depois veio o presidente da República, na sua excessiva necessidade de se fazer notar, elogiar a ação social da mulher do anterior presidente, elevando-a à categoria de “madrinha” de todos os portugueses.

A seguir realizam o jantar de encerramento de um evento de índole económico-social e promocional no Panteão Nacional. (Parece que, na fúria de fazerem dinheiro, os governantes anteriores despacharam no sentido de se poderem alugar monumentos nacionais para realizar festividades…)

E, por último (mas provavelmente não em último!) o semanário Expresso – que já foi um jornal de referência, mas que, de há uns tempos para cá, se tem comportado como se de um tablóide do tipo Correio da Manhã se tratasse – abre a sua primeira página com este glorioso título:

«Orçamento de Estado – Costa dá €1200 milhões a PCP e Bloco»



Estarão todos a ficar afetados pelo clima, ou sou eu que estou a ver mal?




sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Pelo São Martinho...

Quadras muito antigas

Eu sou o Novembro
O mês dos santinhos,
Em que os lavradores
Provam seus vinhos.

O Diabo leve os homens,
Aqueles que bebem vinho;
O Senhor conserve o meu
Que esse bebe poucochinho…

Ó meu amor dá-me vinho
Que eu água não sei beber…
A água tem sanguessugas
Tenho medo de morrer…

Não quero os ricos cavalos,
Nem os palácios reais;
Queria ter uma adega
De vinte pipas ou mais!

Quem quiser que eu cante bem,
Dê-me uma pinga de vinho;
O vinho é coisa bem boa
Faz o cantar mais fininho.


(Cantares de Todo o Ano, 1954)


Adega Regional de Colares








Não te esqueças!
Pelo São Martinho, vai à adega e prova o vinho!

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Tão baralhada!

A minha hortense mais antiga anda mesmo baralhada... Não sabe se ainda é Verão ou já é Inverno. É que ainda há uma semana estava tanto calor e agora está cá uma nortada! E, como não chove, se calhar ainda não estamos no Outono - pensa ela. Como há de florir?!






Invejo as flores que murchando morrem,
E as aves que desmaiam-se cantando
E expiram sem sofrer...

Álvares de Azevedo


terça-feira, 7 de novembro de 2017

A Vida

A vida é o dia de hoje,
A vida é ai que mal soa,
A vida é sombra que foge,
A vida é nuvem que voa;

A vida é sonho tão leve
Que se desfaz como a neve
E como o fumo se esvai:
A vida dura num momento,
Mais leve que o pensamento,
A vida leva-a o vento,
A vida é folha que cai!

A vida é flor na corrente,
A vida é sopro suave,
A vida é estrela cadente,
Voa mais leve que a ave:

Nuvem que o vento nos ares,
Onda que o vento nos mares,
Uma após outra lançou,
A vida – pena caída
Da asa da ave ferida
De vale em vale impelida
A vida o vento levou!

João de Deus


Perdi hoje a última pessoa da minha família materna. A última e a mais próxima. O meu querido primo-irmão, presente na minha vida desde que me lembro. Criados juntos, vivemos juntos até ao dia de cada um seguir a sua própria vida.

Mais novo do que eu um ano, partiu em grande sofrimento de uma doença daquelas más que se declarou há menos de dois meses.

Grande dor. Grande tristeza.  

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Gisela João

Li por ai que a menina faz anos hoje - 34. Um escândalo! Quem é que tem 34 anos?! E como é natural de Barcelos - terra do meu pai e de toda a sua família - resolvi trazê-la aqui...

Vejam, que a miúda é bem divertida e tem boa voz...

(A canção é do saudoso Carlos Paião e também foi cantada por Amália)




domingo, 5 de novembro de 2017

A Revolução Russa - uma opinião e uma história

Gosto de ler os textos que o José Jorge Letria vai escrevendo no jornal. Hoje escreveu sobre a Revolução Russa que faz cem anos que se deu. Achei interessante mais pela história do pobre embaixador português que a viveu. Como sempre, os nossos governantes sempre esquecem os seus representantes que se encontram em dificuldades.

Escreve Letria: «No princípio de abril estive em Moscovo por motivos profissionais e institucionais, na minha quarta deslocação à capital russa depois do 25 de Abril, e confesso que nada vi nas ruas, no hotel, no metro e até em espaços museológicos que me fizesse lembrar a comemoração do centenário da Revolução Russa. O sentido do marketing político e a relação pragmática com a sociedade de consumo recomendaria uma presença visual mais forte desse imaginário que reflete mudanças profundas na história da Rússia e do mundo. Mas fiquei com a sensação, talvez próxima de uma complexa realidade política e psicológica, de que o país de Putin não se revê na Rússia revolucionária de Lenine e bolcheviques, embora o presidente seja resultado desse contexto e do quadro político que ele implantou. (…)

A Revolução Russa ocorreu há um século e contribuiu para mudar o mundo. Houve um português, o diplomata Jaime Batalha Reis (1847-1935), que a viu de perto, por ser embaixador em Petrogrado. Estava ali acompanhado por duas filhas adultas e, sendo republicano, não nutria particular simpatia pela transformação política operada no país. Não gostou do que viu e viveu. Viu lojas e casas assaltadas, teve fome e frio e viu assassinatos. Teve medo e disse-o em português nos relatórios enviados a Lisboa. "Vivo com a família há pelo menos seis meses em perigo de vida permanente agravada por falta de dinheiro. Tenho tido fome e frio. Terei de partir inopinadamente com dificuldade. Suplico a V. Exa. que leia meu último telegrama sobre assunto não respondido e mande pôr urgentemente à minha ordem no Provincial National Bank Londres pelo menos mil libras esterlinas extraordinárias."

O seu senhorio octogenário, que fizera parte da corte do imperador, foi enforcado ao fim da tarde na sala de jantar. Batalha Reis estava exausto e aterrorizado. Queria fugir e chegar a Lisboa. Tinha 66 anos, em fim de carreira e chegou a conhecer Lenine, na presença de outros embaixadores, em clima de grande tensão. Só o jornalista comunista norte-americano John Reed se movimentava em Moscovo com liberdade e conhecimento profundo, o que lhe permitiu escrever a obra-prima Dez Dias Que Abalaram o Mundo, que ainda se lê com emoção e prazer. De Lisboa chega ao diplomata Batalha Reis pouco amparo e consolo. (…)

Lenine e os bolcheviques triunfaram e o resto é o que a história registou e que mudou em aspetos tão profundos a relação dos povos em vários continentes. Estava lá um português, mas de partida, no meio de grande sofrimento.»

Para ler o artigo completo:


Jaime Batalha Reis